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09 dezembro 2007

... e em tempos de turbulência

O texto abaixo me foi enviado por um grande amigo e voyeur do CJUB, Angelo Lopes. O apresentei em uma oportunidade ao nosso Mestre Coutinho e foram horas de bom papo, música e muita cerveja. E nessas conversa sobre livros, mercados e jazz, eis que surge o poderoso Alan Greenspan e seus momentos de aprendiz ao lado de Stan Getz.

Fatos que são relatados em seu livro "A Era da Turbulência".

Segue.

Alan Greenspan, o lendário Presidente do Fed (Federal Reserve Board), o Banco Central Americano, teve uma influência única sobre os mercados financeiros mundiais. Sob seu Timão a economia global sobreviveu sem maiores sobressaltos em momentos dramáticos como a queda da Bolsa de Nova York de 1987, crises asiáticas, russa, latina americanas e o atentado de setembro de 2001. O Mundo no período em que Greenspan esteve a frente do FED teve um crescimento econômico contínuo e sem sobressaltos por anos seguidos.
Grande apaixonado pela música, começou a estudar clarineta aos 12 anos, após ouvir seu primo tocar o instrumento. Praticou com grande dedicação, horas ao dia. Iniciou na música clássica, logo passando ao jazz, após ouvir num fonógrafo de um amigo que o convidou para escutar a música de Benny Goodman e orquestra, tocando Sing, Sing, Sing, de imediato ficou enfeitiçado por aquele som.
Nascido em 1926, vivenciou o jazz da Nova York vibrante para a música. Goodman, Artie Shaw e Fletcher Henderson inauguravam uma nova era. Em 1938, Goodman e sua orquestra foram convidados para apresentar o primeiro show não clássico no Carnegie Hall. Além da clarineta, Greenspan também se dedicou ao sax tenor – aos seus ouvidos, o saxofone era o som mais agradável e jazzístico das big bands.
Teve o privilégio de ser aluno tenorista Bill Sheiner. O método dele consistia em organizar pequenos conjuntos de quatro ou cinco saxofones e clarinetas e fazer com que os alunos compusessem eles mesmos algumas músicas. No pequeno conjunto de Greenspan, Sheiner incluiu ao seu lado de um rapaz de 15 anos chamado Stanley Getz.
Com a sábia visão que tinha desde o início, Greenspan percebeu que a metodologia de Sheiner ao colocá-lo para acompanhar Getz era como querer que um pianista de bar trocasse arpejos com Mozart. Ele se dava bem com Getz mas quando ele tocava somente ficava ouvindo, extasiado. Entendia que ao defrontar-se com alguém extremamente talentoso, uma pessoa limitada como ele via o caminho que leva ao nível de excelência, nutrindo a esperança de também ser capaz de chegar lá.
Concluiu que para pessoas como Getz, o talento brota de fonte mais genética e, por mais que praticasse, nunca atingiria o nível do gênio. Para Greenspan, Stan Getz estava nesta categoria. Ele sabia, por intuição, que nunca aprenderia a virtuosidade de um Mestre.
O mundo perdeu um saxofonista talentoso, porém ganhou um timoneiro do mercado financeiro com uma bússola de precisão inigualável.

Valeu !

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