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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

24 maio 2009

UMA VIAGEM NO TEMPO - BRIDGESTONE JAZZ, parte 1

Parece que foi ontem aquele almoço que serviu para lançar as bases deste blog. E lá se vão sete anos, completados no dia 10 passado, e nada melhor para comemorá-los do que uma viagem dos fundadores - e os early-birds do CJUB foram todos - a um festival de jazz.

A "grande" excursão, embora só até São Paulo, foi emblemática, como sempre, da boa camaradagem que permeia a fraternidade cjubiana, sem que faltasse nenhum dos elementos que a tornam única. Do time escalado, Mestre Raf, importante pilar, além de BraGil e Guzz, não puderam ir, por motivos alheios, claro, às suas vontades.

E nada melhor para a consolidação de amizades jazzisticas na origem do que uma mostra de primeira categoria, consubstanciada na edição 2009 do Bridgestone Festival ao longo de suas tres noites, uma festa impecavelmente produzida por seu promotor Toy Lima, da escalação das atrações até a perfeita organização percebida nas dependencias do Citibank Hall (onde ficava o antigo Palace) e tudo correu da forma mais profissional possível, da qualidade inatacável do som à corajosa proibição de servico durante as apresentações.

Abrindo a primeira noite, a boa surpresa causada em geral pelo trio de Robert Glasper, um pianista de excelente técnica e com vastas possibilidades para o futuro, contanto que consiga firmar um estilo próprio pois pareceu-me, em certos momentos, um pouco calcado demais nas sonoridades de Brad Mehldau e nos climas do precocemente falecido pianista nórdico Esbjorn Svensson em alguns temas, por demasiadas repetições dos mesmos "chords". Seus acólitos, jovens e dedicados, seguraram muito bem as incursões de Glasper pelos mais variados andamentos - já que, vez liberto das repetições, desandava a suingar com fluência e ótimo ritmo - muito bem amparado e com destaque para o baterista Chris Dove. O jovem baixista Vincent Archer segurou bem toda a onda de Robert Glasper sem maiores expressões de virtuosismo mas com técnica apurada. Um grupo para se seguir os passos. @@@,5


Em seguida, após cravados 15 minutos de intervalo, suficientes para a arrumação do palco, foi anunciada a grande atração daquela primeira data e motivo do frisson que percorreu a platéia lotada: a possibilidade de ver/ouvir/sentir algo do mágico clima que reinou na gravação do mais emblemático disco do jazz, a ser revivido de alguma forma pela banda reunida pelo último remanescente daquelas "sessions", o baterista Jimmy Cobb, para comemorar o cinquentenário do disco Kind of Blue mundo afora.
Assim, foram entrando no palco os digníssimos executantes escolhidos por Cobb:
"No papel de Miles", como se fosse de alguma maneira possível, o soberbo trompetista Wallace Roney, ostentando o que seria, segundo a rádio-corredor, um instrumento recebido de presente do próprio Miles Davis.

"Como" Julian "Cannonball" Adderley, Vincent Herring, um saxofonista-alto de notoriedade incontestável no panorama de seu instrumento, inclusive entre seus pares.

Emulando a John Coltrane no sax-tenor, um consagrado estudioso da linguagem do "papa", o elegante e compenetrado Javon Jackson.

Esta foi então a poderosa frontline escalada para a apresentação comemorativa, sem que ninguém ali pudesse falar nada quanto à sua qualidade, sem reparos.

Ao lado de mestre Cobb na cozinha, segurando o ritmo no contrabaixo, pilotado historicamente outror pelo monstruoso Paul Chambers, a figura serena de Buster Williams .


E finalmente, ao piano, Mr. Larry Willis.











Essa turma não se fez de rogada e largou soltando faíscas numa So What que me pareceu em uptempo, talvez pela ambiência de festival. Confesso que fiquei meio atordoado com o volume geral, não estava esperando aquela massa sonora, que, não obstante, refletia fielmente cada nota dos chorus originais, dando então lugar aos solos de cada um dos integrantes do frontline que empolgaram a platéia atenta e curiosa, boquiaberta com a qualidade dos músicos. Destaque positivo para Roney e Herring e me perdoem os puristas presentes, negativo para Willis, que tratava o piano como se quisesse descontar nele toda a sua felicidade em estar no Brasil. O seu fraseado, digno de um grande pianista, perdia-se na potencia com que se expressava, levando o mais otimista dos presentes a perguntar-se duas coisas: uma, se o Steinway suportaria o ritmo; outra, por onde será que andaria o CD, lá em sua própria casa...

O desfiar do repertório do Kind of Blue foi perfeito, com belas intervenções de todos os sopros a seu turno, abusando de suas melhores qualidades e mostrando ao povo o que seria a gravação daquela peça ao vivo e turbinada. Na fila de trás, um Buster Williams sólido como um rochedo foi a base rítmica para toda a apresentação, que serviu ainda para mostrar a todos a vivacidade e a capacidade física de Cobb, hoje com 81 anos e a garra de um baterista de menos de cinquenta. A não ser pela força física de Larry Willis, aplicada ao instrumento de forma um pouco exagerada, o set receberia as nossas cinco orelhas, representativas do estado da arte no jazz. Por conta disso e da ENORME saudade que nos deu de Bill Evans, Willis rebaixou seu time para @@@@,5.

(segue)

fotos: GUTO NÓBREGA

2 comentários:

Beto Kessel disse...

tenho visitado o blog nos ultimos dias e agora tenho a grata surpresa de ler a resenha do que se passou em SP na noite magica que transpos o kind of blue 50 anos depois...

Valeu Mau Nah !!!

Obs. No momento o meu CD que nao sai do carro e simplesmente Kind of Blue...

John Lester disse...

Prezado MauNah, obrigado pelas incisivas impressões.

Grande abraço, JL.