Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

15 julho 2007

MUSEU DE CERA # 24 - DJANGO REINHARDT

Django Reinhardt emocionou e influenciou várias gerações de guitarristas com suas formidáveis atuações. Nascido a 24/janeiro/1910 em Liberchies na Bélgica, ao ar livre em meio a um agrupamento cigano recebeu o nome de Jean Baptiste Reinhardt. Aos 8 anos de idade a tribo de sua mãe, os Manouches de origem francesa, localizava-se nos arredores de Paris mais precisamente na Porte de Choisy à margem direita do Rio Sena.
Aos 12 anos ganha um banjo de uma pessoa que se interessou por ele ao reconhecer seu gosto e talento para música. De imediato surpreende a todos com sua desenvoltura de autodidata e logo inicia carreira tocando na rua com o acordeonista Guerino e depois no dance hall situado na Rue Monge. Seu sucesso foi progredindo e passou a ser convidado por inúmeros grupos locais e a esta altura executando somente a guitarra. Faz seu primeiro registro em disco com Jean Vaissade também ao acordeon para a Ideal Company aparecendo seu nome no selo como "Jiango Renard".
Django cresceu em meio às contradições por estar perto e freqüentando uma grande e moderna cidade e ao mesmo tempo viver em um grupo nômade de ciganos em extrema pobreza, convivendo por alí até aos 20 anos em que jamais dormiu em um quarto. Em 2/nov/1928 já casado e após uma apresentação no clube La Java ao chegar ao carroção em que dormia, sua esposa Sophie que costumava vender no mercado buquês de flores feitas de papel celofane, os coloca próximos ao lampião e de repente tudo se incendeia. Django tenta apagar o fogo, porém sofre sérias queimaduras na perna e mão esquerda. Inicialmente os médicos queriam amputar a perna, mas Django lutou muito para que isto não ocorresse ficando em tratamento em uma enfermaria por 18 meses, tempo este em que desenvolveu uma técnica toda especial para poder voltar a tocar, uma vez que os dedos mínimo e médio ficaram mutilados, grudados na palma da mão. Três anos mais se passam até Django conseguir se recuperar o suficiente para voltar a tocar e desta época em diante resolveu mudar seu nome artístico para Django Reinhardt.
Conheceu o jazz ao ouvir muitos discos de Eddie Lang, Joe Venuti, Louis Armstrong e Duke Ellington dos quais incorporou a essência do gênero desenvolvendo seu talento nato de improvisador, entretanto seu gênio criativo não se ateve somente à improvisação, mas também de compositor com várias peças de lindas e sofisticadas melodias e estruturas harmônicas — ressantando-se — sem jamais escrever ou ler uma só linha de pauta musical.
Uma associação criada em dezembro de 1932 na França por estudantes e entusiastas com a finalidade de promover a música de Jazz, tendo o crítico e pesquisador Charles Delaunay aderido ao grupo em 1933 que já contava com outra grande personalidade da crítica Hugues Panassié, multiplicou suas atividades além de promover concertos, fundando um quinteto de cordas com o mesmo título HOT CLUB DE FRANCE. Django atuava em uma banda de 14 músicos liderada por Stéphane Grappelli no Hotel Cambridge contando ainda com Roger Chaput (guitarra), Louis Vola (baixo) e Joseph guitarrista e irmão de Django que se reuniram formando assim o mais destacado conjunto de jazz europeu o Quinteto Hot Club de France. Uma pequena companhia fonográfica Ultraphone fez os primeiros registros do grupo com títulos como: Dinah, Tiger Rag, Oh Lady be Good e I Saw Stars.
Em 1939 a guerra separou, Grappelli na Inglaterra e Django em Paris, contudo continuou a atuar com o clarinetista Hubert Rostaing em lugar de Grappelli, aliás a atuação do clube e de seus membros durante a ocupação alemã foi fantástica conseguindo promover o Jazz mesmo tendo sido proscrito pela "cultura" nazista. Após a guerra juntaram-se novamente fazendo inúmeras gravações, seguindo para os EUA para uma turnê, abrindo shows para Duke Ellington e tocando inclusive no Carnegie Hall. Retornando da América Django seguiu sua carreira até 1951 quando se retirou do cenário musical isolando-se em uma pequena vila Samois sur Seine e a 16/maio/1953 sofreu um derrame cerebral vindo a falecer. Sua música permanece vigorosa e excitante até os dias atuais, tendo deixado um enorme legado aos guitarristas de gerações futuras.
Toda a genial musicalidade de Django Reinhardt e sua inusitada técnica pode ser ouvida em uma de suas primeiras gravações:
DINAH (Henry Akst, Sam Lewis, Joe Young) - Quinteto Hot Club de France - Django Reinhardt (guitarra solo), Stéphane Grappelli (violino), Roger Chaput e Joseph Reinhardt (guitarras) e Louis Vola (baixo).
Gravação original: dez/ 1934 - Ultraphone AP – 1422
Fonte: CD - Django Reinhardt - Djangology Vol.1 1934-35 - Naxos Jazz Legends 8120515 – 2001 - EUA

Quintette Hot Club of France – 1934 - da esquerda para direita: Stéphane Grappelli, Roger Chaput, Louis Vola, Django Reinhardt, Bert Marshall, Joseph Reinhardt. Marshall realizava alguns vocais com o grupo.


Nenhum comentário: