Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

31 julho 2006

PLAYLIST NOSTÁLGICO

Meu "playlist" é um pouco egoísta. No início, pensei em mostrar meus conhecimentos jazzísticos, estilo catedrático. Achei bobagem. Primeiro porque não sou. E quem está saboreando os textos do CJUB não pode perder a concentração. Resolvi fazer uma espécie de fundo musical, relembrando minha formação como apreciador de música honesta. Cada faixa tem uma história para mim. Algumas são difíceis de achar.

01. César Camargo Mariano (Tristeza de Nós Dois). Foi talvez o primeiro grande músico brasileiro que me aproximei pessoalmente. Vi nele aquela influência do Mancini, Quincy Jones, que eu adorava. E foi com ele que entendi (já entendia) o que é uma harmonia de bom-gosto. Essa gravação é uma prova disso. Lindo arranjo.

02. Alguns temas me marcaram. Um deles, "Moonlight In Vermont". Ainda mais quando aparece uma nova versão, arranjo inspirado e um cantor praticamente desconhecido (Nicolas Bearde). Vale uma dose de um bom "whisky".

03. Não se deve em música apelar para o "não ouvi e não gostei", por algum tipo de preconceito. Earl Klugh não está entre os meus favoritos, verdade. Mas para essa gravação de "His Eyes, Her Eyes", um clássico do Legrand, com arranjo simplesmente incrível do Don Sebesky, eu tiro o chapéu.

04. Ray Obiedo é um guitarrista para o gasto, nada mais que isso. Mas o gajo gravou um dos temas mais bonitos do Mancini, "Slow Hot Wind", participação especial de Toots Thielemans. A música faz parte da minha história, porque foi dedicada a mim por João Donato num show em Londrina. A platéia aplaudiu de pé. Jamais esquecerei.

05. Por falar em Mancini, "Night Side" (Hatari!) é uma homenagem que presto à Radio JB AM de uma época, responsável em grande parte pela minha formação musical. Essa faixa era figurinha carimbada. Como esquecer?

06. Morava em Brasília – eu tinha 15 anos. Cheguei em casa eufórico. Tinha acabado de comprar um disco da Ella Fitzgerald. Ouvi centenas de vezes ("Stella By Starlight)". O que provocou um comentário da minha querida mãe, que acabava ouvindo o disco por tabela:"que voz maravilhosa tem essa mulher!" Na minha opinião, "Clap Hands Here Comes Charlie!" foi o seu melhor álbum.

07. Comprei um disco de capa azul na mesma época com um quadro do Picasso na capa, acho que o "velho guitarrista". Alguma coisa com o jazz moderno. Essa faixa ("Two Kinds Of Blues") do genial Jimmy Giuffre (+ Jim Hall ) furou de tanto tocar. Absolutamente fantástica.

08. Sou fã de carteirinha do Jerome Kern. "Yesterdays" é na minha opinião uma obra-prima. E quando surge uma versão diferente e boa (Marilyn Scott), fico entusiasmado. A se notar uma jogada de harmonia incrível no final do tema, que dá um outro clima a esse "standard" já meio surrado. Outro detalhe é a sustentação rítmica via contrabaixo do notável Brian Bromberg.

09. Carmen McRae, Johnny Mandel e Gershwin ("The Man I Love"). Sem comentário.

10. Wes Montgomery e sua sempre agradável guitarra. O piano base do então humilde Herbie Hancock. Um arranjo do nosso campeão Eumir Deodato. E um tema de João Donato ("Quem Diz Que Sabe"). Imaginem o resultado.............................................

EXCLUSIVAS DO CJUB # 1: MAESTRO VITTOR SANTOS
(reeditada)

É com enorme prazer que publico a primeira da série de entrevistas exclusivas que faremos, com expoentes da música instrumental no Brasil - e, dada a oportunidade, do exterior. O escolhido para dar o pontapé inicial foi Vittor Santos, que dispensa apresentações adicionais às revelações que nos faz, com sensibilidade e elegância, ao longo desta fértil entrevista concedida por email. Essa foi a fórmula que decidimos adotar, através de um set de perguntas formuladas pelos editores (em sua maioria, pelo Mestre Raf) para que o músico responda sem pressa, sem pressão e ainda, podendo usar o espaço que deseje para suas respostas. Afinal, pretendemos fazer deste CJUB uma referência em termos de informação de qualidade. Apreciem-na, portanto, em sua plenitude. Na íntegra.
P.S.: Esta matéria foi reeditada em 15/7, a pedido do entrevistado, de maneira a incluir alguns dados complementares e agradecimentos adicionais a pessoas importantes na sua carreira, a quem o Maestro Vittor julgou haver omitido anteriormente. O que só a fez melhorar, em todos os sentidos.

CJUB: Sua carreira é uma das mais importantes e atuantes no cenário musical brasileiro, abrangendo nossa música, jazz e outros estilos. Como se interessou em tocar gêneros tão diversificados?

VS: Minha carreira musical começou aos 7 anos, quando fui presenteado com um pandeiro. Ainda na loja onde esse pandeiro foi comprado, fiz uma levada de samba, assim que pude manuseá-lo. A discografia a que podia ter acesso na época estava relacionada com a ‘mpb’ dos anos 60 e daí para trás. Assim, me deleitava ouvindo o Nelson Gonçalves, Sílvio Caldas, Anysio Silva, a primeira gravação de “Aquarela do Brasil”, com arranjo orquestral do Radamés, etc. Me lembro que havia um compacto em rotação 45 de um grupo vocal chamado “4 Ases e um Coringa”, e um dos temas do disco era “boneca de pano”, o qual ouvia direto. Aliás, muitos desses discos eram em rotação 78. É preciso dizer isso.
Aos 8 anos, fiz um curso de violão, no qual a ênfase didática era a função de acompanhamento. Como na minha residência havia muita cantoria, depois que aprendi aqueles elementos violonísticos, já havia alguém que podia “correr atrás” de acompanhar os “cantores” ao violão. Minha brincadeira infantil com os demais meninos, vizinhos nossos, a partir daí, era fornecer um instrumento de percussão a cada um e cantarolar uns sambas fazendo o acompanhamento ao violão.
Aos 11 anos fui convidado a assistir um ensaio de uma banda de música, fundada em 1901, na sua sede, próxima ao endereço em que morávamos. Quando lá chegamos, aquele que me convidou comentou com o maestro: “este menino toca instrumento de percussão”. Então, logo o maestro me forneceu um surdo de marcação e me encaminhou para a seção de percussão da banda de música. Ao observar minha habilidade rítmica, no final do tal ensaio, me perguntou: “você não quer estudar um instrumento de sopro? Qual?” Apontei, prontamente, na direção da tuba.
Na semana seguinte comecei aprender a leitura da música com o maestro (“seu Betinho”), um homem muito rigoroso e firme nas suas opiniões, por vezes “áspero”, mas a quem trago no coração com muito respeito, falecido no início dos anos 90. Seis meses se passaram, e fui inserido na banda, agora como “tubista”, já aos 12 anos.
Perto de completar 14 anos, fui convidado para ingressar num grupo que “embalava os casais” nas noites petropolitanas, porém, como trombonista. Assim, fui deixando a tuba na banda de música, passando para o bombardino e montando um repertório para tocar no grupo de baile, no qual não havia um naipe de metais, mas tão somente o trombone e, assim, atuava como solista dos temas que podia escolher dentro do estilo do grupo.
Em 1981 já aos 16 anos, tocava com um tecladista que me estimulou a começar a “mexer” com a improvisação. Neste mesmo ano, já trazendo o trombone de varas como instrumento principal e já afastado da banda de música, tomei conhecimento do samba-jazz que, na época, era confundido com bossa-nova, já que os músicos, expoentes do samba-jazz, transitavam no repertório (propício para a improvisação) do Jobim e companhia. Tendo ouvido o sexteto “Bossa Rio” do Sérgio Mendes, no qual figuravam com muito vigor o Raul de Souza e o Edson Maciel, trombonistas de “primeira grandeza”, a visão do “trombonista-petropolitano” se ampliou de tal maneira, inexplicável, sendo aquele momento, uma representativa virada de conceito musical.
Nesta mesma época pude conhecer os trombonistas Urbie Green, Frank Rosolino e J. J. Johnson, que me serviram de referência para admirar o trombone nas suas amplas possibilidades técnicas e sonoras.
Então, juntando esses detalhes, foi assim que, no início da trajetória, o formato da minha linha de abordagem musical se estabeleceu:“Samba-canção”, “samba”, “bolero”, “guaranea”, numa certa e curta época, também o “choro”, “samba-jazz”, “bossa-nova”, e os temas abordados pelos jazzistas que no início pude ouvir, além dos trombonistas já citados.
Concluindo esta longa resposta à primeira pergunta, não posso deixar de citar um fato. Numa certa fase do início desses anos 80 referidos, ouvi muito o disco do Hermeto Pascoal gravado ao vivo em Montreux, no ano de 1978. Não me influenciou como instrumentista, porém no conceito musical, tanto quanto o samba-jazz.

