Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

31 dezembro 2005

AOS CONFRADES & AMIGOS, MÚSICOS E LEITORES

O CJUB deseja a todos que o ano de 2006 lhes seja amplamente sorridente, repleto de saúde e felicidades. E muito bem adoçado pela audição de coisas além da imaginação (descobertas, provavelmente, nos porões da Biblioteca do Congresso norte-americano em perfeito estado, é claro! - que no nosso não há nada interessante mesmo, sai fora!, pé-de-pato, mangalô, toc-toc-toc), de forma que o bem estar que nos proporcionem nos faça chegar cada vez mais próximos da realização dos nossos mais reprisados sonhos.



Resumindo, um ESTUPENDO ano de 2006 pra vocês!

28 dezembro 2005

A GRANDE E RETUMBANTE ENTREVISTA DE MINGUS EM 1960

Passeando pelo site da Down Beat, deparei-me com o curioso teste às cegas a que foi submetido, pela segunda vez, o baixista e ícone do jazz Charlie Mingus. O teste e as declarações subjacentes fizeram bastante marola à época, em vista da língua reconhecidamente ferina de Mingus. Pelo tamanho do material, o teste foi publicado em duas edições consecutivas da DB. Aqui, segue na íntegra. A tradução e a adaptação foram livres.


Blindfold Test: Charlie Mingus
por Leonard Feather — Revista DOWN BEAT de 28 de abril de 1960


Quase cinco anos se passaram desde o último "Teste às Cegas" de Charlie Mingus. Nesse ínterim, ele cresceu tremendamente em termos de estatura musical. Há cinco anos ele estava atormentado por inúmeras frustrações na tentativa de arranjar uma saída para a sua música. Já hoje, embora não se possa dizer que esteja rico ou famoso mundialmente, Mingus é um homem altamente respeitado, por uma legião crescente. Sua música se estabeleceu numa vertente ao mesmo tempo de longo alcance, emocionalmente estimulante e "funk-rooted" (intraduzível, pelo menos para mim, socorro meus Mestres!) .
Mingus, como pessoa, também mudou. Embora permaneça nele um raio latente de raiva desafiadora, muita da qual está refletida na sua música, ele não tem nenhum intuito ou prazer em botar nada ou ninguém para baixo.
Como seria injusto para Mingus e para o leitor se seus comentários fossem editados, o todo foi dividido em duas partes. O segundo segmento inclui um longo comentário sobre Ornette Coleman.

Mingus não recebeu nenhuma informação prévia sobre os discos que foram tocados no teste, listados a seguir:

1. Manny Albam. "Blues For Amy" (de Something New, Something Blue; Columbia). Teo Macero, compositor.
Tira isso... Veja, eu não quero chatear você ou mais alguém. Eu acho que talvez não seja legal que me façam esse teste, porque eu mudei. Nem deixei começar - talvez não seja legal da minha parte. Mas faz mal pra minha úlcera. Talvez eu prefira falar sobre alguma coisa importante - como tudo o que está acontecendo lá no sul.

2. Clifford Brown. "Stockholm Sweetnin’ (de Clifford Brown Memorial; Prestige). Com: Arne Domnerus, sax alto; Art Farmer, Clifford Brown, trompetes; Lars Gullin, sax baritono; Bengt Hallberg, piano; Gunnar Johnson, baixo; Jack Noren, bateria; Quincy Jones, compositor. Gravado em Estocolmo, Suécia, em 1953.
Estou ouvindo um trompetista na frente que parece o Art Farmer. Segundo solo? Não gostei tanto quanto do primeiro. Não que isso seja importante... minha opinião não importa muito. O que é que o Lee Konitz está fazendo num disco com esses caras?... Essa seção rítmica não tem nenhuma pegada. O barítono tem muito sentimento, pode ter sido o Gerry Mulligan?
Não é uma perfomance inspirada, no todo. Não deu para ouvir o segundo trompete tocando nenhuma parte no conjunto; é como se tivessem escrito para um só, e esse cara tivesse entrado no estúdio e eles dissessem, "Por que você não toca uma, cara?"
A música é do Quincy Jones - ele sabe o que funciona, o que ele quer fazer e ele sempre escreve aquilo que ele sabe que vai vender. E o que os caras sabem tocar. Sei que ele faz isso - nós já conversamos sobre isso há uns sete ou oito anos, antes dele fazer sucesso. E ele ficava perguntando por que eu escrevia tão difícil e nunca ninguém tocava, e eu ficava lhe perguntando por que ele escrevia tão simples e todos tocavam.
Bem, eu gosto tanto do Art Farmer - esse sonzinho de ar que ele tira antes das notas - eu gosto dele mesmo que ele esteja fora de moda e não saiba disso. Ele saiu de moda há uns dois anos. Mas vai voltar com alguma coisa - prestem atenção no que ele vai estar fazendo daqui a um ano.
Vou dar cinco [estrelas] pelo Art, se não se opõem - e por Gerry Mulligan, sé é que é ele.

3. George Shearing. "Chelsea Bridge" (de Satin Brass; Capitol). Jimmy Jones, arranjador.
As pessoas achavam que Louis Armstrong estava brincando quando dizia que gostava de Guy Lombardo [famoso big-band-leader canadense, cuja orquestra dedicava-se a tocar canções populares e melosas] . Mas eu acho que ele, sinceramente, gostava de Guy. Isso porque eu também já estou gostando. Alguns "cats" simplesmente deviam tocar como Lombardo e não tentar mais nada. Porque deixam de ser eles se não o fizerem, não é a deles. E acho que isso se aplica a este.
Se é o Gil Evans, me desculpem, mas isso se aplica aqui também. Eu já ouvi algumas coisas que ele fez com o Miles que eram melhores. Normalmente eu gosto do Gil - não sei o que aconteceu aqui. Talvez ele esteja muito cheio de trabalho e tem de se virar com a pressa. Ou talvez essa seja a pior faixa do disco, porque, você sabe, às vezes você faz isso. Essa música é uma coisa que já foi tocada um milhão de vezes - mesmo antes do Duke. Acho que já ouvi o Paul Whiteman usar esses intervalos… Bem, vou dar ao disco cinco estrelas porque o Gil Evans é famoso.

