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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

05 maio 2009

O BRIDGESTONE FESTIVAL PELA PENA DO MESTRE

Muito saudoso do seu estilo e conhecimento, pedi ao Mestre Raf que me falasse sobre suas expectativas com relação ao Festival que se aproxima. Afinal, o Bridgestone é um dos poucos remanescentes no horizonte jazzístico - até o tradicionalíssimo JVC Jazz Festival foi cancelado por retirada do patrocínio -, diante da crise que vem atingindo os principais patrocinadores culturais pelo mundo afora. Abri meu email hoje e vi, com alegria, que lá estavam, na letra inconfundível do nosso decano, suas (sempre) elegantes palavras a respeito.


CONTAGEM REGRESSIVA PARA O BRIDGESTONE MUSIC FESTIVAL

O Bridgestone Music Festival, que será realizado de 14 a 16 deste mês no Citibank Hall, em São Paulo, é um evento de transcendental importância que vem ocupar, em boa hora, um espaço dos mais relevantes na programação anual dos acontecimentos culturais da cidade. Sua programação musical, baseada numa concepção que se coaduna com os tempos da globalização, reúne três noites com atrações de músicos de jazz e astros da soul music, numa saudável alternativa para os festivais que se realizam atualmente, com tempero de outras culturas numa miscigenação musical que vem se estendendo em quase todos os continentes.

A noite de abertura, dia 14, quinta-feira, será iniciada pelo trio do pianista Robert Glasper, uma das mais gratas revelações do instrumento no firmamento jazzístico americano, cuja ascenção meteórica vem sendo reconhecida pela crítica e pelos músicos. Filho da cantora e pianista Kim Ivette, Robert começou a tocar aos 12 anos, demonstrando qualidades que somente pianistas mais experientes possuíam. Indo para New York estudar na New School University, Robert entrosou-se no meio musical da cidade tocando com Christian McBride, Terence Blanchard, Nicholas Payton e Roy Hargrove, integrantes da chamada corrente dos new lions revelada nos anos 80e hoje astros consagrados. Em 2004, ele gravou “Mood”, seu primeiro CD, cuja repercussão na mídia valeu-lhe um contrato com a gravadora Blue Note, para a qual gravou os elogiados CDs “Canvas” e “In my Element”. Robert afirma que toca para o público jovem, misturando influências de jazz, másica gospel e hip-hop. Ele será acompanhado por Vincent Archer (baixo) e Chris Dove (bateria).

A segunda atração da noite será uma das maiores de todos os tempos em nosso país: a So What Band, liderada pelo baterista Jimmy Cobb, que comemorará os 50 anos do seminal disco “Kind of Blue”, do sexteto de Miles Davis, gravado em 1959. Para essa gigantesva empreitada, Jimmy Cobb, que participou da gravação original de “Kind of Blue”, selecionou Wallace Roney (trompete), Vincent Herring (sax-alto), Javon Jackson (sax-tenor), Larry Willis (piano) e Buster Williams (baixo) em razão da afinidade dos mesmos com os estilos de Miles Davis, Cannonball Adderley, John Coltrane, Bill Evans e Paul Chambers, em seus respectivos instrumental, que com ele gravaram “Kind of Blue. Além das composições deste álbum, o repertório da So What Band incluirá temas de jazz de outros discos de Miles Davis.

Como atração maior deste festival, a So What Band voltará ao palco do Citibank Hall na noite seguinte, dia 15, sexta-feira, que será aberta pelo quarteto da cantora René Marie com o trompetista Jeremy Pelt.

René Marie foi uma revelação tardia, iniciando sua carreira em 1996, aos 41 anos. Suas qualidades de grande intérprete foram reconhecidas imediatamente e seu disco “Renaissance”, de 1998, recebeu elogiosas críticas. Sua carreira ganhou maior impulso quando assinou contrato com a gravadora Maxijazz, em 2000, para a qual gravou o CD “How Can I Keep You Singing”, que lhe valeu o prêmio de Melhor Cantora de Jazz pela Associação de Críticos de Música Independente; seguiram-se os CDs “Vertigo”, “Experiment in Truth”, “Serene Renegade” e “Live at Jazz Standard”. René Marie se apresentará com seu trio integrado por Kevin Bales (piano), Rodney Jordan (baixo) e Quentin Baxter (bateria), além do convidado especial Jeremy Pelt ao trompete.

A noite de encerramento, dia 16, sábado, será marcada pela presença do conjunto Tok Tok Tok, com a cantora Tokunbo Akinro e seu parceiro Morten Klein, e pela cantora Bettye LaVette com seu quinteto.

A associação de Tokunbo Akinro, uma descendente de nigerianos, com o alemão Morten Klein (saxofone e teclados) deu frutos que lhes renderam apresentações e concertos em festivais europeus. Seu repertório engloba música soul e jazz contemporâneo. Seu disco de estréia “50 Ways to Leave Your Lover” foi um grande sucesso. No início, interpretavam canções dos repertórios de Ray Charles, Stevie Wonder e Burt Bacharach, mas posteriormente o conjunto encontrou o equilíbrio entre o groove e a canção popular, como mostrou em “She and H” seu último CD lançado pelo selo O-Tone. Além de Tokunbo Akinro e Morten Klein, o conjunto Tok Tok Tok, formado por Thomas Bauser (teclados), Christin Flohr (baixo) e Matthias Meusel (bateria), tem tudo para agradar o público em geral e especialmente os jovens.

A cantora Betty LaVette, chamada de Diva da Soul Music, e seu quinteto encerrarão o Bridgestone Music Festival. A estrela de Betty LaVette está em alta desde quando gravou seu disco single “My Man – He’s A Loving Man”, aos 16 anos, que estourou na parada de sucessos do Rhythm & Blues. A repercussão do sucesso foi tão grande que foi escolhida para fazer turnês com James Brown e Otis Redding, entre outros astros. Recentemente ela cantou na posse do Presidente Barack Obama ao lado de Bon Jovi. O relançamento de alguns dos seus antigos sucessos no CD “Souvenirs” (pelo selo Art & Soul) reativou convites para gravar. Entre os CDs de sua discografia incluem-se “I’ve Got My Own Hell to Raise” (que lhe deu grande popularidade dos Estados Unidos), “Child of the Seventies”, “Do You Duty”, “Tell Me A Lie” e “Scene of the Crime”. O quinteto que acompanhará Miss LaVette é integrado por Alan Hill (Teclados), Brett Lucas (guitarra), Charles Bartels (baixo) e Darryl Pierre (bateria).

É hora de correr porque a contagem regressiva já começou.

2 comentários:

edú disse...

Estava com saudades de ler Mestre Raffaelli.Grato pelas informações.

John Lester disse...

Muito bem lembrado. Jimmy merece toda nossa atenção e carinho.

Grande abraço, JL.