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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

18 dezembro 2007

RETRATOS
08. DEXTER GORDON (A)
Candidato Ao “Oscar” ! ! !

PRELIMINARMENTE UMA HOMENAGEM

Este “Retrato” de Dexter Gordon é uma homenagem ao “Mestre” maior do JAZZ, Luiz Carlos Lassance Antunes, LULA, que durante praticamente três décadas manteve “sempre o melhor em Jazz” no rádio, divulgando a “Arte Popular Maior” e recebendo permanentemente músicos e aficcionados, ao vivo e como numa “jam” radiofônica.
Dexter Gordon gravou em 04 ocasiões o tema “Sticky Wicket”: 02/abril/1969, 26/julho/1970, 23/agosto/1975 e, finalmente, 16/maio/1982 em quarteto. Esta última gravação realizada em New York foi precedida de outra sessão tomada no dia 08/março/1982, na Filadélfia (também em quarteto mas com outra formação) e as duas sessões integram o álbum original da Elektra / Musician “Dexter Gordon – American Classic”. Exatamente esse derradeiro “Sticky Wicket” de 16/maio/1982 e desse album é que por mais tempo e até o encerramento do programa serviu de prefixo para “O Assunto É Jazz” de LULA, que ora homenageamos.
A formação do quarteto de Dexter Gordon para essa tomada foi com ele ao tenor, Kirk Lightsey / piano, David Eubanks / baixo e Eddie Gladden / bateria.
É importante lembrar que alguns LP’s de Dexter Gordon lançados no Brasil pela Columbia tiveram notas de contra.capa traduzidos e adaptados por LULA: “Homecoming – Live At The Village Vanguard”, com certeza um dos melhores álbuns da carreira de Dexter, texto original de Robert Palmer (Woody Shaw/trumpete, Ronnie Mathews/piano, Stafford James/baixo e Louis Hayes/bateria, gravação de 1976 após o retorno de Dexter Gordon aos U.S.A. e de já ter se apresentado no “Storyville”), “Dexter Gordon Quartet - Manhattan Symphonie”, texto original de Pete Hamill (com George Cables/piano, Rufus Reid/baixo e Ed Gladden/bateria, gravação de 1978), e outros.
Por essas ligações de LULA a Dexter Gordon deixamos registrada nossa homenagem àquele.

BIOGRAFIA

Nascimento - Estudos - Ouvindo as Primeiras Influências

Dexter Keith Gordon, Dexter Gordon, nasceu em Los Angeles, Califórnia, em 27/fevereiro/1923 e veio a falecer na Filadélfia em 25/abril/1990.
Filho de família de classe média alta da burguesia negra, vivendo em confortável situação econômica e residente em antiga mansão da “Central Avenue”, teve como pai conceituado médico, Dr. Frank Alexander Gordon, cuja clientela incluía músicos de projeção: Lionel Hampton e Duke Ellington, entre outros. Daí e de imediato podem ser entendidas 02 premissas: não lhe faltaram meios econômicos e de condição social para, desde a mais tenra idade, estudar música e as portas do Jazz foram uma opção natural, ainda que o pai desejasse que Dexter também fosse médico.
Na “Jefferson High Scholl”, então a mais conceituada instituição californiana, a partir dos 13 anos e por orientação do pai, Dexter aprofundou-se no estudo de teoria musical (enorme vantagem sobre a maior parte dos músicos da época, dedicados à improvisação) e na prática do clarinete e, paralelamente, estudou harmonia com o professor Lloyd Reese; a partir dos 15 anos optou por estudar e dominar o sax.alto, passando em seguida para o sax.tenor a partir dos 17 anos (e seguidamente ao sax.soprano cuja técnica e prática veio a dominar), instrumento que incorporou totalmente de forma a expandir seus limites de criação e com o qual construiu sua carreira no Jazz.
Desde cedo foi “ouvinte” assíduo dos tenoristas Lester Young (leia-se “Count Basie Orchestra”) e Dick Wilson (relembrem a “Andy Kirk Orchestra” de Andy Kirk, a famosa “Clous Of Joy” onde atuaram Ben Webster e a extraordinária Mary Lou Williams) que substituiu a banda de Terence Holder, iniciada em 1929 em Oklahoma City.