4. Johnny Hodges. "Big Shoe" (de Side By Side; Verve). Hodges, sax alto; Ben Webster, sax tenor; Roy Eldridge, trompete; Lawrence Brown, trombone; Billy Strayhorn, piano; Wendell Marshall, baixo; Jo Jones, bateria. Gravado em 1958.
Pode tirar - eu sei quem é. Alguém está tentando botar uma banda de alunos pra tocar com Hodges e Webster, e eles não estavam pensando em música, exceto o Ben, talvez. Não sei o que o Hodges estava fazendo... é algo novo? E imagino que seja o Lawrence Brown.
Mas não acho que signifique nada, porque não acho que era o Duke tocando. Se fosse, teriam tocado melhor - às vezes é só o que precisa... Vou lhe dizer, eu não estou muito para comentários hoje. Preferia apenas dar as notas e neste, para Ben Webster eu daria cinco estrelas de novo, pois gosto dele. Mas acho que alguém estava a fim de levantar uma grana com uns discos e aí fizeram essa arrumação.
Agora vou lhe dizer como eu sei que não é o Duke ali. Se você ouvir aquele disco dele que saiu agora com o Dizzy, note como o Duke faz os acordes...; tem uma porção de "cats" jovens por aí que poderiam aprender a maneira como ele faz os acordes, como ele faz o acompanhamento. Esse cara nesse disco do Hodges tocou todos os chorus no blues e tocou-os diferentes; ele não criou nada; daí eu sei que o pianista não era o Duke, era alguém ali tentando se virar.

Charlie Mingus #2
2a. parte, publicada em 12 de maio de 1960

"Ninguém disse pra vocês antes que vocês são impostores. Vocês estão aqui porque o jazz dá publicidade, jazz é popular... Vocês gostam de estarem associados a algo assim. Mas isso não faz de vocês conhecedores dessa arte só porque a seguem por aí....Um ceguinho pode ir a uma exposição de Picasso e Kline, não ver as obras e comentar por detrás de seus óculos escuros, "Caramba! São as pinturas mais fantásticas até hoje, são demais"! Vocês também podem. Pelo menos estão de óculos escuros e orelhas entupidas".
Esta é uma das partes mais leves de um discurso solto de Charlie Mingus, feito certa noite no palco do Five Spot, gravado em fita e reproduzido em uma esclarecedora matéria por Dian Dorr-Dorynek no livro The Jazz World, recentemente [então] publicado pela Ballantine Books. Tal dircurso desnuda as longamente acumuladas frustrações de Mingus e dá aos leitores a noção do momento de verdade que muitos jazzistas desejariam ter tido a coragem de expressar.

A intensidade e a integridade básicas de Mingus podem ser vistas também nesta segunda parte de seu teste, por suas reações. Estes comentários também estão gravados e Mingus não obteve nenhuma informação antecipada sobre os discos que lhe seriam mostrados.

Os discos:
1. Lambert-Hendricks-Ross. "Moanin’" (de The Hottest New Group In Jazz; Columbia).
Eu nem sei o que lhe dizer... eu ouvi Sarah Vaughan ontem à noite e ela estava cantando uma música e o trompetista tocou dois acordes e ela ia atrás - mas ela não estava cantando o que ele estava tocando. E isto - bem, acho que ele daria um bom poeta. Um poeta muito melhor. Ele está tentando contar uma história - ele sempre está. E fico feliz que possa.
O conjunto? Acho que eles vão ganhar uma bela nota. Eles vão ganhar grana sempre, mais do que eu na minha vida. (L.F.: Você não acha que esse grupo é diferente?) Diferente de quem? King Pleasure? Eu ouvi alguns garotinhos cantando assim em Chicago. Quando Bird apareceu, eles ficavam do lado das jukebox e faziam letras para as músicas. Não é tão original assim, cara. Há dez anos atrás já tinha gente fazendo isso. Eu lembro de umas estrofes que os moleques fizeram para uma música do Hamp: (cantarola) "Bebop’s taking over, oo-wee; better bop while you’re able, see; open your ears, bop’s been here for years" - alguma coisa assim, e já tem uns 11 ou 12 anos...

2. Sonny Stitt with Oscar Peterson Trio. "Au Privave" (Verve).
Bem , você ouviu aquilo que ele fez no segundo chorus, a desafinada [the bad note] - ele provavelmente deve ter repetido isso várias vezes no disco, e eles limaram. Teve ter havido muitos cortes ou um engenheiro que gostava de torcer os botões pois o som está sempre mudando, parece como se um solista diferente viesse ao microfone. Isso é em stereo? É… É muito ruim. E o pianista - parece que é o sua primeira gravação e a última, aí ele quer botar tudo ali e toca todas as notas que ele pode naquele solo, no estilo do Horace Silver; e até poderia ser Horace, não sei. Talvez ele estivesse muito ansioso nesse dia. Como eu posso saber se eu não ouço mais esses cobras?
Eu botei um disco antigo do Bird outro dia e notei que ninguém ainda está tocando como ele. Eu queria que você me dissesse quem é este cara, só pra minha diversão.
Nota? Bem, vejamos assim. Se eu estivesse numa loja de discos e ouvisse todos os sete discos que você me tocou até agora (incluindo os da primeira parte do teste), eu não compraria nenhum. E eu tou com grana.

3. Mahalia Jackson. "I Going To Live The Life I Sing About In My Song" (de The World’s Greatest Gospel Singer; Columbia).
Estou em fase de comprar discos. Não tenho esse mas acho que sei quem é. E esse eu compraria. Ela está na minha lista. E acho que é disso que as pessoas precisam muito - não apenas da maneira de tocar, mas na maneira de viver.
Quanto a avaliar - talvez se devesse usar um tipo diferente de estrela para esta avaliação, em relação às que vocês usam para outros discos de jazz. Uma estrela em movimento. Bote aí cinco estrelas em movimento.

4. Dizzy Reece. "The Rake" (de Star Bright; Blue Note). Reece, trompete; Hank Mobley, sax tenor; Wynton Kelly, piano; Art Taylor, bateria; Paul Chambers, baixo. Gravado por Rudy van Gelder em 1959.
O baterista parece o Art Blakey, e eu adoro o Art - mas, cara, não acho que a sua máquina [o toca-discos] esteja boa porque tudo está saindo abafado - o tenor, Hank Mobley, parece que ele está tentando tocar como Sonny Rollins. Eu nunca tinha ouvido o Hank tentar tocar assim. Ou então é o jeito como eles gravaram. O Rudy van Gelder faz esse tipo de gravações. Ele tenta mudar os tons da gente. Já o vi fazendo isso; já o vi fazendo isso; já o vi pegando o Thad Jones e da maneira que ele botou os microfones ele mudou todo o som. É por isso que eu nunca vou a ele; ele arruinou o som do meu baixo.
Tenho a impressão de que se é o Art, o trompete pode ter sido o Clifford Brown. Mas não sei quando eles poderiam ter feito um disco desses. Não estou falando do solo, estou falando da sensação do conjunto que sugere ser Clifford Brown.
O baixista por certo estava afinado - isso eu vi desde o início. Estava afinado consigo mesmo. Mas eu nunca vi o Art com um pianista desses - tá meio confuso.
A sensação geral que eu tenho quando ouço música e a aprecio, não consegui ouvir ou obter aqui - mas eu sei que devia estar ali se é o Art tocando. Não vou dizer que não tinha swing pois eu nunca ouvi o Art tocando nenhuma vez em que não houvesse swing; só que neste disco não está passando para mim.
Toca esse solo de trompete de novo... Acho que é o Clifford Brown. Muita gente que não conhece Fats Navarro gostaria de contar com Clifford. Eu percebo a sensação de lamento, esse sentimento de dentro que se nota com Fats. Eu não compraria só pelo fato de ser Clifford; o fato de ser de alguém estar morto não muda nada para mim. Eu também vou morrer.

