Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

29 fevereiro 2008

PROGRAMA IMPERDÍVEL - JOSÉ STANECK QUARTETO, NESTE DOMINGO, 02/3/2008, NO MUSEU DO AÇUDE

Quem ainda não foi, não sabe o que está perdendo.

Num dos locais mais lindos do Rio, o Museu do Açude (Estrada do Açude, 764, Alto da Boa Vista), em plena Floresta da Tijuca, um dos nossos maiores gaitistas, José Staneck se apresentará, gratuitamente, com seu quarteto (Itamar Assiere, pn; Augusto Mattoso, bx; Carlos Bala, bt), no dia 2 de março próximo, às 14:30 h., durante o brunch que já se transformou num dos mais agradáveis e imperdíveis programas de domingo, na cidade (buffet opcional a cargo da Casa dos Sabores, entre 12 e 16 h.).

Com exclusivdade para o CJUB, Staneck adiantou parte do repertório:

Edú Lobo - Casa forte
Tom Jobim - Nuvens douradas
Dorival Caymmi - A lenda do Abaeté
Gary Peacock - Ode for tomten
Luiz Avellar - Do outro lado do mundo
Egberto Gismonti - Café
Toca Delamare - Mira


Sucesso e todos lá !

28 fevereiro 2008

MUSEU DE CERA # 37 - CHARLIE BARNET



CHARLES DALY BARNET – nasceu em berço esplêndido em pleno high society nova-iorquino em 1913 e desde jovem rebelou-se com as idéias de seus pais de que deveria estudar advocacia e com 16 anos já formava uma banda de jazz atuando no Paramount Hotel de New York, depois se tornou conhecido como solista de sax-tenor do octeto de Red Norvo nas gravações de 1934, notadamente em The Night Is Blue incluindo Teddy Wilson e Artie Shaw. Em 1936 com sua própria banda trabalhava no Glen Island Casino em New Orleans quando contratou o grupo vocal The Modernaires mais tarde com grande sucesso junto a Glenn Miller.
Sua clara influência eram Duke Ellington e Count Basie, conseguindo seu reconhecimento público com a gravação do clássico Cherokee em julho de 1939, passando logo a figurar como uma das mais populares big bands dos EUA da Era Swing. Foi um dos pioneiros junto com Benny Goodman a enfrentar o racismo na música contratando cantores e instrumentistas negros na época em que outras bandas segregavam por inteira comodidade. Com esta atitude sua orquestra muitas vezes foi rejeitada em hotéis e ballrooms e provavelmente a razão de não ser convidado a atuar em rádios broadcast comerciais como a maioria das grandes orquestras. Alguns vocalistas foram Harry Von Zell, Mary Ann McCall, Francis Wayne, Fran Warren, Dave Lambert e Buddy Stewart e em 1941 apresentou Lena Horne gravando 4 discos com ela. Do grupo também fizeram parte por anos Oscar Pettiford, Roy Eldridge, Oscar Pettiford, Peanuts Holland, Neil Hefti, Barney Kessel, Buddy DeFranco e Dodo Marmarosa. Como saxofonista tenor sua raízes estavam na escola Coleman Hawkins e também executava o sax alto quando lembrava o grande Johnny Hodges e ainda o soprano. Apesar da gravação de Skyliner em 1944 se tornar enorme sucesso foi o período de 1939 a 41 sem dúvida em que atingiu a maior aceitação por parte do público.
Em 1947 seu estilo voltou-se para o bebop que despontava incluindo músicos como Doc Severinsen, Clark Terry e Maynard Ferguson, contudo não se adaptou e em 1949 dissolveu a banda. Financeiramente nunca se apertou uma vez que além de milionário de família atuava no negócio de edição de músicas e em sociedades de restaurantes bem sucedidos e assim levou sua aposentadoria. Em meados dos anos 60 liderou uma banda organizada especialmente para o jazz clube New York's Basin Street East por 2 semanas e fez uma última gravação em 1969. A 2 de outubro de 1939 Barnet atuava no Palomar Ballroom em Los Angeles que se incendiou rapidamente e a banda perdeu muitos de seus instrumentos e todas suas pautas de arranjos alí guardados. Count Basie imediatamente enviou cópia de seus arranjos para que Barnet usasse como base para refazer as suas. Charlie Barnet faleceu em 1991.
Selecionamos uma gravação que mostra a força da orquestra ao início do swing com seu lider ao saxofone tenor e ao clarinete como solista.
ON A HOLIDAY (Devil's Holiday) (Benny Carter - Brian Wilson) - Charlie Barnet Orchestra - Charlie Barnet (st, cl, líder), Eddie Sauter (tp) Chris Griffin, Toots Camarata (tp), Russ Jenner (tb) ? Bill McVeigh (tb) ? Frank Llewellyn (tb), Les Cooper, George Bone (sa), Fred Fallensby (st), Rupe Biggadike (pi), Buford Turner (gt), Pete Peterson (bx), Rudy DeJulius (bat), arranjo de Benny Carter.
Gravação original: 21/janeiro/1935 - Bluebird B5816 (mx 87647-1) - New Orleans
Fonte: The Indispensable Charlie Barnet Vol.1 & 2 1935-1939 - selo: RCA Victor Imports (74321355542) – 2003 – USA



TODAS AS QUINTAS !

Mais um flagrante uso em beneficio proprio do espaço do blog :
todas as quintas feiras no Drinks Cafe, na Lagoa,proximo ao Parque dos Patins o trio liderado pelo baixista Jefferson Leskowich (de quem ja falei no post sobre o grupo Foco) com Fernando Merlino, teclado e eu de bateria a partir das 20:30 . Repertorio muito bacana onde não entram as musicas manjadas que ninguem aguenta mais ouvir. Composições de Dory Caymmi,Johnny Alf, João Donato e mais surpresas . Eu simplesmente adoro tocar com eles. Couvert a 5 reais . Tocamos 3 sets e vai até meia noite.
Sera que terei a satisfação de uma quinta dessas ver um de voces la ? Sera um enorme prazer tocar para ouvidos tão refinados e acostumados .
Abraços e até la.

26 fevereiro 2008

A.N.D. – 20 ANOS, CHEGAMOS LÁ .

Foi em 31 de Janeiro, em plena Taberna da Glória, que a “Audiência Nota Dez” comemorou seus vinte anos de existência . Entre as surpresas que prepararam para o evento estavam : uma entrevista, por telefone, no ar, ao programa de J.Carlos na Rádio MEC; um “happy birthday” musical executado por Glaucus Linz em seu sax-soprano, finalizando com um delicioso bolo de damasco apreciado por todos, diabéticos ou não. A casa também nos presenteou, oferecendo rodadas de líquidos e salgados como cortesia. Na foto abaixo, da esquerda para a direita : Cezar Vasconcellos, Mário Jorge, Gilson, Haniel, Paulinho, Lula, Luiz Carlos Nascimento Silva, Muller e Pedro Paulo,todos envergando a camisa comemorativa.

SÃO PAULO DIXIELAND BAND – 50 ANOS

Recebemos email do baterista Pedro Ludovicci informando que a São Paulo Dixieland Band chega ao seu cinquentenário no corrente ano. Comemorando o evento, a banda integrada por todos os elementos de sua fundação acaba de gravar CD comemorativo. Numa terra onde o Jazz tradicional é olhado pela mídia como coisa do passado a data deve ser comemorada efusivamente. Como seria bom um Festival de Jazz que contasse com esses grupo abnegados pelo Jazz de raíz. A São Paulo, a Traditional, a Rio Dixie e poucas outras poderiam mostrar a um grande público como tudo começou.


MORREU ADALTO !

Quem nos deu a notícia foi Arlindo Coutinho. Nosso amigo Adalto Argollo que morava nos Estados Unidos a mais ou menos trinta anos veio a falecer após uma cirurgia no joelho e mais complicações com diabetes.
Para quem não conheceu, Adalto fazia parte da “tropa de elite” das Lojas Murray e era o mais fanático admirador do Modern Jazz Quartet . Tinha um temperamento calmo, super educado e nunca reclamou das brincadeiras que todos faziam com ele. Certa ocasião apareceu com um sapato diferente, com duas tiras de couro em cima,entre as quais ele colocou uma moeda de meio dolar. Quando ví o sapato comentei com ele : “Isso é sapato de padre” e passei a chamá-lo de reverendo .
Quando aqui esteve o Modern Jazz Quartet (1962) tirou plantão no Hotel Glória, sempre carregando uma pilha de elepês procurando obter autógrafos dos músicos. Aliás, com seu inglês perfeito, muito me ajudou nas entrevistas que fiz com Percy Heath, Connie Kay e Milt Jackson.
Tantos anos separados e ainda assim sua pessoa sempre foi lembrada nas reuniões dos jazzófilos que o conheceram. Que Deus o tenha.



Adalto entre eu e Milt Jackson, após o musico ter autografado,com visivel máu humor o lote de elepêsque levava.

THAIS MOTTA - Minha Estação


Não se trata apenas de “mais uma cantora”. Diria que pela minha ótica Thais Motta está muito bem situada num “ranking” imaginário de nossas vocalistas. Esse CD produzido por Márvio Ciribelli prima pela qualidade, bom gosto e escolha do repertório com musicas que me parecem inéditas. Thaís Motta é super afinada, divide bem e tem um senso rítmico extraordinário. Os músicos que a acompanham são todos de primeira linha e os arranjos de Márvio completam com louvor esse trabalho. Excelente!

