Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

31 outubro 2005

E.S.T.

Volto a escrever sobre mais um pianista, desta vez Esbjörn Svensson e seu trio sueco com Dan Berglund (contrabaixo) e Magnus Ostrom (bateria), que estiveram recentemente no Brasil, no Festival de Ouro Prêto e infelizmente não vieram ao Rio e nem tiveram qualquer maior registro pela imprensa especializada, salvo na coluna do mestre Luiz Orlando Carneiro, que inclusive enalteceu a importancia do trio no circuito europeu.

Pois bem, acabo de receber do nosso novo confrade Gustavo, alguns dvds e entre eles, 3 do "E.S.T.", (que desde já coloco à disposição de todos) que é, no meu entender a versão nórdica moderna do Keith Jarrett Trio, mas com sonoridade e vertente própria, principalmente pelos temas, na grande maioria do seu líder.
Para citar alguns; "Definition of a dog", "When God created the coffee break" e "Serenade for the renegade", todos absolutamente jazzísticos.

Quanto aos dvds, trata-se de apresentações em "Burghausen","Stockholm", onde fecham o "bis" com uma interpretação antológica de "Round Midnight" que certamente não seria desaprovada pelo seu criador (T. Monk); e finalmente o concêrto no Jazz Baltica - 2003, onde estão acompanhados pela "Schleswig Holstein Chamber Orchestra", tendo como convidado o guitarrista Pat Metheny, colocando definitivamente o E.S.T. na história do Jazz mundial.

30 outubro 2005

"A DREAM NIGHT" NO MISTURA FINA

Tudo deu certo e qualquer temor que alguém tivesse sobre o êxito do programa foi dissipado logo aos primeiros acordes de Stolen Moments. Também, com aquele naipe de solistas, trazendo especialistas dentro da linguagem do Jazz em cada instrumento, o resultado só poderia ser “magnífico”.

Jessé Sadoc chegou a extrapolar num quilométrico arranjo de Be Bop, exibindo uma técnica superior, aliadas as melhores escolas de Dizzy, Clifford Brown e sobretudo Lee Morgan.

Idriss, o sax-alto de sempre, extremamente ligado ao trabalho que desenvolve, com a mesma técnica, bom gosto e inventiva que caracterizaram sua carreira. Seus solos em Ornithology, no primeiro set e no bis, reafirmaram a sua condição de melhor saxofonista de Jazz que possuímos.

Daniel Garcia, um tenorista sóbrio e eficiente, mostrando muita categoria nos improvisos, notadamente em Blue in Green e Invitation.

Vittor Santos, a quem assistimos pela primeira vez, confirmou tudo oue disse dele o grande homenageado da noite, José Domingos Raffaelli: “nada fica a dever aos melhores do mundo”. Sua timidez aparente desaparece quando “põe a boca no trombone”. Aí, dentro de uma técnica irrepreensível, uma sonoridade superior e um bom gosto invejável ornando seus improvisos, tornou-se o grande solista da noite.

Seção rítmica também de nível superior, com Dario Galante se entregando ao estilo de Monk em I mean you, duelando com a bateria de Rafael Barata e apoiado pelo famoso baixo cantante de Paulo Russo, esse o grande arranjador de quase todo o repertório apresentado.

Final feliz, com músicos e público confraternizando de maneira alegre e descontraída.

Atenção, senhores “curadores” de Festivais: abram seus olhos e ouvidos para o que acontece aquí em termos de Jazz. Deixem de lado os internacionais como os McLaughlin da vida e escalem brasileiros em suas programações. Não se arrependerão.

Luiz Carlos Antunes - Llulla

Para quem quiser ouvir uma amostra da sonoridade da noite, aqui estão pequenos trechos: Blue in Green; Blue in Green 2; Vittor solo; Barata solo.

MAURICIO EINHORN/HELIO DELMIRO/MARCOS ARIEL

Os músicos nos proporcionam momentos de raro prazer, como mais uma vez pudemos constatar na última quinta feira no Mistura Fina com o belo Jazz Concert que através de um Dream Team, tornou possível homenagear José Domingos Raffaelli.

Nada mais justo que possamos divulgar em nosso blog alguns shows com músicos talentosos, para que o leitores do blog possam prestigiar os shows:

Seguem algumas dicas:

04.11.2005 ( e tambem dias 11, 18 e 25.11.2005 às 21:00) - Show com o guitarrista Helio Delmiro na série Brazilian Jazz Spirit no Espirito das Artes na Cobal do Humaita


05.11.2005 - Show com Trio liderado pelo pianista Marcos Ariel na série Brazilian Jazz Spirit no Espirito das Artes na Cobal do Humaita às 21:30

18.11.2005 - Show de Lançamento do Cd do Maurício Einhorn. - Sala Baden Powell.

