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22 junho 2008

COLUNA DO LOC

JB, Caderno B
22 de junho de 2008
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A morte do E.S.T.

Com a precoce e chocante morte do pianista sueco Esbjörn Svensson, 44 anos ­ acidentado quando praticava mergulho nas águas do Mar Báltico, no fim da semana passada ­ morreu também o trio E.S.T., um dos mais premiados, polêmicos e originais pequenos conjuntos de jazz surgidos na Europa nos últimos 15 anos. Apesar de o líder ter suas iniciais na marca registrada do trio ­ que nasceu, na primeira metade da década de 90, como uma versão nórdica do Standards Trio de Keith Jarrett ­ o baixista (acústico e eletrônico) Dan Berglund e o baterista Magnus Oström passaram a atuar no grupo, com o correr do tempo, de maneira mais hiperativa (ou hipertensa) do que simplesmente interativa.

Em 2005, o E.S.T. foi uma das principais atrações e foco de muita controvérsia no Festival Tudo é Jazz, em Ouro Preto, como esperava a curadora do já consagrado encontro musical, Maria Alice Martins. Até porque, àquela altura, o enigmático (ou irônico) Svensson definia o trio como "a única banda de rock que toca jazz". Na ocasião, ao fazer um balanço do festival, escrevi neste mesmo espaço: "Na noite final, o E.S.T. surpreendeu quem não conhecia seus dois últimos discos, ao passar ­ em crescendos bem planejados ­ do andante ao allegro vivace, do romantismo quase chopiniano e das divagações a la Keith Jarrett de Svensson a extravagantes espetáculos sonoros provocados pelas engenhocas eletrônicas dos integrantes do trio, sobretudo pela arco preparado do baixo de Berglund. Números como Trepidation e Mingle in the mincing-machine (do CD Viaticum) chegaram ao fim depois de `viagens' virtuosísticas, sem rumos nítidos, sob nuvens sonoras bem próximas da zona de `tolerância zero' (título, aliás, de um álbum mal sucedido de Pat Metheny)".

A minha opinião sobre o conjunto que veio do frio e passou a ser sucesso garantido nos grandes festivais de verão do Hemisfério Norte (estava, neste sábado, na programação do JVC Jazz Festival de Nova York) não mudou. E foi confirmada pela audição do álbum Tuesday Wonderland (Emarcy/Act), lançado no fim de 2006. Como já foi dito, o jazz é "o som da surpresa". E esse era o negócio do E.S.T., que não era, absolutamente, "a única banda de rock que tocava jazz", nem produzia aquele tipo de fusão jazz-rock que a revista Downbeat costuma catalogar como beyond. A manipulação às vezes exagerada da eletrônica (sobretudo nos discos de estúdio) era com- pensada por um tipo de jazz de câmera acústico ou semi-acústico, com
swing explícito ou velado ­ neste último caso em divagações líricas e até etéreas, na linha conceitual predominante do selo alemão ECM.

Maria Alice Martins, ao saber da morte de Esbjörn Svensson, enviou um e-mail aos amigos, do qual destaco o seguinte trecho: "Quando tive o prazer de trazer o E.S.T. ao Festival de Ouro Preto, todos os que puderam assistir ao espetáculo ficaram maravilhados. Era uma música nova com grandes influências visuais, mostrando como o ambiente natural influencia o músico. Eu chamava de `jazz gelado' a música que faziam, por nos transportar aos lagos congelados e aos campos da Suécia no inverno. Além da forte presença do meio ambiente do país de origem, havia vanguarda e elegância no jazz erudito de Svensson". A vanguarda e a elegância do E.S.T. estão devidamente "congeladas" em Tuesday Wonderland, Seven days of falling (215 Records, 2003) e na compilação feita pela Sony, em 2000, de suas primeiras gravações, tendo como título a faixa Somewhere else before.

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