BATTAGLIA & PASOLINI @@@@@


Ao lado de Stefano Bollani e Enrico Pieranunzi, o pianista Stefano Battaglia (Milão, 1965) é um dos músicos mais respeitados da Europa na esfera do jazz contemporâneo. Técnico, sofisticado e criativo, seus CDs são aguardados com muito interesse. Battaglia navega com naturalidade entre a música clássica e o jazz e nunca se sabe qual lado prioriza em cada novo álbum – atualmente está sob contrato com a ECM. E acaba de lançar um disco no mínimo ousado. Trata-se de uma homenagem a um dos seus maiores ídolos, o polêmico Pier Paolo Pasolini (1922/1975). O CD duplo (Re:Pasolini/2007/ECM) já recebeu inúmeras críticas entusiasmadas e sem dúvida justifica essa empolgação, não só pela beleza em si, mas pelo desafio na concepção do projeto e pela qualidade dos temas compostos por Battaglia.
Stefano Battaglia nunca se esquivou da influência de Bill Evans. Tanto que gravou dois álbuns a ele dedicados (Bill Evans Compositions Vol. 1 & 2), aliás obrigatórios para os admiradores do chamado jazz italiano. Battaglia começou a gravar como líder em 1987. De lá para cá foram mais de 20 CDs lançados, alguns em solo. Nesse período foi visto ao lado de Lee Konitz, Kenny Wheeler, além do próprio Pieranunzi e outros músicos italianos de prestígio. Re-Pasolini tenta refletir a obra do cineasta, cuja vida foi recheada de histórias conturbadas, culminando com sua morte até hoje não explicada em detalhes. São 24 temas. Apenas Casa Sono Le Nuvole traz a assinatura de Modugno e do próprio Pasolini. Os outros são de Battaglia. O primeiro CD tem uma intenção bem mais jazzística, trazendo Michael Grassman (trumpet), Mirco Mariottini (clarinet), Aya Shimura (cello), Salvatore Maiore (bass) e Roberto Dani (bateria). O segundo, com um tempero acentuado da música clássica, conta com Dominique Pirafèrly (violin), Vincent Courtois (cello), Bruno Chevillon (bass) e Michelle Rabia (percussion). O álbum chega a emocionar. Há jazz de primeira cepa. Grande parte dos temas é de rara beleza melódica e harmônica. Re:Pasolini é indispensável na discografia dos que, como eu, acompanham o jazz contemporâneo europeu.
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PS. No som na caixa, Canzone di Laura Betti, composta por Battaglia em tributo à mulher que mais intimamente conheceu Pasolini.
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" America may have known Pasolini as an art house filmmaker; via Battaglia's Re: Pasolini, he has become something more, something other, a force of the mythic universe. Battaglia's work is an epic, and yes, a masterpiece that is a force in and of itself to be reckoned with. It is the high point in an already celebrated career." by Thom Jurek (AMG @@@@1/2)


25 fevereiro 2008

COLUNA DO LOC

JB, Caderno B, 24 de fevereiro

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24 fevereiro 2008

REMEMBERING BUD POWEL

Num momento em que os holofotes apontam para os 50 anos da Bossa Nova, e antes que este post gere qualquer duvida, cabe lembrar que alem de homenagear um importante pianista (Bud Powell), Mauricio Einhorn e Arnaldo Costa tem este tema constando do album Zimbo Trio e Mauricio Einhorn...

Nao sei ao certo de que ano e o album, mas na verdade, este Post serve tambem para celebrar e homenagear o Zimbo Trio (dos excelentes Amilton Godoy ao piano, Luiz Chaves ao baixo, e Rubinho Barsotti na bateria)e tambem o compositor e musico Mauricio Einhorn.

E last but not least, divulgar o site onde encontrei esta preciosodade:


http://radio.cafemusic.com.br/Pop_radio_toca.cfm?faixa_id=945&faixa_vel=28

Beto Kessel

22 fevereiro 2008

NOITE PARA ENSINAR AO 1º MUNDO

São Paulo, 5ª feira, 21/02/08, 21.00 horas, Auditório do SESC - Vila Mariana

Público lotando os 614 lugares.

17 músicos, todos brasileiros ! ! ! . . .

Inicia-se o espetáculo com o frevo "PASSO DE ANJO" (João Lira e Spok).

Em cena a "SPOK FREVO ORQUESTRA".

Público absolutamente hipnotizado no início, desperta para os solos, levanta-se para aplaudir, contamina-se com o "ensemble", com os solos, com as descargas dos metais, com um soberbo naipe de palhetas, com uma percussão impecável e inspirada, com um som que se chegar ao Radio City Music Hall (e desejo que chegue) será uma surpresa, um sucesso, música de raiz anunciando "mestres" solistas que há 12 para 13 anos buscam a perfeição, a "classe", o espetáculo bebido nas fontes e concebido para cima.

Minha mulher e eu saimos ao final para jantar, acreditando mais do que nunca que esse Brasil não é o que está no noticiário e/ou no Executivo/Legislativo, mas o que gente de estudo, de técnica e de "feeling", de garra e de sabedoria popular, capaz de conceber arranjos, solos e alegria como a "SPOK FREVO ORQUESTRA", é capaz de oferecer para apontar para a frente e para o alto.

Por meio de Mestre LULA tínhamos notícias desses Professores, já os havíamos ouvido em CD e apreciado em DVD: mas ao vivo.........................

Obrigado a esses músicos superiores ! ! !

APÓSTOLO

19 fevereiro 2008

RICARDO SILVEIRA EM NOVO LANÇAMENTO, OUTRO RIO


Música instrumental em foco !

O guitarrista e violonista Ricardo Silveira está de volta em novo lançamento – Outro Rio. Inicialmente lançado no mercado americano pelo selo Adventure Music, chega a nós agora pelo selo MP&B.

Seguindo a mesma linha de seu último disco - Noite Clara, Ricardo Silveira mantém o violão como instrumento principal em onze das doze faixas, e neste conta com as participações especiais de João Donato, Nailor Proveta, Marcelo Martins, Jacques Morelembaun e a cantora Maria Rita, além da "cozinha" onde revezaram-se Jorge Helder, Romulo Gomes e Andre Rodrigues no contrabaixo, Marcos Nimrichter no piano e Jurim Moreira e nosso confrade Andre Tandeta na bateria.

Um disco agradável, literalmente acústico, e que apesar da originalidade explora sonoridades que, particularmente, lembra em alguns momentos a atmosfera sonora do som de Ralph Towner e de Missouri Sky (Pat e Haden).
Parece que Ricardo Silveira adotou de vez o violão acústico como principal instrumento, pelo menos es estúdio, característica esta que vem desde os lançamentos de Smallworld e Storyteller, lançados no mercado americano.
E seu violão parece ter encontrado uma identidade, com um timbre e forma de digitação muito característicos.

E nesta sexta e sábado, dias 22 e 23, às 21:30hs, Ricardo Silveira lança o CD no Mistura Fina, acompanhado por Romulo Gomes no contrabaixo e Andre Tandeta na bateria.

Vale conferir !

Deixo aqui a faixa Lembranças.

HENRI SALVADOR (por Joyce)


Esta é uma foto de 1988, tirada em Paris, no chiquérrimo restaurante Fouquet's (nome impronunciável para nossos amigos americanos...), localizado no Champs Elysées. Ao meu lado, esbanjando charme e elegancia, na flor de seus sessenta e poucos anos, está um dos meus ídolos de infancia, Henri Salvador.Fomos convidados para almoçar com ele depois que um amigo comum lhe contara que eu estava cantando duas músicas suas nos meus shows no New Morning, tradicional clube de jazz parisiense. Henri não estava exatamente em seu melhor momento de carreira - na verdade, vivia a chamada 'entressafra', aquela fase entre um período de sucesso e outro, quando nada acontece, que ocorre com todos nós de quando em quando - mas ainda era, como sempre foi, uma instituição cultural francesa. Já eu estava debutando na França, fazendo uma temporada lá pela primeira vez, e achei que seria divertido incluir alguma coisa sua no repertório, ele que fora um dos artistas prediletos de minha mãe e cujas canções eu conhecia de cor e salteado, ainda em 78 rotações.Fiz portanto um pequeno medley juntando seu grande sucesso, 'Dans Mon Île' (que seria gravada também por Caetano, entre outros) e a menos conhecida 'Chanson Douce'. Isso rendeu alguns comentários, Henri ficou sabendo e acabou gentilmente convidando a mim e ao Tutty para almoçar com ele neste sofisticado local, na época bem acima de nossas posses.(Um artista em entressafra na França ainda podia fazer um convite desses. Já por aqui...)O almoço foi, em todos os sentidos, delicioso. Salmão, vinho branco e a verve do nosso anfitrião, velho conhecido do Brasil desde os tempos em que cá esteve como crooner da orquestra de Ray Ventura, no Cassino da Urca - corria a 2ª Guerra Mundial, e com a França ocupada, a orquestra, com músicos judeus, negros e mulatos como Henri, achou melhor dar um tempo por aqui. Ele nos perguntou muito por seu amigo querido Grande Otelo, e de vez em quando, meio para se mostrar, falava alguma coisa em português, geralmente gírias dos anos 40/50. Foi assim que, quando ofereci a ele um disco meu autografado, com uma caprichada foto minha na capa, feita por Frederico Mendes, ele olhou e comentou, com seu pesado sotaque francês: 'muito boa!' Rimos bastante, e o Tutty, igualmente com sotaque, só que desta vez baiano, mandou em francês: 'c'est ma femme...' Ao que Henri, malicioso, piscando o olho, respondeu: 'malandrrro...'Infelizmente não tornamos a nos ver, mas a notícia de sua morte me pegou de surpresa nas minhas férias, semana passada. Sei que ele nunca se distanciou muito do Brasil e gravou com Rosa Passos e Lisa Ono ainda há poucos anos atrás. Ambas cantoras 100% bossa-novistas, pois Henri tinha em sua música um parentesco estético com a nossa. Não foi, como gostava de pensar, um precursor da bossa: ele está para a bossa-nova assim como Chet Baker, pela leveza. Talvez no caldeirão de influencias estrangeiras da bossa ele possa ser incluído, junto com Chet, com o cool jazz, com os boleros de Manzanero, com Gershwin, Ravel e Debussy (principalmente os dois últimos). Mas foi compositor e cantor genial, de estilo único e totalmente diferente da canção variété francesa tradicional - Henri era da Martinica. Ouçam 'Dans Mon Île', 'Chanson Douce', 'Maladie D'Amour', 'Syracuse', 'J'ai Vu', 'Cendrillon', 'Le Marchand de Sable'... é uma obra deslumbrante de um autor maravilhoso. `A bientôt, Henri.
escrito por joyce.
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17 fevereiro 2008