Todos lá prestigiando o músico brasileiro.

Beto Kessel

24 outubro 2005

O VERDADEIRO JAZZ - XXV CHIVAS LOUNGE - CJUB DREAM NIGHT - HOMENAGEM A JOSÉ DOMINGOS RAFFAELLI


Para o CJUB e para gerações de leitores, músicos e amantes do gênero, em geral, José Domingos Raffaelli É o VERDADEIRO JAZZ.
E será o verdadeiro jazz, ou melhor, JOSÉ DOMINGOS RAFFAELLI, o homenageado na CJUB DREAM NIGHT, XXV edição da série Chivas Lounge, as 21 h. da próxima 5ª-feira, 27/10, como de hábito no Mistura Fina.

O incomparável currículo do jornalista, educador e historiador do Jazz, José Domingos Raffaelli é a mais perfeita tradução de tudo quando aconteceu, no gênero, desde o século passado. Ele é o único, no Brasil, a conhecer, com total autoridade, toda a evolução e transformações por que passou o estilo, bem como os protagonistas - famosos e anônimos - destas mutações.

Raffaelli, o CJUBIANO, de outro lado, é o amigo, o conselheiro de todos nós; a personalidade firme, a integridade à toda prova; o confrade que simboliza, afinal, todas as aspirações do clube, que, acima de tudo, refletem sincera e incondicional amizade.

A noite é dos sonhos, portanto, primeiro, porque homenagear o Mestre Raffaelli já é antigo desejo da confraria.

Segundo, porque, para tornar a homenagem à altura do homenageado, arregimentamos um dream team do jazz carioca, um septeto que fará tremer os alicerces do Mistura. Senão, que tal, para começar, uma seção rítmica composta por Dario Galante (piano), Paulo Russo (contrabaixo) e Rafael Barata (bateria); e o front line, alinhando Vittor Santos (trombone), Jessé Sadoc (trompete & flugelhorn), Daniel Garcia (sax tenor e soprano) e Idriss Boudrioua (sax alto).

Há quanto tempo o Rio não vê um septeto assim ?

Em terceiro lugar, o set list é produto, também, dos sonhos particulares dos fundadores do CJUB, cada qual escolheu uma música, a SUA preferida, ou ao menos uma das favoritas, para ser executada por esse line-up estelar.

Os temas foram eleitos e informadas por e-mail a uma mesma pessoa, que apenas juntou-as numa lista. Não houve comunicação entre os membros para a escolha, que se deu exclusivamente segundo a preferência pessoal de cada votante. Ao se examinar o todo, notou-se que não houve nenhum compositor repetido em 13 temas escolhidos, o que, por si só, é de uma eventualidade digna de nota.

E quem melhor do que o próprio Raf para resumir a história de cada uma dessas composições:

"UGETSU - do pianista Cedar Walton (1934), gravada pelo conjunto Jazz Messengers, do baterista Art Blakey, no álbum do mesmo nome (Riverside), em 1963. Depois de tocar com J. J. Johnson e o conjunto Jazztet, Walton integrou a formação de sexteto dos Jazz Messengers, revelando-se também um compositor de talento. Um dos grandes estilistas do piano, em sua prolífica carreira participou de centenas de gravações com os maiores músicos de jazz e inúmeras apresentações em festivais e concertos em todo o mundo. Era o pianista favorito do genial vibrafonista Milt Jackson.

OUR DELIGHT - do pianista, compositor e arranjador Tadd Dameron (1917-1965), gravada pela orquestra de Dizzy Gillespie para a Musicraft, em 1946. Em plena era da afirmação do bebop, Gillespie formou uma big band que foi a pedra fundamental para a implantação do revolucionário estilo nas formações orquestrais modernas. O solo de Gillespie reafirmou ser ele um dos dinamos propulsores da nova música que deu início à era moderna do jazz.

A LA MODE - do trombonista Curtis Fuller (1934), gravada pelos Jazz Messengers, de Art Blakey, no álbum "Art Blakey and the Jazz Messengers" (Impulse), em 1961. A composição utiliza parte de uma escala modal na qual os músicos baseiam suas improvisações, em vez das tradicionais harmonias, uma inovação revolucionária introduzida no jazz, em 1953, pelo compositor e arranjador George Russell.

ALONG CAME BETTY - do saxofonista Benny Golson (1929), gravada pelos Jazz Messengers no álbum "Moanin" (Blue Note), em 1958. Bastante requisitada nas apresentações do conjunto, permaneceu no seu repertório até o final da sua trajetória, continuando a ser executada e gravada pelos músicos de jazz.