CJUB:Quando começou a tocar e quais as principais influências da sua formação musical?

VS: Creio que na resposta primeira, acabei sintetizando os fatos de tal maneira que esta pergunta já tem sua resposta. Mas devo citar que, além dos trombonistas acima, até mesmo porque entendo que minha trajetória não esteja limitada na esfera de instrumentista, muitos músicos executantes de outros instrumentos me despertaram interesses musicais diversos. Assim, cito alguns: Antônio Carlos Jobim, João Gilberto, Claus Ogerman, Edson Machado, Tião Neto, Hector Costita, Aurino Ferreira, Nelsinho, Norato, Juarez Araújo, Rob MacConnell, Tommy Flanagan, Nat Adderly, Fred Hubbard, Bill Evans, Gil Evans, Oscar Peterson, Pepper Adams, Gerry Mulligan, Miles Davis, Clare Ficher, Joe Pass, Stan Getz, Chet Baker, Lee Morgan, etc (são os que me vêm à memória, agora).

CJUB: Mencione com quem você tocou e gravou, incluindo artistas estrangeiros. Tem idéia de quantos discos gravou e quantos foram em seu nome ? Quais lhe deram maiores alegrias?

VS: Comecei a gravar em 1981. Assim, perdi a conta de quantos registros participei nestes 25 anos e das muitas satisfações nos finais de seções.
O meu esquema de trabalho entre 1985 até 1992, quando finalmente vim residir no Rio de Janeiro, foi dividido entre gravações e a direção da extinta “Orquestra de Vittor Santos”. Neste período, os sintetizadores invadiram os estúdios de gravação, pretendendo substituir a “orquestra acústica” e, então, as gravações se tornaram menos freqüentes. Normalmente era solicitado para gravar solos nos discos de alguns cantores da “mpb”, uns de renome nacional, outros não. Gravação de naipe era bastante rara, pois os teclados pretendiam substituí-lo. Entretanto, muitos registros se deram nesta época que culminando em 1994, o som acústico voltava aos estúdios e a partir dai, participava de 32 até 53 CDs por ano. Também participei de diversas gravações da dita “música instrumental brasileira”, o que para mim é a expressão do “jazz brasileiro”. Toquei e ainda toco, em gravações ou shows, com 80% dos cantores e cantoras da cena musical brasileira.

Discos em meu nome são 6:

1986 – “Aquarelas Brasileiras” – Continental/Chantecler (junto com a “Orquestra de Vittor Santos”);
1987 - “Um Toque Tropical” – Continental/Chantecler (junto com a “Orquestra de Vittor Santos”);
1994 – “Trombone” – Leblon Records;
1997 – “Sem Compromisso” – Leblon Records;
2005 – “Você Só Dança Com Ele” – Universal/MP,B (este, ao lado do grupo “Conexão Rio”);
2006 – “Renovando as Considerações” – Biscoito Fino.

Em 1986, gravei um solo para o LP do guitarrista Júlio Costa na faixa de título “Samba Torto II”, que me gera boa recordação.
Em 1996, gravei outro solo que me lembro com estima, este no songbook do compositor Djavan, para o selo Lumiar, na faixa de título “Serrado”.
Em 1998, escrevi o arranjo e orquestração para o tema do compositor Chico Buarque de título “Construção”, versão em que o próprio compositor interpreta a canção, ao lado da atriz Fernanda Montenegro, fonograma para o projeto da “ação cidadania”, realização que também me gratifica pela consideração que tenho pelo primeiro registro desta canção, em 1971, arranjada e orquestrada por Rogério Duprat.

A gravação do CD “acústico” do compositor Moraes Moreira também foi algo marcante, já que o fizemos literalmente durante a apresentação em São Paulo. No final do show, que durou aproximadamente uma hora e trinta minutos, o CD estava gravado, pronto para mixar. Também os arranjos da orquestra de câmara para este CD, são meus. Aliás, O CD anterior do Moraes, “O Brasil Tem Concerto”, também me traz longas lembranças. Fiz 11 arranjos, a maioria deles orquestral, para este CD que foi recebido pela crítica com muito respeito pelo seu teor musical, sobretudo porque naquele ano, 1994, o ‘império dos teclados’ chegara ao seu fim e a sonoridade acústica voltava, então, aos estúdios de gravação.

Também me alegra o CD “Trilhas Brasileiras” do compositor Alberto Rosenblit, no qual atuei como produtor artístico, podendo trabalhar com liberdade, buscando um resultado musical genuíno.

Em 2000, produzi o CD "Arco e Tecla" do violinista Ricardo Amado em duo com o pianista Flávio Augusto, dois virtuoses, registro que também gera grande alegria.
Aliás, tenho atuado como produtor de diversos CDs de músicos e grupos de alta competência, mas que ainda estão fora da mídia.

CJUB: Quantos conjuntos você organizou e liderou e com quem está tocando atualmente?

VS: Os grupos foram:
Vittor Santos e Trio – 1983; Orquestra de Vittor Santos 1985 à 1992; Grupo 8 – 1991;
Orquestra Inconcert – Maestro Vittor Santos – 1993 à 1994; Vittor Santos Orquestra - 1999 a 2000; e Grupo – 1995 à 2006.
Em 1992, quando passei a residir no Rio de Janeiro, dirigi um sexteto que tocava todos os dias no Hotel Sheraton, onde também atuaram noutras épocas o sax-tenorista Juarez Araújo e o maestro-trombonista Nelsinho, na mesma função.

Dirigi e escrevi os arranjos para a orquestra que acompanhou os cantores, cantoras e grupos, homenageando o poeta compositor Vinícius de Moraes, para o programa da TV Globo denominado “Som Brasil”, gravado diante de 15.000 pessoas na enseada de Botafogo, em Outubro de 1993, ano em que o referido poeta faria 80 anos, caso estivesse vivo.

CJUB: Mencione os festivais em que tocou, incluindo os do exterior. Neste caso, qual a receptividade do público estrangeiro?

Não participei de muitos festivais. Participei 3 vezes do Free Jazz [no Brasil]: em 1995, com a “All Star Big Band”, na qual figuravam instrumentistas brasileiros expoentes, dentre eles Raul de Souza, Mauro Senise, Raul Mascarenhas, Wilson das Neves, Márcio Montarroyos, Nailor Proveta etc; em 1999, com a também extinta “Vittor Santos Orquestra”; e em 2001, com a banda “Ouro Negro”, na homenagem ao maestro-compositor Moacir Santos.
Já no ano de 2000, estive na Dinamarca para durante uma semana lecionar num conservatório de música, acerca da linguagem da música brasileira executada pela big band. No final do curso apresentamos o trabalho que, então, valia ponto para os alunos do conservatório. A reação do público, como sempre, é a de ficar ponderando sobre o que ouviu, associando tal pensamento com “aplausos sociais”.
Tenho sido convidado para ministrar cursos de harmonia ou arranjo em festivais de estação (normalmente verão e inverno) desde 1986, e o convívio com músicos durante 5, 10, 18 dias, onde se deseja aprender e apreender, é sempre gratificante. Sempre aprendemos mutuamente.
Em 2002 escrevi 2 arranjos para a Lincoln Center Jazz Orchestra, para um festival acontecido em Nova Iorque, dirigido pelo Winton Marsalis tendo como solista principal em um dos arranjos, o violonista Romero Lubambo. Em 2005, escrevi 3 arranjos para a Kluvers Big Band, grupo dinamarquês, tendo como solista principal o saxofonista californiano Harvey Wainapel. Em ambos eventos a ênfase era a música brasileira. Assim, participei "indiretamente" deles.
Em 2004 aconteceu em São Paulo o projeto "Um Sopro de Brasil", no qual 250 sopristas brasileiros puderam atuar em 4 concertos consecutivos. Fui convidado a figurar como solista no último concerto, ao lado de músicos como Maurício Einhorn, Paulo Moura, Vinícius Dorin, Altamiro Carrilho e Mauro Rodrigues, entre outros.

