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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

26 agosto 2008

RETRATOS
10. ART BLAKEY
A Lenda De Um Grupo, A Força de Um Músico

(A) BIOGRAFIA - 2ª PARTE

PRIMEIRA GRAVAÇÃO COMO LÍDER - NOVO NOME
A data de 22 de dezembro de 1947 marca o primeiro registro de Art Blakey como líder, reunindo Kenny Dorham / trumpete, Howard Bowe / trombone, Sahib Shihab / sax.alto, Orland Wright / sax.tenor, Ernest Thompson / sax.barítono, Walter Bishop Jr. / piano, LaVerne Barker / baixo e Art Blakey / bateria. Nos estúdios “WOR” de New York e para o selo “Blue Note” são registradas as faixas “The Thin Man”, “The Bop Alley”, “Groove Street” e “Musa’s Vision”.
Entre 1948 e 1949 Art Blakey passa a prática totalidade de sua vida na África (Nigéria e Gana), dedicando-se ao estudo da filosofia e da religião árabes, ainda que não deixasse de atentar para as polirritmias autóctones locais. No retorno a New York assume o nome de “Abdullah Ibn Buhaina”, inclusive vestindo-se habitualmente com o “dashiki” e com certeza em atenção à então assumida nova fé religiosa, mas também e muito possivelmente para fugir à violência empregada contra os negros; muitos outros músicos seguiram seu exemplo, aderindo aos novos cânones e adotando nomes correspondentes aos mesmos (William Evans = Yousef Lateef, Edmund Gregory = Sahib Shihab, Leonard Graham = Idrees Sulieman e outros).
Essa estadia na África aponta alguns intervalos de idas a New York, onde Art Blakey grava com James Moody (outubro de 1948 e tendo Gil Fuller como arranjador), com Big John Greer (abril e junho de 1949) e com a banda de Gil Fuller (também em junho de 1949).

CAMINHANDO PROFISSIONALMENTE
Os anos de 1950 e de 1951 marcam uma sucessão de atuações com todos os expoentes musicais da época jazzística.
Em fevereiro de 1950 com o quarteto de Sonny Stitt, com o quinteto de Dick Hyman e com o sexteto de Miles Davis. Em abril desse ano novamente com Sonny Stitt, em maio e no “Birdland” com Charlie Parker, em junho e no mesmo local com Miles Davis, em dezembro outra vez com Parker e com Sonny Stitt.
Durante 1951 em janeiro é com Dizzy Gillespie e Dinah Washington no “Birdland” que Art Blakey se apresenta, seguindo-se apresentações e gravações com Sonny Stitt e Gene Amons (janeiro), Dizzy Gillespie (fevereiro e abril), Illinois Jacquet, Miles Davis, Thelonius Monk, Zoot Sims, Bennie Green e Sonny Rollins, somente citando os líderes das formações.
Em 1952 Art Blakey grava pela primera vez com Horace Silver em trio (Gene Ramey no baixo), talvez prenunciando a formação posterior dos “Messsengers”. Apresenta-se e grava com Buddy DeFranco, Zoot Sims, em sexteto com Annie Ross no vocal, Thelonius Monk e Lou Donaldson.
Durante 1952 e 1953 Art Blakey ligou-se ao combo de Buddy DeFranco, o que se por um lado garantiu-lhe a sobrevivência econômica, por outra parte significou a concessão a uma música que nada tinha a ver com seu estilo. Em 1953 Art Blakey desligou-se dessa colaboração com Buddy DeFranco e voltou a gravar para a Blue Note onde, pela primeira vez, registrou na data de 23 de novembro seu longo solo no tema “Nothing But The Soul”, em companhia de Horace Silver / piano, Percy Heath / baixo e "Sabu" Martinez / bongô e conga.
Os anos seguintes de 1953, 1954 e 1955, seguiram para Art Blakey com inúmeras apresentações e gravações, sempre com músicos de primeira linha, até a formação dos “Jazz Messengers” como está visto mais adiante, em meio a alguns rompimentos e reatamentos entre músicos, até que em 1956 o grupo passa a ser liderado apenas por Art Blakey e assume a marca “Art Blakey Jazz Messengers”.
É nesse ano de 1956 que tanto Art Blakey quanto Miles Davis assinam contrato com a Colúmbia, à época um feito significativo em função do porte da multinacional, conservadora e extremamente cuidadosa com seu “plantel”.
1956, 1957 e 1958 apontam o envolvimento de Art Blakey com as drogas, das quais se livrou, mas ainda assim não deixou de apresentar-se e de gravar em inúmeras formações, inclusive em 1957 com seu “Art Blakey Percussion Ensemble” (ou “Orgy In Rhythm”), uma experiência que reuniu Tony Williams mais outros 03 bateristas e 05 percussionistas.