NOSTALGIA - do trompetista Fats Navarro (1923-1950), baseada nas harmonias de "Out of nowhere", gravada pelo autor para a Savoy, em 1947, à frente de um quinteto integrado por Tadd Dameron (piano), Charlie Rouse (sax-tenor), Nelson Boyd (baixo) e Art Blakey (bateria). O solo de Navarro, com a surdina cup, é um dos mais completos de todos os tempos em termos de estrutura, organização, articulação, idéias, continuidade e sobretudo invenção melódica, sendo um dos modelos utilizados para os estudantes de trompete nas escolas de jazz americanas. Na respeitável opinião de Stuart Varden, um dos maiores estudiosos do jazz, esse solo simboliza "a mais coordenada improvisação de trompete do jazz moderno".

ORNITHOLOGY - do saxofonista Charlie Parker (1920-1955) e do trompetista Benny Harris (1919-1975), gravada por Parker para a Dial, em 1946, com Miles Davis (trompete), Lucky Thompson (sax-tenor), Dodo Marmarosa (piano), Arv Garrison (guitarra), Vic McMillan (baixo) e Roy Porter (bateria). Baseada nas harmonias de "How high the moon", foi uma das grandes favoritas dos jazzmen nas jam sessions dos anos 40, 50 e 60. Com mais de 300 gravações, continua sendo interpretada por músicos de vários quadrantes do mundo.

JEANINNE - do pianista Duke Pearson (1932-1980), gravada pelo saxofonista Cannonball Adderley no álbum "Them dirty blues" (Riverside), em 1960. Sua melodia cativante completada por harmonias do maior bom gosto fez parte do repertório de Cannonball durante vários anos.

STOLEN MOMENTS - do saxofonista, compositor e arranjador Oliver Nelson (1932-1975), gravada pelo autor no álbum "The blues and the abstract truth" (Impulse), em 1961, com um sexteto de peso, incluindo Freddie Hubbard (trompete), Nelson (sax-tenor), Eric Dolphy (sax-alto e flauta), Bill Evans (piano), Paul Chambers (baixo) e Roy Haynes (bateria). Em todas composições, Oliver Nelson utilizou unicamente a temática dos blues ou baseada nas harmonias de "I got rhythm". "Stolen moments" é um blues de 16 compassos (uma das raras exceções na linguagem dos blues, que habitualmente são de 12 compassos) com harmonias alteradas.

BEBOP - de Dizzy Gillespie (1917-1993), gravada pelo autor para o selo Manor, em 1945. Foi a primeira sessão de gravação de Gillespie liderando um sexteto do estilo bebop, na qual atua, entre outros, o famoso Dexter Gordon (em seu primeiro disco bebop). Como inúmeras peças de jazz, "Bebop" é baseada nos acordes de "I got rhythm".

INVITATION - do compositor polonês Bronislau Kaper (1902-1983) escrita para a trilha sonora do filme "O Convite", gravada no álbum "Invitation" (Delos), em 1952. A beleza exótica deslumbrante de sua melodia encantou os músicos de jazz. Sua primeira gravação de jazz coube ao pianista George Wallington (1924-1993) no álbum "George Wallington with strings" (Clef), em 1955. Este LP de 10 polegadas jamais foi editado em CD. Virtualmente esquecido nas últimas décadas em razão do seu afastamento da música para dedicar-se aos negócios da família, Wallington, cujo verdadeiro nome era Giacinto Figlia, foi um dos mais importantes pianistas dos primórdios do bebop, ao lado de Bud Powell, Al Haig, Clyde Hart, Duke Jordan, John Lewis e Hank Jones. Ele integrou o primeiro conjunto bebop da história, em 1944, co-liderado por Dizzy Gillespie e Oscar Pettiford (baixo), tendo ainda Lester Young (sax-tenor) e Max Roach (bateria).

ROUND MIDNIGHT - do pianista Thelonious Monk (1917-1982), gravado para a Blue Note, em 1947, originalmentre intitulado "Round about midnight". Clássico do jazz, tornou-se símbolo de uma época em que o consagrado pianista e compositor iniciava sua trajetória para a eternidade artística graças à sua concepção inteiramente original e incomensurável criatividade. É uma balada de melodia envolvente que ganhou projeção mundial depois de incluida como tema da trilha sonora do filme "Por volta de meia noite". Com centenas de gravações, é um dos temas originais mais interpretados do repertório jazzístico em todos os tempos.