Considerações finais:

Você não tocou nada aí pelo Ornette Coleman. Mas vou comentar seu trabalho mesmo assim. Olha, eu não me importo se ele não gosta de mim, mas uma certa noite Symphony Sid estava tocando uma porção de coisas e aí ele botou um disco do Ornette para tocar.
Bem, ele é um saxofonista-alto antiquado. Ele não é tão moderno como o Bird [Charlie Parker]. Ele só toca em Dó e Fá e em Sol e Si Maior; ele não toca todas as notas. Basicamente, você pode tocar um Si o tempo todo e terá a ver com o que ele está tocando.
Deixando de lado o fato de que ele sem dúvida pode tocar a escala de Dó em notas simples, notas simples mas agrupadas, dois compassos por vez, na música o fato que resta é que suas notas e linhas são bem frescas. Então quando Symphony Sid botou seu disco, isso fez tudo o mais que ele tocou, inclusive o meu próprio disco que ele tocou, parecer terrível, soar terrível.
Não estou dizendo que todo mundo deverá sair tocando como Coleman. Mas vão ter de parar de copiar o Bird. Ninguém consegue tocar o Bird bem, exceto ele mesmo. Agora, o que ou como estariam tocando Fats Navarro e J.J. se nunca tivessem ouvido o Bird?
Ou mesmo o Dizzy? Estaria tocando como Roy Eldridge? De qualquer maneira, quando eles botaram o disco do Coleman [Ornette], o único disco que poderiam ter posto depois seria o do Bird.
Não importa que nota ele está tocando - ele tem um som percussivo, como um gato sobre uma estante de bongôs. Ele trouxe uma coisa pro jogo - não é nova. Não vou dizer quem começou, mas quem quer que a tenha inventado, o pessoal deixou passar. É como se ninguém tivesse noção do que está em volta, estando ali mesmo no seu mundo. Mas você não consegue botar o dedo no que ele está fazendo.
É como uma organização desorganizada, ou tocar o errado certo. E isso afeta a você emocionalmente. Isso é o que Coleman significa para mim.
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Por favor, caros Mestres, façam os comentários históricos e ilustrativos a respeito, para que possamos entender plenamente o que Mingus deitou por terra naquele momento de grande ebulição no mundo do jazz.

SCOTT LaFARO, NOVO REGISTRO

Scott LaFaro (1936/1961) foi uma turbulência no contrabaixo em sua época, ao lado de Charlie Haden e Charles Mingus. As performances com Bill Evans e Paul Motian durante uma semana no Village Vanguard renderam um álbum ao vivo memorável, com LaFaro inspiradíssimo e arrojado – seus solos ainda são lembrados nota por nota. Tanto Gary Peacock como Eddie Gomez, eventuais substitutos no trio de Bill Evans, são hoje os maiores seguidores da escola LaFaro. Um acidente fatal de carro, em 6 de julho, chocou o mundo do jazz. Morria o fenômeno, aos 25 anos.

LaFaro era um jazzista ávido por novidades. Após um início acadêmico, ao lado de Barney Kessel, Ira Sullivan, Cal Tjader e até Bennie Goodman e Marty Paich, juntou-se ao então moderno piano de Bill Evans. Sua busca pelo “novo” trouxe-lhe a companhia de músicos polêmicos, como Ornette Coleman e Gunther Schüller.
Nove dias após uma curta temporada com Bill Evans no mesmo Vanguard (1960), LaFaro já estava no estúdio para gravar com dois outros promissores jazzistas, experimentados por Coltrane: Steve Kuhn (piano) e Peter LaRoca (bateria). A Polystar Jazz Library, autorizada pelo próprio Kuhn – ele detém os direitos da gravação -, lançou em outubro no Japão em CD o que Kuhn, La Faro e LaRoca gravaram no dia 29 de novembro de 1960 em Nova Iorque (Peter Ind Studio).
São quase 30 minutos em cima de 4 temas. So What (Miles) recebeu duas versões. Little Old Lady (Carmichael), Bohemia After Dark (Oscar Pettiford) e What’s New (Burke/Haggart) completam o set.
Não há a espontaneidade de um LaFaro ao vivo, muito menos o arrojo. Mas o estilo, a concepção e o poder de criatividade estão expostos nitidamente, com destaque inegável ao piano instigante (para o momento) de Kuhn. Para os que, como eu, consideram as sessões do Vanguard um marco na história do jazz, esse novo registro do talento de Scott LaFaro vem em boa hora.

Em tempo: os dois maiores solos de contrabaixo que eu já ouvi são:
1. Scott LaFaro em "My Man's Gone Now" (Sunday At Village Vanguard/1961/ Bill Evans)
2. Art Davis em "Effendi" (Inception/1962/McCoy Tyner)

HÉLIO DELMIRO/PAULO RUSSO/RAFAEL BARATA

Aviso aos navegantes...

2006 vem aí com show e lançamento de album de músicos que tocaram em eventos CJUB.

Dia 02.01.2006 às 20:00 na Modern Sound, tocará o trio formado por Hélio Delmiro na guitarra, Paulo Russo no baixo e Rafael Barata na bateria.

Já Kiko Continentino logo logo terá seu CD Samba Jazz saindo por estas bandas. É esperar...

Beto Kessel

27 dezembro 2005

CENTENÁRIO DE EARL HINES, O PAI DOS PIANISTAS DE JAZZ

José Domingos Raffaelli

Bastante esquecido nos últimos tempos, como parece regra quase geral em se tratando da maioria dos grandes músicos do passado, Earl Kenneth Hines foi um dos mais importantes e influentes pianistas de todos os tempos, deixando marcada indelevelmente sua passagem pelo jazz.