Grupos Locais - Lionel Hampton e a 1ª Gravação - Retorno a Los Angeles

Inciou carreira profissional em 1940 com grupo local, os “Harlem Collegians”, tocou com os grupos “Jefferson High School” e “Jordan High School” (ao lado de músicos do nível de Ernie Royal, Chico Hamilton, Buddy Collette e outros).
Em dezembro desse ano por indicação de Marshall Royal e já ao sax.tenor foi contratado para a banda de Lionel Hampton, com a qual registrou sua primeira gravação (New York, 24/dezembro/1941, ao lado do também tenor Illinois Jacquet) e onde permaneceu até 1943. Mesmo recordando essa permanência com especial carinho em sua carreira musical e aproveitando os ensinamentos de fazer parte de uma “equipe”, de manter a disciplina exigida por uma Big Band, enriquecendo sua formação técnica com os aspectos práticos e úteis, é claro que Dexter não possuía posição destacada, seja pelas poucas oportunidades de solar, já seja por estar ao lado de outro tenorista, Illinois Jacquet, então já mais “cotado”. A história de seu duelo / dueto com Illinois no tema “Po’k Chops” ficou gravada como estória, já que não foi registrada em disco.

A 1ª Gravação Como Titular: Uma “Senhora formação”

Retornou a Los Angeles atuando com o baterista irmão de Lester Young, Lee Young e Jessie Price. Entre o final de 1943 e meados de julho/1944 Dexter Gordon com apenas 20 para 21 anos gravou pela primeira vez como titular (Dexter Gordon - I've Found A New Baby with Rosetta e Dexter Gordon - I've Found A New Baby with Sweet Lorraine, selo Mercury) e, aprecie-se bem, em que companhia: Harry “Sweets” Edison/trumpete, Nat "King" Cole/piano, Johnny Miller/baixo e Juicy Owens/ bateria.
Entre abril e maio/1944 Dexter gravou em duas ocasiões com a orquestra de Fletcher Henderson, em conseqüência de passagem extremamente rápida pela banda desse extraordinário pianista, líder, compositor e arranjador.

Com Louis Armstrong e Billy Eckstine (“Mr. B”)

Logo a seguir e durante cerca de 06 meses integrou a orquestra de Louis Armstrong, com quem excursionou, participou de temporadas e gravou em 09 ocasiões (19-20/05, 26/05, 07/06, 09/08, 18/08, 12/09 por 02 vezes, em estúdio e ao vivo, em 21/09 e, finalmente, em 05/10/1944); Dexter trabalhava como músico, sua profissão, mas sentindo-se “amarrado” a arranjos para ele “obsoletos”.
Mesmo ainda gravando com a orquestra de Louis Armstrong, foi contratado durante 1,5 ano para a banda de “Mr. B”, Billy Eckstine, na qual deixou apenas 02 registros em 05/09/1944 e em 02/05/1945. Essa primeira gravação contava, entre outros, com Dizzy Gillespie, Shorty McConnell, Bill Frazier, John Jackson, Gene Ammons, Tommy Potter, Art Blakey, Sarah Vaughan e, como arranjadores, a dupla Tadd Dameron e Jerry Valentine: mais “escola” impossível !!! Também nesse registro temos o 1º solo de Dexter Gordon no tema “Blowing The Blues Away” (belo “duelo” com Gene Ammons), um marco em suas carreira e discografia.
Na banda de “Mr. B” Dexter alinhou na sessão de palhetas ao lado de Sonny Stitt, John Jackson e Leo Parker, quarteto que foi alcunhado de “The Unholy Four”.
Interessante lembrar aqui uma frase de Billy Eckstine (um excepcional cantor pelo belíssimo timbre, pela divisão, pela sonoridade e pela extensão) que se tornou histórica e referindo-se a Frank Sinatra: “dêm-me o dinheiro de Sinatra e darei a ele a minha voz” (leia-se o clássico de Dempsey J. Travis “An Autobiography Of Black Jazz”, 543 páginas, Urban Research Institute, U.S.A., 1983, parte 2, “The Voices Of Jazz Artists From The Past And Present”, páginas 311/319).
Entre essas gravações com “Mr. B” Dexter gravou em sexteto sob a titularidade de Dizzy Gillespie (09/fevereiro/1945).