MOOD INDIGO - do maestro, pianista, compositor e arranjador Duke Ellington (1899-1974), gravado para a Brunswick, em 1930, originalmente intitulado "Dreamy Blues". Outro clássico, também foi gravado centenas de vezes. Sua melodia introspectiva de beleza encantandora cativou músicos, críticos e público, permanecendo no repertório da orquestra de Ellington até o final da vida do maestro. Como curiosidade, o clarinetista Barney Bigard reivindicou a autoria dessa composição, afirmando tê-la vendido a Ellington por U$ 25.00.

PENSIVE - do saxofonista Al Cohn (1925-1986), gravado pelo autor no álbum "Overtones" (Concord Jazz), em 1982. É uma balada introspectiva que evoca um clima acentuadamente melancólico. Além de excelente saxofonista, Cohn também foi talentoso compositor e arranjador com longa folha de serviços em incontáveis orquestras e pequenos conjuntos. Nesta gravação ele lidera um quinteto com seu filho Joe Cohn (guitarra), Hank Jones (piano), George Duvivier (baixo) e Akira Tana (bateria)
".

Todos ao Mistura, portanto, nesta quinta, para a CJUB DREAM NIGHT, reverenciando José Domingos Raffaelli.

CJUB NAS FOLHAS, HOJE (TRANSCRIÇÃO)

Coluna do Boechat (Jornal do Brasil)

Lance Livre : Dia 27, no Mistura Fina, os confrades do CJUB ( Charutos, Jazz Charutos, Jazz, Uísque e Blog ) se reunirão numa homenagem ao crítico Domingos Raffaelli, que acaba de completar 78 anos.


Coluna do Ancelmo Gois(O Globo)

Zona Franca: Quinta, no Mistura Fina, tem Rio Jazz Giants, na sequência do projeto Chivas Lounge.

MAY THE MUSIC NEVER END

Morreu quinta passada, aos 71 anos, a última grande vocalista de uma era no jazz. Shirley Horn dividia essa honraria com Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Carmen McRae. Uma unanimade entre os músicos. Incentivada no inicio de carreira por Quincy Jones e Miles Davis, Shirley criou um estilo inigualável não só como cantora mas como pianista, com harmonias deliciosas e um sentido de andamento e pulsação incomuns. Segundo Carmen McRae, ninguém conseguiu explorar baladas como Shirley, opinião compartilhada pelo arranjador Johnny Mandel, com quem fez um de seus mais inspirados álbuns (“Here’s To Life”). Shirley disse certa vez que gostaria de ser reconhecida como uma boa cantora de bom-gosto e que se valia de um repertório acima de qualquer suspeita. Com sérios problemas de saúde (via diabetes), que lhe causaram até mesmo a amputação de um pé, tal como Ella Fitzgerald, já no último CD (“May The Music Never End”) apareceu apenas como cantora, impossibilitada de tocar piano como gostaria. Segundo a gravadora Verve, Shirley morreu em sua cidade natal, Washington D.C. Como membro do CJUB, presto aqui uma homenagem a essa maravilhosa artista, de quem sempre fui fã de carteirinha.

Os últimos CDS, pela Verve:
1990 - You Won't Forget Me @@@@ (Grammy winner)
1991 - Here's To Life @@ 1/2
1992 - I Love You, Paris (live) @@@@
1993 - Light Out Of Darkness (A Tribute To Ray Charles) @@@@
1995 - The Main Ingredient @@@@
1997 - Loving You @@1/2
1998 - I Remember Miles @@@
2001 - You're My Thrill @@@@
2003 - May The Music Never End @@@@

# cotação AllMusicGuide

23 outubro 2005

TIM JAZZ - 2a. NOITE - 21/10/05
MUSEU DE ARTE MODERNA - RIO DE JANEIRO

Palco Club

A segunda noite do Tim FestivaL iniciou, no palco que nos interessa, o sistema de cardápio variado de estilos que pouco ou nada tem a ver com o jazz mas que tenta fisgar, ao procurar o ecletismo, de carnívoros a vegetarianos. Uma boa surpresa, uma apresentação sublime e um não-sei-o-que foram servidos em seqüência e o saldo final ainda foi, acredito, ligeiramente positivo, talvez por conta da única atração jazzística da noite.

SPOCKFREVO ORQUESTRA

A boa surpresa foi encontrar uma orquestra pernambucana com 17 componentes, devida e formalmente trajados em seus ternos e camisas negros e alguma cor, que era dada pelas gravatas e certos intrumentos, como os do naipe de trombones (havia um vermelho, um azul e pasmem, um branco) e dos saxofones. Musicalmente, desde o início do set, outras cores foram trazidas ao público, sob forma de uma interpretação alegre, vigorosa e estimulante de variadas gamas de frevo, com uma energia transbordante que cativou aos presentes.

Jazz? Nenhum. Então?