APAGANDO A CHAMA DO JAZZ

Recentemente o You Tube foi solicitado para que removesse todo o material referente a Chet Baker.

Duas fundações de Chet Baker, uma em Oklahoma e outra no Canadá, entraram na justiça com um pedido de violação de copyright.

Na minha opinião a Fundação Chet Baker vai perder a divulgação grátis que o You Tube lhes dá, expondo um vídeo de baixa qualidade, que é uma propaganda para que se compre um CD ou um DVD final.

Ao mesmo tempo, esses vídeos no You Tube, ou em outros sites similares, só trazem benefícios ao próprio jazz, ajuda simplesmente na preservação desse estilo musical.

Agindo dessa forma, a Fundação Chet Baker está indo contra seus próprios interesses, sem se preocupar com sua real missão, de divulgar e preservar a obra de Chet Baker.

Aproveite para ver "My Funny Valentine" enquanto é tempo.

Chet Baker - trompete, vocal
Harold Danko - piano
Hein van de Gein - baixo
John Engels - bateria

Veja o video em: http://video.google.com/videoplay?docid=4219531479646487162

COLUNA DO LOC

JB, Caderno B, 17 de fevereiro.

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15 fevereiro 2008

FOCO - toda terça em Laranjeiras

O grupo Foco existe ha 8 anos e esta lançando seu segundo CD. Eles tocam toda terça feira , a partir das 20 horas na pizzaria Hideway , na Rua das Laranjeiras , um lugar muito agradavel e descontraido .

O grupo é formado só por craques, verdadeiras "cobras criadas" :
Marcelo Martins : sax tenor
João Castilho: guitarra
Jefferson Leskowich :baixo acustico
Ranato "Massa" Calmon :bateria .

O grupo passou por uma mudança recente . Andre Rodrigues ,contrabaixo, que estava no grupo desde o começo saiu e foi substituido por Jefferson Leskowich que chegou ao Rio vindo de Santa Catarina ha pouco tempo e ja esta sendo bastante requisitado . Ele é um musico muito bom. Vale a pena conferir. Toco com ele todas as quintas(essa semana , excepcionalmente sera hoje,15/02,sexta feira) no Drink's Cafe , na Lagoa . Eu estou muito contente de conhecer um musico tão talentoso e preparado como ele . Voces com certeza vão ouvir falar dele muito ainda.

Estive la nessa ultima terça e adorei o som .Eles tocam composições originais alem de musicas de Moacir Santos e Dom Salvador,dentre outros grandes mestres brasileiros. O grupo é muito homogeneo e o entrosamento é sensacional , eles realmente soam como um conjunto com sua propria concepção e não como um grupo de musicos que se juntam pra tocar por uma noite apenas. Foram momentos de muita musicalidade,criatividade,suingue(em portugues mesmo) que me alegraram e emocionaram como poucas vezes nos ultimos tempos.
Eu talvez seja suspeito pra fazer esses elogios pois tenho uma historia com eles. Sou muito amigo e admirador de Renato "Massa " Calmom, um baterista que eu adoro ouvir e que sempre me surpreende pela musicalidade e desenvoltura. Alem disso é um dos poucos que conheço no Brasil que sabe realmente tocar jazz, sem desmerecer ninguem . Grooves criativos com muito suingue, sonoridade muito bonita e um vocabulario que cresce e se expande a cada dia. Um musico em grande forma,maduro e consciente de seu papel de artista . Sou fã mesmo e me orgulho de dizer que volta e meia ele me substitui em alguns gigs. Nota mil para o musico. É um amigo muito querido e uma das pessoas mais bacanas no nosso meio .
Marcelo Martins é outro velho amigo e companheiro. Conheci ele quando estava começando e eu ja era relativamente rodado. Isso quase 20 anos atras e ele ja era um musico que chamava a atenção.De la pra ca Marcelo só fez crescer e hoje é um expoente em seu instrumento com muita personalidade,vocabulario interessantissimo,sonoridade e sempre me surpreendo quando o vejo tocar . Marcelo Martins é um musico que podemos considerar de nivel internacional .Terça ele "só faltou fazer chover".
João Castilho é outro que vi crescendo na profissão e musicalmente . Nessa noite ele "botou pra derreter", como se dizia antigamente . Um fraseado muito bem desenvolvido ,sonoridade madura e seus solos são sempre muito bem construidos.É claro que uma descrição dessas não traduz nem um decimo o que esse musico toca mas o fato é que foi muito bom ve-lo em ação.
O recem chegado Jefferson Lescowich,de quem ja falei acima ,toca tanto acustico como eletrico (la é só acustico) com igual desenvoltura. Suingue , fluencia e ainda é um solista muito bom. Se encaixou perfeitamente ao grupo e faço uma ideia de como vai estar o som deles daqui ha um tempo,tocando toda semana . Confiram esse nome que vai dar o que falar.
Pra completar nessa ultima terça ainda tivemos a presença de Mauro Senise,que dispensa apresentações e tambem é um amigo de muitos anos . Mauro deu um canja onde exibiu sua conhecida categoria com muita criatividade no sax alto, tocando muito entrosado com Marcelo e todo o grupo. Ele de tanto ir ao Hideway as terças ja é quase que "da gig".
E tudo sendo apreciado por um publico atento e entusiasmado que aplaudia calorosamente. Nota dez pra eles tambem.
São noites como essa que fazem a gente ainda ter esperança que o Rio volte a ter uma vida musical digna dessa cidade que ja foi a capital cultural do Brasil.

Historinha ilustrativa.

Uma noite ,apos uma apresentação, alguem que estava assistindo perguntou a Marcio Montarroyos : aonde voce arranja sempre tão bons musicos pro seu conjunto?
Resposta do "General": "Só toco com amigos e se meus amigos são todos musicos muito bons,que sorte a nossa ,não é ?"
O grupo Foco é composto por amigos meus e que tambem são excelentes musicos . Então é só aparecer as terças na Hideway em Laranjeiras e curtir o sonzaço que eles estão fazendo.Como diz outro querido amigo e meu ,e de muita gente,Mestre Wilson Das Neves: "Oh sorte!"

13 fevereiro 2008

BRAZILIAN JAZZ TRIO NO MISTURA FINA

Sexta e sábado, dias 15 e 16 de fevereiro, temos de volta o Brazilian Jazz Trio no Mistura Fina, RJ.

Formado por Duduka da Fonseca, Nilson Matta e Helio Alves, o BJT é uma das nossas melhores referências no cenário internacional.

E o CJUB tem o privilégio de ter promovido por duas vezes a apresentação deste trio espetacular no antigo Mistura Fina, na Lagoa. E quem assistiu, sabe do que estou falando.


Na sexta-feira, 15/02, um único set às 21hs
No sábado, 16/02, dois sets às 19:30hs e 22:00hs
O ingresso : Mesas a R$ 30 e R$ 45
O endereço : Rua Rainha Elizabeth 769, Ipanema
O telefone : (21) 2523-1703

Bom show !

