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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

08 março 2009

A CAIXA DOS 50 ANOS DO KIND OF BLUE

Uma maravilha, editada de modo primoroso por Michael Cuscuña para a Legacy (leia-se Columbia), a caixa "para colecionadores" (termo que o Depto. de Marketing usa para dizer que o item sai dos padroes de preço habituais), vale tudo o que custa, lá fora. Nao tenho referencia do preco por aqui como será, ainda...

Completíssima, traz as gravações originais mais alguns takes alternativos, curtos trechos onde se ouvem os dialogos entre Miles e o produtor Irwing Townsend, e as inevitaveis e habituais gozações entre os musicos. Isso, no CD 1, cuja lista de músicas é a seguinte:

So What (9:25)
Freddie Freeloader (9:49)
Blue in Green (5:37)
All Blues (11:35)
Flamenco Sketches (9:26)
Flamenco Sketches [Alternate Take] (9:33)
Freddie Freeloader [Studio Sequence] (0:53)
Freddie Freeloader [False Start] (1:27)
Freddie Freeloader [Studio Sequence 2] (1:30)
So What [Studio Sequence] (1:55)
So What [Studio Sequence 2] (0:13)
Blue in Green [Studio Sequence] (1:58)
Flamenco Sketches [Studio Sketches] (0:45)
Flamenco Sketches [Studio Sketches 2] (1:12)
All Blues [Studio Sketches](0:18)


O segundo CD é dedicado a outras gravações do sexteto, à exceção da longa versão de So What, cuja duração é quase o dobro da aproveitada na edição original, sendo a última da lista abaixo:

On Green Dolphin Street (9:50)
Fran-Dance (5:49)
Stella by Starlight (4:46)
Love for Sale (11:49)
Fran-Dance [Alternate Take](5:53)
So What (17:29)


Há ainda um vinil AZUL, identico ao original, porém remasterizado, aperfeicoado, limpo, "papa-fina" para quem manteve suas turntables em funcionamento. E ainda, talvez a peça mais importante como documento, para os tempos de agora, um DVD muito bem montado sobre a importancia, a inserção da musica de Miles naquele momento, as perspectivas históricas e musicais do fenômeno, analisadas por gente importante no cenario jazzístico americano atual, de Jimmy Cobb a Herbie Hancock.

Em complemento, há ainda muitas reproducoes de fotos das sessões, um poster de Miles, encartes de diversos tipos, sem falar da capa original do LP, com as célebres liner notes escritas, quase que "de primeira", por Bill Evans. Porém, não integralmente aproveitadas. Como eu sei disso?

Pela reprodução, em tamanho real, do seu manuscrito (na foto acima, são as folhas de cor beige à esquerda) no qual, de modo fluente - há mínimas correções dele mesmo no texto - compara o trabalho "determinado" por Miles e empreendido pelos musicos, à técnica de pintura japonesa que exige espontaneidade absoluta do pintor.
Nestas folhas, há uma frase que fecha o texto no manuscrito, que não consta da contracapa original, e que é o motivo gerador deste post vez que achei-a interessante. Diz Bill, no original em ingles (e na traducao minha logo após) embaixo do seu comentario/descrição sobre F.Freeloader:

"Perhaps those who hear ...(ileg.) will find something captured wich escapes contemplation", o que seria algo como "Talvez aqueles que ouvirem descubram algo capturado que escape à contemplação".

A peça toda é, diria, fundamental para os amantes de Miles e da sua mais elevada obra.

Abraços.

4 comentários:

edú disse...

Ótimo produto ao disciplinado apreciador de jazz e -particularmente - Miles Davis.O lote inteiro é orçado em R$ 560, 00 em nossas lojas domésticas virtuais.

Tenencio disse...

Meu carissimo Pres.,
vamos imaginar o seguinte: foram encontrados rascunhos que peritos garantem que são legitimos de Machado de Assis. O Mestre os deixou numa gaveta e nunca foram editados. Se o proprio artista preferiu não expor esses rascunhos é porque ele considerava ,no minino,não estarem a altura de sua produção. Então indo ao que nos interessa: sera que alguem consegue melhorar o que ja é genial com a adição de takes que não foram aprovados pelo artista? Ou de risadas e alguns "false start"? Creio que não. Acho que fotos adicionais e comentarios de gente como Jimmy Cobb ,sim , realmente enriquecem a apreciação historica desse marco do jazz que é "Kind Of Blue"(que Mr. Lester não me ouça!).A apreciação musical no entanto é um questão de sentar e ouvir a musica que esta no disco desde que foi lançado em 1959. Eu acho genial e nada ,em minha opinião, iria acrescentar algo a essa obra superior da criação musical. Pergunta: vendo os rascunhos de Michelangelo, Da Vinci,Goya,Monet ou Picasso,por exemplo, é possivel que apreciemos melhor suas obras ? Penso que o que tem real valor é aquilo que o artista quis mostrar e não o que não quis.
Abraço

Mau Nah disse...

Querido Tenêncio,

os "loucos por", a categoria de colecionadores que aprecia mínimosdetalhes, certamente discordará de seu ponto.

Não é o meu caso, dou-lhe toda a razão musical.

Porém, se àqueles for permitido sugerir o clima que permeou aqueles dias, dentro daquele ex-templo transformado em glorioso e muito peculiar estúdio como o da Rua 30 - e diga-se, minuciosamente detalhado na documentação que acompanha a caixa e no DVD, quanto a seu tamanho, altura, largura, revestimento, sonoridade, etc. -, não vejo nisso pecado maior.

É um "collector's item", como eu informei no post. A alguns destes, se lhes for oferecido um pouco da poeira ou as cinzas dos cigarros dos músicos que lá estavam na sessão, são capazes de pagar um punhado de dólares nisso.

É posicionamento peculiar deles e esse material serve também para dar algum conteúdo histórico ao conjunto e encher o copo, tipo "Tem até a tosse do Miles!", saca?

Diferente, óbvio, do nosso, para quem a música é o que impera. Mas confesso que gostaria de ver TODOS os rascunhos dos Mestres aqui mencionados pelo amigo. E não é incomum ver isso em exposições, para que se tenha a percepção da evolução das obras-primas.

Grande abraço!

Tenencio disse...

É por isso que voce é nosso Pres!!!
Inteligente,interessante e equilibrada resposta.
Diga-se de passagem que não esperava outra coisa vinda de voce, prezadissimo Pres.
Indo um pouco alem:
com o mercado discografico fazendo agua por todos os lados essa ideia de "collector's item" pode ser um novo caminho para as gravadoras,daqui e alhures, com seus depositos abarrotados de fitas . É indiscutivelmente melhor ouvir um "false start" do sexteto de Miles Davis do que uma dessas "cantoras" esganiçadas e seminuas que povoam o chamado elenco das moribundas gravadoras ,outrora conhecidas como majors.
Essa edição do "Kind Of Blue" tem um material fotografico e os depoimentos em DVD que a diferenciam de um lançamento comum e isso talvez possa atrair compradores . De todo modo "Kind Of Blue" é um marco e merece ser reverenciado nesse ano em que completa meio seculo. Pra mim é musica totalmente indispensavel,levaria pra tal ilha deserta ,claro.
Um grande abraço, grande Pres.