Rigor técnico e total precisão na execução dos arranjos, mesmo que sem um maestro a dirigir o grupo, fizeram com que os amantes do jazz reconhecessem, de imediato, estar na presença de uma banda qualificada. Se por um lado os frevos são tocados com as seções rítmicas atuando em uníssono, a sobreposição destas se fazia limpa, redonda, sem falhas mesmos nos vertiginosos e instigantes cortes de umas para as outras, entremeados por variações rítmicas executadas em alta velocidade. Só isso deu-lhe um certificado de aptidão para aparecer em qualquer concurso de big-bands não jazzísticas do planeta.

Depois de expor ao público, as diferenças entre várias modalidades de frevo (coqueiro, ventania e abafa) executando didaticamente os estilos descritos em seguida, a banda arrebatou a todos no final, tocando o mais tradicional e famoso de todos,"Vassourinhas". Ali, cada integrante teve a oportunidade de solar por um breve instante, incentivado por seus companheiros, em um clima de celebração, de festa.

Saíram todos aplaudidos de pé por nossa platéia de ignorantes do frevo, agora ilustrados e convertidos em amantes da SpockFrevo Orquestra. Daqui nossos parabéns a todos os seus membros pela aplicação e inegável talento.

E ficou na minha cabeça uma caraminhola: o que aconteceria ao misturar-se um saxofonista frevístico a uma banda de jazz...

Cotação: @@@1/2



ENRICO RAVA

O bel-piato da noite, Enrico Rava, cortou o ar da noite carioca com as afiadas notas que seus admiradores já sabem ver extraídas de seu trompete em silvos lentos e longos, agora entremeados com clusters de notas tão rápidas que pareciam-se mesmo a acordes.

Proficiente em todas as frentes, do romântico ao hard-bop, e muito bem acolitado pelo jovem - e muito promissor - trombonista Gianluca Petrella (que ajudou o líder a compor um clima mágico, ao ajuntar sonoridades exóticas e até alguns efeitos pirotécnicos que, no entanto, em nenhum momento soaram fora do contexto, apenas enriqueceram o todo) o bravo Rava, notório admirador de Miles, Chet e Cherry, conseguiu mostrar bem o seu estilo peculiar e timbre inconfundível, com o suporte da excepcional banda.

Destaques para o jovem e criativo pianista Andrea Pozza, que substituiu nesta excursão ao célebre Stefano Bollani, habitual parceiro de Rava. Na cozinha dois dínamos: o contrabaixista Rosario Bonnacorso, com sua infatigável, mesmo que às vezes minimalista, jornada pelo braço do instrumento, mantendo o pulso confiável como farol em meio à neblina. Na bateria, o bom e fiel escudeiro de Rava, Roberto Gatto emprestava toda sua vitalidade rítmica ao conjunto, sem no entanto, brilhar particularmente.

A boa ordem das coisas jazzísticas - Nature Boy, Sand, Algir dal Bughi e até uma homenagem de Rava a Ornette Coleman foram subvertidas, porém, quando Rava admitiu ao palco um velho companheiro de suas anteriores andanças cariocas - o italiano tocou inúmeras vezes no Jazzmania, finado templo carioca de música instrumental -, o grande baterista e percussionista Robertinho Silva. Que inicialmente sentou-se à bateria no lugar de Gatto para um dos temas, em seguida assumiu sua despensa recheada de artefatos de percussão.

Aí, botou os quatro italianos de boca aberta (só Gatto atuava mantendo a base rítmica) - os jovens, o pianista e o trombonista pareciam não acreditar no que ouviam e Bonnacorso não parava de sorrir, entre deslumbrado e abismado com a "ousadia" de Silva - simplesmente apoderando-se do espetáculo e implantando um ritmo de festa que talvez não fosse o originalmente pretendido por Rava. Paciência, pois que com sua grande arte, ninguém saiu perdendo ou reclamando.

Para a bela apresentação dos italianos mais Robertinho: @@@@


JOHN MCLAUGHLIN E SHAKTI

Embora técnicamente proficientes os músicos e o cantor indiano que acompanham ao veterano e guitarrista de blues, a simples inclusão desse item no cardápio de um festival de jazz já causou estranheza. A apresentação em si, mais ainda. Seria mais indicada para agitar o "jasmin-tea break" em um seminário de auto-ajuda ou para fundo musical em um spa-espiritual.

Para quem foi lá ouvir a estimulante música inventada e difundida pelos negrões americanos, cheia de paixão e técnica, melhor estava o picante amendoim impregnado de curry que o criativo chef Felipe Bronze oferecia, bem salgado, nos dois sentidos, para acompanhar as bebidinhas.

Como saí na segunda música, ficam sem nota.