11 fevereiro 2008

ÁLBUM DO ANO


Foi decepcionante para o público presente, hoje muito mais afeito ao show-business do que propriamente à música de qualidade. O Grammy 2007 (semana passada em Los Angeles) deu a um jazzista o mais cobiçado prêmio da noite, o do álbum do ano. Herbie Hancock, com o CD River :The Joni Letters, um especial tributo à cantora e compositora canadense Joni Mitchell, foi o grande vencedor da festa. De quebra, claro, levou o prêmio de melhor álbum de jazz contemporâneo. Foi surpresa sim, mais para os representantes da música pop e rock. E também porque o CD de Hancock é exageradamente complicado para se ouvir, cheio de harmonias intrincadas e de investigações ousadas até em clássicos do jazz, como Solitude (Ellington) e Nefertiti (Shorter). O Brasil saiu ganhando nessa escolha, já que nossa Luciana Souza participou do disco, com uma versão nada simplista para Amelia, de Joni Mitchell. Wayne Shorter teve ampla presença no projeto, que contou ainda com Vinnie Colaiuta, Dave Holland, Lionel Loueke, além dos vocalistas Leonard Cohen, Norah Jones, Tina Turner, Corinne Bailey Rae e, claro, da própria Joni Mitchell, que em quase nada tornaram o CD mais comercial ou menos arrojado. Pelo sim pelo não, esse prêmio renderá alguns bons frutos para o jazz daqui prá frente.
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Segue a lista completa dos premiados na categoria jazz:

Album Of The Year: Herbie Hancock (River:The Joni Letterrs)
Jazz Abum: Herbie Hancock (River:The Joni Letters)
Instrumental composition: Maria Schneider (Celurean Skies)
Instrumental Arrangement: Vince Mendoza & Joe Zawinul (In A Silent Way)
Instrumental Arrangement For Singer: John Clayton (Queen Latifah)
Jazz Vocal Album : Patti Austin (Avant Gerhswin)
Jazz Instrumental Solo: Michael Brecker (Anagram)
Jazz Instrumental Álbum (Indiviual or Group): Michael Brecker (Pilgrimage)
Large Jazz Ensemble Album: Terence Blanchard (A Requiem For Katrina)
Latin Jazz Album: Paquito D’Rivera Quintet (Funk Tango)

A ILHA DESERTA DOS VISITANTES - FINAL

Os visitantes aqui do blog se interessaram pela proposta que lhes foi lançada este ano e pela primeira vez puderam votar nos discos que levariam para a "sua" ilha deserta comunitária, vizinha à nossa. E o som que passa a emanar dessa sofisticada república insular é de muito boa qualidade, como se notará pelos títulos que despontaram nessa votação absolutamente democrática, que incluiu até um nome impronunciável, no bom sentido.
Abrindo-se uma única exceção para um título, no caso, a compilação do original Ella Fitzgerald Sings the Duke Ellington Songbook, que editado em CD reduziu a 2 volumes os quatro LPs originais, ficou assim a lista de escolhas de nossos leitores:

Kind of Blue - Miles Davis
A Musical Romance - Billie Holiday & Lester Young
Brilliant Corners - Thelonious Monk
Time Out - Dave Brubeck
Stan Getz & J.J. Johnson At the Opera House - StanGetz & J.J.Johnson
Ella Fitzgerald sings the Duke Ellington Songbook - Ella Fitzgerald
Sax Colossus - Sonny Rollins
Astigmatic - Krzysztjof Komeda
Blanton Webster Band - Duke Ellington
Body and Soul - Coleman Hawkins
e Ballads - John Coltrane

Empatando com este último no derradeiro voto, (como bem percebido por BraGil e pelo atento visitante Roberto), entrou na lista como "last, but not least" o Ballads, de John Coltrane, para alegria de frequentadores tão ilustres quanto inconformados com a ausência do craque tenorista na lista CJUBiana. E deixo de promover mais um desempate, apenas entre estes, confesso, por pura falta de tempo. São João Coltrane, portanto, vai figurar assim mesmo, ostentando a posição 10A.

A notar, as três coincidências com a lista do CJUB, com Kind of Blue, Time Out e Brilliant Corners.

Abraços.

10 fevereiro 2008

ESFORÇO DE REPORTAGEM: A LISTA (A DESEMPATAR) DOS LEITORES

Em formidável recuperação, nosso valoroso Guzz acaba de mandar a apuração dos 10 da Ilha Deserta, na versão dos leitores. Por coincidência, assim como ocorreu no caso dos membros, a parada vai ter de passar por um desempate entre 13 títulos com 2 votos apenas.

Portanto, peço que só àqueles que já votaram anteriormente - e encareço aos que não o fizeram que se abstenham, por uma questão de ordem, assim como aos membros do CJUB, pois não lhes será facultado meter a colher nesta lista - que o façam novamente para efeito de desempate, escolhendo dentre os títulos abaixo apenas 5 de modo a encher o tanque.

Blanton Webster Band, The - Duke Ellington;
Charlie Parker with Strings - Charlie Parker;
Body and Soul - Coleman Hawkins;
Jazz Workshop - George Russell;
Ballads - John Coltrane;
Ascension - John Coltrane;
Astigmatic - Krzysztof Komeda;
Round About Midnight - Miles Davis;
Ask Me Now - Pee Wee Russell;
Pepper Adams plays Charles Mingus - Pepper Adams;
Shorty Rogers and His Giants - idem;
Saxophone Colossus - Sonny Rollins;
Ella Sings - the Duke Ellington Songbook - Ella Fitzgerald
.

Por outro lado, para que passem seu Carnaval tranquilos, adianto que já estão classificados os seguintes discos:

Kind of Blue - Miles Davis, com 4 votos;
A Musical Romance - Billie Holiday & Lester Young, com 4 votos;
Brilliant Corners - Thelonious Monk, com 3 votos;
Time Out - Dave Brubeck - com 3 votos;
Stan Getz & J.J. Johnson At the Opera House - S.G. & J.J.J., com 3 votos.

Aguardaremos os votos dos leitores até o dia 10/02, para finalizar esta compilação e publicá-la “oficialmente”.

Abraços momescos.

BOSSA POLÊMICA

Em 26 de dezembro de 2006 postei no blog uma informação de como havia surgido o termo "bossa nova".

Durante um bate papo na casa de amigos, o jornalista Moysés Fuks prontamente afirmou ter sido ele a primeira pessoa a ter escrito a palavra bossa nova, para anunciar um show no Grupo Universitário Hebráico, se referindo àquele tipo de música.

Levei a história para nosso grupo da Modern Sound, onde se encontram muitos músicos que participaram do advento da bossa nova. O assunto foi motivo de conversa durante vários encontros.

Novamente, em 27 de fevereiro de 2007, postei outra informação de um trecho do livro, ainda não lançado de Carlos Lyra, sobre sua versão do termo bossa nova.

Comentei com o Moysés Fuks sobre o que tinha lido e, junto com o Beltrão, debatemos sobre o tema com o Ruy Castro, João Donato, Miele, Leny Andrade, Bebeto e mais alguns músicos que participaram do movimento, desde o tempo do Beco das Garrafas.

O assunto que levantei gerou polêmica até o dia de hoje, quando saiu um artigo de página inteira no Segundo Caderno do O Globo, escrito por Mauro Ventura, com uma entrevista com o autor do termo bossa nova, o jornalista Moysés Fuks.

Só faltou dizer que foi a primeira vez que Nara Leão cantou em público, na varanda do Grupo Universitário Hebraico.

Abaixo a transcrição da matéria publicada no jornal O Globo, em 10/02/2008.


Polêmica cheia de bossa
O jornalista Moysés Fuks desmente versões e diz como batizou o movimento bossa nova

Mauro Ventura

Na autobiografia que vai lançar este ano, Carlos Lyra diz, a respeito do primeiro show de bossa nova, no Grupo Universitário Hebraico, no fim dos anos 50: "Você sabia que o termo bossa nova foi criado por um judeu de um metro e meio de altura nunca mais visto por ninguém? O diretor da casa, um judeuzinho baixinho, especializado em marketing, bolou o cartaz de apresentação: 'Os bossa nova'. O nome pegou e passamos a usá-lo nos nossos shows." Quando soube que isso estaria no livro, o jornalista Moysés Fuks ficou incomodado. Procurou Lyra e deixou vários recados - "para esclarecer, não para brigar", diz. O assunto passou, ele deixou pra lá, mas, ao começarem as comemorações dos 50 anos da bossa nova, ouviu de conhecidos: "Toma uma atitude". Conversando com o amigo Sérgio Cabral, teve a idéia de elucidar a polêmica que cerca a origem do termo. Ele garante que é o tal "judeuzinho baixinho" - de baixinho Fuks, com 1,78, não tem nada.

- Eu era secretário (cargo hoje equivalente a editor) do "Tablóide UH", da "Última Hora", do Samuel Wainer, casado com a Danuza Leão. A Nara, irmã dela, frequentava o jornal, assim como o Ronaldo Bôscoli e o Chico Fim de Noite - conta Fuks, de 70 anos.

Fuks sugeriu espetáculo pioneiro

Fuks também fazia parte do Grupo Hebráico, no Flamengo (não confundir com Hebráica), e frequentava reuniões caseiras com músicos da época.

Sérgio Cabral escreve em "Nara Leão": "Entusiasmado com o que viu e ouviu, Moysés conversou com Bôscoli sobre as possibilidades de uma apresentação no Grupo." Convite aceito, foram reunidos nomes como Silvinha Teles, Luiz Eça, Lyra, Roberto Menescal, Nara, Luiz Carlos Vinhas, Chico Fim de Noite, Bebeto, João Mário, Bill Horn.

