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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

13 maio 2007

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 15

JAZZ AFTER MIDNIGHT

Gravura de TAT VILA (1945)

Parece que o Jazz conseguiu se realimentar das sessões JAM, ou seja, aquelas segundo afirmam alguns historiadores, referiam-se à sigla de Jazz After Midnight, Jazz executado informalmente após as horas normais de trabalho e certamente após a meia noite. Jazz sem compromisso de público sem interferência de proprietários e de produtores. As reuniões eram feitas pela madrugada em algum cabaré, clube de Jazz ou mesmo no domicílio de um músico.
Músicos oriundos de vários grupos e orquestras se encontravam após o trabalho regular e muitos destes encontros propiciaram novas fórmulas para a evolução e mesmo aperfeiçoamento de seus participantes e em conseqüência do próprio gênero. Funcionavam, tais jam sessions, como cursos noturnos, laboratório ou como os americanos dizem "masterclass". O objetivo maior era executar Jazz em longas improvisações sobre vários temas que acabavam em contendas entre os instrumentistas.
Cutting contest é a expressão que designa tais contendas ou disputas entre músicos, orquestras ou dançarinos cujas origens remontam desde as ruas de New Orleans até as informais jam-sessions modernas. Nada mais é do que uma competição musical em que cada músico se esmera em solar, improvisar melhor e maiores números de choruses que o outro. Eram muito habituais nos anos 20 e 30 as contendas entre músicos de mesmo instrumento ou mesmo entre bandas de rua que ao se encontrarem partiam para uma batalha cuja vencedora seria aquela que mais empolgasse o público.
Chase, literalmente caça, perseguição, é como se nomeia a reunião de 2 ou mais instrumentistas a improvisarem um certo número de compassos cada um, uma espécie de duelo, sendo também muito comum nas jam sessions. De uma forma geral os músicos vão alternando o número de compassos improvisados iniciando com 32, depois 16, 8, 4, 2 e até 1, quando então a perseguição se torna evidente. A chase difere da cutting contest na medida em que o importante não é o número de choruses improvisados e sim a alternância, cada vez mais rápida, entre as idéias dos músicos.
Há uma passagem histórica no SUNSET CAFE de Chicago onde Louis Armstrong estreou em 1926, praticamente introduzindo o verdadeiro espírito da música de Jazz com suas exibições em solo para delírio da platéia, quando certa noite surgiu King Oliver, portando seu inseparável - derby hat (chapéu côco) marrom e subindo ao palco, junto com Armstrong fizeram uma incrível cutting contest de cerca de 125 choruses do clássico Tiger Rag, simplesmente enlouquecendo o público.
A jam sessiom, nos anos 40 tornou-se prática habitual em Kansas City e na fabulosa rua 52 em New York, mas no fim dos anos 20 tal atmosfera já reinava, segundo depoimento de Sonny Greer, baterista de Duke Ellington:
― "Um músico não tinha vontade de ir para casa, estava sempre à procura de um lugar onde alguém estivesse tocando algo que ele precisava ouvir. A qualquer hora surgia um cara que informava ― vai ter uma JAM em tal lugar - e para lá íam rumando todos. O clube México em Manhattan proporcionava, a noite do trompete às segundas, nas têrças o pessoal dos saxofones, os trombonistas nas quartas.....e assim por diante".
A maioria das JAM íam esquentando e acabavam em verdadeiras batalhas entre os músicos, choruses e mais choruses desenvolvidos até o esgotamento de idéias ou mesmo físico.
Billie Holiday contava uma história que mostra a linha divisória entre o prazer de tocarem juntos e a rivalidade entre músicos. Benny Goodman havia trazido um rapazola franzino, branco, lá do Texas onde os negros eram considerados uma merda (sic). Tratava-se de Harry James que iria se tornar um dos mais célebres trompetistas da era swing, mas antes teve que aprender uma lição de humildade ao desafiar arrogantemente o tímido Buck Clayton, negro, mas que fraseava maravilhosamente e derrubou James na lona em uma dessas noites de JAM em uma cutting contest.

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