22 outubro 2005

TIM JAZZ - 1a. NOITE - 20/10/05
MUSEU DE ARTE MODERNA - RIO DE JANEIRO

Palco Club

Talvez tenha surtido efeito a saraivada de críticas que a organização do Tim Festival recebeu em 2003, por conta do péssimo ambiente então provido para ouvir jazz, atividade que requer um mínimo de atenção, para não dizer entrega absoluta.
Se não totalmente desprovido de falhas, já que uma caixa de som dava estalos perceptíveis até por quem estava lá no fundo, para desespero não só do operador da mesa de som - que, humildemente, admitiu ter tentado de tudo e que a dita estava "possuída" por um espírito eletrostático do mal -, mas dos músicos e do público em geral que, tão logo submergiam nas ondas de criatividade musical ali oferecidas, delas eram arrancados, de súbito, por um traque elétrico vicioso e irritante, algumas coisas melhoraram na tenda espaçosa e confortável, como o bloqueio acústico ao som exterior e o atendimento de bar nas mesas.
Mesmo assim, nada me convence da inteligência de manter coisas tão distintas em um mesmo ambiente, apenas para atender a aspirações marqueteiras. São os públicos de gostos diametralmente diferentes e com propósitos distintos. Eu voto numa Sala Cecília Meirelles, só com cadeiras mais modernas.

Fora os estalos que felizmente foram controlados antes da entrada de Wayne Shorter, o resto da noite foi de muito boa música para todos os gostos, até mesmo para os assistentes nem-tão-jazzísticos-assim.

Para começar, notava-se a maciça presença de músicos cariocas, ávidos pelo bafejo dos ventos refrescantes soprados do hemisfério norte, meca do jazz universal. Assim, Idriss, Jessé, Dôdo, Adriano, Senise, Zagury, nosso confrade Raynaldo, Paulo Moura, Tiso, Paschoal, os Szpilman, pai e filha, e grande parte dos garotos da Orquestra da URFJ do Maestro Rua (a URFJazz Ensemble), eram alguns dos profissionais da música instrumental ligados no que estava por vir.

BOB MINTZER BIG BAND

A Orquestra de Bob Mintzer, que abriu a noite, foi um todo abençoado que nos trouxe a exata noção do que é uma big-band de qualidade, dedicada a manter viva a preciosa herança recebida de seus predecessores e que nos entrega partes desta como presentes, embrulhados em papel bem colorido.Mintzer, líder e principal sax-tenor da orquestra, produz interessantes variações rítmicas e cortes precisos, fruto de sua reconhecida proficiência em arranjos, moderna e dinâmicamente apresentados pelo conjunto, redondo e afiadíssimo.
Mintzer apresentou vários temas do seu tempo de Yellowjackets, todos com ótima aceitação dos presentes, tendo reservado alguns standards para o fim do set. Estes, no entanto, vieram disfarçados dentro dos criativos arranjos pelos quais se notabiliza o líder, de tal forma que a linha melódica dos temas conhecidos só surgia, tangenciada, e para ouvidos não apenas bem treinados mas atentos. Para então, nos compassos finais, dar ao bom público a chance de reconhecê-los de pleno e colher os merecidos aplausos advindos da belas performances do grupo como um todo.

Bem curioso foi ver Mintzer bem à vontade com uma cerveja na mão, encostado na parede do corredor lateral da tenda, como dezenas de outros anônimos espectadores, e quase sem piscar, apreciando as performances de Shorter, Perez, Patitucci e Blade.

Em 5 possíveis, dei à apresentação da banda @@@@.


RUSSEL MALONE & BENNIE GREEN

Decepção e surpresa. O guitarrista Malone não me agrada não é de hoje e isso era uma coisa bem pessoal, achava eu. Mas pelo que vi as pessoas comentando ao meu redor, o sentimento é mais difundido. Tenho três discos dele, sendo que os dois posteriores à primeira aquisição talvez tenham sido comprados apenas numa tentativa de descobrir neles o que fizera Diana Krall adotá-lo como seu sideman, em todos os sentidos. Não achei nada, e desconfio que seja porque os CDs não trazem imagens.

De fato, a par de uma velocidade e de uma técnica "padrões" para um guitarrista se firmar nos EUA, ele nada de especial nos apresentou. Não passou emoção e ademais, o timbre de seu instrumento é feio. No estilo que desenvolveu, mistura pobres imitações de todos os grandes da guitarra, sem no entanto, conseguir encontrar um estilo próprio. Não é à tôa que tendo ouvido Julian Lage, jovem guitarrista de 17 anos, tocar, dele disse: "puxa, se eu deixar esse menino abrir meu armário, vai sair com a minha melhor roupa". É pura verdade. Malone já está nu. Por sua atuação, daria @@ em 5 possíveis.