- Era um grupo que juntava músicos de jazz e de samba. Pensei: como rotular essa apresentação que mesclava os dois gêneros? Eu já conhecia a palavra bossa, e na minha cabeça aquilo passou a ser uma bossa nova. Ou seja, criei o termo, como jornalista, na "Última Hora", para batizar esse encontro.

A expressão, diz Fuks, saiu escrita pela primeira vez no programa do show, que ele fez para ser divulgado entre os estudantes. Em seguida, ela foi anotada num quadro-negro que ficava na varanda do Grupo. Era uma forma de reforçar a divulgação. E, logo depois, foi citada pelo Fuks, numa nota em que ele citava a apresentação. Mas a origem da expressão sempre esteve cercada de polêmica.

- Desde a minha adolescência ouço que a primeira vez que foi usada na imprensa foi por Sérgio Porto. Sempre se falou isso na família, com ele ainda vivo - lembra sua prima-irmã, a jornalista Maria Lúcia Rangel.

Segundo Carlos Roquette, que promove passeios guiados pela cidade e desde 1983 pesquisa bossa nova, "Fuks diz que foi ele, mas aceitar isso como verdade histórica é complicado". E Carlos Lyra recorda:

- Era um judeuzinho louro de cabelo escovado, pequenininho, diretor social do Grupo Hebráico. Tenho certeza de que não era o Fuks.

O jornalista estranha a afirmação e diz que num recital de Lyra no Hotel Sheraton ganhou palmas ao ser apresentado pelo próprio músico como o inventor do termo. em sua defesa, Fuks conta com aliados de peso. Sérgio Cabral escreve: "Ao chegar ao local do show, (Roberto) Menescal quis saber 'que grupo bossa nova' seria aquele e Moysés explicou que, não sabendo os nomes deles, achou melhor adotar aquela solução. 'Mas, se vocês quiserem, eu mudo', defendeu-se Fuks. 'Pode deixar assim mesmo', liberou o violonista. O fato é que, a partir dali, a expressão bossa nova passou a identificar a música e os músicos comprometidos com o movimento".

Ruy Castro, autor de "Chega de Saudade" e "Rio bossa nova", reforça: - A expressão bossa nova já existia há muito tempo para definir qualquer coisa nova. Um dos seus mais constantes usuários era o violonista Zé Carioca, que tocava nos anos 40 e 50 com Carmen Miranda nos Estados Unidos. Tudo que ele via de inusitado por lá chamava de "bossa nova". e a palavra "bossa", exatamente com o sentido de um jeito diferente de fazer alguma coisa, já está no "Memórias de um sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida, em 1852/53 - explica. - O que me parece inegável é que foi o Fuks que pegou a expressão "um grupo bossa nova" e passou a falar em "música bossa nova" ou "música de bossa nova" na "Última Hora".

'Só eu poderia ter escrito os dizeres'

No pioneiro show no Grupo Universitário Hebraico, a expressão "bossa nova" apareceu escrita a giz num quadro-negro que ficava na varanda. Mas quem a escreveu? Os pesquisadores falam em "alguém não identificado" ou "ma secretária", Não se sabe sequer ao certo a data do show, se em 1957 ou 1958 - sabe-se só que foi numa quarta feira, pois era o dia dos eventos no Grupo. Tampouco se tem certeza do texto exato. Ele foi copiado de um programa mimeografado, feito para divulgar o espetáculo entre os estudantes. Fuks conta:

- Não me lembro ao certo do que escrevi no programa. Sei que pus no release "noite de" ou "noite de bossa nova, com a participação de Silvinha Teles".

- Um belo dia, ou noite, Fuks nos trouxe uma novidade de um grupo que estaria fazendo música com uma batida moderna, diferente, um grupo bossa nova! - lembra Zeca Levinson, então presidente do Grupo. - Topamos de imediato e ele foi cuidar de rodar no nosso mimeógrafo o comunicado para o evento. Não costumo contar porque dificilmente alguém acredita que foi lá que tudo começou.

Mas quem é a tal secretária anônima? Dois filhos, sete netos, viúva do jornalista Eliezer Strauch, Lia (foto), de 64 anos, vive em Israel. De lá, por e-mail, ela conta: "Era costume divulgar no quadro-negro todos os acontecimentos importantes do Grupo. Eu era a responsável pela secretaria e só eu poderia ter escrito que na 'quarta feira, dia tal, noite de ou da bossa nova etc'. Mas não poderia ter tirado da minha cabeça os dizeres se não tivesse aparecido em outro lugar. Eu era a secretária, mas não tinha independência de criar títulos para as atividades do Grupo.”

NOVO PIANISTA NA PRAÇA

O jazz, no Rio de Janeiro, está ganhando um novo pianista.

Ele iniciou suas apresentações recentemente, provando que leva jeito para o piano, seu segundo instrumento de coração.

Não que esteja em seus planos trocar o solo pela harmonia, mas expressou uma grande admiração pelo instrumento acústico. Ele faz o dever de casa diariamente com o seu Fender Rhodes e ja tem gabarito para chegar tocando jazz num teclado em qualquer lugar.

Para quem não conhece, Idriss Boudrioua, é francês, mas está no Brasil há 25 anos e é conhecido como um dos melhores sax alto do jazz e da bossa (também tocando um irrepreensível flugel).

Todos os sábados, na Modern Sound, Idriss dá uma aula de jazz. É fácil notar seu empenho e dedicação quando toca, sua concentração no instrumento, na música e, no excelente grupo de músicos que o acompanha, é extraordinária. Mesmo com a agitação das pessoas, dos garçons e das conversas, sua música flui como se estivesse num concerto e todos prestando atenção.

O CJUB ja teve a honra de ter em seus palcos a presença desse músico, que nesses anos todos só faz acrescentar.

Assistir ao Idriss tocando é imperdível, é fácil saber onde vou aos sábados, bem como uma turma de conhecedores de jazz que não perde esse jazz de primeira.

Assim como o Idriss, temos vários outros excelentes músicos no palco: Sergio Barrozo (b), Dario Galante (p), nesse último sábado substituído pelo grande Haroldo Mauro Jr., que, diga-se de passagem, está tocando muito, José Boto (b) e sempre com muitas canjas dos músicos presentes na platéia.

Agora, também temos o Idriss, ainda tímido ao piano, mas mostrando que tem talento.

09 fevereiro 2008

O VELHO E O NOVO

Estamos falando de jazz. Uma linguagem musical, mais que um gênero. Eu vejo como falso o embate entre velho e novo no jazz. Procurarei demonstrar porque.

Todo estudo de musica (instrumento,composição,arranjo) se faz observando o que já foi feito no passado. Se estudamos musica dita clássica nossas fontes serão Bach, Mozart, Beethoven, etc, ate chegar em Stravinsky, por exemplo. Na formação de um musico de jazz, qualquer musico com pretensões de tocar jazz, o passado é onde ele vai aprender a linguagem, os idiomas, sotaques e toda a sintaxe do jazz. O desenvolvimento do estudo é muito semelhante à evolução musical do jazz. Começamos, claro, pelo mais simples. E, em geral esse início soa como jazz antigo, tradicional, se preferem. E quando já mais adiantados então incorporamos ao estudo as técnicas e maneiras cada vez mais próximas de nós temporalmente. Exemplo: primeiro estuda-se blues depois bebop ou aprendemos a tocar na bateria como os bateristas da época do swing para depois incorporarmos as inovações do bebop, de Max Roach e Art Blakey. Na evolução do jazz vemos que os criadores foram transgredindo maneiras já estabelecidas de tocar e/ou compor e o vocabulário se refinando e se sofisticando.
Isso exige que se estude primeiro o mais antigo depois o mais novo. Não por questões históricas, mas por razões didáticas, do aprendizado de um instrumento musical. As escolas e estilos mais antigos soam pra nós inocentes ou simples, mas não se começa pelo final, acho que em qualquer coisa é assim.

Todo o estudo do jazz (e musica em geral) necessita que se ouça e até se copie (como estudo) o que os grandes ou os muito bons do passado faziam. E mesmo com os excelentes livros de todos os instrumentos que existem hoje sobre jazz, os registros gravados, milhares deles, são a verdadeira fonte de conhecimento para o musico de jazz. Essa a razão de muitos livros trazerem ao final uma discografia que ilustrará tudo aquilo que o autor quis transmitir, aplicações praticas da teoria. Ao estudar temos que fazer transcrições de performances e solos e isso é se debruçar sobre o passado e beber da fonte. Ao estudar um determinado musico muitas vezes temos que voltar atrás e ver suas influencias e estudá-las, assim como ele fez, e vamos nessa viagem temporal entendendo e assimilando a musica que esse musico criou de maneira muito mais profunda e completa, pra ir pra frente vamos pra trás primeiro.
Nesse estudo sobre o que já existe ou existiu é que está a possibilidade do novo aparecer. Os estilos pessoais, por mais originais que soem, são frutos dessa formação. Na verdade a maneira de aprender jazz de hoje é uma versão culta e aprimorada da maneira que os músicos do passado aprendiam sua arte. Ouvindo e tentando reproduzir, errando e acertando, até conseguir aquele resultado. Não havia um único livro sobre improvisação jazzística na época de Parker, Coltrane, Bill Evans etc. Era ir aos night-clubs ouvir e tentar assimilar, a tal da tradição oral.

