Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

28 setembro 2006

TOMASZ STANKO





Já estou para falar deste trompetista polaco há algum tempo de tão impressionado que fiquei na audição de seus últimos trabalhos - Suspended Night e Soul Things - ambos pela gravadora ECM. Simplesmente magnífico !
E parece que a química entre Tomasz Stanko e a ECM faz parte daquelas fórmulas guardadas a sete chaves, cujo encanto se reflete mais uma vez neste terceiro lançamento de Stanko pela gravadora - Lontano - acompanhado de seu trio formado pelo excelente pianista Marcin Wasilewski, o contrabaixista Slawomir Kurkiewicz e o baterista Michal Miskiewicz.

Assim como os últimos discos lançados pela ECM, as músicas deste novo trabalho são variações de um único tema, aqui o tema título - Lontano - e em cada interpretação eles desconstroem e exploram estas variações com uma sensibilidade ímpar.
A comparação de Stanko com Miles Davis é muitas vezes percebida, seja na sonoridade, no timbre além também da genialidade de ambos em descobrir jovens talentos e permitir a eles explorar todo o potencial.

Lontano não é uma extensão de Suspended Night, mas sua natural evolução. Neste último predomina muito mais a improvisação livre e o uso dos espaços determina a Stanko um estilo muito particular, abrindo uma ampla percepção ao piano de Marcin Wasilewski que provê a sustentação perfeita ao trompete de Stanko.
Lontano traz um novo horizonte, é melódico, misterioso e expressivo.

Você não irá ouvir nenhum standard neste disco, mas ouvirá uma das mais originais "vozes" do jazz na atualidade.

26 setembro 2006

HISTÓRIAS DO JAZZ - 9 - DIZZY E UM "BICÃO" NO CANECÃO


Já presenciamos cenas inacreditáveis em shows de Jazz, mas essa, acontecida no Canecão em 12 de maio de 1987 ultrapassou qualquer expectativa. Mais uma vez chegava ao Rio um grupo liderado por Dizzy Gillespie para apresentações no
Canecão em 12 e 13 de maio. Fomos a estréia com o amigo Pedro Cardoso e esposa e nos preparamos para uma "noite de Jazz". Mas, logo de início notamos que algo não estava bem. Dizzy apareceu umas duas ou tres vezes ante a platéia,como que procurando alguma coisa ou alguém. Demonstrava preocupação. O espetáculo atrasou quase uma hora e no seu início Dizzy ocupou o microfone e falou uns quinze minutos sem dizer coisa com coisa. Muitas abobrinhas para a plebe. Em seguida, a banda atacou e após um curto solo de trumpete, Dizzy sentou-se ante uma tumbadora mostrando suas habilidades de percussionista. Quem tomou conta do repertório foi James Moody, co-lider e que também usou o humor para divertir a platéia, falando em um idioma parecido com o grego antes de anunciar o que iriam tocar. Na verdade, os dois saxofonistas, Moody e Sam Rivers salvaram o lado jazzístico do show, principalmente Moody quando interpretou tocando e cantando o seu "Moody's Mood" (I'm in the mood for love). O grupo não tinha pianista,sendo o guitarrista Ed Cherry o responsável pelo chamado acompanhamento harmônico. Mas, no centro do palco estava um piano, no qual esporádicamente Dizzy usava, emitindo alguns acordes.
No intervalo pudemos observar que o público não estava satisfeito. Afinal de contas o astro era Dizzy Gillespie que não tocava o trumpete,a não ser esporàdicamente e não largava a tumbadora.
De repente, aconteceu o inusitado. Dizzy ocupa o microfone e informa que iria receber um grande músico brasileiro, pianista e cantor, que iria interpretar um de seus "sucessos". Chega ao palco um jovem, senta-se ao piano e começa a cantar uma musiqueta, dessas que fariam inveja a um Fábio Jr. Coisa horrorosa logo recebida aos gritos de "bicão, bicão, olha o bicão". Dizzy tentou equilibrar a coisa, tocando algumas "clarinadas" em "obligato" mas, como se diz agora, "A CASA CAIU".
Posteriormente ficamos sabendo que o bicão era filho ou sobrinho de uma figura do governo estadual (Secretário de Fazenda talvez),que teria "molhado a mão" de Dizzy para cometer tal impropério. Alguém disse qu seu nome era Marco Camargo.
Não sabemos ao certo. Mas,como dizem, "money is money" e para concordar com tal
"promoção" Dizzy certamente engordou sua poupança. Enfim, como ele mesmo costumava dizer: "THIS IS BRAZIL". Para quem quizer anotar eis a formação do grupo :
Dizzy Gillespie(tp)- Jamesd Moody-Sam Rivers(st)- Ed Cherry (g) - John Lee(b) e Ignacio Berroa(dm). Por enquanto é só. Depois tem mais.

25 setembro 2006

DAVE HOLLAND NO MISTURA FINA

Na sombra do festival de Ouro Preto, Dave Holland e seu quinteto aqui estiveram nas noites de sexta e sábado último.
Primeiramente visto o Kurt Elling, a ansiedade para o próximo show era mais que justa e no primeiro set de sábado estava lá ao lado do confrade Sá para testemunhar um show e tanto ... literalmente, "quebraram tudo" !!

O quinteto estava formado por Steve Nelson no vibrafone, Dave Holland no contrabaixo, Cris Potter no tenor e soprano, Robin Eubanks no trombone e Nate Smith na bateria, este último um verdadeiro trator, tocou muito !
Muito do set foi do último disco chamado Critical Mass, que pelo visto vale conferir de perto.
Quase 1 hora e meia de show e casa lotada.

E o festival continua ... a cantora Alma Thomas na quinta - quem foi ao concerto de aniversário do Gilson Peranzzetta na Cecília Meireles viu ela cantando e diz que não pode perder, e o Trio da Paz na sexta e sábado com Romero Lubambo, Nilson Matta e Duduka da Fonseca !

21 setembro 2006

UFRJAZZ EM DOSE DUPLA LANÇANDO CD PAISAGENS DO RIO

Domingo, 24/09 ao meio-dia, é dia de Música nas Estrelas, o bom projeto do Planetário da Gávea dedicado à música instrumental.
E quem se apresenta é a UFRJazz Ensemble em show de lancamento do CD Paisagens do Rio, que acaba de ser lançado pelo selo Rádio Mec como parte das comemorações dos 70 anos da rádio.
E a dose se repete no dia 27/09 também ao meio-dia e, como todo bom filho, a UFRJazz à casa torna em show no Teatro do Roxinho na Ilha do Governador.
E nos 2 eventos a entrada é franca.