Às vésperas das comemorações do centenário de nascimento de Hines, fazemos um singelo registro da trajetória fulgurante desse gigante do jazz.

Hines foi o precursor do estilo moderno do piano no jazz, antes de Art Tatum e Teddy Wilson, que também muito contribuíram para a renovação da linguagem do instrumento. Moderno, neste caso, não significa que empregasse a técnica e outros elementos relacionados com o jazz moderno, mas, fundamentalmente, representou um gigantesco passo à frente em relação à maior liberdade melódico-harmônica, desenvoltura da improvisação e variedade do fraseado, expandindo consideravelmente os recursos de execução para a interpretação do material temático.

"Hines pode chegar aos 90 anos e nunca será superado" - declarou o pianista e maestro Count Basie, em 1979.

Earl Hines nasceu em 28 de Dezembro de 1905, em Duquesne, Pennsylvania. Seu primeiro instrumento foi o trompete, mas logo passou para o piano, ao qual se dedicaria por toda a vida, modelando artisticamente uma das mais brilhantes e inovadoras carreiras no jazz.

"Fui influenciado por dois pianistas. Jim Feldman, que possuía uma poderosa mão esquerda, e Johnny Watters, uma poderosa mão direita" - assim ele sintetizou suas origens estilísticas em entrevista à revista "Down Beat".

A história de Hines foi tão longa quanto a história do próprio jazz nas sete décadas em que ele foi atuante. Gravou seus primeiros discos muito jovem, acompanhando a cantora Lois Deppe. Foi para Chicago em 1922, então a meca do jazz, onde reinavam os pianistas Jelly Roll Morton e Teddy Weatherford. Tocou com as bandas de Erskine Tate, Jimmie Noone e Carroll Dikerson antes de unir-se a Louis Armstrong, com quem realizaria uma das associações mais influentes e significativas ao gravarem alguns dos discos mais importantes e revolucionários daquele período com o conjunto Hot Seven. Essas gravações abriram caminhos para maior liberdade de improvisação e novas concepções para os solistas, dentre as quais “West End Blues” (uma das mais soberbas e emotivas obras-primas de todos os tempos), "Skip the Gutter", "Tight Like This", "No Papa No", "Squeeze Me", "Two Deuces", "Save It Pretty Mama" e "Weather Bird", este em estupendo dueto com Armstrong. Esses discos foram um marco para a evolução do jazz, ensejando a Armstrong o primeiro passo gigantesco em direção à eternidade artística, que se cristalizaria ao longo de outras notáveis realizações.

Influenciado por Armstrong, segundo os historiadores desenvolveu seu próprio método de execução com a mão direita, fraseando de forma idêntica à do trompetista, que foi denominado trumpet-piano style, negado enfaticamente por ele ao afirmar que tocava daquela maneira antes de conhecer Armstrong.
"Desenvolvi meu estilo nos chamados desafios com outros pianistas, muito comuns na época. Para derrotá-los, tinha que tocar o mais rapidamente possível, por isso meu fraseado lembrava um instrumento de sopro. As inversões de acordes que eu criava na hora intrigava os músicos em geral. Quando comecei a tocar com Armstrong fiquei surpreso com as afinidades das nossas concepções" - contou em entrevista para o crítico Ralph J. Gleason.
Em dezembro de 1928, indo a New York gravar alguns solos de piano, foi contratado para tocar com sua orquestra no clube Grand Terrace, de Chicago. "O curioso é que eu não tinha orquestra, mas assinei contrato assim mesmo, reuni alguns bons músicos, consegui uns 28 ou 30 arranjos e na semana seguinte iniciamos uma temporada que se prolongou por um ano. Foi por acaso que formei minha primeira orquestra e meu nome começou a ser mais conhecido do público".

Devido ao enorme sucesso, a temporada da big band de Hines prolongou-se indefinidamente, tocando 10 anos no Grand Terrace, um recorde invejável. A partir de 1934, suas apresentações eram transmitidas por uma emissora de rádio e seu nome ganhou projeção nas cidades do leste dos Estados Unidos. Nesse longo período um locutor apelidou-o de "Fatha", corruptela de father, simbolizando sua ascendência como pai dos pianistas.

Hines liderou sua orquestra até 1947, revelando inúmeros valores, entre eles o trompetista, violinista e cantor Ray Nance, o trompetista Walter Fuller, os saxofonistas Budd Johnson, Wardell Gray e Scoops Carey, os trombonistas Trummy Young e Bennie Green, os clarinetistas Darnell Howard e Omer Simeon, os cantores Billy Eckstine, Sarah Vaughan, Johnny Hartman, Herb Jeffries, Helen Merrill e Marva Josie, e o compositor-arranjador Jimmy Mundy, entre outros. Também atuaram em suas fileiras Dizzy Gillespie e Charlie Parker, este tocando sax-tenor, em vez do alto, antes de se projetarem como os criadores e grandes arautos do bebop.

Apesar das virtudes da orquestra, somente em 1941 Hines gravou seu primeiro grande sucesso: "Boogie Woogie on Saint Louis Blues", uma interpretação do conhecido blues de W. C. Handy em ritmo de boogie woogie, estilo que estava na crista da onda. Sua popularidade cresceu com a gravação do blues "Jelly Jelly", que deu fama a Billy Eckstine da noite para o dia, "Skylark" e "Stormy Monday Blues". Outros discos marcantes foram "Father Steps In", "Grand Terrace Shuffle", "Number 19", "G. T. Stomp", "Jumped Up the Devil", "You Can Depend On Me", "Second Balcony Jump", "The Earl", "Piano Man" e "Tantalizing A Cuban", um flerte com a música latina no jazz.

Após dissolver a orquestra, Hines voltou a tocar com Louis Armstrong em 1948, que liderava seu célebre conjunto All-Stars, ao lado de astros do quilate de Jack Teagarden (trombone) Barney Bigard (clarinete), Arvell Shaw (baixo) e Sidney Catlett (bateria).

Hines deixou Armstrong e, em 1950, formou um quarteto com Floyd Smith (guitarra), Shaw e Catlett, dissolvido com a morte deste último, em 1951.

Decidido a mudar de ares, foi para a Califórnia, atuando em conjuntos de jazz tradicional, depois associou-se a Teagarden, mas pouco aconteceu, quase desaparecendo de cena.