Na “Rua 52” - Benny Carter - Idas e Voltas (New York, Los Angeles)

A essa altura Dexter já era freqüentador assíduo da “Rua 52”, participando de “jams” ao lado dos expoentes de então (Parker, Kenny Clarke = “Mr. Clock” e Miles entre outros) e colhido pelas drogas, que o arrastariam a futuros problemas em mais de uma ocasião.
1945 foi ano de sucessivas apresentações e gravações de Dexter em diversas formações, entre as quais destacamos: com Ben Webster em noneto (agosto), com os “All Stars” de Sir Charles Thompson (setembro e ao lado de Buck Clayton/trumpete, Charlie Parker/sax.alto, Sir Charles Thompson/piano, Danny Barker/guitarra, Jimmy Butts, baixo e J.C. Heard/bateria) e como titular de quarteto (outubro).
Iniciou 1946 participando de gravação com a banda de Benny Carter, alinhando em um “timaço” de estrelas, entre as quais pontificavam Maxine Sullivan como vocalista, Emmett Berry, Joe Newman, Neal Hefti (também arranjador) e Shorty Rogers aos trumpetes, Al Grey, Alton Moore, Sandy Williams e Trummy Young nos trombones, Tony Scott, Russell Procope, Benny Carter, Willard Brown e Don Byas nas palhetas, além de uma “cozinha” com Sonny White, Freddie Green, John Simmons e J.C. Heard. Com Don Byas (e mais adiante com Lucky Thompson, outro tenorista de Benny Carter) Dexter Gordon aprendeu uma série de recursos e de segredos técnicos das boquilhas e da embocadura, que tanto o auxiliaram em relação à sonoridade própria.
Ainda em 1946 Dexter apresentou-se em diversas ocasiões em New York, gravou em quinteto sob sua liderança para a “Savoy” (LP “Long Tall Dexter”), mas retornou à Califórnia e passou a alternar suas atividades entre sua terra natal e New York, tanto para temporadas quanto para gravações.

Formatura - Maturidade Musical - Identidade Própria

Esse retorno já o devolveu como um sax.tenorista maduro e com sonoridade, fraseado e explorações harmônicas perfeitamente desenvolvidas a partir de Coleman Hawkins (robustez), Ben Webster (sopro à exaustão da coluna de ar), Lester Young (cool) e Charlie Parker (estruturas harmônicas), além de um mestre na intercalação de citações, do fraseado em crescendo e de “correr atrás do tempo”, característica que o identifica de imediato. Assim, com apenas 23 anos Dexter Gordon já havia efetuado a transição entre o “clássico” de Coleman Hawkins e Lester Young e o “moderno” de Sonny Rollins e John Coltrane, para mais no futuro absorver parte do que seus discípulos alcançaram e retransmitir toda uma herança de tenoristas para muitos jovens, ai incluído o excelente Joshua Redman (Roberto Muggiati em “New Jazz – De Volta Para O Futuro”, 300 páginas, 1ª edição, 1999, Brasil).

Com Ornette Coleman ? ? ? . . . As “Caçadas”

Considerando a musicalidade e o swing de Dexter Gordon, não é de estranhar que em certa noite tivesse expulsado Ornette Coleman sumariamente do palco, porque ele não conhecia acordes e desafinasse, fazendo com que este lembrasse que “...eu sabia que não era bem isso, mas sabia também que devia haver algo de errado em minha música....” (Roberto Muggiati na obra citada).
Em Los Angeles ficaram marcadas suas apresentações, “duelos” de sax.tenor e gravações com o excelente Wardell Gray (inclusive a gravação “The Chase” para a Dial, um primor de gravação), criadas a partir de atuações “after hours” no “Jack’s Basket”.
Como “duelos” entendam-se as trocas de “choruses” entre esses 02 tenoristas, que bem ao estilo das “chases” de Kansas City (veja-se o belíssimo documentário de Robert Altman “Jazz 34” com a participação de Joshua Redman, Jesse Davis, David Newman, James Carter, Don Byron, Nicholas Payton, Geri Allen, Cyrus Chestnut, Russell Malone, Ron Carter, Christian McBride, Victor Lewis, Kevin Mahogany e outros, revivendo o ambiente de Kansas). Lançavam seus solos, inicialmente longos e com 32 compassos cada, encurtando-os para 16 compassos, depois para 08, para 04, para 02 e para 01 compasso, criando tensão com essa alternância e que levavam o público ao delírio. Leia-se no livro “Glossário do Jazz” (Editora papel Virtual, 1ª edição em 2005, 350 páginas) do colega Cjubiano Mário Jorge o verbete dedicado a “chase”, que ilustra muito bem essa “perseguição”.
As diversas atuações e gravações de Dexter Gordon com Wardell Gray e Teddy Edwards em Los Angeles são os melhores e mais empolgantes exemplos dessas “batalhas”.
Atuou e gravou com os “Yellow Jackets” de Russell Jacquet, em quinteto como líder, com a orquestra de Ralph Burns (Mary Ann McCall era a vocalista, Willie Smith o sax.alto, Jimmy Rowles o pianista e Barney Kessel o guitarrista) e novamente com a banda de Benny Carter (então compondo a dupla de saxes.tenor com Lucky Thompson).
Em julho/1947 Dexter participou da gravação dos 05 temas dos “The Bopland Boys” (The Hunt, Disorder At The Border, Bopland = Byas-A-Drink, Jeronimo = Cherokee e Bop After Hours), conforme os detalhes já incluidos no “Retrato” de Hampton Hawes anteriormente postado. Em novembro desse mesmo ano alinhou ao lado do “combo” do vibrafonista Red Norvo, ainda em novembro gravou com a banda de Jessie Price, em dezembro e sucessivamente formou quinteto e gravou com Teddy Edwards, Wynonie Harris, Leo Parker (J.J.Johnson ao trombone, Joe Newman ao trumpete), Fats Navarro, Tad Dameron e Kenny Clark (“Mr. Clock”), entre outros.