A UFRJazz tem 10 anos de existência, nos quais conquistou importantes espacos como big band e como intérprete da música brasileira contemporânea. O respeito que os compositores têm pela orquestra pode ser medido pelo novo disco - Francis Hime, Guinga, Carlos Malta, Wagner Tiso, Hermeto Pascoal, Jovino Santos Neto, , entre tantos outros, fizeram composições e arranjos especialmente para o conjunto. Gilson Peranzzetta, que comemorou seus 60 anos com belo concerto com a UFRJazz na Cecília Meireles na semana passada, é outro que não cansa de elogiar a qualidade dos instrumentistas.

A UFRJazz é hoje uma orquestra composta por 5 saxofones, 4 trompetes, 4 trombones e uma base rítmica de guitarra, piano, baixo, bateria e percussão. Idealizada pelo maestro José Rua, saiu dos quadros da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro e vem ocupando rapidamente seu espaço profissional no jazz contemporâneo. Em seu primeiro álbum, de 1997 - Jazz na Universidade - interpretou compositores americanos contemporâneos e terminou o ano como “o melhor CD do gênero gravado por uma big band no Brasil”.
Os 10 anos do projeto foram comemorados com o disco "UFRJazz Ensemble interpreta Julio Barbosa", importante compositor e trompetista brasileiro radicado na Alemanha.
Todos os integrantes são alunos da Escola de Música da UFRJ, seja na graduação em seus instrumentos, dando aulas na própria Escola e no curso de prática de conjunto.

Então anota aí :

Dia 24/09, domingo ás 12h - Entrada Franca
Planetário da Gávea - Cúpula Carl Zeiss
Rua Vice-governador Rubens Berardo, 100 - Gávea, RJ
* Retirar senha 1 hora antes do início da apresentação

27/09, quarta-feira às 12h - Entrada Franca
Teatro do Roxinho
Campus Universitário, Ilha do Fundão

KURT ELLING NO MISTURA FINA, (ONTEM E) HOJE
NUMA PALAVRA: VÃO

Corram para ver se ainda há ingressos. Kurt Elling é "O" cantor de jazz da atualidade. Timbre(s), extensão, divisão, clareza, ritmo e o que mais se exige de um profissional de alto nível, tudo isso pôde mostrar ontem e deverá repetir hoje, ainda mais se acolhido por mais público do que a meia casa - no entanto, barulhenta e receptiva - de ontem, na Lagoa.

Kurt é uma presença rara por aqui e justificou plenamente todos os prêmios que vem recebendo há anos nos EUA, tanto os meritórios das revistas especializadas quanto os mercadológicos do Grammy. Não percam a oportunidade. Desculpem a pressa, mas foi só para avisá-los da bela arte musical e poética - ele compôs várias das letras das músicas que cantou - que Elling expôs em seu show. E se ele não cantar "Rosa" (ou seria Rosa Morena?) do Caymmi, espontaneamente, batam o pé que ele canta. Maravilhosamente.
Abraços.

20 setembro 2006

OLHA O BLOG DO COUTINHO AÍ, GENTE !!!

Paradiso FM

HISTÓRIAS DO JAZZ, 8: O "MICO" DOS SWINGLE SINGERS

Confesso que nunca fui um fã ardoroso dos "Swingle Singers". Admirava a sua habilidade na vocalização das obras de Bach e outros compositores clássicos mas não passava disso. Porisso não me animei muito quando anunciaram a vinda do grupo para apresentações em nosso Teatro Municipal nos dias 13, 14 e 17 de abril de 1971. Recebi convite e resolvi ir. Só que meu ingresso era para o dia 17, quando os "Swingle Singers" cantariam com a Orquestra Sinfônica Brasileira sob a regência de Isaac Karabtchewsky, a "Sinfonia de Luciano Bério", composta especialmente para o grupo em 1969. Ao mesmo tempo a CBS lançava o LP correspondente.

Tudo começou bem, com a Sinfônica interpretando a "Flauta Mágica" de Mozart. Em seguida entraram os "Swingle Singers" e iniciaram a interpretação da Sinfonia. Logo aos primeiros compassos já notamos que surgia aos poucos um incômodo na platéia. As pessoas começaram a se mexer nas poltronas, viravam para o lado, conversavam com o vizinho, sinal de que não estavam gostando do que ouviam. Realmente era uma música complicada e a meu juizo (não sou músico), sem pé nem cabeça. Vez por outra, dentro da música, Ward Swingle mencionava o nome de alguém, incluindo o do maestro Karabtchewsky. Foram cerca de 45 minutos de tortura auditiva. A esperança era que, se houvesse um número extra, o grupo interpretasse um tema de Bach com as vocalizações que o consagraram.

Termina a Sinfonia. Aplausos convencionais e pedidos de bis, naquela ansiedade de ouvir uma "Badinerie" ou a festejada "Air on G string". Expectativa. O maestro sacode os braços e a orquestra ataca novamente tocando a parte final da Sinfonia.

A decepção foi enorme e aos poucos o público foi saindo de fininho, como se o "flautista de Hamelin" estivesse tocando a sua flauta fora do teatro. E o espetáculo chegou ao seu final com menos de meia casa.

Para quem quiser anotar, aqui está a formação do grupo:
Sopranos : Christiane Legrand e Nicole Darde; Contraltos: Claudine Menier e Helena Devos; Tenores: Ward Swingle e Joseph Naves; Baixos: José Germain e Jean Cussac. Músicos: Jacky Cavallero (b) e Roger Fugin (dm).

Por enquanto é só. Depois tem mais.
llulla

19 setembro 2006

O PÁSSARO E O FALCÃO, VOANDO BAIXO: BIRD & HAWK

Tenho poucos vídeos de jazz em casa e confesso que pouca paciência - que dirá tempo -para ficar coisa de hora e meia diante da TV ouvindo-os. E olhem que eu gosto muito de jazz. A solução que encontrei, ao pesquisar alguns grandes nomes no YouTube me parece satisfatória pois tenho conseguido conhecer coisas a que nunca tinha tido acesso. Algumas são do conhecimento de vários confrades, outras não.

O encontro abaixo de Charlie Parker, (Bird) e Coleman Hawkins, (Hawk) , interpretando, conforme o "dono do clip" Ballade (não seria Ballad?) pareceu-me portanto importante o bastante para botar aqui.