Só pra ilustrar: no trompete dá pra imaginar Roy Hargrove sem Lee Morgan? Morgan sem Clifford Brown e esse sem Dizzy? E antes de Dizzy, Roy Eldridge? E dá pra pensar em tocar jazz no trompete sem ouvir, estudar e entender Louis Armstrong?
Mesma coisa sax tenor : Lester Young, depois Dexter Gordon, Stan Getz, Sonny Rollins, John Coltrane, Wayne Shorter, Joe Henderson até chegar em Michael Brecker e Joe Lovano, nossos contemporâneos. Claro que em algum momento aqueles que são gênios vão apresentar coisas realmente novas. Mas os gênios são muito, muito raros e mesmo eles estudaram os mestres que vieram antes.

OUSADO, BRILHANTE

Aproveitando as inúmeras citações recentes aqui no CJUB do pianista Stefano Bollani, nada mais oportuno do que uma resenha de seu mais novo CD, ainda inédito, e que, se não é jazz de raiz, pelo menos deve despertar a curiosidade de qualquer apreciador da boa música. Bollani dessa vez resolveu prestar uma homenagem à música brasileira, depois da visita ao Rio que fez em Dezembro último, como parte de um intercâmbio entre Itália e Brasil (Umbria Jazz Brasil). O italiano até fez uma apresentação gratuita numa favela em Laranjeiras para lançar o álbum, com a participação dos mesmos músicos brasileiros que atuaram no projeto. Bollani Carioca – é o título do CD – contou com Marco Pereira (violão), Zé Nogueira (sax), Jurim Moreira (bateria), Jorge Helder (contrabaixo) e Armando Marçal (percussion), além dos cantores Zé Renato e Mônica Salmaso. Bollani já havia homenageado Jobim em 2003 com um bonito álbum chamado Falando De Amor. Gravou também temas da Bossa-Nova em duo com Phil Woods. Dessa vez o repertório foi bem mais variado, como um retrato da música brasileira em todas as suas manifestações e épocas.
Aos 35 anos, o pianista de Milão já mostra maturidade e competência suficientes para se arriscar a qualquer projeto mais ousado. Bollani Carioca é uma prova, a partir de alguns clássicos da nossa música não muito familiares aos gringos, passando por Pixinguinha, Nelson Cavaquinho e Chico Buarque. O CD é agradável e criativo do início ao fim, com um momento no mínimo emocionante quando Mônica Salmaso canta Folhas Secas em duo com o italiano. Se Bollani foi eleito o músico do ano na Europa – prêmio Hans Koeller – não foi à toa. Além de jazzista, é um pianista completo. E já para 2008 tem mais de 200 apresentações agendadas.

01. luz negra
02. ao romper da aurora
03. choro sim
04. valsa brasileira
05. a voz do morro
06. a hora da razão
07. segura ele
08. doce de coco
09. folhas secas
10. il domatore di pulci
11. samba e amor
12. tico-tico no fubá
13. caprichos do destino

Repubblica e L’Espresso (2007)
Stefano Bollani – piano, arranger
Zé Nogueira – sax , producer
Jurim Moreira – drums
Marco Pereira – guitar
Jorge Helder – bass
Zé Renato - vocal (*6)
Mônica Salmaso - vocal (*9)
Armando Marçal - percussion
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PS. No Som na Caixa, uma aula de como um tema surrado (Tico-Tico No Fubá) ganha quando o músico sabe a importância da harmonia no jazz moderno. Aqui, um Bollani "monstruoso", expressão benechisniana...
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No estúdio com Stefano Bollani (Antônio Carlos Miguel)
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O tal disco carioca que o pianista italiano comentou na entrevista publicada neste domingo no Segundo Caderno está se material¡zando. Hoje, no fim da tarde, passei quatro horas no estúdio e pude ouvir algo do que eles gravaram ontem e acompanhei Marçalzinho botando sua percussão em algumas das faixas. Produção de Zé Nogueira e Alberto Riva (este um jornalista italiano especializado em música, autor da biografia do trompetista Enrico Rava, e que agora, casado com uma brasileira, trabalha como correspondente de agências italianas aqui no Rio), o repertório passa longe da obviedade, incluindo Nelson Cavaquinho, Ismael Silva, Zé Kéti ("A voz do morro"), um "Tico-tico no fubá" genialmente desconstruí­do e um maxixe do próprio Stefano, que também ouvi. Uma base brasileira, com o baterista Jurim Moreira, o baixista Jorge Helder e o violonista Marco Pereira, garante o balanço local, mas Bollani manja muito da música brasileira - Riva contou que ao conhecê-lo, dez anos atrás, ele já tocava samba. Dois músicos do seu quinteto, que se apresentará domingo, no palco Club do TIM Festival, também participam do "discacarioca": o saxofonista Mirko Ismael Silva que iria gravar em seguida e o clarinetista Nico Gori. Segundo Zé Nogueira, que também participa, num duo de piano e sax soprano, o disco sairá no Brasil pela gravadora MP,B (distribui­da pela Universal), enquanto na Europa ficará por conta de Bollani e Riva o acerto com algum selo.
PS. (em 10 de novembro): acabei de falar com Riva, e ele me corrigiu: "Apenas Stefano que cuidará do lançamento na Europa").


08 fevereiro 2008

DA SERIE "VIOLINO NO JAZZ"

Stephanne Grappelli & Diddier Lockwood acompanhados entre outros de simplesmente Michel legrand ao piano no tema "Pent Up House".

Fico por ai...

Beto Kessel

HOJE (E TODOS OS DEMAIS TAMBÉM) É O DIA DE LACLAUDIA

Nossa confreira querida e participante ativa das discussões e votações (colocou nada menos do que três de suas escolhas entre os 10 finalistas da Ilha Deserta), LaClaudia, faz aniversário hoje. Tardiamente, por conta de compromissos profissionais, dou conhecimento desse fato a todos, mas tarde não é nunca e assim segue daqui um abraçaço pela data, com um desejo que é certamente coletivo de que tenha muitas Felicidades nesta data e Saúde por muitos e muitos anos mais.

Assim, PARABÉNS PARA VOCÊ, estimada amiga, em nome deste CJUB, que muito se honra em tê-la como membro(a)?

Abraços (beijos omitidos por conta de possíveis ciúmes por parte do Guilhermão)

07 fevereiro 2008

MUSEU DE CERA # 36 - BUNK JOHNSON

WILLIE GEARY “BUNK” JOHNSON - nasceu em New Orleans possivelmente em 1879 (ou 1889 parece que mentia a idade como sendo 10 anos mais velho), um dos 14 filhos de William Johnson e Thresa Jefferson. Em 1894 concluíu a New Orleans University. Seu primeiro trabalho profissional foi com a Olivier's Orchestra e de 1895 a 96 com a legendária Buddy Bolden's Band a pioneira na execução do jazz. Depois tocou em várias brass bands de New Orleans. Em 1900 tocou no Frankie Spano's Club com Jelly Roll Morton e Jim Parker e com The Superior Orchestra dirigida por Clarence Williams. (foto abaixo).















Em 1915 deixou New Orleans permanentemente atuando em espetáculos de vaudeville e minstrels shows, em orquestras de teatro e até bandas de circo como a Vernon Brothers Circus. Com a Black Eagle Band em 1931 em um dancing na cidade de Rayne, Louisiana aconteceu que o segundo trompete Evan Thomas foi apunhalado em pleno palco vindo a falecer ali mesmo. Iniciou-se então uma luta no recinto e o instrumento de Bunk foi quebrado. Após este incidente continuou a tocar com um trompete emprestado, além deste episódio seus dentes não tratados começaram a dar muitos problemas tendo que extraí-los o que dificultou sua embocadura e Bunk acabou por se retirar do meio musical.
Um movimento de recriação e resgate do Jazz tradicional e de seus músicos veteranos — REVIVAL — ocorreu a partir de 1937 estendendo-se até o final dos anos 40. Foram reencontrados vários músicos como George Lewis (cl), Mutt Carey (tp) e renovadas as forças de outros como Kid Ory (tb), Sidney Bechet (cl, ss), Tommy Ladnier (tp), Albert Nicholas (cl), Jelly Roll Morton (pi) e dos brancos do dixieland como Eddie Condon (gt), Bud Freeman (st), Muggsy Spanier (ct, tp), Eddie Miller (st), Bobby Hackett (tp) e ainda o francês Claude Luter (cl, bldr), o inglês Humphrey Lyttelton (tp, cl) e outros... Bill Russel e Fredric Ramsey Jr. historiadores ao escreverem o primeiro livro sobre a história do Jazz — Jazzmen, feito através de inúmeras entrevistas, incluindo Louis Armstrong, Sidney Bechet e Clarence Williams o nome de Bunk era citado constantemente como um dos pioneiros do Jazz em New Orleans. Resolveram procurar o citado músico encontrando-o em New Iberia, Louisiana onde vivia. Após conseguirem fantásticas histórias sobre o ambiente musical de New Orleans no início do século, os descobridores pagaram o tratamento dentário e compraram um novo sopro para Bunk. Em 1942 começou a gravar tornando-se figura popular do movimento Revival. Sua última gravação foi em New York nas sessões de 23, 24 e 26 de dez/1947. Retornando a New Iberia em 1948 com a Banner Band sofre um AVC e acaba falecendo a 7/julho de 1949.
Bunk possuía a técnica suficiente para transmitir a essência do jazz de raíz, da raíz neo-orleanesa da qual foi um dos ramos fecundos pela tonalidade, perfeição da forma e equilíbrio, além de magnífico beat. Um dos grandes momentos do Jazz Tradicional.
Aqui podemos ouvir uma das primeiras sessões de gravação do Movimento Revival de 1942 com Bunk Johnson’s Original Superior Band tendo Bunk ao trompete e líder, e os “cobras criadas” - Big Jim Robinson (tb), George Lewis (cl), Walter Decou (pi), Lawrence Marrero (bj), Austin Young (bx), Ernest Rogers (bat) no clássico Panama (William H. Tyers) - Vocalion LAG 545, gravado no Grunewald’s Music Store, New Orleans a 11/junho de 1942 (mx MLB 140) e ver algumas fotos interessantes.