Poucas Gravações - Drogas, Prisão

A partir de 1948 Dexter segue realizando temporadas em diversos clubes, mas sua produção discográfica cai vertiginosamente até mudar-se para a Dinamarca em 1962 e, nesse período, 1948/1962, contabilizamos pouquíssimos registros seus: em quarteto em dezembro/ 1948, com a banda de Tadd Dameron em janeiro/1949, com Wardell Gray em agosto/1950, ainda em 1950 com Helen Humes, no conjunto de Les Thompson em fevereiro/1952, novamente com Wardell Gray em junho/1952, em quarteto em setembro/1955, nesse mesmo mês com o sexteto de Stan Levey, em novembro desse ano em quinteto, em outubro/1960 em sexteto e em 1961 formando quinteto e quarteto para gravar no estúdio do perfeccionista Rudy Van Gelder para o selo Blue Note.
Dexter casou-se pela primeira vez em 1952 e durante esse intervalo com tão poucas gravações esteve detido mais de 01 ano na “Chino Prison” (posse de drogas, entre 1953 e 1955), foi libertado e com enorme esforço desintoxicou-se e retornou ao trabalho para participar da montagem da adaptação da peça teatral de Jack Gelber “The Connection” (“The Hollywood Connection”), que versou sobre o mundo dos dependentes. Esse trabalho motivou determinado “Consultor de Jazz” da etiqueta JAZZLAND a mover todos os contatos para que Dexter Gordon retornasse à “cera” após afastamento de 05 anos, o que gerou o apenas regular album “The Ressurgence Of Dexter Gordon”: Los Angeles, 13/outubro/1960, Martin Banks/trumpete, Richard Boone/trombone, Dexter Gordon/sax.tenor, Dolo Coker/piano, Charles Green/baixo e Lawrence Marable/bateria.
Esse “Consultor de Jazz” conhecia muito bem o que estava fazendo e seu nome é, até hoje, um símbolo de qualidade musical dentro da linguagem parkeriana: Julian “Cannonball” Adderley ! ! !
A partir daí veio o interesse da Blue Note (Alfred Lyon e Francis Wolff), iniciado com as 02 sessões indicadas anteriormente, ambas de maio/1961.
Ainda para o selo Blue Note e antes de mudar-se para a Dinamarca, Dexter Gordon gravou em maio/1962 com quinteto sob seu nome, ainda e também em quinteto tendo à frente Sonny Stitt e em seguida e sendo titular Herbie Hancock, em junho e agosto desse ano liderando quarteto e quinteto e, para o selo Columbia em maio no noneto do saxofonista Pony Poindexter.