Pelo sim pelo não, vou pautar minha seleção pela minha própria experiência. Espero que este clip seja mais original do que penso. Abraços.

18 setembro 2006

ANTONIO ADOLFO E CAROL SABOYA : AO VIVO

Pai e filha em perfeita harmonia.
Esta é a receita do novo CD, Ao Vivo, gravado em outubro de 2005 na Universidade de Miami que chega nas lojas pelo selo Kuarup.
Com produção de Antonio Adolfo, este belíssimo trabalho traz além da sua filha e cantora Carol Saboya, a guitarra de Claudio Spiewak, o contrabaixo de Gabriel Vivas e a bateria de Carlomagno Araya.

Um disco que chegou as minhas mãos de forma despretensiosa e já na primeira audição proporcionou momentos de pura beleza, com releituras de grandes clássicos da nossa música, sobrando espaço para muita bossa e balanço.
Um destaque especial para Fotografia (Jobim), Canto de Ossanha (Baden/Vinicius), Sa Marina (Antonio Adolfo/Tibério Gaspar), Milagre (Dorival Caymi) e Corrida de Jangada (Edu Lobo).

Obrigatório para quem gosta de boa música !

A história contada por Antonio Adolfo : (Kuarup Discos)

"Quando começamos a elaborar o repertório e a concepção geral do show "Bossa Nova Forever", que deu origem a este disco, eu e Carol quisemos prestar um tributo à bossa nova, ao samba-jazz e àquela com quem trabalhei e tive momentos de grande felicidade trazidos pela música: Elis Regina. Quisemos também combinar tudo isso com o repertório que Carol já havia gravado em seus quatro CDs no Brasil e em dois para o Japão, além do repertório dos shows que apresentamos, principalmente no exterior.

Foram somente dois ensaios com os músicos Cláudio Spiewak (violão e guitarra), Gabriel Vivas (contrabaixo acústico) e Carlomagno Araya (bateria). No show, tocamos soltos e felizes, arriscando, sem imaginar que poderia vir a ser um disco. E isso é estimulante e distingue uma gravação feita realmente num show, ao vivo, de uma feita em estúdio.

Comecei com um improviso (Abertura), mostrando uma saudável conexão entre Rhapsody In Blue, Aquarela do Brasil e Garota de Ipanema, com citações e, acredito, surpreendendo, pois, no momento em que parece que vamos entrar com Garota de Ipanema, tocamos Você e eu, do meu mestre e padrinho Carlos Lyra (parceiro de Vinícius), com magnífico solo do guitarrista brasileiro radicado na Flórida, Cláudio Spiewak.

Em seguida, entra Carol, estalando os dedos na marcação do contratempo.

Acompanhada, na introdução, somente pelo contrabaixista venezuelano Gabriel Vivas e, depois, pouco a pouco, conforme subimos de tom, por todo o quarteto, em Fotografia, num estilo swing, como originalmente foi gravada e ficou conhecida.

Dali passamos para o folclore, com a bela Meu limão, meu limoeiro, com um arranjo baseado no que fez o Maurício Maestro para o disco Sessão Passatempo, da Carol, dirigido pelo Hermínio Bello de Carvalho combinando o tema de folclore com a suingada e cheia de charme De onde vem o baião, do Gilberto Gil, arrematada, no final, com uma citação de O cantador de Dori Caymmi e Nelson Motta.

O público parece se descontrair e, num clima introspectivo, eu e Carol começamos a apresentar Bonita, gravada com Nelson Faria no disco que ela fez para a Lumiar, produzido pelo saudoso Almir Chediak, em homenagem a Jobim, em 1998. Vou tocando a introdução com notinhas condutoras da harmonia por semitons descendentes e ascendentes, o que é uma das características das músicas do mestre Antônio Carlos Jobim. E então, em certo momento, entra todo o quarteto. Tudo bem jazzístico ali, numa total síntese bossanovista.

Vem, então, Canto de Ossanha, dos geniais parceiros Baden Powell e Vinícius de Moraes, num arranjo competente e animadíssimo assim como quem o criou, o mestre, também da bossa nova, Oscar Castro-Neves, arranjo este que havíamos apresentado um ano antes no Lincoln Center, em Nova York, num show com Carol, Oscar, Paulo Jobim e outros.

Carol, então, passa a bola pra mim, que toco ao piano, em um mesmo número, duas belas músicas que transcendem qualquer estilo, podendo pousar até mesmo na ampla linha da bossa nova, devido à riqueza de suas melodias e harmonias e a força de seus criadores: os mestres Pixinguinha e Nazareth, que compuseram respectivamente as melodias de Carinhoso e Bambino. E por falar em mestres, em seguida apresento com o quarteto uma das mais belas músicas que conheço, Insensatez, de Tom Jobim, que tem um solo de baixo entremeado de modulações de tom conduzidas pelo piano.

Novamente, Carol, no palco, canta conosco. Dessa vez, Wave, do Jobim, num arranjo meu, cujo final tirei do que fizemos para Elis para os shows de 68 e 69. Carol brinca com o público no meio do arranjo e faz scats. O público parece vibrar.

E aí vem um dos grandes momentos do show: Carol canta a cappella, em outro arranjo de Maurício Maestro, extraído do disco Sessão passatempo, a lindíssima Passarim, e emenda com a não menos linda Chovendo na roseira, ambas do mestre Antonio Carlos Jobim.

Uma interpretação de Sá Marina, canção já gravada por Carol no segundo disco que fez para o Japão, desta vez com um arranjo meu, um dos autores da música, com um insert no intermezzo, extraído do belo arranjo que Luiz Avellar fez pra Carol, prepara os dois últimos números do show. Milagre, uma composição lindíssima do imortal Dorival Caymmi, gravada em um dos discos de Carol lançados no Japão e, finalmente, Corrida de jangada, de Edu Lobo, num arranjo importado do que criamos e tocamos muitas vezes com a saudosíssima Elis. Muitos aplausos e muita comemoração.

Ao tomar conhecimento da gravação, resolvemos, então, registrar esse momento natural, que pintou numa noite de grande energia e alegria, sabendo, inclusive, que não tivemos os recursos de uma superprodução para gravação ao vivo, em que se grava um show por duas ou três vezes, no mínimo, e pudemos fazer um CD praticamente sem retoques (a interpretação de Carol ficou intacta, exatamente como cantou ali, na hora) e que ficará para quem quiser viajar musicalmente conosco.