CJUB: Que jazzista(s), vivos ou não, você tem se interessado em ouvir atualmente?

VS: Atualmente não tenho tido oportunidade de ouvir música, senão a que estou gerando no dia a dia, nos meus trabalhos. Já temos tantas “notas” para escrever no papel que não sobra tempo psíquico ou físico para tal. Mais recentemente estive muito interessado na obra do Villa-Lobos e do Claus Ogerman que, para mim, são jazzistas de grande ousadia com “papel-lápis-orquestra” nas mãos. Mas o Bill Evans ou o J. J. Johnson, por exemplo, sempre são ouvidos com seriedade, mesmo no meio das muitas notinhas que preciso escrever, ou das apresentações que tenho que organizar gerando o trabalho (a música propriamente dita) para o dia a dia.

Permitam-me um comentário: para nós músicos, ouvir música a partir de um momento da trajetória, torna-se algo interno, não necessitando do instrumento musical, ou dos CDs, DVDs, LPs etc. O som está dentro de cada um e, em algum momento, todos descobriremos isso. Não me entendam de maneira incorreta! Não estou dizendo que não haverá algo “difrente” para se ouvir! Mas vejam, desde que o som é encerrado dentro das 12 notas do sistema temperado, ao menos no ocidente, as combinações estão “aí”... Sim! Digo: “aí”, dentro de cada um! Busquemo-las! O outro pólo é a habilidade que cada um traz em seu instrumento. Assim, podemos dizer: cada um tem ‘algo’ e todos têm o ‘todo’.

Tenho prestado atenção, quando é possível na qualidade de lazer musical, no bandolinista Hamilton de Holanda. Um “caso sério” brasileiro. Atenção!

Temos o Idriss [Boudrioua] e o Dário [Galante](tão amados pelos “cejubianos”) que preferiram o nosso País para desenvolverem sua história de vida, o Jessé [Sadoc], o Vander Nascimento, o Joatan Nascimento, o Daniel Garcia, o Marcelo Martins, o Mauro Senise, o Carlos Watkins, o Eduardo Pinheiro e o Pedro Paulo (este, do antigo grupo "Meireles e os copa 5" de 1964, e que também atuou comigo na "VSO"), o Luiz Avellar, o Marcos Amorim, o Paulo Russo, o Rodrigo Villa, o Márcio Bahia, o Ricardo Silveira, o Teco Cardoso, o Nelson Faria, o David Ganc, o Osmar Milito, o Phillipe Baden Powell, o Cássio Cunha, o Fernando Clark, o Rafael Barata, o Zeca Assumpção e tantos outros, com quem gosto de compartilhar o som...

CJUB: Conte a experiência e as emoções (algum momento marcante ou curioso) da sua primeira viagem ao exterior.

VS: Na minha viagem à Copenhagen, me impressionou a maneira como o 1º sax-alto se apresentou: chegou até mim e disse: “meu nome é Gasper, sou o primeiro sax-alto!”. Precisamos saber que este elemento tem grande responsabilidade numa big band. Considerando que o Gasper na época era um rapaz de 24 anos, com aparência de 19, fiquei surpreso positivamente com a sua firmeza neste momento, confirmada pela sua atuação liderando o respectivo naipe.

CJUB: Quais as possibilidades para o instrumentista brasileiro garantir seu lugar em nosso mercado de trabalho? Que conselho principal você dá a um músico que pretende tornar-se profissional?

VS: Este aspecto é muito subjetivo. Creio que a melhor maneira de garantir uma posição profissional foi escrita, para nosso ensino, há aproximadamente 3000 anos: “Vês a um homem perito na sua obra? Perante reis será posto; não entre a plebe.” (Provérbios de Salomão, capítulo 22 verso 29 – Bíblia Sagrada). Assim, estudemos e estudemos; dediquemos-nos!

CJUB: O que pensa do estágio atual da música instrumental no Brasil? Há receptividade por parte das gravadoras e do público em geral?

VS: Esta questão, no meu entendimento, é sempre cíclica. Em todas as épocas, acredito, “tivemos” os tais “altos-e-baixos”.
A música tem seu livre curso a despeito do “sistema comercial” que se estabeleceu e que tenta formatá-la. Na minha visão, o que interessa não é o que o tal sistema apresenta como sendo o grande acontecimento momentâneo: “O sistema sempre está buscando uma fonte de renda X, a música está sempre livre desta necessidade”. “O curioso da música busca a moda X, o pesquisador da música busca a realidade sonora”. São questões antagônicas.
O público não investigador seja da área que for, sempre fica à mercê do “sistema da aparência”. Não tem culpa direta, mas fortalece o “sistema” e continua a ignorar a verdadeira abordagem musical que, no caso, é o assunto agora nos detém.

CJUB: O que pensa do estágio atual do jazz no exterior, e no Brasil, em particular?

VS: Creio que o jazz, especificamente, desfruta do desprendimento da natureza da música, ao qual me refiro acima. Não está atado aos ditames do mercado.
Diria: será que temos a dimensão da quantidade de músicos competentes que estão longe de ter seus nomes envolvidos em nossa relação? Creio que não! Também creio que todos aqueles que pudemos conhecer até então, e todos aqueles que vierem a entrar na nossa relação futura, assim deve ser, como tem sido, e devemos descansar no fato desta realidade. Concluo: os jazzistas (músicos ou não) estão aí, e sempre encontraremos um aqui outro ali. Uns mais fluentes, outros mais pensativos etc.

CJUB: Quais seus próximos projetos?

VS: Neste ano (2006) escrevi um concerto sinfônico para o Hamilton de Holanda, no qual o bandolinista solista interage com a orquestra entre as linhas escritas e a improvisação e, se for possível, registraremos esta obra ainda este ano.
Também devo gravar um CD contendo 7 temas standards, do cancioneiro internacional.
Com esses dois projetos e mais os 2 CDs lançados neste ano, já muito trabalho pessoal está realizado, mesclado com minha participação em outros projetos.

CJUB: Qual de suas obras musicais (composição, interpretação, apresentação ou projeto, em show ou CD) ainda o emociona particularmente, hoje?

VS: Por vivência e aprendizado, tenho procurado me relacionar com as realizações como quem “não olha par trás”. Creio que todo o material realizado até aqui seja respaldo inerente para o prosseguimento.
Entretanto, fica aqui um registro acontecido no dia 31 de Agosto de 1999, exatamente no dia em completavam-se 15 anos da estréia da “Orquestra de Vittor Santos”: quando minha filha, aos 7 anos de idade, ouviu a “Vittor Santos Orquestra” no bar “Palpite Feliz”, em Vila Isabel, interpretando minha composição de título “Vitória”, foi profundamente tocada na emoção. Quando olhei nos seus olhos e entendi sua sensibilidade despertada, a sua alegria me contagiou sobremaneira.

CJUB: Fale livremente sobre qualquer aspecto de sua obra/carreira não abordado nas perguntas acima que julgue interessante reportar ou divulgar.

VS: Meu agradecimento por este espaço para minhas elucubrações; meu agradecimento pelo carinho dos cejubianos e do público em geral; meu agradecimento à algumas pessoas que contribuiram para meu avanço musical, seja artisticamente, seja profissionalmente: Ian Guest, Luiz Gama Filho, "seu" Betinho, Leonardo Bruno, Rildo Hora e Marinho Mesquita; meu agradecimento Ao Único que poderia possibilitar esta e outras histórias de vida, algumas delas que virão para este mesmo espaço, tão logo! Aleluia!!! Muito obrigado!