Desanimado, virtualmente esquecido e inclinado a abandonar a música, em 1964 recebeu um convite para tocar em New York. O sucesso foi instantâneo, motivando-o a reiniciar sua carreira. "A partir daquele dia meu entusiasmo foi incontrolável, parecia que revivi e fui em frente" - declarou. Sucederam-se inúmeros concertos e gravações, além de uma triunfal turnê pela então União Soviética. Sua carreira fonográfica tornou-se mais prolífica que jamais, sendo solicitado por gravadoras americanas, européias e japonesas, participando de discos com Coleman Hawkins, Duke Ellington, Roy Eldridge, Lionel Hampton, Red Allen, Clark Terry, Elvin Jones e muitos outros.

Hines tocou três vezes no Brasil. A primeira, em 1969, com seu quarteto, integrado por Budd Johnson (sax-tenor e clarinete), Bill Penbertom (baixo) e Oliver Jackson (bateria); a segunda, em 1974, num pacote com os pianistas Teddy Wilson, Ellis Larkins e Marian McPartland; e a terceira, em dezembro de 1981, com a cantora Marva Josie numa temporada de quase um mês no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, onde gravou um disco ao vivo. Como compositor deixou dezenas de músicas, das quais a mais popular é "Rosetta", além de "A Monday Date", "You Can Depend On Me", "Piano Man", "Caution Blues" e a belíssima "When I Dream of You".

Earl Hines morreu em 22 de Abril de 1983, em Oakland, Califórnia, deixando como legado uma obra de valor inestimável e um estilo original que influenciou, direta ou indiretamente, grande parte dos pianistas de jazz.

A seu respeito, escreveu o respeitado crítico Dan Morgenstern: "Hines toca o piano como se fosse uma orquestra. Ele usa a mão esquerda para acentuações que só poderiam ser criadas por uma seção de trompetes, por vezes cria acordes que deveriam ter sido tocados por cinco saxofones. Ele é um virtuoso em qualquer situação musical com seus arpejos, seu ataque percussivo e sua fantástica capacidade para modular de uma canção para outra como se fosse apenas uma única música e ele criasse aquelas melodias durante sua própria improvisação".

"Earl Hines é uma instituição do jazz. Ele é nosso pai, mentor e guia espiritual" – assim referiu-se a ele o pianista Dick Wellstood sintetizando sua dimensão na história do jazz

26 dezembro 2005

OS DEZ DISCOS E A ILHA DESERTA

Meu critério será simples:

Hoje, jamais iria para uma ilha deserta SEM:

- Kind of Blue (Miles Davis, Columbia): o álbum de maior mística na história do jazz;

- Jazz At Santa Monica Civic '72 (Ella Fitzgerald, Oscar Peterson, Count Basie, etc, etc., enfim, Jazz at The Philarmonic, Pablo): seguramente um dos três maiores registros - senão o maior -ao vivo de Ella em toda a sua carreira, sem contar o timaço, neste album duplo.

- You Must Believe in Spring (Bill Evans, Warner): o ápice daquilo a que um trio cool poderia chegar, até hoje insuperado;

- Here´s to Life (Shirley Horn, Verve): o grande disco vocal da década de 90, arranjos de Mandel e, finalmente, o Estate definitivo, que superou - em muito - o tão famoso registro de JG, no LP "Amoroso";

- The Tokyo Blues (Horace Silver, Blue Note): TODO o disco é irretocável, mas o solo de Silver em Sayonara Blues - não bastasse a própria maravilha que é o tema - é uma das coisas mais perfeitas que já ouvi um músico criar em Jazz;

- Very Tall (Oscar Peterson, Verve), mais perfeito trabalho da trinca Peterson, Milt Jackson e Ray Brown;

- For Musicians Only (Sonny Stitt, Dizzy Gillespie e Stan Getz, Verve); Getz apanha, mas com dignidade. Stitt e Birks estão nos píncaros do inimaginável;

- Tribute do Cannonball (Bud Powell/Don Byas, Columbia Legacy); uptempos furiosos, talvez a gravação definitiva de Jeaninne (Duke Person) e a classe inconfundível dos mestres Powell e Byas;

- A Swingin´ Affair (Dexter Gordon, Blue Note): Nem Billie gravou Don´t Explain de maneira tão pungente e soberba; não à toa Dexter defendia a idéia de que o solista, para tocar uma balada, precisava saber - e bem - a letra;

- Percepção (Eumir Deodato, Odeon): quem disse que Coisas, do Moacir Santos, restou insuperado ? Pouco mais de 30 minutos de um Deoadato iluminado - e distante de seus anos CTI - provam o contrário, e com autoridade ímpar.

Desculpem, mas, como o Mestre LOC (e provavelmente como o saudoso Jorginho Guinle), também contrabeanderia o Free Jazz de Ornette Coleman (Atlantic), experiência musical única e depois da qual o jazzófilo jamais é o mesmo.

25 dezembro 2005

NOSSOS VOTOS DE FELIZ NATAL AOS CJUBIANOS, AMIGOS E VISITANTES

















Quem se habilita a listar os nomes (e apelidos, se souber), pela ordem (não vale colar, fuçando as propriedades da imagem) ? É olhar e saber - ou não - ok ?

Ho Ho Ho ...

23 dezembro 2005

MARK WHITFIELD NO RIO EM 2006 ?

Estamos entrando na última semana de 2005, mas desde já gostaria de dividir com todos a notícia da possível vinda ao Rio de janeiro do guitarrista Mark Whitfield, que já tocou no Free Jazz (MAM /Palco Club) em 1996 ou 1997).

A idéia do Mark, com quem tenho trocado alguns e-mails é de tocar em trio com o baterista "Billy Kilson" da Dave Holland Band e o baixista Thiago Espirito Santo (filho do grande músico Arismar do Espírito Santo).

Vamos torcer para que este sonho se torne realidade.

Beto Kessel

13 dezembro 2005

Agenda Jazz - PROSPER JAM

Patrocinado pelo Banco Prosper, estará sendo realizado o PROSPER JAM no Quiosque Drink Café na Lagoa, RJ. O evento, todas as quartas-feiras de dezembro a partir do dia 14, traz o quarteto liderado pelo saxofonista Afonso Claudio "AC" , ao lado de Marco Tommaso no piano, Tony Botelho no Contrabaixo e Renato Massa na bateria e a cada semana um convidado especial :

Dia 14/12, a cantora Taryn Szpilman ;
Dia 21/12, o saxofonista Idriss Boudrioua ;
Dia 28/12, o trompetista Jessé Sadoc.

Vale conferir !

O local é no Quiosque Drink Café, Parque dos Patins - Lagoa, RJ
O horário é às 21h.
Sem couvert artístco.

Reservas pelo telefone (21) 2239-4136.
O evento tem a direção musical de Afonso Claudio e produção de Carolina Rosman.