Antonio Adolfo"

17 setembro 2006

BUDDY RICH - VENDO E OUVINDO: PRO LLULLA (O BOM)

Pro Mestre Llulla, depois desse belo post sobre Rich, um dos mais requisitados clips dele, em 1973, com sua orquestra executando Time Check. Atenção para a atuação destacada do naipe de saxes. Excepcional.

16 setembro 2006

STEINWAY SOLO: FELDMAN NO IBAM



Sem palavras.

15 setembro 2006

HISTÓRIAS DO JAZZ, 7: O CALOR DE BUDDY RICH

Em março de 1961, chegava ao Rio o sexteto do baterista Buddy Rich para uma única apresentação na TV Tupi, realizada no dia 3. No mesmo dia, outra performance no Copacabana Palace. Partimos para a Urca, onde encontramos na porta da emissora os amigos Cláudio Cosme Pinto e Anfilófio Rocha Melo. Felizmente não havia problemas de porteiro e chegamos ao estúdio sem nenhuma dificuldade. Os promotores do evento, que teve o patrocínio das lojas TONELUX, ao invés de uma apresentação pura e simples, resolveram inserir Buddy Rich como personagem dos "Espetáculos Tonelux", que eram estrelados pela cantora Marlene e o humorista Hamilton Ferreira. Para tanto, criaram a velha história de um milionário que contrata o grupo americano para "animar uma festinha". Nesse tempo não havia "videotape" e o programa ia para o ar "na raça".

Aí começou o drama de Rich. Já de smoking, afinou cuidadosamente os tambores da bateria e voltou para os camarins. Faltando uns dez minutos para o início da "chanchada", os refletores foram acesos e o diretor Mário Provenzano começou a dar as instruções de praxe. Qualquer coisa fez o programa atrasar e Rich ao ver toda aquela iluminação e o calor sufocante, voltou para o palco de camiseta, colarinho e gravata borboleta e reclamando que estavam querendo arrebentar o couro dos tambores, afrouxou a afinação.

De onde estávamos víamos Rich reclamar em altos brados da desorganização e da irresponsabilidade do pessoal da TV. Finalmente, foi dado o último sinal e o espetáculo começou. Ante um diálogo ridículo entre Marlene e Hamilton Ferreira, Buddy Rich esperou a deixa e "entrou com tudo" no tema de abertura ("Clap hands here comes Charlie"). Em seu solo, a impressão que tinhamos era que despejava toda a sua raiva nos tambores, mostrando entretanto uma técnica irrepreensível.
E digo mais. Dos bateristas a que assistí, inclusive Elvin Jones, Eddie Grady, Art Blakey, Jimmy Campbell e Tony Williams, entre outros, Rich foi o que mais me impressionou em termos de técnica, divisão e desenhos rítmicos.

O elenco tentava acompanhar, fazendo caras e bocas, o acelerado ritmo do sexteto, procurando mostrar que "sabiam das coisas". Mas, o "script" não foi seguido e após mais quatro números (I Remember Clifford - Caravan - Summertime e Blowin' the Blues Away), aquela edição de "Espetáculos Tonelux" terminou. Ainda sob a forte iluminação, os músicos suavam em bicas e autografavam atendendo aos fans. Rich já sem o paletó era só simpatia e convidava a todos para o show do Copacabana Palace, incluindo a garota propaganda Neyde (Perucas Lady) Aparecida. Fui procurar Morgana King para o ultimo autógrafo e fui encontrá-la escondida atrás das cortinas fugindo da forte iluminação que poderia "derreter sua maquilagem".

Na saída Cláudio Cosme Pinto e Rocha Melo comentavam o espetáculo e pediram minha opinião. Ei-la: "Achei o grupo fantástico, Rich esplendoroso e um repertório bem escolhido. Agora com o calor eles poderiam ter homenageado um compositor brasileiro, o Braguinha e tocado "Alala ô".

Para quem quiser a formação do grupo, aqui está:
Buddy Rich(dm) - Sam Most(fl) - Mike Manieri(vb) - John Moris(p) - Wyatt Ruther(b) e Morgana King(vo).

Por enquanto é só. Depois tem mais.
llulla

OUTRO PETARDO, CHARLIE "BIRD" PARKER & DIZZY GILLESPIE

Após receberem seus prêmios da Down Beat em 1951, Charlie Parker e o - dito ali - "famoso" Dizzy Gillespie, respectivamente pelo "melhor saxofonista em disco de jazz" e "melhor trompetista de todos os tempos", recebendo a palavra do Mestre de Cerimônias e perguntado se havia algo que queria dizer, Bird dispara que a música pode falar mais alto do que palavras e ato contínuo, vão para o palco e mandam bala em uma ótima Hot House.
No piano está Dick Hyman, no baixo, Sandy Block e, conduzindo a bateria de forma admirável, está Charlie Smith.
Como se disse num comentário acerca do clip, "isso é uma jóia do século 20, botem numa cápsula do tempo"! Mesmo com evidentes problemas de sincronização, é isso mesmo, uma peça rara, para mortal nenhum botar defeito.
Enjoy!

12 setembro 2006

ANIVERSÁRIO DO MONSTRO ROLLINS É HOJE
E HÁ PRESENTES PARA OS JAZZÓFILOS

Comemorando hoje o seu aniversário de 76 anos e um ano em que seu site está no ar, o vigoroso cat Sonny Rollins decidiu disponibilizar tantos vídeos de apresentações suas quantas vidas ele tem. Só durante sete dias. Quem seguir o link acima poderá ver e ouvir SR em momentos selecionados por ele. E como um gato do primeiríssimo time, declara que tem nove e não apenas sete vidas. Quem tem o hábito de ouví-lo sabe que é pura verdade.
São nove aparições que vão de 1957 até 2006, celebrando o Colosso do Saxofone: Paul's Pal, Weaver of Dreams, 52nd Street Theme, Oleo, Four, Moritat, Smoke Gets in Your Eyes, My One and Only Love e Serenade.

Abrindo com um soberbo Happy Birthday para ele mesmo, todos são sensacionais. Um must.

VER E OUVIR (MAL) JOHN COLTRANE COM WYNTON KELLY

A vida dos jazzófilos fica mais rica a cada dia, graças aos pedaços da história dessa arte que, capturados em imagens (nem sempre de boa qualidade e cujo som deixa muito a desejar, na maioria das vezes) e detidos por aficionados, agora voltam ao domínio público graças à fantástica invenção dos garotos do YouTube.