Na outra ponta do duo, no entanto, estava Bennie Green que, na dupla, é quem carrega o piano. E que bela surpresa de pianista, que fascinantes andamentos e ritmos conseguiu extrair do instrumento. Num cenário atual pontuado de sérios concorrentes, Bennie excedeu em personalidade, o exato oposto de Malone. Veloz, fluente e criativo a um só tempo, transmitiu total segurança à dupla, enchendo todos os espaços vazios com uma sonoridade excepcional tanto quando acompanhava os solos de seu parceiro como quando solou, sempre de maneira criativa e surpreendente. Green figura, fácil, no time de monstrinhos do piano no jazz atual, numa formação complementada, a meu ver, por Eldar Djangirov, Yuma Sung e Taylor Eigsti.

À arte de Green, daria @@@@ nas 5 possíveis pelo critério do CJUB.


WAYNE SHORTER QUARTET

O grupo mais esperado da noite de ontem atendeu a todas as expectativas e ainda teve sobras para encher plenamente os ouvidos e os corações dos presentes, com uma apresentação digna de entrar para os highlights históricos dos festivais de jazz que já houve no eixo Rio-SP. Mesmo não estando mais no ápice de sua saúde interpretativa, embora ainda conserve seu timbre inigualável tanto no sax alto quanto no precioso soprano, Wayne Shorter descobriu, e com isso, cativa o público e se diverte à larga, um grupo de fabulosos "sidemen", que passam o tempo a criar fantásticas variaçãoes em torno de músicas que ele compôs ao longo de sua prolífica trajetória. Diverte-se, inclusive, participando.

Wayne começou apresentando seus temas sem um brilho especial ou uma interpretação explosiva. Contudo a sinergia musical, hoje beirando as raias da telepatia, adquirida pelo tempo de estrada sob a mesma formação, dos seus brilhantes "compagni" - e dentre estes, um laurel de distinção para o baterista Brian Blade, pela facilidade com que extrai miríades de timbres da "cozinha" à sua frente, não apenas pontuando o ritmo mas empurrando bravamente (como se precisasse...) o conjunto para a frente, como um jipe de papel com tração nas quatro rodas, fazendo o público "sentir" esse empurrão e aplaudí-lo em meio à criação coletiva - transforma o passeio de Shorter numa experiência grandemente recompensadora, o líder intervindo aqui e acolá para acrescer à direção das idéias ou mesmo desviá-las, com isso instigando ainda mais sua turma.

Danilo Perez esteve soberbo ao piano. Inventivo como nunca no plano acelerado de novidades que desfia sem cessar, não cedeu um milímetro na apresentação em prol de qualquer companheiro, ligou o pisca-alerta e partiu para uma das suas mais brilhantes apresentações. Teve companhia de gala, em seu percurso sônico e supersônico, de um amadurecido e exuberante John Patitucci no contrabaixo, em grande forma tanto pela afinação precisa como na facilidade com que desempenhou seus solos ao mesmo tempo criativos e velocíssimos, uma de suas características mais marcantes.

Shorter e Cia. estiveram na iminência de ter de bisar uma segunda vez, tal a algazarra e a insistência do público em receber um pouco mais daquela bênção sonora que acabara de vez protagonizada por todos os quatro monstros, unidos ali por um mesmo ideal: fazer música para alegrar a alma.

Minha cotação para o grupo foi a máxima: @@@@@

21 outubro 2005

SETE GRANDES DO JAZZ HOMENAGEADOS PELO GOVERNO AMERICANO

Sete legendários nomes do jazz estão recebendo o reconhecimento do governo americano, por suas realizações. O cantor Tony Bennett, o pianista e tecladista Chick Corea e o trompetista Freddie Hubbard estão entre os considerados Mestres do Jazz - Jazz Masters - pelo órgão National Endowment for the Arts, o NEA, e receberam 25 mil dólares cada, como prêmio.

Os demais agraciados foram o percussionista Ray Barretto, o compositor (e trombonista) Bob Brookmeyer, o clarinetista Buddy deFranco e o agente e empresário John Levy, natural de New Orleans, homenageado como um defensor do jazz.

"O jazz é uma das grandes formas de arte verdadeiramente americanas, junto com o cinema", disse o presidente da entidade, Dana Gioia, em uma entrevista recente. "Junto com o cinema, é provavelmente a arte que o resto do mundo associa mais profundamente com os EUA. E é importante que reconheçamos nossos grandes artistas enquanto eles ainda estejam vivos."