Exílio - Reduto Europeu

Em função de mais 02 detenções por posse de drogas Dexter Gordon ficou sem sua licença e, portanto, impedido de tocar em New York; de imediato saiu para temporada de 15 dias em Londres e daí para o exílio na Dinamarca, estabelecendo-se em Copenhague e tendo como base o “Cafe Mountmartre”. Ali passou a apresentar-se sob o nome de Bent Gordonsen e produziu uma série de gravações muito importantes musicalmente, tanto e principalmente na Dinamarca quanto no restante da Europa (França, Alemanha, Suécia, Holanda, Noruega, Suíça). Foram freqüentes as viagens de Dexter entre Europa e U.S.A., já que ele sempre visitava a família.
Nesse período e entre atuações no “reduto” de Copenhague, temporadas e festivais, Dexter deixou um legado de registros ao lado de músicos dos mais importantes na história do Jazz: a primeira gravação ocorreu em 28/novembro/1962 em Copenhague e para o selo SteepleChase, em Paris tocou e gravou com Bud Powell, Kenny Clarke e Donald Byrd, novamente em Copenhague alinhou em temporada no “Café Mountmartre” ao lado do maravilhoso pianismo do catalão Tete Montoliu em 1964 (após a qual e em 1965 gravou para a Blue Note no estúdio de Rudy Van Gelder, ao lado de Freddie Hubbard, Barry Harris e outros), na Alemanha gravou ao lado de Booker Ervin em outubro/1965, em Paris gravou com Sonny Grey no trumpete em dezembro desse ano, em 1967 e na Dinamarca gravou em 03 oportunidades, Johnny Griffin e Hampton Hawes com ele gravaram na Alemanha em 1968, seguindo-se registro com Ben Webster comandando orquestra em Copenhague, com Benny Bailey na Itália, com músicos locais na Suécia e na Holanda, com Slide Hampton e Niels-Henning na Dinamarca, enfim, uma estada européia gloriosa e que nos deixou alguns “tesouros”.

“Europeu” Mas Gravando Nos U.S.A.

Em 1969 vamos encontrar Dexter “excursionando” aos U.S.A., onde gravou alguns registros importantes em função dos temas, dos músicos acompanhantes e do que significou para a manutenção do nível do Jazz de então. Assim e com James Moody e Barry Harris (Pianista e Professor de muita classe, categoria e pianismo excepcional) em New York para a Prestige e na primeira gravação do tema “Sticky Wicket” (remember “O Assundo É Jazz” do LULA) e com Bobby Timmons em Baltimore (“The Left Bank Jazz Society” no “The Famous Ballroom”) também para a Prestige, Dexter marcou presença no cenário do Jazz americano.
Retorno à Europa, Oslo e Suiça (“Montreux Jazz Festival” de 1970), com nova “visita” aos U.S.A. para participar do “The Charlie Parker Memorial Concert” de agosto/1970 em Chicago (Illinois, “Roosevelt College”) e com Red Rodney, Rufus Reid e Roy Haines. Nova gravação para a Prestige ainda em agosto/1970 ao lado de Wynton Kelly e novo retorno em 1971 à Suécia, Dinamarca, Suiça (“International Festival” de Zurique).
Em 1972 Dexter esteve nos U.S.A., gravou com Hank Jones e com Cedar Walton, participou do “Newport In New York” (realizado no “Radio City Music Hall”, onde havia sido Diretor Musical Vincent Minelli, marido de Judy Garland e pai de Liza Minelli), literalmente “infestado de cobras”: Harry “Sweets” Edson, Kai Winding, James Moody, Flip Phillips, Zoot Sims, Herbie Hancock, Sonny Stitt, Clark Terry, Howard McGhee, Art Blakey, enfim, “O FESTIVAL”.