Desta vez, uma rara aparição do Coltrane tocando com Kelly, mais o contrabaixo de Paul Chambers com direito a arco e tudo (nosso BenéX, se nunca viu, vai delirar, certamente).

Com 8 minutos e colocado no ar há cerca de 2 meses, já teve 12 mil visualizações. Agora, então, vai bombar. Aumentem o som no máximo!

Abraços.

11 setembro 2006

METHENY & MEHLDAU

Como dito aqui em primeira mão há algum tempo, saiu o esperado CD do encontro de Pat Metheny e Brad Mehldau.
Apesar das características tão distintas de cada um, a junção destes 2 grandes nomes da música atual nos dá uma oportunidade musical inédita, que espero muito que não se limite a um único disco.

Fazendo referênca a um dos mentores de Pat Metheny, Jim Hall, deste trago a lembrança de seus duos com Bill Evans - Undercurrent e Intermodulation - para exemplificar a dimensão deste encontro com Mehldau.
Neste trabalho Pat se apresenta de guitarra acústica e elétrica acrescentado do piano sem exagero de Mehldau, no ponto, sensível, aqui melódico e doce, nos fazendo esquecer, por um momento, seu pianista braço direito Lyle Mays.

Brad Mehldau é unanimidade, tem um valor significativo nesta geração de pianistas e que se consolidou com sua série Art of The Trio. Ele já vem flertando com guitarristas há algum tempo, inclusive tendo excursionado em quarteto com Peter Bernstein. Pat Metheny está tocando cada vez mais - impressionante - suas últimas turnês tem sido em Trio, ultimamente ao lado do baixista Scott Colley, e aqui neste CD mais uma vez está ao lado do baixista Larry Grenadier e do baterista Jeff Ballard, a "cozinha" do Brad Mehldau Trio.
O quarteto se apresenta em apenas 2 das 10 faixas - Say the Brothers Name e Ring of Life, esta que é um dos pontos mais excitantes do disco. Mas no todo é um trabalho intimista, com um maior destaque para as faixas Summer Day, Find me in Your Dreams e Make Peace.

Apesar do disco chamar-se Metheny Mehldau, tem muito mais a "personalidade" do Pat Metheny, sem tirar o brilho dos improvisos de Brad Mehldau.

Um disco para ouvir sempre, particularmente o disco do ano até agora.

HOJE NA FOLHA DE SÃO PAULO

Livros sobre Miles Davis e John Coltrane sairão no Brasil
Folha de S. Paulo - 11/9/2006- Por Carlos Calado

Por enquanto, nenhuma editora brasileira mostrou interesse pela história da Impulse, mas os dois livros anteriores de Ashley Kahn farão parte dos próximos lançamentos da editora Barracuda. O primeiro deles é "Kind of Blue", que narra os bastidores da criação do álbum homônimo do trompetista Miles Davis, gravado em 1959. Com tradução de Patricia Decia e Marcelo Orozco, esse título deve chegar às livrarias até o final do ano. Já o lançamento de "A Love Supreme", sobre o cultuado álbum de John Coltrane, está previsto para o primeiro semestre de 2007. Por já ter vivido a experiência de trabalhar para gravadoras ou de coordenar turnês musicais, Kahn imprimiu um viés diferente a "The House that Trane Built", sobre a Impulse. "Os livros sobre música não costumam se aprofundar no campo dos negócios porque os autores não têm intimidade com esse aspecto", diz o jornalista, que abriu generosos espaços tanto para depoimentos de músicos, como para produtores e executivos da indústria. "Deixei que as vozes dos entrevistados contassem a história. Um executivo preocupado com as vendas olha a música de modo diferente de um instrumentista. Todos esses pontos de vista são importantes num livro que aborda relações entre arte e comércio", diz o autor, que conversou com 75 personagens ligados à trajetória da Impulse. Kahn traça também perfis de 36 discos essenciais no catálogo do selo, incluindo detalhes das gravações.

Quando o jazz era vanguarda
Folha de S. Paulo - 11/9/2006- Por Carlos Calado

Como outros apreciadores do jazz, o jornalista Ashley Kahn lembra-se com detalhes do dia em que comprou seu primeiro álbum da Impulse. Tinha 15 anos quando viu o LP "Mingus, Mingus, Mingus, Mingus, Mingus" em uma loja de discos usados, em Cincinnati (EUA). Fanático por rock e reggae, na época, ainda não conhecia o jazzista Charles Mingus, mas decidiu levá-lo. "Odeio dizer isso, mas me interessei por causa da capa", admite Kahn, 45, falando à Folha por telefone, de New Jersey, nos EUA, onde acaba de lançar o livro "The House that Trane Built" (A casa que Trane construiu). Nele, narra a história do cultuado selo de jazz Impulse, cuja trajetória se confunde com a do saxofonista John Coltrane (1926-1967), ícone do jazz de vanguarda. Com capas duplas em papel de alta qualidade, fotos avançadas e vistosas lombadas em preto e laranja, os álbuns da Impulse se destacavam nas estantes das lojas, nos anos 60 e 70. "Claro que, se a música não fosse tão boa, a capa não importaria, mas a Impulse sabia que as pessoas comprariam discos de Coltrane, Mingus e Gil Evans, mesmo que custassem mais por causa das capas". Kahn decidiu escrever o livro ao finalizar o anterior "A Love Supreme" (Viking, 2002), que narra os bastidores da gravação do cultuado álbum homônimo de Coltrane, lançado pela Impulse, em 1965. Ao rever as dezenas de depoimentos que colheu entre músicos, produtores e executivos, percebeu que tinha material suficiente para contar a história do selo. Simultaneamente ao lançamento do livro, a gravadora Universal, hoje detentora do catálogo Impulse, lançou a série "The Impulse Story", em comemoração aos 45 anos do selo. São dez CDs com gravações de expoentes do elenco da Impulse, que chegam ao mercado brasileiro a partir de outubro (veja a relação ao lado). "Embora jamais tenha sido independente, a Impulse atuava como gravadora de jazz independente", diz Kahn. "Ela produzia música inovadora e experimental, mas era subordinada à ABC-Paramount, uma companhia de discos bem comercial, que tinha no elenco artistas pop como Paul Anka e Eydie Gourmé". O responsável por esse bolsão criativo, dentro do segmento mais comercial da indústria fonográfica dos EUA, foi o produtor Creed Taylor, que fundou a Impulse, em 1960, e já no ano seguinte contratou Coltrane. "Taylor convenceu as pessoas certas a investir no selo. Conseguiu que a máquina de uma grande gravadora de música pop trabalhasse a favor do jazz", conta Kahn.