Aleluia, Maestro Vittor. Nós é que agradecemos.

Foto: Gal Oppido

27 julho 2006

26 julho 2006

DIANA KRALL'S PHOTO BLUES

Diana Krall pede desculpas pelos covers sensuais.

Ela quer ser reconhecida por mais do que simplesmente as sensuais capas de seus discos, que a transformaram na "poster girl" do mundo do jazz.

A cantora e pianista de 41 anos, ficou preocupada que suas fotos tiravam sua credibilidade, mas agora ela se recusa a sentir-se culpada sobre ser, ao mesmo tempo, atrativa e talentosa.

Ela declarou, "Minhas gravações vendem sempre. Minhas apresentações estão sempre lotadas. Eu acho que mereço mais crédito por isso. Eu não estou dizendo que as fotos não ajudam. Pelo fato de existir uma garota bonita e bem vestida, eu acho que isso não vai mudar a mente dos que gostam ou não da minha música."

"Eu tenho que me desculpar pelas capas dos discos. Eu não vou mais fazer coisas assim. Esqueçam essa fase."

Mas que coisa! Porque? Achamos que voce deveria continuar a fazer as capas como sempre fez. Ora se você não é talentosa, quem somos nós para julgar - talentosa em todos os aspectos!
Continue assim Mrs. Krall, afinal sua música é ótima!

Assista o vídeo e confira: clique aqui.

B R I N C A D E I R A.....Só pode ser

Último dia 25 no Teatro Municipal, Rio: Prêmio Tim De Música. A grande vencedora da quarta edição foi Maria Bethânia (melhor cantora de MPB, melhor disco de MPB ("Que Falta Você Me Faz") e melhor DVD ("Tempo, Tempo, Tempo"). O prêmio de melhor cantor de MPB foi para Ney Matogrosso, assim como o Barbatuques para o melhor grupo. A melhor dupla, Elba Ramalho e Dominginhos, assim como Alceu Valença. Juro que, quando li a notícia, achei que era gozação. Mas foi à vera mesmo. Coincidência ou não, não tenho um CD sequer desses agraciados. O tal "Prêmio Tim" na minha opinião está cabeça à cabeça com o "Troféu Imprensa" na TV brasileira, via o "imortal" Silvio Santos. Ou não??

MARCOS VALLE COM JETSAMBA LEVA PRÊMIO TIM DE MÚSICA INSTRUMENTAL

Já que falamos de Jazz e Bossa, nunca é demais lembrar que Marcos Valle, brilhante compositor, pianista e importante nome da segunda geração da Bossa Nova, e que graças ao interesse do jovem público europeu voltou a gravar, ganhou ontem o Prêmio TIM na categoria Música Instrumental com o álbum JETSAMBA.

Os músicos que o acompanham são os seguintes:

Baixo: Alberto Continentino
Bateria: Renato ''Massa'' Calmon
Percussão: Armando Marçal
Trompete e Flugelhorn: Jessé Sadoc
Sax e Flauta: Renato Franco
Trombone: Aldivas Ayres
Cello: Jaques Morelembaum em La Petit Valse

Os temas do álbum seguem abaixo:

1. Selva de Pedra
2. Jet-Samba
3. Bar Inglês
4. Campina Grande
5. Adams Hotel
6. Brasil/ México
7. Catedral
8. Vem
9. Previsão do Tempo
10. Posto 9
11. Esperando o Messias
12. La Petite Valse

Tenho a satisfação de postar esta notícia no Blog, pois sou um fã do Marcos Valle, e desde já irei sugerir aos meus filhos que reservem um exemplar do album como meu presente de Dia dos pais.

Abraços,

Beto Kessel

25 julho 2006

A VIÚVA ALEGRE

Oitava mulher de Artie Shaw leva metade de sua herança.

Evelyn Keynes foi premiada com US$1,5 milhão, pela decisão de um juri da California, equivalente a metade de sua fortuna.

Ela foi artista do filme "O Vento Levou" de 1939 e foi a última das oito mulheres que foram casadas com Artie Shaw.

Shaw, que morreu em 2004, também foi casado com as atrizes Lana Turner e Ava Gardner.

O advogado de Keynes disse que antes de sua cliente separar-se de Shaw ambos haviam assinado um contrato, prometendo a cada um metade de suas posses.

PIANO DUO: JUNTOS MAIS UMA VEZ, BILL CHARLAP & RENEE ROSNES


Vão juntar-se num mesmo palco, para uma performance em duo de pianos (ideia que o CJUB persegue mas ainda não teve a possibilidade de ver realizada), no Litchfield Jazz Festival, na cidade de Goshem, Connecticut, os pianistas Bill Charlap e Renee Rosnes. Donos de seguras carreiras no panorama jazzístico norte-americano, terão a oportunidade de estrelar essa modalidade de apresentação, inédita nos onze anos em que o festival acontece.
O repertório será proveniente dos discos mais recentes de ambos, Stardust no caso de Charlap e A Time For Love, da safra recente de Rosnes. Ambos esperam poder transformar sua apresentação em duo de pianos - já que esta não ocorre pela primeira vez com eles - num disco, no futuro próximo.

24 julho 2006

RADIOLA by Guzz

Dando continuidade ao trabalho do MauNah em popular a radiola, apresento uma lista de temas que nunca foram lançados comercialmente, transmitidos através de broadcast e rádio, principalmente América e Europa.
Alguns temas não tenho a ficha técnica, mas as gravações são de boa qualidade e a fonte é uma benção do mundo globalizado.

Em resumo, segue o que vamos ouvir nesta semana.

Oscar Peterson, DAAHOOD
Oscar Peterson Trio com Ray Brown no contrabaixo e Ed Thigpen na bateria Gravado no festival de Newport em 3 de Julho de 1959. Tempo bom esse !

Jim Hall Quartet, BEMSHA SWING
Jazzclub Montmartre, Copenhagen em 25 de junho de 1991 Jim Hall com Larry Goldings ao piano, Steve LaSpina no contrabaixo e Terry Clarke na bateria. Um Jim Hall bem a vontade.

Lars Danielson Trio, EDEN
Contrabaixista europeu. Sua música segue a linha do Esbjorn Svensson incorporando a fusão de várias frentes. Aqui uma interpretação com solo de cello e muito improviso. Com certeza haverá controvérsias sobre sua música e fica aqui o registro no Rolf Liebermann-Studio, Alemanha, em 23 de março de 2006. Acompanhado por Leszek Mozdzer no piano e Xavier Desandre Navarre na bateria e percussão.

Brad Mehldau & Larry Grenadier Duo, LONDON BLUES
Alemanha, 19 de abril de 1999. Um Mehldau diferente, em duo e muito espontâneo, ousado.

Ray Brown Trio, FLY ME TO THE MOON
Acompanhado por Monty Alexander no piano e Russell Malone na guitarra. Aqui Russel Malone mostra serviço. Sua guitarra aqui soa verdadeira, na ritmica e no improviso. Fiquei com péssima impressão dele nas 2 apresentaçoes aqui no RJ, a última no último Tim Festival. Apresentação no Linköping Jazz Festival, Suécia em 31 de março de 2001

Norah Jones, I CAN´T GET STARTED
Essa é meio ousada ... mas aqui Norah Jones está em apresentação solo no programa de Marian McParland na NPR Radio em 14 de janeiro de 2003.

Michael Brecker & MacLaughlin, SLINGS & ARROWS
Uma união pouco vista - Brecker & McLaughlin em apresentação no festival de Monte Carlo, França em 2001. Acompanhados por Joey Calderazzo no piano, Chris Minh Doky ao contrabaixo e Jeff Watts na bateria.

Joe Henderson & Danish Radio Big Band, BEATRICE
Essa big band é de arrepiar e aqui o convidado é Joe Henderson em uma apresentação no Copenhagen Jazz Festival em 22 de janeiro de 1995.

Pat Martino, CATCH
Apresentação na Alemanha em 04 de julho de 1996, trazendo como convidado um outro excelente guitarrista chamado Michael Sagmeister, acompanhados por Steve Brescone no contrabaixo, James Ridl no piano e Scott Robinson na bateria.