COMEÇAM AS APRESENTAÇÕES NO EXTERIOR
O final do ano de 1958 assinala a primeira temporada de Art Blakey no exterior: Holanda e França (“L’Olympia” e “Club St. Germain”) com o “A.B.J.M.”.
Em 1959 o “A.B.J.M.” participa do “Newport Jazz Festival” e cumpre nova temporada no exterior: Dinamarca, França, Suécia, Alemanha
Em abril de 1960 os bateristas Philly Joe Jones, Elvin Jones, Charlie Persip e Art Blakey apresentam-se em conjunto em New York, reunião que ficou registrada em disco pelos selos “Roulette” e “Vogue”. Nesse mesmo ano outra experiência fascinante é gravada diretamente do “Birdland”: temporada do “A.B.J.M. com a participação de Buddy Rich.
No ano de 1960 além das apresentações e gravações com o “A.B.J.M.”, Art Blakey grava em quarteto com Bobby Timons, também em quarteto com Wayne Shorter e em quinteto com Lee Morgan, assim como em quinteto com Hank Mobley, para encerrar 1960 e iniciar 1961 no exterior: Suécia, Suíça, Japão, Inglaterra, França, podem apreciar os "mensageiros do Jazz" em plena forma.
Em 1962 e no studio de Rudy Van Gelder nosso retratado grava simultaneamente com “The Afro-Drum Ensemble”, com o quarteto de Grant Green e com o sexteto de Ike Quebec e, após, apresenta-se na Alemanha com o “A.B.J.M.”. Encerra 1962 e inicia 1963 com temporadas no “Birdland” em New York.
Os anos de 1963 e 1964 são de muitas apresentações mas de poucas gravações de Art Blakey, que ainda assim registra sua presença no disco com os sextetos de Lee Morgan e de Buddy DeFranco, além de gravar com formação sob o comando de Quincy Jones.
Em 1965 o “A.B.J.M.” apresenta-se na Inglaterra e na Alemanha e em 1966 é a vez do “Lighthouse Club” em Hermosa Beach / Califórnia (leia-se “Howard Rumsey”).
Art Blakey segue trabalhando com sua música, mas as gravações até 1969 são raras.

“STARS OF BOP” E “GIANTS OF JAZZ”
No final desse 1969 uma apresentação em Paris com o “Stars Of Bop” (Dizzy Gillespie, Kai Winding, Sonny Stitt - alto e tenor, Thelonious Monk, Alex Cafa e Al McKibbon), para iniciar 1970 no Japão com o “A.B.J.M.
Foi o ex-pianista, empresário e promotor de eventos George Wein que idealizou e levou à prática a reunião dos já “veteranos” do “bebop” para uma temporada nacional e internacional. Assim, “Giants Of Jazz” é o grupo com o qual se apresenta Art Blakey em outubro de 1971 em Paris (Dizzy Gillespie, Kai Winding, Sonny Stitt, Thelonious Monk e Al McKibbon), Suíça e Inglaterra.
Esse ano de 1971 é encerrado com gravações para Art Blakey na Inglaterra em trio com Thelonius Monk (Al McKibbon no baixo) e em quinteto com Johnny Griffin na França.
Em 1972 o “A.B.J.M.” apresenta-se no “Radio City Music Hall” durante o “Newport In New York 1972”. No final desse ano o grupo cumpre apresentações na Noruega e na Tunísia.
1973 a 1976 concedem a Art Blakey muitas apresentações mais poucas gravações e, assim mesmo, marca ponto em festivas de Jazz na Iugoslávia e na Itália.
Em 1977 Art Blakey pouco comparece aos estúdios de gravação, em dezembro de 1978 grava na Holanda e em 1979 no Japão e na Itália.
Foi em 1974 que Art Blakey sofreu sério baque financeiro, perdendo todos os seus bens durante incêndio em um hotel canadense, o que quase o levou a desistir de tudo; mas as temporadas no exterior (Europa, Japão e África) ajudaram a reerguer suas finanças e seu ânimo.
Entre maio e julho de 1980 com o “A.B.J.M.Art Blakey apresenta-se na Alemanha, na Holanda (“Northsea Jazz Festival”) e na Suíça (“Montreux Jazz Festival”).
No final de 1980 grava em quinteto com Dezter Gordon, no 1º semestre de 1981 apresenta-se na Suécia e na França, voltando a participar do “Aurex Jazz Festival” de Tóquio em setembro desse ano.
Em 1982 é a vez de retornar à Holanda e em 1983 os “Messengers” retornam ao festival “Aurex” em Tóquio, capital oriental que os receberá no ano seguinte no “Nakano Sun Plaza”.
Em 1985 a participação em New York do “relançamento” do selo “Blue Note” no “Town Hall”, para o magnífico Art Blakey e “All Stars Jazz Messengers” ” gravando no “One Night With Blue Note”. O “A.B.J.M.” cumpre temporada no exterior: Inglaterra e Holanda.

CAMINHANDO PARA O FINAL
A partir daí e mesmo com todo seu natural entusiasmo e dedicação musical, a saúde de Art Blakey não lhe permitia mais tantas apresentações e gravações, suportando ainda assim temporada em 1988 na Itália, Holanda e Alemanha e sua gravação final nos estúdios da “BMG” em New York.
Em 10 e 11 de abril de 1990 o “A.B.J.M.” com Brian Lynch / trumpete, Steve Davis / trombone, Dale Barlow e Javon Jackson / saxes.tenor, Geoff Keezer / piano, Essiet Okon Essiet / baixo e Art Blakey / bateria, registrou para o selo “A&M” as faixas “Here We Go”, “One For All - And All For One”, “Theme For Penny”, “You've Changed”, “Accidentally Yours”, “Medley com My Little Brown Book / Blame It On My Youth / It Could Happened To You”, “Green Is Mean”, “I'll Wait And Pray”, “Logarhythms”, “Bunyip”, “Polka Dots And Moonbeams” e “Nica's Tempo”.
O falecimento de Art Blakey poucos meses depois foi apenas uma conseqüência esperada de tantas décadas de esforço, que nos legou extensa obra de arte.
Com toda a razão a figura desse baterista é cultuada como músico e como líder de um dos mais permanentes e atuantes grupos de Jazz.

Segue em (A) BIOGRAFIA - 3ª PARTE

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