09 setembro 2006

HISTÓRIAS DO JAZZ, 6: - PERCY HEATH E A "CRIOULA"

Essa aconteceu no longínquo ano de 1962, quando aqui esteve o Modern Jazz Quartet pela primeira vez, para concêrtos no Municipal em 11,12 e 14 de setembro. Fomos assistir a estréia com o amigo Luiz Alberto Lynch, o qual nos proporcionou o prazer de um jantar com John Lewis. A coisa aconteceu por acaso, pois terminado o espetáculo e a visita aos camarins, Lewis nos informou que gostaria de conhecer o
restaurante "Le Petit Club" de Myrtes Paranhos que alguém lhe aconselhara.
Mais uma greve de taxis eclodira na cidade e Luiz Alberto então convidou Lewis para jantar, oferecendo a condução no seu Wolkswagen alemão. Primeiro iríamos buscar a esposa de Luiz Alberto na rua Alfredo Chaves em Botafogo e em seguida chegaríamos no "Le Petit Club". Lewis já tinha na cabeça o que iria pedir : "bobó de camarão e uma Brahma Extra". Na longa conversa mantida conosco , Lewis informou que morava na Yugoslávia e periodicamente ia aos Estados Unidos para cumprir compromissos de gravações e apresentações do MJQ. Em meio a conversa chegou um ruidoso grupo liderado por Robert Celerier trazendo o vibrafonista Milt Jackson. Este ao ver Lewis,tentou tirá-lo de nossa mesa mas, levou uma discreta "esculhambação" do pianista que disse que estava como convidado de amigos brasileiros e não iria participar de outro grupo. Terminado o jantar, deixamos Lewis no Hotel Glória, onde estava hospedado o MJQ e ele informou que poderiamos voltar no dia seguinte para entrevistar os outros músicos.
Fui com Adalto Argollo e Gilberto Lourenço ("o grosso do Engenho") para o hotel,tendo Gilberto carregado um gravador Geloso para registrar a entrevista que iríamos apresentar no "O ASSUNTO É JAZZ". Adalto era admirador incondicional do MJQ, possuindo grande quantidade de Lp's do grupo. Falava inglês muito bem e nos ajudou bastante nas entrevistas. Hoje vive nos Estados Unidos.
O primeiro entevistado foi Connie Kay. Muito educado e paciente , ouvia com interesse as nossas indagações. Qundo lhe perguntei sobre o Lp "Stan Getz & J.J.Johnson at Opera House", no qual foi o baterista, sorriu e disse mais ou menos o seguinte: "Foi uma ótima noite. Todos estavam felizes, uma excelente audiência e um produto final de qualidade." Anos depois perguntei a mesma coisa a Stan Getz e ele fez um "muxoxo":"nada demais, um disco como outro qualquer!"

Em seguida fomos ao apartamento de Milt Jackson. Nos atendeu ostentando um "robe de chambre" e, totalmente desinteressado dos assuntos abordados, reclamou que ligava o seu rádio para ouvir música brasileira e só ouvia o lixo americano (desde aquela época).

Com Percy Heath fomos mais felizes. Atencioso, conversava com a gente ao mesmo tempo que dedilhava um pequeno contabaixo, menor que um violoncelo. Dizia que era para exercitar os dedos. Adalto, super emocionado, perguntou se Heath poderia tocar um pouco "the big bass" encostado na parede. Heath não se fez de rogado e produziu um "walkin'" que fez o amigo lacrimejar. Em seguida foi ao banheiro, trouxe um copo grande de cerâmica (que os hotéis tinham para a guarda de escovas de dente) e uma garrafa da cachaça "Crioula", segundo os especialistas a pior do mercado. Ninguém aceitou e ele sem cerimônia quase encheu o copaço com a branquinha e sorveu o conteúdo lentamente, como se fosse água. Espantados, avisamos que cachaça era uma bebida forte e que ele poderia sentir as consequências, até porquê havia um concerto à noite. Respondeu sorrindo: "No problem". E, realmente, à noite, lá estava ele no palco, ostentando um smoking e produzindo a preciosa sustentação melódica do grupo.

Em tempo, John Lewis não estava no hotel pois fora posar como modêlo para um pintor.

Em 1982, chegaram os "HEATH BROTHERS" para uma apresentação na Sala Cecilia Meirelles, em 10 de maio. Lá fomos nós procurar Percy Heath nos camarins quando Carlos Tibau nos informou: "Percy Heath está naquele boteco alí na esquina". Fomos até lá e vimos Heath sorver uma generosa dose de cachaça como se fosse o nectar dos deuses. E foi só.

Depois tem mais.

Para os que quiserem anotar a formação dos "Heath Brothers" aí vai:
Jimmy Heath(st) - Tony Purrone(g) - Stanley Cowell(p)- Percy Heath(b) e Akira Tana (dr).

llulla

08 setembro 2006

KRALL DECEPCIONANTE (@)

A vocalista e pianista canadense Diana Krall (nov. 16, 1964) terá seu novo CD (“From This Moment On) lançado no próximo dia 19 pela Verve. Se por um lado descartou composições próprias, em parceria com o marido Elvis Costello, trouxe alguns standards bem conhecidos, desde “Come Dance With Me” (Cahn/Van Heusen) até a jobiniana “How Insensitive”. A bordo de seu costumeiro trio (Anthony Wilson, John Clayton e Jeff Hamilton), ela teve ao lado em 8 das 11 faixas a Clayton/Hamilton Jazz Orchestra. E é esse o detalhe decepcionante . Pelo que se sabe, John Clayton é o arranjador . Para quem se valeu do talento de um Johnny Mandel ou Claus Ogerman, a cantora tenta fazer o possível para tornar o resultado pelo menos agradável. Não consegue. A banda é sempre inoportuna e demonstra que John Clayton como arranjador é um bom baixista. A versão de “How Insensitive” é um desastre. Em nenhum momento o CD empolga. Ao contrário, chega a irritar. Apenas em “It Could Happen To You” (Burke/ Van Heusen) há alguma sintonia, além das faixas onde só o trio aparece com ela. Não há porque comentar em detalhes o CD. Pela fama, claro, vai vender milhões de cópias. Mas a decepção igualmente será grande.

07 setembro 2006

60 ANOS DE GILSON PERANZZETTA

E a comemoração vai ser em grande estilo na Sala Cecília Meireles no próximo dia 12 ao lado da big band UFRJazz.