Pharoah Sanders, MY FAVORITE THINGS
De uma compilação de concertos raros de Pharoah Sanders, fica o registro aqui, particularmente, da mais incendiária, densa e envolvente versão de My Favorite Things, de John Coltrane. Nesta versão, em 15 de março de 2001 em Oakland, California, Pharoah desenvolve 35 minutos de muita energia, bem ao seu estilo e não tenho a ficha técnica dos músicos que o acompanham.
De quem é o vocal ?! Pra mim é dele mesmo ...


Boa viagem !

21 julho 2006

FROM PARIS, MESTRE LOC: RAVI, SOLAL, DOUGLAS


Artistas plásticos costumam dizer que "mais vale uma boa cópia do que um mau original". Tendo a concordar com eles. Isso me conforta, com a mania que tenho de copiar o que presta, e assim segue a coluna de hoje do Mestre LOC no JB, direto da atmosfera parisiense, por onde andou de férias. Quem já teve chance de ouvir jazz em Paris - combinação simplesmente diabólica - vai entrar no clima a que ele se refere ali.

17 julho 2006

POLÍCIA NO JAZZ

Wynton Marsalis foi vítima de um trambiqueiro de New Jersey, que acabou sendo pego e sentenciado a 35 meses de cadeia, nesta semana.

John Bailey arrecadou dinheiro de Marsalis e de seu agente Ed Arremdell como parte de um plano de investimento que consistia em comprar e reformar casas em um bairro pobre e em seguida vende-las com lucro.

Os promotores do caso descreveram Bailey, de 40 anos, como um contumaz trambiqueiro. Eles descobriram que parte do dinheiro foi gasto na compra de um Porsche de US$160 mil e em férias de luxo.

A empresa de Marsalis entregou a Bailey perto de US$500 mil e Arrendell perdeu US$42 mil de seu próprio dinheiro.

Arrendell disse que o trambiqueiro era um grande mentiroso, afiançou que Marsalis nunca encontrou Bailey, nem esteve envolvido pessoalmente com nenhuma negociação.

DIÁLOGO COM JALEEL SHAW - ALTO SAX!

Reproduzo aqui recente troca de emails (pelo site YouTube) entre o CJUB e Jaleel Shaw, ótimo sax alto que esteve no Brasil no ano de 2005, junto com a banda de Dave Holland. "Leel" viu o clip abaixo, onde se destaca de camisa branca, no final da apresentação de Branford Marsalis, quando este chamou ao palco diversos "metaleiros" da banda de Holland - que só se apresentariam mais tarde - e escreveu para mim. O nosso curto diálogo (até agora), está aí embaixo. O clipe vai no final, e é meio barulhento, admito. Mas estavam todos empolgadíssimos com o convite.

> jaleelshaw wrote:

> hey man, I just saw that you had the branford and friends video.. and I was wondering where you got it? I'm actually the alto player on there... - Jaleel

Nossa resposta para ele:

Nice to hear from you, Jaleel!
I was there, third row and those were magic moments, man, and I am happy I captured those minutes on my cam!
I think you also performed with Dave Holland's Big Band on the next day, I was there too, but did not tape.
I am from Rio, some friends and I have a jazz blog (in portuguese, unfortunately) and someone had another piece, with Robin Eubanks soloing (you appear quickly and I remember having mentioned that, but cannot recall the other musician's names). If you go, post a comment (in english, we all speak it) about who were the other players. We would be delighted. Follow
this link
to DH's big-band video:
Browse around, and feel at home.
An' keep swingin', my man!


Resposta de ontem do craque:

Hey man,
Thanks for the response. I was wondering where you got that video. I actually have a dvd of some of that show as well as the Dave Holland show. Is there a way I can convert that to be on this [YouTube] site?
Also, thanks for the link to the blog, I posted the names of the guys for that gig a minute a go! How is Rio!? I hope I get down there soon. I really enjoyed myself down there! - LEEL


O CJUB NO INFO&ETC DO GLOBO

O colunista Sergio Maggi, especializado na análise de sites e blogs que possam interessar aos leitores do O Globo nos brindou, na edição de hoje, com a indicação do CJUB. Daqui o nosso agradecimento público ao Maggi pela consideração. E com a súbita notoriedade que atingimos, via esse veículo de abrangência editorial formidável, vou tomar a liberdade de publicar, nos comentários a esta nota, algumas das mensagens de incentivo que recebemos por email. E desde já fico à disposição dos missivistas para retirá-las, caso assim o desejem.

15 julho 2006

AS PLAYLISTS DO CJUB

Estamos entrando na quarta semana do "player" prateado e atá agora só eu me interessei em fazer a seleção de temas para acompanhar a leitura. Tenho procurado ser eclético, enfiando ali nos 10 temas uma mistura de coisas "antigas" e novas, e a mistura das duas, temas surrados interpretados por novos intérpretes. Como não fui atacado até o momento - pode ser também por total ineficácia do dispositivo - imagino que pelo menos não estou desagradando.

Confesso que tenho dado uma preferência mais ou menos TOTAL para o que eu gosto de ouvir. Mas isso me causa um misto de prazer e de culpa. O prazer é óbvio. A culpa advém de poder parecer que há alguma "reserva de mercado" no métier.

Então e mais uma vez, gostaria que os demais confrades preparassem e me mandassem suas escolhas, montadas em grupos de 10 temas, por CD ou via Soulseek (Katchanga), mencionando apenas o artista e o nome do tema em .mp3 para que possa preparar a subida delas ao site e assim proporcionar uma gama mais ampla de estilos aos demais confrades e leitores. A troca das listas se dá no domingo à noite - nem todo mundo vê o Fantástico - para estarem no ar na manhã de cada segunda-feira, melhorando o astral do início da semana.

Rapaziada, mãos à obra!

PIZZARELLI EM TRIBUTO A SINATRA

John Pizzarelli cresceu ouvindo Sinatra. Seu pai, Bucky, ardoroso fã não só de Sinatra mas das grandes orquestras, sempre reunia amigos e família animados pelos arranjos de Don Costa, Nelson Riddle e Robert Farnon atentos a banda e orquestra acompanhados do cantor.
Até hoje John recorda seu primeiro encontro ao vivo com a música de Sinatra no Carnegie Hall - foi como voar de primeira classe e o piloto era Sinatra, diz John.

E é chegada a hora de John Pizzarelli fazer o seu tributo ao mestre com o álbum Dear Mr.Sinatra - É uma homenagem às canções que Sinatra cantou de forma tão entusiasmada, como poderíamos esquece-las ?, diz John.

Acompanhado pela Clayton-Hamilton Jazz Orchestra, John Pizzarelli interpreta com arranjos de big band o espírito dos memoráveis anos de Frank Sinatra, bem ao estilo das orquestras de Tommy Dorsey, Harry James e Count Basie. Como a mesma relação que Sinatra tinha com seus arranjadores, Pizzarelli sentiu que era importante deixar este trabalho para os próprios.

O repertório inclui 11 temas, todos apresentados em arranjos que mantiveram a criatividade e energia dos velhos tempos, agora com a guitarra de John Pizzarelli e seus solos bem construídos. Seu vocal aliado ao instrumento foi um ponto alto nestas sessões de gravação, sobrando muito improviso também para John Clayton, Jeff Hamilton, o sax tenor de Rickey Woodard, o piano de Tamir Hendelman e Bucky, o pai.

Os temas :
Ring-A-Ding Ding - You Make Me Feel So Young - How About You? - If I Had You ; Witchcraft - I've Got You Under My Skin - Nice 'n' Easy - Medley: I See Your Face Before Me/In the Wee Small Hours of the Morning - Can't We Be Friends? - Yes Sir, That's My Baby - Last Dance.

Gravaram nesta sessão :
John Pizzarelli: guitars, vocals;
The Clayton-Hamilton Jazz Orchestra composta por :
John Clayton: condutor, contraixo;
Jeff Hamilton: bateria;
Jeff Clayton, Keith Fiddmont: sax alto, clarinete;
Rickey Woodard, Charles Owens: sax tenor, clarinete;
Lee Callet: sax baritono, clarinete;
Bijon Watson, Sal Cracchiolo, Gilbert Castellanos, Bobby Rodriguez, James Ford: trompetes;
Ira Nepus, George Bohanon, Ryan Porter: trombone;
Robbie Hioki, Maurice Spears: trombone;
Tamir Hendelman: piano;
Christoph Luty: baixo;
Bucky Pizzarelli: guitarra.

