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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

05 maio 2007

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 14



O SOM NO CINEMA


A gravação de imagens em movimento foi outra grande conquista tecnológica "pari passu" com a gravação de áudio e o inevitável casamento entre elas adveio no filme intitulado The Jazz Singer estrelado pelo cantor Al Jolson. Este foi o primeiro filme em que a voz era sincronizada com as cenas e não um filme apenas com músicas e sons reproduzidos em background, já existente.
O processo foi desenvolvido pela Vitaphone Corp, mas mesmo assim O Cantor de Jazz não possuí diálogos sonoros os quais foram escritos tal qual nos filmes inteiramente mudos.
A première histórica do filme aconteceu em uma quinta-feira a 6 de outubro de 1927 e lá estava em letras garrafais a palavra Jazz. Entretanto, no conteúdo do filme nada tinha de música de Jazz. Al Jolson era um cantor popular que atuava na Broadway sem maiores vínculos com o Jazz seu estilo estava mais para o vaudeville. No filme representa um jovem judeu ― Jackie Rabinovitz ― cujo pai, um rabino extremamente conservador, não admite a carreira de cantor profano do filho. A parte musical fica por conta da canção de forma apenas suingante Too,Too,Ttsie de Gus Kahn, de um trecho ao piano de Blue Skies de Irving Berlin que Jackie canta para a mãe e da interpretação de My Mammy (Walter Donaldson / Joe Young & Sam Lewis) com o rosto pintado de preto representando um negro-menestrel.
Jolson ganhou cerca de um milhão de dólares e Jelly Roll Morton nunca se conformou dizendo amargamente ― “um filme de 8 bobinas! e que não comporta uma só nota de Jazz!”. O oportunismo era flagrante, em plena Era do Jazz, um bom argumento publicitário seria a palavra Jazz e que se estende até hoje.
Aliás, até os dias atuais são raros os bons e autênticos momentos de Jazz no cinema e pouco depois de O Cantor de Jazz, outra bomba de efeito comercial surgia em 1930 ― The King of Jazz de John Murray. Jazz sim, mas que Jazz? O “Rei do Jazz” para início de conversa era nada menos que Paul Whiteman que dera este título a sí próprio com seu nada representativo “jazz sinfônico”, em todo caso valorizava Ed Lang (g) e Joe Venuti (vi) como ótimos jazzístas da época.
Poucos filmes conseguiram captar com real intensidade o mundo que rodeia o Jazz e seus músicos, contudo quando conseguiram o resultado foi esplêndido, tal como em: Round Midnight de Bertrand Tavernier, Bird de Clint Eastwood, Ascensor para o Cadafalso de Louis Malle de 1957 uma incursão pela atmosfera "noir" parisiense com trilha excepcional composta por Miles Davis e interpretação idem de Jeanne Moreau, Anatomía de um Assassinato de Otto Preminger de 1959 com música de Duke Ellington e New Orleans de 1947 onde Billie Holliday participa interpretando uma empregada doméstica que ensina a patroa branca a tocar blues ao piano e a leva escondida da família a um Clube de Jazz onde se apresentam vários músicos inclusive Louis Armstrong e Woody Herman, são alguns dos melhores exemplos dentre outros...
Voltemos ao The Jazz Singer e podemos ouvir "o cantor de jazz" Al Jolson em Blue Skies também ao piano e a canção My Mammy cena final do filme com a Vitaphone Orchestra dirigida por Louis Silvers.

O som é original copiado do próprio filme também original e por isso um tanto ruidoso, porém histórico.

BLUE SKIES & MAMMY...

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