Com presença de vários convidados, amigos e músicos do primeiro time como Mauro Senise, Paulo Russo, Luiz Alves, Maurício Einhorn, entre outros, que vão promover, com certeza, uma noite inesquecível.

E mais, em primeira mão, os arranjos escritos por Peranzzetta para a WDR Big Band, da Alemanha.

Dia 12 de setembro, 19:30
Sala Cecília Meireles
Largo da Lapa, 47 - RJ
Tel. : (21) 2299-9666

Vale conferir !

THE UNDERRATED GALLERY: ANDRÉ PRÉVIN

Ainda seguindo na categoria dos underrated, uma aparição de outro belo pianista - segundo meu gosto pessoal - André Prévin, desta feita num quinteto que incluía, para as transmissões televisivas do programa Swing in Spring, de 1959, narradas e conduzidas por Benny Goodman (e seu popular clarinete), nada menos que o genial Lionel Hampton no vibrafone, o precioso Shelly Manne na bateria e um certo Jack Lesberg - não o conhecendo, peço ajuda aos Mestres - no contrabaixo. Um fato curioso é o "econômico" set da bateria de Manne, que, além do contratempo, dispunha de somente um prato!

Neste programa, juntam-se a Goodman e seu grupo, duas cantoras: a alva Peggy Lee, em rápida aparição na abertura do programa, quando com Benny, abre caminho para a maravilhosa Ella Fitzgerald, para um medley cuja duração total passa de cinco minutos de puro encantamento. O volume não é bom, aviso logo.

Mas o videozinho é, por tudo, sensacional. Coisas desse genial YouTube.

06 setembro 2006

RANKING DAS EXECUÇÕES EM RÁDIO - USA


O ranking acima não serviria para nada além de nos dar idéia de quem está sendo mais tocado nas estações de rádio americanas, em sua acepção mais ampla e generosa abrigando tudo aquilo que se decidiu - lá - admitir como jazz.

Discussão à parte, ajuda a lembrar de nomes que faz tempo não ouvimos e principalmente para nos avisar que certos longtime favourites estão com lançamentos na praça. Além de permitir a visão sobre novos artistas e bandas, cujo trabalho possamos desconhecer ainda.

Essa listagem, lembro, refere-se à última semana de execuções. Cliquem para ampliar.

Abraços,

04 setembro 2006

THE UNDERRATED GALLERY: JOE MORELLO

Um baterista que fez sobretudo música, inteligível por qualquer tipo de audiência, e que sempre privilegiou as idéias e o swing, acento e ritmo versus o tronitoante estilo dos bateristas atuais - raras e honrosas exceções - ou aos show-offs dos monstros das big-bands que sentaram nas banquetas mais altas (S. Wilson, B. Rich, G. Kruppa, L. Bellson, entre outros), Joe Morello, que tocou com Tal Farlow, Phil Woods e Stan Kenton, além da onipresente Marian McPartland, passou grande parte de seus melhores momentos ligado ao Dave Brubeck Quartet (Brubeck(p), Paul Desmond(as) e Gene Wright(b)), a pérola do west-coast jazz, com quem tocou por 12 anos.

Genial por sua reconhecida classe, por seu sentido rítmico baseado em notável técnica na percussão da caixa (snare drum) e, segundo ele, por tocar relaxado - dizia que esse era o seu segredo, tocar relaxado - como se pode ver no vídeo abaixo, Morello foi peça fundamental no grupo de Brubeck pois sem dúvida, foi o gerador do "molho" que dava sabor especial ao conjunto.

Depois de desligar-se de Brubeck e embora reconhecido como fora-de-série por seus pares, Morello jamais teve a consagração pública devida, mesmo tendo participado da gravação de cerca de 120 discos, escrito vários livros e tendo sido elevado ao Hall of Fame da revista Modern Drummer, em 1988.

PANDEIRO JAZZ NA BIS


Último show da temporada. Não percam!!!

03 setembro 2006

MORRE DEWEY REDMAN

Calou neste sábado o sax tenor de Dewey Redman, 75 anos.

Nascido no Texas, começou tocando clarinete aos 13 anos e formou-se em Arte e Educação. Em 59' foi, em definitivo, atrás da música para Los Angeles e em 67' chegou a NY para encontrar seu amigo de infância Ornette Coleman onde realizou inúmeras turnês e gravações.

Foi um dos grandes nomes do saxofone do jazz e ganhou maior evidência a partir de 70' atuando ao lado de Charlie Haden, Keith Jarrett, Pat Metheny, Jack DeJohnette, entre outros.

HISTÓRIAS DO JAZZ, 5: MACIEL NA HERD

Essa aconteceu em setembro de 1958, quando aqui esteve a orquestra de Woody Herman cumprindo uma curta temporada com atuações na TV Rio(23 e 24), no Tijuca Tenis Club(25), Maracanãzinho e Rádio Nacional(26). O clássico coquetel oferecido à imprensa foi realizado nos estúdios da Companhia Brasileira de Discos, no Edifício Cineac, comemorando também o lançamento do primeiro suplemento dos discos Verve, representados na época por aquela gravadora.

E lá fomos nós, conhecer o maestro e seus músicos. Conversamos com Herman e sobretudo com Al Belleto, sax-barítono da banda e também líder de um sexteto integrado por músicos da orquestra. A parte musical foi proporcionada pelo piano de Moacir Peixoto que por sinal, junto ao saxofonista Casé, gravaria o LP "Good Neighbors Jazz" para a CBS, em produção do saudoso Roberto Corte Real, em companhia de contrabaixista Major Holley e do baterista Jimmy Campbell.

Estava com Leonardo Lenine de Aquino quando o trombonista Willy Denis se aproximou e nos perguntou se conhecíamos o trombonista Maciel e como poderia encontrá-lo. Lenine explicou que Maciel tocava no Dancing Avenida e que poderíamos levá-lo até lá.
Terminado o coquetel fomos descendo a Rio Branco até a Cinelândia, onde comemos uma pizza no Savoia e em seguida nos dirigimos ao Avenida para Willie Dennis encontrar Maciel. Eu eu Lenine jamais imaginamos o porquê do interesse de Dennis em Maciel. Conversa de trombonistas e nada mais? Negativo! Dia seguinte, na apresentação da banda na TV Rio, entre um número e outro Dennis olhava atento para a platéia procurando Maciel. Finalmente o localizou e falou algo ao maestro. Herman então, para surpresa geral, solicitou a presença de Maciel no palco, enquanto a banda atacava os primeiros compassos de "Body and Soul". Maciel subiu, tomou emprestado o trombone de Denis, colocou sua "mouth piece" e improvisou um ou dois "choruses" com a categoria de sempre.