12 julho 2006

"IN A MELLOW TONE", POR GEORGE DUKE:
SÓ PARA ANGLOPARLANTES, SORRY!


Melody is important! Having tremendous technical ability and knowing when and when not to use it is one of the most important aspects of a mature musician. A simple but eloquently stated melody will stand the test of time! I brought together a group of musicians that understands this, but certainly can “bring it” when necessary! The central idea for this album was to perform traditional standards along with new songs which fit within that framework. I wanted the vibe to be soulful and cool without losing character or depth. The driving force is the rhythm section with all the improvisation and attitude that only great jazz players can bring to a song. Bassist Brian Bromberg not only has phenomenal technique, but also knows how to make a melody bend to his will. Terri Lyne Carrington is an awesome drummer! It’s obvious she’s listening as she compliments what Brian and I are doing while adding just the right punctuation marks and colors. Percussion, sax and trumpet were used on some songs, but the core of the album is built around the musical personalities of Brian, Terri and myself. They are both incredible spontaneous composers and arrangers. --- As for the songs, here’s what’s up:
1. In A Mellow Tone A Duke Ellington classic rearranged a bit. I love the lyric! It’s a simple message simply stated - more people should heed the advice. I dusted off my Rhodes for this one and Terri gets the chance to work the brushes for at least part of the tune. Quincy Jones used to tell me that all songs need a little grease. I put a little in there to help thicken up the sauce, using horns for spice.
2. For All We Know I decided to approach this tune in a kind of jazz/hiphop swing groove. I sing the melody and then let it flow on the piano. This turned out to be the hardest song for me to sing because it was the last vocal recorded and my voice was getting tired. However, in the end it’s turned out to be one of my favorites because my voice sounded huskier than normal.
3. Never Will I Marry I first heard on a Cannonball Adderley album featuring Nancy Wilson. I always loved the tune because the melody swings quite deliciously. After I cruise on the piano, Brian cuts loose a great solo followed by Terri Lyne - and Munyungo adds just the right ear candy.
4. Spring Is Here A Richard Rodgers classic from the musical comedy “I Married An Angel.” I always loved the tune because it was simple enough to allow for augmentation, and interesting enough to make a great vehicle for improvisation. Once again I call on the Rhodes for exploration. I play a little vibes in the background and Ray Fuller on guitar adds what only Ray can – that’s why we call him “the weeper.”
5. Sweet Baby This performance is solo piano and voice. It gave me the opportunity to sing the lyric in a more relaxed, rubato casual setting. It is a uniquely personal song which I think benefits from a personal treatment.
6. Down The Road This tune allows Terri to explore the brushes for the entire song which feels almost like a jam. The horns chime in from time to time and I play “grease” Rhodes, even scatting a little. The subject matter is life on the road.
7. So Many Stars This is a beautiful song written by my good friend Sergio Mendes. I first played the song with Sarah Vaughn and instantly fell in love with it. Airto brings his essence to the tune allowing the song to breathe naturally. Likewise, Mike Miller’s acoustic guitar reminds me of an afternoon on Ipanema Beach in Brazil. This is a great example of a well constructed song, one doesn’t need to do anything but simply state the obvious – the melody!
8. So I'll Pretend A situation song. It has been recorded before by the incredible Dianne Reeves on an older album of mine. So I realize that it's presumptuous of me to attempt to re-sing it here, but in the end the fact that I wrote the song gives me a unique perspective on the lyric.
9. Quiet Fire It's exactly what it says. It’s a bang-she-bop-she-boom, boom, boom, splash d-chaing-swish badang.
10. Just Because This one's a real slow classic style jazz ballad much like the ballads on Miles Davis' album “Kind Of Blue.” I love those kind of tunes with a lot of space that you can practically drive a truck through - oh yeah!
11. I Loves You Porgy Written by George & Ira Gershwin, "I Loves You Porgy" is one of the most beautiful songs ever written. For me the song has always conveyed a since of personal loss and longing, so I chose to give you the melody by solo piano.
Now sit back and relax, read a book or grab a snack, Turn it up or turn it down, take a nap or move around, It’s your cake so bake it the way you want to, In either case, just let the vibes flow through!.
Peace,
George.

PS. CD lançado em 27 de junho pela Bizarre Planet.

11 julho 2006

SAXOFONISTA JOE HENDERSON VOLTA EM OBRA-PRIMA DOS ANOS 90

(Transcrição do texto de Carlos Calado na Folha de São Paulo em 07/07/2006.)


O tempo é a prova definitiva para se avaliar um clássico. Fora de catálogo há pelo menos dez anos, um best-seller do jazz da década de 90 retorna ao mercado brasileiro. Apenas por ter consagrado a arte do saxofonista Joe Henderson (1937-2001), o álbum Lush Life - The Music of Billy Strayhorn já mereceria um destaque na história desse gênero, mas ouvi-lo de novo hoje confirma a primeira impressão. Trata-se de uma obra-prima.
Lançado originalmente em 1992, esse álbum serviu de veículo para um merecido e tardio reconhecimento: conduziu Henderson, aos 55 anos, pela primeira vez ao topo da parada de jazz da Billboard. Até então, o nome desse original músico norte-americano só circulava entre os críticos e alguns aficionados que cultuavam suas gravações, muitas delas lançadas por selos alternativos.

O marketing da gravadora Verve contribuiu, naquela época, para apresentar a um público mais amplo um jazzista maduro cujo estilo não devia nada ao de John Coltrane, maior influência entre os saxofonistas desde o final dos anos 50. Por coincidência ou não, o CD Lush Life rendeu até um Grammy para Henderson. Sem falar na prestigiosa revista Downbeat que também fez justiça tardia ao saxofonista, conferindo-lhe os prêmios de melhor álbum e melhor músico de jazz de 1992.

O álbum de Henderson também teve o mérito de lançar um novo olhar sobre a obra de Billy Strayhorn (1915-1967), o autor de todas as faixas. A excessiva timidez deste brilhante compositor e arranjador norte-americano contribuiu para que ele ocupasse uma posição secundária na orquestra de Duke Ellington, com o qual manteve uma longa parceria.
Nas gravações, Henderson teve a seu lado um grupo de ótimos músicos, bem mais jovens que ele: o pianista Stephen Scott, o contrabaixista Christian McBride e o baterista Greg Hutchinson, além do então já badalado trompetista Wynton Marsalis.
Eles se revezam, formando duos, trios, quartetos e quintetos com o líder, uma receita instrumental que enriquece as dez faixas com muita variedade sonora. Isfahan, tema de abertura do disco, já chama a atenção pela elegância do saxofonista, em um duo bem intimista com o baixo acústico de McBride.
Henderson era um jazzista de tendência mais temática, que costumava construir seus improvisos dentro das estruturas harmônicas das composições. Neles, introduzia com freqüência frases e fragmentos melódicos que soavam como marcas registradas. Esse estilo personalíssimo era descrito pelo próprio músico com o auxílio de uma metáfora literária. "Quando toco, me vejo como um escritor: alguém que associa palavras, criando imagens com as notas. Tento contar uma história com elas", disse ele à Folha, em 1993, pouco antes de vir ao Brasil para um tributo a Tom Jobim, no Free Jazz.
Henderson esbanja sensualidade e controle do sax tenor, na suave balada Blood Count, muito bem acompanhado pelas intervenções do piano de Scott. Dá um show de suingue no saboroso calipso Rain Check, impulsionado pelos tambores e pratos de Hutchinson. O baterista também se destaca numa longa versão de Take the "A" Train, a mais popular composição de Strayhorn, que se tornou tema oficial da Duke Ellington Orchestra. Duas performances de tirar o fôlego.
Interpretada em andamento bem lento, a romântica balada A Flower Is a Lovesome Thing serve de trilha para langorosos solos de Henderson e Marsalis. E Scott se diverte, no acompanhamento, decalcando frases tipicamente ellingtonianas, como já fizera antes, na sensível Lotus Blossom.
A faixa de encerramento não poderia ser mais bem escolhida. Recriando com muita liberdade e sensibilidade a bela melodia da composição que dá título ao álbum, Henderson imprime nela sua assinatura sonora, como se estivesse tocando em casa, da maneira mais descontraída. Se você gosta de jazz e ainda desconhece esta obra-prima do grande mestre do sax tenor, não perca esta nova chance.