06 fevereiro 2008

MARCELINK - FELIZ ANIVERSÁRIO, HOJE

Afastado temporariamente de suas escrivinhações e participação no CJUB como um todo em vista de compromissos profissionais e pessoais, embora por sua cordialidade e educação seja lembrado sempre, nosso Marcelink comemora hoje mais um ano. Sem condições de abraçá-lo pessoalmente, mando daqui e em nome de todos, um forte abraço ao nosso jovem confrade, desejando-lhe MUITA SAÚDE E PAZ, além de uma quantidade incontável de anos de vida, ao som do mais melodioso jazz que puder se fazer acompanhar.

Parabéns, MARCELINK!

EVANS À BRASILEIRA

Tributos a pianistas como Duke Ellington, Count Basie, Bud Powell, Thelonious Monk, entre outros, sempre fizeram parte da discografia dos jazzistas de gerações posteriores. Mas nada comparável a Bill Evans. Só o pianista italiano, ótimo por sinal, Stefano Battaglia, dedicou dois CDs a Evans, seu maior ídolo. Agora a homenagem é brasileira, por conta da pianista e cantora (?) paulistana Eliane Elias (47). O fato de ser atualmente casada com o contrabaixista Marc Johnson, um dos últimos parceiros de Evans, teve influência direta no projeto, de novo sob os auspícios da Blue Note – há dois temas inéditos de Evans gravados em K7 e agora revelados por Johnson. Outra curiosidade é que Marc Johnson aparece em uma das faixas (My Foolish Heart) tocando no contrabaixo que pertenceu a Scott LaFaro, talvez o grande inovador de sua geração nesse instrumento, e que tornou-se famoso ao lado de Evans. Something For You (...sings & plays Bill Evans), o título do CD (2008), traz ainda o baterista Joey Baron.
Eliane Elias conseguiu alguma popularidade depois de seu CD Dreamer, lançado pela Bluebird em 2004. Isso porque ela optou pela fórmula muito bem explorada por Diana Krall. Ou seja, algo menos complicado em se tratando de jazz, com um vocal miúdo e tímido. Há até um arranjo para Fotografia (Jobim) nitidamente em cima do que Claus Ogerman fez em Dancing In The Dark para a Krall. Eliane volta a cantar nessa homenagem a Evans, mas a prioridade aqui é para o trio. O CD tem bons momentos sim. Johnson, o produtor, faz também uma montagem com Evans e Elias na inédita Here’s Something For You, a partir da fita K7 guardada pelo contrabaixista e só agora revelada.
Na ânsia de regravar os standards imortalizados por Evans, além das composições do pianista, Elias economizou tempo, ponto questionável do CD. São 17 faixas, sendo que apenas uma chega a 5 minutos. Mas o trio se comporta bem, com Johnson em grande forma. Claro, a paulistana não perdeu a oportunidade de fazer a sua versão para Minha (Francis Hime), como contribuição brasileira ao repertório de Bill Evans, além de um tema próprio chamado After All, dedicado ao já legendário pianista de New Jersey.

01. you and the night and the music 3:17
02. here is something for you 2:58
03. a sleepin’ bee 2:51
04. but not for me 3:51
05. waltz for debby 4:05
06. five 4:59
07. blue in green 4:50
08. detour ahead 4:32
09. minha (all mine) 3:13
10. my foolish heart 5:01
11. but beautiful/here’s that rainy day 4:25
12. I love my wife 2:54
13. for nenette 2:53
14. evanesque 3:23
15. solar 3:11
16. after all 4:29
17. introduction to here is something for you (*) 2:13

Blue Note (2008)
Eliane Elias – piano, vocals, composer
Marc Johnson – bass, producer
Joey Baron – drums
Bill Evans – piano (*), composer
……………………………………………
AMG @@@@1/2
.......................................................
PS. 18. re: person I knew 3:33 (bonus track edição japonesa)

04 fevereiro 2008

"ILHA DESERTA" - "PURISTAS" x "CONTEMPORÂNEOS" ? COM A PALAVRA O MESTRE GARY GIDDINS


A propósito da controvérsia, em bom tempo levantada pelo confrade BraGil, penso vir a calhar este artigo do Mestre Gary Giddins, pinçado de sua coluna regular na JazzTimes, esta de dezembro de 2005. Vejam, como alertara em comentários anteriores, a alusão a gravações de Buddy Bolden (que praticamente todos os historiadores julgavam inexistentes), quase que unanimemente considerado o "inventor do jazz". Boa leitura (cliquem na imagem para ampliar).

01 fevereiro 2008

ELES - SEGUNDA PARTE

3) MAX ROACH

Max Roach era um baterista com cabeça de compositor. Compunha peças musicais improvisando.
Roach, para mim, tem uma importancia como solista dentro do jazz que é comparavel a de Louis Armstrong, Charlie Parker, John Coltrane ou Sonny Rollins, por exemplo, como inovador e criador de um vocabulario praticamente obrigatorio para qualquer baterista que queira solar jazzisticamente. Uma tentativa de descrever e analisar a arte de Max Roach sem usar termos tecnicos do jargão musical é um desafio pois sua musica é bastante complexa as vezes quase erudita, mas sempre com muito swing. Vou tentar não complicar.


A primeira vez que ouvi Roach eu tinha uns quinze anos, já gostava muito de jazz, e ouvi um disco de Bud Powell, gravado ao vivo na França com Charlie Mingus e Roach. Na ultima musica, ("Lullabye Of Birdland") ele toca um solo de vassourinhas. Eu nunca tinha ouvido ninguem "contar uma historia" na bateria. É um clichê de linguagem mas é a unica definição que me ocorre.
Para o mundo e especialmente para os Estados Unidos da America a decada de 1940 trazia muitas mudanças. Pujança economica, intensa urbanização, uma nova classe media, vitoriosos na guerra, os EU passavam por rapidas e complexas mudanças e que iriam se aprofundar nos anos que viriam, nada mais seria como antes. Nesse cenario a musica, o jazz, cinema, teatro e literatura, passavam por mudanças semelhantes.

Uma das mudanças que o bebop trouxe foi na condução do ritmo pelos bateristas: o foco deixava de ser o bumbo, como na epoca do swing, e passava para o ride cymbal. Bumbos menores e pratos maiores, o" kit" dos bateristas mudava tambem em função do jazz nessa epoca (aproximadamente metade da decada de 40) ser principalmente tocado em night-clubs, lugares relativamente pequenos, como as casas da rua 52, o berço do bebop.
Max Roach despontou justamente nessa epoca e lugar. O homem certo no lugar certo. Juntamente com Kenny Clarke e Art Blakey foi um dos pais da bateria no bebop. Enquanto esses dois, mais velhos, ja eram musicos ha algum tempo, Roach estava praticamente começando profissionalmente. Os tres tem intensa participação nas gravações que registram o nascimento e apogeu do bebop mas Roach definiu uma nova era para os bateristas assim como Parker, Gillespie, Bud Powell fizeram o mesmo como instrumentistas e compositores. Tendo uma interpretação da condução no prato e uma atitude em relação ao tempo similares às de Art Blakey(on top of the beat) porem com menos drive mas com um refinamento de som que é uma de suas caracteristicas marcantes. Não quero dizer com isso que Roach ficasse a dever em drive mas que não era tão enfatico e assertivo na condução (time keeping) quanto Blakey. Nesse aspecto, drive na condução ritmica, acho que só Tony Willians pode se equiparar a Blakey.
Roach tinha uma condução mais "leve", a mão esquerda já está mais a vontade, mais livre, não repetitiva, tocando uma especie de "comping", como os pianistas, enquanto a mão direita seguia na condução. O bumbo tambem participava dessa conversa com menos atividade que a caixa, mas infelizmente em discos mais antigos é praticamnete impossivel ouvir o bumbo, a não ser em solos de bateria. O que Roach tocava era praticamente polifonico, contrapontistico e era perfeito para acompanhar as inovações melodicas do bebop que exigiam uma nova maneira de acompanhar os solistas. Agora a velocidade de raciocinio tinha que ser muito maior, já que bumbo e caixa participavam colorindo a condução. Era algo analogo ao que acontecia com os outros instrumentos no bebop: as possibilidades aumentavam muito. E Max Roach era um dos principais expoentes dessa nova maneira de tocar.