12 dezembro 2005

HOJE, 12 DE DEZEMBRO, LANÇAMENTO DO LIVRO "CAMINHOS DO JAZZ", DE JEFFERSON MELLO

Amigos, logo mais haverá o lançamento do livro "Caminhos do Jazz", nova obra do gênero de Jefferson Mello com fotos de músicos de jazz de vários paises. A partir das 20 horas, no 00 da Gávea, na Rua Padre Leonel França nº 240, ao lado do Planetário, o autor estará autografando seu livro ao som da jam session que animará os jazzófilos presentes.

Jefferson Mello é autor consagrado de livros com fotos de jazz que foram apreciados e elogiados em vários países. Vale a pena conferir.

Para informação geral, não tem couvert nem consumação mínima, mas enviem um email para <> confirmando presença para seus nomes constarem da lista de convidados. Outras informações pelos telefones 21.2247.7399/9855.1939, com Nani Santoro, ou com Jefferson Mello - 21.9956.0244.

Não percam!

Abraços a todos,
Raf

11 dezembro 2005

PRÊMIO GRAMMY - INDICAÇÕES

Segue abaixo a relação dos nomes indicados para a entrega do Prêmio Grammy, que ocorrerá em 08.02.2006 em Los Angeles...

A listagem se aplica apenas às categorias mais afeitas aos interesses dos jazzófilos:

BEST JAZZ VOCAL ALBUM
J'ai Deux Amours - Dee Dee Bridgewater [Sovereign Artists]
Blueprint Of A Lady - Sketches Of Billie Holiday - Nnenna Freelon [Concord Jazz]
Good Night, And Good Luck - Dianne Reeves [Concord Jazz]
Duos II - Luciana Souza [Sunnyside]
I'm With The Band - Tierney Sutton [Telarc Jazz]

BEST JAZZ INSTRUMENTAL SOLO
“'Round Midnight” from 'Round Midnight [Artistry Music] Alan Broadbent;
“Away” from In Flux [Savoy Jazz] Ravi Coltrane;
“The Source” from Flow (Terence Blanchard) [Blue Note Records] Herbie Hancock;
“A Love Supreme – Acknowledgement” from Coltrane's A Love Supreme Live In Amsterdam [Marsalis Music] Branford Marsalis;
“Why Was I Born?” from Without A Song - The 9/11 Concert [Milestone] Sonny Rollins;

BEST JAZZ INSTRUMENTAL ALBUM, INDIVIDUAL OR GROUP
Flow - Terence Blanchard [Blue Note Records]
Lyric - Billy Childs Ensemble [Lunacy Music/Artistshare]
Live At The House Of Tribes - Wynton Marsalis [Blue Note Records]
Beyond The Sound Barrier - Wayne Shorter Quartet [Verve]
What Now? - Kenny Wheeler With Dave Holland, Chris Potter & John Taylor [CAM Jazz]

BEST LARGE JAZZ ENSEMBLE ALBUM
Overtime - Dave Holland Big Band [Sunnyside/Dare2]
A Blessing - John Hollenbeck Large Ensemble [OmniTone]
Live - The Bill Holman Band [Jazzed Media]
I Am Three - Mingus Big Band, Orchestra & Dynasty [Sunnyside/Sue Mingus Music]
Home Of My Heart - The Chris Walden Big Band [Origin]

Fica o registro, e no caso do Brasil, temos a Luciana Souza concorrendo por mais um prêmio.

Beto Kessel

09 dezembro 2005

AGORA É [DE] LEI! MESTRE LOC ENTRONIZADO DEFINITIVAMENTE

Não tem mais jeito, o juiz já apitou, já foi pra súmula, não vai dar nem pra recorrer no Tapetão. Em decisão monocrática, quiçá imperial, não cabendo recurso haja vista que neste forum tal não se prevê, foi tomada a seguinte - e, diga-se, atrasadíssima - decisão, verbis:


"A partir deste magnífico dia de 9 de dezembro de 2005, com ou sem a anuência formal do agraciado, fica o cidadão Luiz Orlando Carneiro, já aqui referenciado inúmeras vezes antes como Grão-Mestre-Remoto, ou Mestre-CJUBiano-Remoto, personalidade altamente capacitada a expressar-se com desenvoltura extrema e graciosa verve no assunto "jazz" - principal item do qual trata este mural - definitivamente alçado à condição de CJUBIANO HONORÁRIO, com direito a ostentar seu particular "handle", como LOC, no frontispício deste blog, ao lado de seus pares RAF, GOLTINHO e LLULLA.

Que se iniciem ainda hoje as libações comemorativas desse magno decreto, com generosas talagadas do "mel-de-Escócia" ou espírito equivalente, além de tais e quais baforadas em poderosas "buchas-de-la-Isla de Cuba" ou sucedâneos nacionais de qualidade. Revogadas as disposições em contrário."

Brincadeira à parte, Mestre LOC, bem vindo "oficialmente". Agora é lei!

08 dezembro 2005

MENSAGEM A GARCIA

Down Beat Readers' Poll: desde 1952
Down Beat Critics' Poll: desde 1961


Ano Readers Poll

1952 Louis Armstrong
1953 Glenn Miller
1954 Stan Kenton
1955 Charlie Parker
1956 Duke Ellington
1957 Benny Goodman
1958 Count Basie
1959 Lester Young
1960 Dizzy Gillespie
1961 Billie Holiday
1962 Miles Davis
1963 Thelonious Monk
1964 Eric Dolphy
1965 John Coltrane
1966 Bud Powell
1967 Billy Strayhorn
1968 Wes Montgomery
1969 Ornette Coleman
1970 Jimi Hendrix
1971 Charles Mingus
1972 Gene Krupa
1973 Sonny Rollins
1974 Buddy Rich
1975 Cannonball Adderley
1976 Woody Herman
1977 Paul Desmond
1978 Joe Venuti
1979 Ella Fitzgerald
1980 Dexter Gordon
1981 Art Blakey
1982 Art Pepper
1983 Stéphane Grappelli
1984 Oscar Peterson
1985 Sarah Vaughan
1986 Stan Getz
1987 Lionel Hampton
1988 Jaco Pastorius
1989 Woody Shaw
1990 Red Rodney
1991 Lee Morgan
1992 Maynard Ferguson
1993 Gerry Mulligan
1994 Dave Brubeck
1995 J.J. Johnson
1996 Horace Silver
1997 Nat King Cole
1998 Frank Sinatra
1999 Milt Jackson
2000 Clark Terry
2001 Joe Henderson
2002 Antonio Carlos Jobim
2003 Ray Brown
2004 Mccoy Tyner
2005 Herbie Hancock