10 julho 2006

UMA HOMENAGEM PORTUGUESA, COM CERTEZA, A CHET BAKER

O grande interesse europeu pelo jazz parece irreversível, até mesmo via Portugal. Exemplo disso é o belíssimo CD da cantora Paula Oliveira com o baixista Bernardo Moreira (“Lisboa Que Adormece”). Agora é a vez do competente trompetista, arranjador e , eventualmente, cantor, Laurent Filipe, numa homenagem a Chet Baker. O CD chama-se “Ode To Chet: Tribute To Chet Baker”, lançado agora em junho pela Som Livre portuguesa. Ao lado de Filipe está um quinteto também formado por músicos “lusitanos” - Nelson Cascais (contrabaixo), Felipe Melo (piano), Alexandre Frazão (bateria), Guto Lucena (sax tenor) e Bruno Santos (Guitarra). O espírito de Chet é revisitado em grande estilo, através de alguns “standards” por ele imortalizados, além de dois temas feitos especialmente para o CD.
Laurent Filipe tem um vasto” curriculum”. Foi o responsável pelos arranjos do CD de estréia de Jacinta (“Tribute to Bessie Smith”) e já tocou ao lado de músicos como Aldo Romano, Maceo Parker e Walter Perkins. Para além do jazz, o seu vasto repertório inclui trabalhos nas áreas da música tradicional, contemporânea e afro-cubana. Tem ainda composto trilhas sonoras para filmes e documentários. Há anos que Laurent presta esse tributo a Chet e ao seu espírito musical, interpretando os seus” standards” favoritos. No CD, os destaques ficam para “My Funny Valentine”, “You Don’t Know What Love Is”, “Days Of Wine And Roses” – aqui em levada de bossa - , “But Not For Me”, “Everything Happens To Me”, “The Touch Of Your Lips” , a melhor faixa, e “Let’s Get Lost”. Os temas do próprio Laurent são “Ode To Chet” e “Chet Baker”.
A magia da voz macia e intimista, tal como seu trompete, por certo deixariam o próprio Chet feliz com a homenagem. O CD é extremamente agradável.

09 julho 2006

BABY JAZZ OU BABY ROCK

A cantora de jazz canadense, Diana Krall e seu marido Elvis Costello estão esperando um bebê, que deverá nascer em dezembro.

Neste mesmo mês, o casal completará o terceiro aniversário de casamento - 6 de dezembro.

O veterano do rock, de 51 anos, juntamente com Allen Toussaint, estão excursionando para a divulgação do seu álbum 'The River In Reverse'.

Diana Krall, com 41 anos, terá seu novo disco lançado em setembro.

FESTIVAIS DE JAZZ NA ITÁLIA EM 2006

Depois de uma breve menção a alguns Festivais de Jazz da França, segue abaixo alguns Festivais do outro país finalista da Copa do Mundo, a Itália, que busca o seu quarto título em Mundiais:

* UMBRIA JAZZ - 07 A 17 DE JULHO DE 2006
Wayne Shorter Quartet, Trio da Paz com Romero Lubambo, Nilson Matta e Duduka da Fonseca

* MONZA JAZZ FESTIVAL - 14 de junho a 16 de julho de 2006
Carla Bley Big Band

Na verdade, mais que lembrar de alguns Festivais, esta foi uma forma de homenagear os dois finalistas do Mundial, associando algo do que se faz em Jazz nos dosi países que hoje somente respiram futebol.

Beto Kessel

08 julho 2006

FESTIVAIS DE JAZZ NA FRANÇA EM 2006

Neste momento, e há poucas horas da final de mais uma Copa do Mundo, na qual a França busca seu segundo título mundial, para se igualar à Argentina e Uruguai, lembramos que não somente de futebol vive o país das idéias.

Lá se respira muito Jazz através dos inúmeros Festivais, cuja breve relação segue abaixo, acompanhada de alguns dos músicos que lá estarão se apresentando:

* ANTIBES - JUAN LE PINS - 12 a 22 de julho de 2006
Keith Jarret Trio
Ahmad Jamal

* JAZZ AT MARSIAC - 31 de julho a 15 de agosto de 2006
Noite de New Orleans com o Septeto de Wynton Marsalis

* NICE JAZZ FESTIVAL - 19 a 26 de julho de 2006
Hank Jones Quartet

* JAZZ A VIENNE - 29 de junho a 13 de julho de 2006
Sonny Rollins, Didier Lockwood entre outros

Bem, é isto aí...

Beto Kessel

07 julho 2006

NOTÍCIAS DE DAVE BRUBECK

como publicado por ROBERT WRIGHT, no TORONTO STAR, na edição de 4 de julho (em tradução livre)

Um jovem e soberbo Brubeck para finalizar o festival

"Não haveria melhor maneira de se oferecer um presente, pelo 20o. aniversário do Toronto Jazz Festival, para uma lotação esgotada no histórico Massey Hall, do que um certo David Warren Brubeck, 85, iconoclasta, artista.

O pianista, que vem encantando multidões no mundo todo há 72 anos, não desapontou, com uma apresentação mágica de duas horas em que misturou harmonias ricas, impressionistas, a abstratos ritmos jazzísticos do século 20.

Largando com "Gone With the Wind," Brubeck logo despachou quaisquer dúvidas sobre se ainda mantinha intactas as suas habilidades, para tocar com acordes incisivos ou liberando uma cascata de arpejos, levantando-se para enfatizar seu próximo movimento, estudando divertidamente seus companheiros de banda durante seus solos, um sorriso na face como se estivesse traindo algum segredo e a cabeça em movimentos afirmativos de aprovação, em meio a risadas joviais.

Para aqueles que se perguntam por que este legendário artista - que sem dúvida poderia viver só dos royalties de "Take Five" e que não precisa provar mais nada - ainda está no palco, apresentando-se nessa idade, a resposta é simples: ele está geneticamente fadado a se apresentar.

Nessa noite, o sax-alto Bobby Militello se distinguiu, mais uma vez, no papel do falecido companheiro de toda a vida de Brubeck, Paul Desmond, enquanto ainda demonstrou mais do que um interesse passageiro pelas inovações (no blues) trazidas por Cannonball Adderley.

Uma balada relativamente convencional seguiu-se, mas o Grande Chefe tinha algumas cartas na manga. Depois de toda uma vida de pensamento não-conformista — quando criança ele evitou, de propósito, aprender a ler música para evitar as estruturas rígidas da música clássica, enganando sua professora/mãe nesse processo; como músico, nos anos 50, defrontou-se contra a indústria racista do entretenimento; como compositor, escreveu uma série de standards do jazz usando ritmos e harmonias atípicos - porque mudaria agora?

Brubeck apresentou a música seguinte com um hilariante prólogo sobre como, depois de uma exaustiva turnê recente que o levou à Europa, de volta à América e de novo à Europa e assim por diante, afirmando que "esses agentes não sabem nem ler um mapa" -e que então havia sido avisado que o agente havia contratado mais outras 15 apresentações. Ele não gostou, mas o agente lhe disse, como consolo que todas as reservas eram na Grã-Bretanha, "um país pequeno". Ainda sem gostar nada daquilo, contou ele que depois de uma gig em Glasgow, na Escócia, ele a a banda tiveram de fazer uma viagenzinha de oito horas, de ônibus, até Liverpool.

Depois de "fazer um esparramo", nas palavras de Brubeck, o promotor arrumou um apartamento em Londres para ele e um serviço de motoristas para levá-lo aos locais dos concertos. Tudo isso teria gerado então o tema "London Flat, London Sharp", de seu récem-lançado album, que ele dedicou ao seu empresário londrino. E então apresentou esse "legítimo" Brubeck, uma composição estimulante e dissonante em 4/4, com uma linha melódica rápida como uma metralhadora, construída em torno de acordes cromáticos descendentes e sequências de 12 depois 16 compassos e assim por diante.