Com Astros na Europa - O Retorno

Na Dinamarca com Charles Mingus, na Suiça com Ben Webster, na França com Sonny Grey, na Alemanha com Roy Eldridge / Slide Hampton, na Suiça com Hampton Hawes, novamente na Dinamarca com Jackie McLean / Kenny Drew, na Alemanha com Idrees Sulieman, no retorno ao seu “reduto” em Copenhague com Niels-Henning, com Allan Botschinsky, com Tete Montoliu e com Horace Parlan, com Kenny Drew na Suiça, Dexter Gordon atravessou os anos até 1975 na tranqüilidade de seu “retiro europeu” e como se estivesse preparando seu retorno à terra natal, o que ocorreu em 1976 e também em função do falecimento de seu amigo Ben Webster, outro apaixonado por Copenhague.
Sua primeira gravação nesse retorno foi registrada pelo selo Xanadu, em 22/outubro/1976 e ao lado de Blue Mitchell e Sam Noto aos trumpetes, de Al Cohn também ao sax.tenor e uma “cozinha” de primeira grandeza: Barry Harris, Sam Jones e Louis Hayes. Para a etiqueta SteepleChase e ao lado de Barry Harris Dexter gravou em novembro/1976, para finalmente em dezembro registrar o antológico “Homecoming - Live At The Village Vanguard” para a CBS (como já indicado no início da “Biografia”, notas da contra.capa do LP nacional com tradução e adaptação de Mestre LULA).
O sucesso musical de Dexter Gordon nesse retorno não coincidiu com sua vida matrimonial já que viu terminar seu segundo casamento (com Maxine Gordon), mas propiciou aproveitamento pelas gravadoras para suprir o mercado então com certo vácuo de talentos, ao mesmo tempo que granjeou para Dexter um renovado reconhecimento do público e da crítica para um músico que somente cresceu com os anos, mesmo com os excessos acumulados de drogas e álcool.
Em 1978 Dexter deixou registrado para a CBS o álbum “Dexter Gordon - Manhattan Symphonie”, também uma defesa de tese para a linguagem dexteriana.
Ainda em 1978 Dexter Gordon ao lado de George Cables, Rufus Reid e Eddie Gladden cumpriu temporada no "Keystone Korner" de São Francisco, apresentou-se no Carnegie Hall com Johnny Griffin e com a mesma sessão rítmica anterior esteve na Itália.
Em 1979 participou em Cuba e no “Karl-Marx Theatre” de apresentação ao lado de Woody Shaw, Stan Getz, Cedar Walton e outros. Voltou a cumprir temporada no “Keystone Korner” da Califórnia (São Francisco) e amanheceu 1980 gravando mais uma vez no estúdio de Rudy Van Gelder para a CBS, ai incluído o soberbo álbum “Gotham City”, ao lado de George Benson (tocando Jazz), Cedar Walton, Percy Heath e um Art Blakey melhor que nunca, se isso é possível. Nesse álbum e no tema de Randy Weston e Percy Heath “Hi-Fly” com quase 10 minutos, pode-se apreciar Dexter solando com uma autoridade ímpar e aproveitando toda a riqueza harmônica da composição para suas habituais e sucessivas citações (“Stranger In Paradise”, “Mona Lisa” e outros temas).

Reconhecimento – Prêmios - Grande Ator Candidato ao Oscar

Na sucessão desse sucesso de público e de crítica o referendo público da “Down Beat” de 1980 o elegeu como o “Jazz Musician Of The Year” e para o “Hall Of Fame”.
De 1981 até 1986 Dexter Gordon seguiu sua carreira musical em temporadas e em gravações (New York, São Francisco, Filadélfia, Hollywood, em Tóquio e Osaka, no “Aurex Festival” e em Paris), até consagrar-se por sua participação como ator no filme de Bertrand Tavernier “Round Midnight” ("Por Volta da Meia Noite") e que lhe valeu a indicação para o “Oscar” de melhor ator de 1986; o prêmio maior não veio, mas sim para a trilha sonora de Herbie Hancock. Dexter trabalhou assiduamente ao lado do diretor, no sentido de assegurar a “realidade musical” ao longa metragem que foi e é, efetivamente e ao lado de “Bird” de Clint Eastwood, um verdadeiro “FILME DE JAZZ”.
Em 1987 Dexter apresentou-se em diversas ocasiões com os demais músicos participantes do filme de Bertrand Tavernier.

Caminhando Para o Final - O Ocaso

A derradeira gravação de Dexter Gordon foi realizada em 1987, New Jersey e para a CBS: com Tony Bennett, Dexter no sax.tenor e a “cozinha” que acompanhava Bennett - Ralph Sharon (piano), Paul Langosch (baixo) e Joe LaBarbera (bateria), desfilam clássicos do centenário Irving Berlin.
Nos últimos anos de vida e com exceção do filme “Round Midnight”, das poucas apresentações e da gravação de 1987 indicada anteriormente, Dexter Gordon esteve praticamente inativo.
Em 25/abril/1990 na Filadélfia faleceu Dexter Gordon: músico de Jazz, unicamente de Jazz, sem concessões e que nos deixou um legado precioso, certamente com sómente um ou outro registro abaixo do excelente e como exceção no painel de qualidade que teceu em praticamente 50 anos de atividade. Convenhamos que em 50 anos profissionais poucos seres humanos terão acertado mais e errado tão pouco. As drogas e o álcool certamente restaram-lhe alguns anos de saúde física para construir mais música, mas o que deixou é amplamente compensador para todos os apreciadores do MUITO BOM ! ! ! . . .

Segue em (B) FILMOGRAFIA E BIBLIOGRAFIA

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