Ano Critics Poll

1961 Coleman Hawkins
1962 Bix Beiderbecke
1963 Jelly Roll Morton
1964 Art Tatum
1965 Earl Hines
1966 Charlie Christian
1967 Bessie Smith
1968 Sidney Bechet & Fats Waller
1969 Pee Wee Russell & Jack Teagarden
1970 Johnny Hodges
1971 Roy Eldridge & Django Reinhardt
1972 Clifford Brown
1973 Fletcher Henderson
1974 Ben Webster
1975 Cecil Taylor
1976 King Oliver
1977 Benny Carter
1978 Rahsaan Roland Kirk
1979 Lennie Tristano
1980 Max Roach
1981 Bill Evans
1982 Fats Navarro
1983 Albert Ayler
1984 Sun Ra
1985 Zoot Sims
1986 Gil Evans
1987 Johnny Dodds, Thad Jones, Teddy Wilson
1988 Kenny Clarke
1989 Chet Baker
1990 Mary Lou Williams
1991 John Carter
1992 James P. Johnson
1993 Edward Blackwell
1994 Frank Zappa
1995 Julius Hemphill
1996 Artie Shaw
1997 Tony Williams
1998 Elvin Jones
1999 Betty Carter
2000 Lester Bowie
2001 Milt Hinton
2002 John Lewis
2003 Wayne Shorter
2004 Roy Haynes
2005 Steve Lacy

MESTRE LUIZ ORLANDO CARNEIRO - JB DE HOJE

Para não perder o hábito e manter aqui alguns de seus sempre sábios escritos, copio integralmente o artigo do nosso Mestre-CJUBiano-Remoto, Luiz Orlando Carneiro, no Jornal do Brasil de hoje, pois o assunto é do interesse de todos.

"Dave Holland no Olimpo"

"Os resultados da eleição dos melhores do ano por críticos e leitores da Down Beat são publicados, respectivamente, nas edições de agosto e de dezembro da ainda mais influente revista de jazz. A crítica toma como base a produção fonográfica dos músicos, pequenos conjuntos e orquestras da metade do ano anterior até o quinto mês do corrente; o ''leitorado'' tem quatro meses a mais para apreciar os feitos dos jazzmen no ano em curso. Mas os diletantes acabam por referendar, em grande parte, as escolhas dos especialistas. E foi o que ocorreu mais uma vez, neste 2005, com o eleitorado da DB.

Nas categorias mais significativas, foram confirmadas as preferências dos experts. Dave Holland foi, de novo, tríplice coroado (artista do ano, melhor big band e baixo acústico); Maria Schneider colheu 249 votos, 44 a mais do que Wayne Shorter, na categoria dos compositores, e o sublime CD de sua lavra, Concert in the garden (Artistshare), recebeu também merecida consagração: 213 votos contra 106 conferidos a The way up, do Pat Metheny Group, e 103 a Beyond the sound barrier, do quarteto de Wayne Shorter.

Foram igualmente proclamados melhores do ano, tanto pelos jurados profissionais como pelos amadores, Keith Jarrett (piano e pequeno conjunto), Joe Lovano (sax tenor), Dave Douglas (trompete), Steve Turre (trombone), Wayne Shorter (sax soprano), James Carter (sax barítono) e Don Byron (clarinete).

A categoria especial Hall of Fame, criada pela revista em 1952, para canonizar os chamados gigantes ou imortais do jazz, vale um comentário à parte. Até 1960, votavam somente os leitores. Os primeiros distinguidos com a honraria foram, pela ordem, Louis Armstrong, Glenn Miller, Stan Kenton, Charlie Parker, Duke Ellington, Benny Goodman, Count Basie, Lester Young e Dizzy Gillespie. Destes, Miller, Parker e Young tornaram-se "imortais" para os leitores da DB depois de mortos.

Nos últimos dez anos, foram admitidos no Hall of Fame (sempre um pelos amadores e outro pelos especialistas) 12 grandes músicos que haviam sido esquecidos (Nat "King"' Cole, por exemplo, falecido em 1965) ou que morreram no período da coleta de votos (como John Lewis, em 2001). Oito foram levados ao Olimpo em plena atividade, como Wayne Shorter, agraciado pelos críticos em 2003, e McCoy Tyner, laureado pelos leitores no ano passado.

Neste ano, os aficcionados introduziram no cobiçado Hall of Fame o notável e heterodoxo pianista Herbie Hancock, enquanto os experts preferiram homenagear o também extraordinário saxofonista soprano Steve Lacy, que a morte levou, em 2004, antes dos 70 anos.

Não se pode discutir a excelência e a importância da obra desses dois músicos na história do jazz. Contudo, vale a pena notar e anotar que, se o pianista Keith Jarrett (que obteve 307 votos, 47 a menos que Hancock) chegou merecidamente às portas do Hall of Fame da DB, há outros jazzmen, vivos ou mortos, que já deveriam lá estar há muito tempo. É o caso do saxofonista Lee Konitz, 78 anos, um dos founding fathers do cool jazz, que foi o quinto colocado, este ano, na escolha dos leitores (131 votos). E também do genial Erroll Garner (1923-1977), até hoje não "imortalizado" nem pela crítica especializada nem pelo "leitorado" da DB."

Talvez fosse interesante se alguém pudesse encontrar e publicar aqui a integral composição do Hall of Fame da Down Beat. Quem se habilita?

05 dezembro 2005

AS 50 MELHORES CANTORAS DE TODOS OS TEMPOS

A revista warejazz publicou hoje, 5 de dezembro de 2005, o resultado da votação dos seus leitores-internautas para eleger "As 50 melhores cantoras de todos os tempos". Como a grande maioria dos companheiros deste blog são inflamados fãs de cantoras e as ouvem exaustivamente, esta relação poderá dar panos para muitas mangas.... Enjoy ou hate it!