Ele concluiu o set com uma leitura entusiástica de seu número mais famoso, "Take Five" no qual destacou-se seu companheiro de longa data [o baterista] Randy Jones, que fez referencia ao legendário solo de Joe Morello em várias passagens, mantendo, no entanto, bem visíveis suas próprias qualidades.

Uma platéia toda de pé e delirante chamou a banda de volta ao palco, quando tocaram "Take the A Train", de Duke Ellington. E como os gritos e aplausos não paravam, Brubeck voltou sozinho ao palco e fez com que toda a audiência se juntasse a ele cantando a clássica canção de ninar "Lullaby." Ninguém dormiu naquela noite."

MESTRE LOC E SUA COLUNA SALTITANTE NO JB

Depois de ter temido pelo pior por duas longas semanas, até saber que tudo não passava de uma nova modalidade do relançado jogo de "Caça ao Tesouro", só que sem o velho e desbotado mapa com as indicações, finalmente encontrei a coluna do Mestre Luiz Orlando, que já foi às quintas, às segundas e agora - parece que - vai se fixar às sextas-feiras, no mesmo (ufa!) caderno B do Jornal do Brasil. Se não resolverem escamoteá-la(o) mais alguma vez dentro dessa modernização ao mesmo tempo boa, já que o tamanho ficou confortável para a leitura, e péssima, pois tanto a disposição dos artigos e colunas ainda não sossegou quanto o encadernamento é caótico o o que eram antigamente os cadernos, o "B", os "Classificados", o "Esporte", etc, estão todos misturados num emaranhado que leva desagradáveis cinco minutos para organizar e poder dividir com a família. Mas como aqui se fala é de jazz, bossa e coisas a isso relacionadas, vamos em frente.

Uma vez recuperada ou reencontrada a fonte sempre fresca e amena de informação vertida pelo nosso LOC, básica como a água - ou o uísque ou a cervejinha ou a Coca-Cola (essa é para você, Manim) - nossa de cada dia, deparei-me com um inusitado artigo sobre o fagote, instrumento tão pouco comum no jazz. E aí entra a classe insofismável do articulista. É um primor de informação, vazada em língua inteligente e inteligível, capaz de gerar interesse até em um artigo sobre os esquecidos e obscuros fagotes. Coisa realmente de Mestre.

Cliquem e leiam.

Et ave, Magister!

Abraços.

05 julho 2006

JAZZ EM VÍDEO - ISTO É BE-BOP (CJUB DREAM NIGHT)



Be-Bop (Dizzy Gillespie)

CJUB DREAM NIGHT

Jesse Sadoc (t); Daniel Garcia (ts); Idriss Boudrioua (as); Dario Galante (p); Paulo Russo (b); Rafael Barata (d).

Sem dúvida um dos momentos mais arrojados de nossos concertos. Um primor.

04 julho 2006

CARLOS MONTES E TRIO

Carlos Montes já foi apresentado aqui no CJUB.
Conhecido como o Mel Tormé brasileiro, ele estará se apresentado na próxima quarta-feira, 5 de julho, no Espaço Cultural Maurice Valansi acompanhado por Nelson Amorim no piano, Renato Amorim no contrabaixo e Marcos Amorim na guitarra.

No repertório, D.C. Farewell do saxofonista Richie Cole, criada por Mark Murphy; Broadway do sensacional disco de Mel Tormé Songs of New York; One At A Time de Michel Legrand e muita bossa e balada.

O local é na Rua Martins Ferreira, 48 - Botafogo, RJ
O telefone é (21)2527-4044
O horário é a partir das 20hs.

03 julho 2006

JAZZ EM VÍDEO - WAYNE SHORTER, HERBIE HANCOCK, STANLEY CLARKE, OMAR HAKIM - "FOOTPRINTS", 1991



Da época em que Shorter ainda improvisava - e muitíssimo bem (hoje em dia, prefere enganar a tocar, com seu quarteto mais do que overrated). Seção rítmica impecável, claro. Excepcional versão da batida, mas sempre linda "Footprints". Saquem as citações de Wayne no final.

02 julho 2006

NÃO É JAZZ: EU SEI, EU SEI...

Vão me chamar de louco, de maluco, talvez digam "ih, o cara...!", ou "coitado, ficou assim depois do jogo com França..., tsk tsk", e etc...

Mas se esta menina de 11 anos - que Deus a possa direcionar para o jazz - chamada Bianca Ryan, não deixá-los chapados com a sua extensão e inflexões, afinação e mudanças de andamento, se ela não deixá-los boquiabertos, estou mesmo maluco e vou procurar auxílio adequado.

Relevem o programa de auditório, toda a cafonice em torno do lance e dela mesma, em suma, os 15 segundos iniciais e finais do clip. Fixem-se apenas na voz da guria.

E deixem-se sonhar com essa criatura, daqui a uns 10 anos, diante da Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar iluminado ao fundo, no Festival de Jazz da Cidade do Rio de Janeiro, cantando algumas daquelas músicas que as grandes damas do jazz já entronizaram. Se rolar, depois disso poderemos morrer em paz.

Abraços.

01 julho 2006

BÚZIOS JAZZ & BLUES FESTIVAL

Saiu a programação do Búzios Jazz & Blues, festival realizado anualmente no balneário de Buzios, região dos lagos do Rio de Janeiro.

Nesta edição participam o guitarrista Eric Gales, o saxofonista Blas Rivera, o pianista Bobby Lyle, Azymuth, Marcos Valle, Big Joe Manfra, Funk Como Le Gusta, Bossacucanova, Memphis La Blusera e Garrafieira.

Pois é, para os mais tradicionalistas o festival não traz nada do puro jazz mas apresenta boas opções para diversão.

Na seara do Blues, Eric Gales é um guitarrista de mão cheia. Canhoto, tem uma pegada forte e vocal bastante expressivo. Um dia eleito pela revista Guitar World como revelação do ano, isso em 1991, e arrendou fãs como Santana, Keith Richards, BB King e Eric Clapton. Deve agradar ao amantes do gênero, como fez Kenny Brown que, desconhecido, surpreendeu a platéia há 4 anos. Nesse estava lá e gostei muito.
Outro nome do Blues no festival é Big Joe Manfra, sempre presente nos festivais da região.
Indo para o instrumental, teremos o saxofonista argentino Blas Rivera (que já se apresentou em concerto produzido pelo CJUB em que se uniu o jazz ao tango), nosso brazuca trio Azymuth, que dispensa comentários e o pianista Bobby Lyle, que chega acompanhado da prata da casa, ao lado de Alberto Continentino no baixo, Allen Pontes na bateria e ainda a participação especial do saxofonista Leo Gandelman.
Na festa popular, a leitura da bossa sampleada com o Bossacucanova, a mistura indefinida de samba-pagode-jazz-bossa-baião-eletronica (??) das bandas Garrafieira e Funk Como Le Gusta.

Em sua nona edição, o festival acontecerá entre os dias 26 e 29 de julho e os shows serão realizados no Pátio Havana, na creperia Chez Michou e na Praça Santos Dumont, sendo que nestes 2 últimos os shows são gratuitos e ao ar livre, e no Pátio Havana a reserva deve ser feita com antecedência pelo telefone (22) 2623-2169.

A programação:

26 de julho, quarta-feira
Pátio Havana, 22hs, Blas Rivera
Chez Michou, meia-noite, Garrafieira

27 de julho, quinta-feira
Praça Santos Dumont, 20hs, Marcos Valle

Pátio Havana, 22hs, Azimuth
Chez Michou, meia-noite, Big Joe Manfra

28 de julho, sexta-feira
Praça Santos Dumont, 20hs, Memphis La Blusera
Pátio Havana, 22hs, Bobby Lyle
Chez Michou, meia-noite, Bossacucanova


29 de julho, sábado
Praça Santos Dumont, 20hs, Funk como Le Gusta
Pátio Havana, 22hs, Memphis La Blusera

Chez Michou, meia-noite, Eric Gales

O 9º Búzios Jazz & Blues conta com o patrocínio da TIM.
Realização do grupo Chez Michou