SOLOS - Aí é onde Roach brilha intensamente. Sua concepção musical começa pelo som. Usava uma afinação mais alta ("aguda") que possibilitava uma articulação mais clara e facilitava a execução de frases mais complexas, com mais notas. A sonoridade de Roach se tornou o padrão daquilo que se convencionou chamar "jazz kit " até os dias de hoje. Uma cuidadosa escolha do som ("nota") de cada tambor e uma técnica muito bem desenvolvida faziam de sua bateria um novo instrumento.
Roach foi dos que fez a bateria se afastar da linguagem "militar" que predominava na epoca do swing. Sua escola de tecnica era mais classica, não era baseada nos chamados Rudimentos, que são um conjunto de tecnicas originalmente usadas pelos percussionistas de bandas marciais, que era de onde vieram muitos bateristas. Isso tambem tornava a sonoridade de Roach mais leve e seu fraseado mais solto, fluente e veloz. Bebop, em uma palavra. A velocidade e as frases com muitas notas não são usadas para impressionar mas na construção de ideias musicais altamente sofisticadas em termos de criação musical. A partir de ideias ritmicas tipicas do bebop e com uma grande variedade de articulações, dinamicas e sonoridades, Roach construiu um vocabulario totalmente novo.
Toda essa tecnica e vocabulario usados por um compositor. Seus solos muitas vezes usam tecnicas de composição classicas tais como tema e variações e desenvolvimentos motivicos e tem sempre um sentido de organização. A "história" será "contada" com começo, meio e fim. Outra criação marcante de Roach foram os solos usando somente o hi-hat (ou "chimbal" ou "contratempo", no Brasil), aqueles dois pratos que são acionados pelo pé esquerdo. Tirava-os do instrumento, levava para a frente do palco e usando tambem a estante de metal fazia solos tão criativos e musicais quanto os que fazia com o instrumento todo. Roach foi o primeiro a gravar composições para bateria solo. Varios de seus discos, o mais conhecido é"Drums Unlimited ", tem composições para bateria solo, exemplos claros e acabados da arte de compor.

Todo baterista interessado em tocar jazz tem que estudar as gravações de Max Roach. Seus solos são a definição perfeita do que é tocar bateria melodicamente e um estudo obrigatorio para aqueles que quiserem se aprofundar na arte do solo.

Há muitos discos que Roach gravou ao longo de sua carreira que são marcantes: suas gravações com Charlie Parker, o quinteto com Clifford Brown (essas gravações, eu considero um dos maiores tesouros do jazz) e seus inúmeros discos como lider (destaque para "Drums Unlimited") e o encontro histórico de "Rich versus Roach", com Buddy Rich. São o legado de um genio.

Tive oportunidade de ve-lo tocar ao vivo uma vez no Free Jazz de 2000, no MAM, ao lado de meu amigo e mestre Pascoal Meireles. Foi uma apresentação memorável onde ele mostrou toda sua genialidade e criatividade no instrumento com muita energia e com 60 anos de carreira. Na época, por coincidencia, eu estava aprofundando meus estudos musicais (harmonia, analise musical e outras matérias) e pra mim foi uma verdadeira aula de musica, num nivel altissimo. O professor era Max Roach.


4) AL FOSTER

Um baterista de jazz completo. Essa seria, para mim, a melhor definição de Al Foster. Versatilidade, criatividade, um vasto vocabulario rítmico e melódico com praticamente tudo que se criou em bateria no jazz e, acima de tudo, uma condução muito especial, com muito swing.
As influências que podemos ouvir são muitas mas acho que Max Roach, Art Blakey, Roy Haynes e Elvin Jones são as mais aparentes.
Sendo escecialmente um sideman( e que sideman !), participou de um enorme numero de gravações e turnes de grandes nomes do jazz: Horace Silver, Mccoy Tyner, Miles Davis, Sonny Rollins, Joe Lovano, Herbie Hancock, entre tantos outros. Com Joe Henderson, durante a década de 90, gravou varios discos e participou de inumeras turnes pelo mundo todo. Sua condução é variada e adaptada a cada situação. Tanto pode ser leve e fluida, como Roy Haynes (escola bebop,"on top of the beat") , quanto densa e mais ativa, como Elvin Jones ("bluesy", "relaxado") alem de tocar vassourinhas magistralmente. Com total dominio de todos os estilos de jazz não é de espantar que tenha sido tão requisitado.
Dois discos de Horace Silver,"Silver'n Brass" e "Silver'n Woods", gravados na metade da decada de 70, contém performances de Foster que eu considero imprescindiveis para quem estuda o desenvolvimento da bateria no jazz e, claro, para todos os bateristas interessados em tocar jazz.
São discos com uma formação maior, com uma seção de sopros acrescida ao quinteto de Silver. Conheço bem esses discos e pra mim eles contem ensinamentos muito importantes na arte de conduzir (time keeping) uma vez que as composições de Silver nesses discos são variadíssimas ritmicamente: jazz em 4/4 tanto com interpretações mais bebop quanto mais modernas, em 3/4, shuffle, bossa nova, latin-jazz , tudo isso tocado com sonoridade, swing e musicalidade do mais alto nivel.
Numa situação musicalmente oposta, digamos, no disco de Joe Henderson "The Art of the Tenor", onde a formação é sax tenor, baixo e bateria, ele tambem se destaca por todas as qualidades ja descritas e mais ainda por um espirito ousado musicalmente, como a situação requisitava, dialogando intensamente com Henderson. Tambem com Henderson, uma performance maravilhosa no disco "So Near, So Far".

SOLOS - Como solista é que a influencia de Max Roach se torna mais evidente. Solos construidos como composições, explorando as sonoridades do instrumento de forma ousada e criativa. Foster, em geral, em seus solos é mais economico ("menos notas") mas em termos de fraseado e estruturação é muito clara a herança de Roach. Outra caracteristica em comum é a sonoridade, Foster tambem usa uma afinação mais alta com destaque para a variedade de articulações.
O seu fraseado vai alem do bebop, mas este está presente sempre, com influencias de Tony Williams, Elvin Jones e Roy Haynes. Foster refina esse vocabulario, simplificando-o. A complexidade da simplicidade. Eu vi Al Foster tocar ao vivo duas vezes. A primeira em 1974 com Miles Davis, no Municipal. Eu gostei muito do som mas não tenho maiores lembranças de Foster. Em 1993, com Joe Henderson no Freejazz, no Hotel Nacional aconteceu o oposto, foi uma das apresentações que vi em toda minha vida que mais me marcaram. Alem da musica como um todo ter sido magica, Foster deu uma apresentação de gala. Sempre fazendo musica de altissimo nivel no instrumento, fosse acompanhando ou solando, com uma sonoridade linda, ideias requintadissimas, um swing danado e o que mais me chamou atenção: cada musica tocada tinha sua propria identidade, não repetiu nada, ate temas mais manjados como "Take The A Train" soaram diferentes com a concepção ritmica de Al Foster. Seus solos foram maravilhosos, verdadeiras composições feitas ali, na frente de todo mundo. Um super-musico de jazz na sua hora de trabalho.

Lembro aos amigos que estas são observações pessoais, é só ver a quantidade de adjetivos empregados, não um tratado sobre o assunto. Não tenho a pretensão de esgotar esse assunto, muito pelo contrario. Escrevi para chamar a atenção de voces sobre os bateristas que fizeram e fazem minha cabeça, um convite a uma audição mais atenta desses mestres e com isso cada um pode tirar suas proprias conclusões. Fiquem a vontade para acrescentar a visão de voces nos comentarios. Duvidas tecnicas mais especificas eu peço , por favor, para me mandarem por email pois os esclarecimentos podem ocupar muito espaço nos comentarios. Mas fica a criterio de voces, eu podendo, sabendo, responderei com o maior prazer, seja nos comentarios seja nos emails.

A seguir : Philly Joe Jones e Louis Hayes.

INVITATION

Nascido em Varsóvia (1902/1983), aos 6 anos Bronislaw Kaper já estava pendurado no piano. Depois de um período no conservatório de sua cidade, foi obrigado a fazer direito por imposição do pai, apesar de talentoso pianista. Acabou em Berlim, na época uma cidade cheia de casas noturnas, onde muitos músicos europeus tentavam uma sorte maior. Com a guerra, mudou-se para Paris, já focado em trabalhar para o cinema. Só em 1935 recebeu convite da MGM, Hollywood. Fez várias trilhas, até mesmo para os irmãos Marx. A partir daí virou membro de uma comunidade de exilados alemães. Kaper participou de mais de 150 filmes e levou o Oscar pela trilha de “Lili”. Mal sabia que dois de seus temas mais famosos, Green Dolphin Street e Invitation, iriam virar clássicos do jazz. Até mesmo Hi Lili Hi Lo receberia versão memorável de Bill Evans e Eddie Gomez. Mais um exemplo de que o jazz sempre esteve na cola do cinema.

PS. No som na caixa, o standard do jazz Invitation (Kaper & Webster) – mais de 400 gravações -. numa versão pra lá de inspirada da ótima cantora e pianista Patrícia Barber (Chicago, 1956).