1. ELLA FITZGERALD
2. BILLIE HOLIDAY
3. SARAH VAUGHAN
4. DINAH WASHINGTON
5. CARMEN MCRAE
6. NANCY WILSON
7. ERNESTINE ANDERSON
8. SHIRLEY HORN
9. NINA SIMONE
10. ETTA JONES
11. ABBEY LINCOLN
12. DIANE SCHUUR
13. LENA HORNE
14. BETTY CARTER
15. ROSEMARY CLOONEY
16. PEGGY LEE
17. CASSANDRA WILSON
18. CAROL SLOANE
19. DEE DEE BRIDGEWATER
20. ANITA O'DAY
21. DIANA KRALL
22. CHRIS CONNOR
23. DIANNE REEVES
24. JUNE CHRISTY
25. ANNIE ROSS
26. HELEN MERRILL
27. CLEO LAINE
28. BETTY ROCHE
29. MILDRED BAILEY
30. NATALIE COLE
31. CARMEN BRADFORD
32. BESSIE SMITH
33. KARRIN ALLYSON
34. MAXINE SULLIVAN
35. NNENNA FREELON
36. MARLENA SHAW
37. JERI SOUTHERN
38. IRENE REID
39. ETTA JAMES
40. VANESSA RUBIN
41. JEANIE BRYSON
42. LAVERNE BUTLER
43. BARBARA MORRISON
44. JANIS SIEGEL
45. MARY STALLINGS
46. NANCY KELLY
47. DELLA GRIFFIN
48. GLORIA LYNNE
49. RUTH BROWN
50. SUSANNAH MCCORKLE

JAZZ NA JOATINGA

Na última quinta feira aconteceu mais uma noite do "Jazz na Joatinga", uma idéia muito simpática do gentleman Heiner Plflug, ex-super-executivo de uma multinacional, hoje dedicado a aproveitar a vida no que ela pode oferecer de melhor. Um apaixonado por jazz, Heiner decidiu fazer de sua cinematográfica casa na Joatinga, que muita gente já conhece de emissões televisivas, um palco eventual para apresentações de grupos de jovens jazzistas, que lá tem a oportunidade de tocar para os convidados.

Vista e decoração à parte, a casa ostenta uma acústica surpreendente para um ambiente totalmente envidraçado, permitindo que se ouça a boa música dos garotos de qualquer lugar, seja no entorno da piscina, para os que preferem o ar livre, seja em qualquer posição em seu interior. Talvez contribua para isso o pé direito duplo, do belo projeto de Cláudio Bernardes.

Heiner é o anfitrião que todos gostariam de ter. Caloroso na recepção, sempre tem uma palavra para cada um dos convivas, mesmo que lá estejam aparecendo, pelo boca-a-boca e pelo email-a-email, pela primeira vez. Isto feito, senta-se numa das várias cadeiras de design premiado que tem no living e não arreda pé, absorto nas interpretações, até a próxima leva de récem-chegados.

Na parte musical, o time de jovens promete. Tocando, como não poderia deixar de ser, repertório composto de standards e temas da bossa-nova com competência, o grupo formado de sax (alto e soprano), teclado, baixo e bateria, depois acrescido de uma guitarra, faz da noite uma experiência tão agradável que ninguém, nem o mais empedernido jazzófilo, consegue ansiar por maiores talentos ou competências naquele momento. O resultado final, se não é propriamente o paraíso terrestre, está bem acima do que se ouve ordinariamente pelos "botecos musicados" do Rio.

Desta vez, apresentou-se o Quarteto Yuri Villar, composto dos seguintes, e promissores jazzistas, de quem esperamos que não se deixem levar pelos apelos puramente comerciais e que continuem suas carreiras nessa grande e desafiadora arte que é o jazz:

Yuri Villar - sax alto e soprano
João Bittencourt - piano/teclado
Bruno Aguilar - baixo
Mingo Leahy - bateria.


A junção de boa música, nesse ambiente, com gente bonita e educada, tudo aliado a uma natureza circundante extraordinária bastam para colocar o programa como um dos melhores da cidade. Vai pegar.

Heiner vem conversando conosco, sondando a possibilidade de se fazer uma noite especial, produzida pelo CJUB, em suas dependências "aéreas", já que a casa se debruça sobre o abismo. Estamos dando tratos à bola, querendo inventar alguma fórmula que possibilite juntar nosso público e produção musical à ambientação dele, residindo o maior problema nos custos para uma realização desse tipo.

Como a idéia do Heiner é fazer alguma coisa em março de 2006, estamos botando nossa criatividade para funcionar para tentar unir o fabuloso com o espetacular. Quem sabe a gente consegue? Sonhar não custa nada...

Aguardem notícias.

04 dezembro 2005

LAPATAIA: FINALMENTE SAIU A LISTA DE QUEM VAI TOCAR

Tradicional festival de verão em Punta del Este, vai rolar no ano quem vem do dia 4 ao 8 de janeiro, na estância produtora de um famoso doce-de-leite, em mais uma edição, o Undécimo Festival de Jazz Lapataia que acaba de publicar em seu site a escalação dos músicos que tocarão de quarta a domingo.

Quem esteve em edições anteriores garante que é um ótimo programa, a ser levado seriamente em consideração pelos amantes do jazz brasileiros. O lugar é lindo, ao ar livre, a temperatura é agradável. Preços, segundo o site: dias de semana, o equivalente a 65 reais e sábado e domingo, em torno de 115 reais.

Destaque para os quartetos de Gary Bartz e de Cedar Walton e para o trio do ótimoManuel Rocheman, presença rara por estas bandas.

No último dia, tocam o nosso Romero Lubambo acompanhando a cantora Pamela Driggs e o quinteto de Delfeayo Marsalis que fecha a tampa. Está previsto ainda para a última noite um "trumpet summit" sem que no entanto haja a definição de quem serão os escolhidos.

Segue a programação completa:
Quarta feira, dia 4 de janeiro:
- Memphis Jazz Band
- Malena Muyala
- Tomoko Ohno y Andrés Boiarsky Dúo


Quinta feira, 5 de janeiro:
- Phoebe Stubblefield Quartet
- Alex Han Quintet

Sexta feira, 6 de janeiro:
- Geraldo Flach Quartet
- Edward Simon Trio
- Gary Bartz Quartet


Sábado, 7 de janeiro:
- Noturno Copacabana
- The Manuel Rocheman Trio
- Cedar Walton Quartet


Domingo, 8 de janeiro:
- Romero Lubambo and Pamela Driggs
- Trumpet Summit
- Delfeayo Marsalis Quintet


Quem tiver mais informações acerca das demais atrações, por favor comente.

03 dezembro 2005

MAIS BILL EVANS E SCOTT LAFARO

A editora Fantasy Jazz soltou no mercado recentemente, e em ordem cronológica, as integrais das cinco sessões da apresentação de Bill Evans no Village Vanguard, no dia 25 de junho do [abençoado] ano de 1961.
Incluída pela primeira vez, está a primeira interpretação - falha - de "Gloria's Step", com sua longa falha de 3 segundos na gravação e um grande solo de Scott LaFaro.

A história do lançamento original dessas gravações é uma verdadeira confusão jazzística, com inúmeros "takes" sendo distribuídos ao longo de variados LPs ou CDs.

Agora, sai tudo numa compilação só, tentando-se um mínimo de ordem na casa de Bill e seus companheiros. (fonte: All About Jazz)