Em 1978, fomos assistir ao quarteto de Gerry Mulligan na Escola Nacional de Música. Chegamos cedo e ficamos conversando com Victor Assis Brasil, o qual, ao perceber a chegada de Maciel, desculpou-se e saiu de fininho . Maciel estava em adiantado estado de embriaguez e ainda queria companhia para "tomar mais uma". Recusei o convite, alegando que o sinal já havia tocado anunciando o início do espetáculo e para não decepcioná-lo, comentei sobre a sua atuação com a banda de Herman. Ele então disparou a frase: "é, mas hoje eu vou tocar com Gerry Mulligan!"

Entrei, ocupei o meu lugar e de repente chega Coutinho dando a notícia:
"Lula, barraram a entrada de Maciel e ele quebrou a bilheteria com uma cabeçada!"

E nada mais foi dito nem perguntado.

Para quem quizer anotar, eis aí a formação da banda de Woody Herman:
Woody Herman(sa-cl) - Joe Romano, Jay Migliori, Marty Flax(st), Al Belleto(sb)-
Willie Thomas, Bob Clarke, Al Forte, Danny Striles e Hal Posey (tps) - Jim Guinn, Roger de Lillo e Willy Dennis(tbs) - Al Plank(p) - Major Holley(b) e Jimmy Campbell(dr) - Jerry Winters(vo)

PIANO - A Fabricação de um Steinway Concert Grand

O piano é o instrumento mais utilizado no jazz. É tido como o instrumento mais completo e seu timbre é muito agradável.

Hoje em dia existem diversos fabricantes, mas nenhum tão consagrado como a Steinway.

James Barron, um reporter do New York Times e pianista amador, foi à fábrica da Steinway mostrar para os leitores todas as etapas da fabricação de um Concert Grand Piano.

O que torna o livro de Barron diferente é sua narrativa, ele acompanhou a fabricação de um único piano, o de número K0862.

Essa jornada durou um ano, do início da fabricação até a entrega na divisão de concertos da loja da Steinway & Sons, em Nova York.

O livro é especial também, mostrando que a Steinway resistiu esses anos todos a se automatizar. Desta forma, o leitor torna-se uma testemunha de um raro tipo de fabricação hoje em dia. O K0826 é, em quase sua totalidade, feito à mão, da mesma forma que os pianos produzidos há um século atrás.

Barron descreve técnicas e ferramentas, frequentemente fabricadas pela Steinway, que leva a imaginação a entender que são passadas de pai para filho.

A caixa de madeira do piano é feita de 17 tiras de maple, coladas e curvadas, não por uma prensa gigante, mas pela força de seis homens. Um dos trabalhadores é conhecido como "bellyman", porque sua tarefa é entalhar os 88 frisos na ponte de madeira onde irá se encaixar o encordoamento, deitado de barriga para baixo, tudo sem se preocupar em usar réguas ou qualquer outro instrumento para conferir suas medições.

O fundador da Steinway foi o alemão Heinrich Steinweg, que teve o nome americanizado para Steinway, assim que chegou a Nova York nos anos 1830.

Barron consegue ainda comparar o Steinway aos pianos do primeiro fabricante americano, Chickering & Sons, com histórias deliciosas da competição.

Uma observação surpreende: hoje em dia quase a metade dos pianos vendidos nunca são tocados. A habilidade e experiência dos trabalhadores da Steinway são impressionantes mas muitas das suas obras de arte irão servir apenas como um bonito móvel.

PIANO The Making of a Steinway Concert Grand
James Barron; Times Books; 280pp; US$24

02 setembro 2006

THE UNDERRATED GALLERY: PARA MEXER NOS BAÚS

Seguindo uma sugestão do Cézar de Vasconcellos, achei boa a idéia de criar aqui alguma discussão sobre aqueles jazzistas que não tiveram, vivos ou mortos, o devido reconhecimento por suas carreiras. Gênios verdadeiros que permaneceram à sombra de estrelas mais visíveis muitas das vezes apenas por seu temperamento tímido ou por terem vivido em uma época em que outro instrumentista tão bom lhes fez frente - caso de Elmo Hope, que tinha apenas Bud Powell como contemporâneo, para citar logo o papa - muitas vezes foram grandes compositores que geravam material de grande qualidade para seus líderes. Quanto a isso, acho que nossos Mestres discorrerão largamente aqui.

Sem pretender dar ao tópico a noção de uma revisão cronológica, dou a largada, estimulado por um CD que o camarada Sazz me emprestou, com um vídeo da interpretação de Oleo, de Sonny Rollins, pelo magnífico pianista Phineas Newborn Jr. Vejam e ouçam.

01 setembro 2006

OUTRA DO MESTRE: LOC NO JB

Hábito fundamental das sextas - quase que fundamentalista - a busca pela coluna do LOC no Caderno B reveste-se de uma característica curiosa. Ao folhear as páginas, fico imaginando sobre o que, ou quem, nosso Mestre teria decidido escrever para a semana. Às vezes a surpresa fica por conta do seu acompanhamento dos artistas da vanguarda, os guerrilheiros do jazz, os experimentadores, que nem sempre - com algumas honrosas exceções, como sua recomendação dos jovens Taylor Eigsti (piano) e Julian Lage (guitarra) - são do meu gosto pessoal mas, antes, uma obrigação de conhecer para dizer que não gostei; outras, sobre artistas menos jovens mas cujas obras experimentalistas ou difusas ainda me soam difíceis, às vezes, inaudíveis, porém não menos importantes (como Ornette Coleman, Sun Ra, Andrew Hill); outras vezes a coluna versa, como a atual, sobre nomes consagrados e sobre cujas obras ainda se descobrem coisas, tanto material quanto estilisticamente.
Confesso sentir-me reconfortado quando a coluna fala sobre alguns de meus músicos prediletos - e talvez, da totalidade dos aficionados pelo hard-bop - como a da semana. Sei que vou achar ali mais do mesmo, mas com alguma novidade até então despercebida. Essa é a minha predileta.

Nessa hora, voltam-me à cabeça algumas frases, não só deste como de outros Mestres, e muita coisa entra em seu devido foco. Uma, recorrente, versa sobre Gigi Gryce, ali mencionado, cuja obra e estilo não recebem a valorização que mereceria pela sua grandeza como compositor e executante de topo de linha.