Gioia destacou ainda a emoção em honrar a esses grandes nomes logo depois que o furacão Katrina destruiu a cidade de New Orleans, considerada o berço do jazz ou onde tudo começou.

A NEA já nomeou 87 Mestres do Jazz desde que o programa teve início, em 1982. Os artistas e os defensores são escolhidos pelo público, e os prêmios são patrocinados por uma grande companhia de telecomunicações.

20 outubro 2005

AO ARNALDO BLOCH

Como membro e agora profeta (?) e um dos fundadores do nosso blog, gostaria de te convidar, Arnaldo (e não seria a primeira vez) a participar de um dos nossos encontros, a saber; almoço na Assossiação Comercial, todas as sexta feira, a partir das 13:00 h., além, é claro, de nossos Concertos (o deste mês, já o 25º, será no dia 27/10), sempre no Mistura Fina, nas últimas quintas feiras de cada mês.

Venha conhecer nosso grupo, Arnaldo, que nunca teve qualquer intenção de ser temido; ao contrário, buscamos agregar mais e mais, objetivando melhor difundir essa musica maravilhosa, que todos felizmente adoramos: o Jazz, que tanto precisa aumentar o número de seguidores, claro, sem abrir mão dos seus verdadeiros conceitos.

Pode ter a certeza de que, além de tudo, nosso grupo hoje que é, na verdade, uma família, tudo fazendo com grande alegria e fraternidade.

Portanto, bem vindo, Arnaldo Bloch.

José Sá

19 outubro 2005

DO FREE JAZZ AO TIM FESTIVAL

Para quem foi assistir Joe Pass no Free Jazz de 1985 no Anhembi em SP, numa noite em que também tocaram Toots Thielemans e Zimbo Trio, e anos depois no MAM, num palco chamado Club, viu Mark Whitfield, pelo menos é um alento que o Festival que substituiu o Free Jazz não mais tenha o nome de JAZZ, pois como nosso David Benechis bem lembrou (O Globo de hoje - Capa do segundo caderno)o Palco Club foi desapropriado...

Discordo do termo Gueto Jazz usado por Arnaldo Bloch. Somos apenas aficcionados por boa música, e de qualidade...

Beto Kessel

NOSSAS ENQUETES: NOVIDADES NO CJUB

Vocês notarão que a partir de agora, a cada semana, haverá sempre uma enquete em curso, sempre sobre assuntos ligados aos tópicos de interesse do CJUB.

Por enquanto, estamos fazendo um teste e se aprovado o sistema, isso passará a ser constante, com perguntas sempre interessantes e educativas.

Cheque sua opção e confira se você está na "mainstream", se é um "crossover" ou um verdadeiro e completo "outsider".

Vote clicando no link:
http://www.enquetes.com.br/popenquete.asp?id=604503

15 outubro 2005

BUSCANDO, ESTUDANDO E CONHECENDO JAZZ

O mundo do Jazz é muito amplo,e sempre haverá novas fontes para buscarmos aprimorar nossos conhecimentos, ainda mais num mundo onde a internet nos possibilita acesso interminável a inúmeros websites.

Nesta tarde de sábado, me dediquei a conhecer mais sobre o pensamento do guitarrista Barney Kessel, falecido em 2004, e considerado por muitos como um dos maiores guitarristas de Jazz de todos os tempos.

Uma das formas interessantes de conhecer o pensamento de uma pessoa é buscar entrevistas, onde as perguntas formuladas possam abranger diversos temas como influências, o que é o Jazz, improvisação x Jazz, etc...

Através de uma busca, cheguei ao website www.jazzprofessional.com, onde encontrei uma entrevista com Barney Kessel, feita em 1988, cuja parte relativa a Charlie Christian (considerado seu pai musical) reproduzo a seguir na integra:

BARNEY KESSEL - To me, the most alive jazz that is current today: although Bill Evans is no longer with us, his style of playing is fresh and beautiful; Stan Getz coming out of Lester Young; Phil Woods coming out of Charlie Parker. He's his own branch, but he's from the tree of Charlie Parker.

Entrevistador - Well, it's the same relationship as that between you and Charlie Christian.

BARNEY KESSEL - That's exactly right. A latterday person, expounding and influenced by those roots, and having been blessed to live long enough, because some of these people didn't live that long. As far as I'm concerned, Charlie Christian was my musical father but we have to keep in mind that we are our fathers' sons, and yet we are still ourselves; we are both at the same time. My idea of living life musically is not to perpetuate Charlie Christian; I respect him, because he's the one that I learned from and at times, in the right situation, if I'm playing the right kind of songs, in the right groove, I can go into that feeling, and I like it very much. But I have to remember that if I'm going to do anything in the world I've got to be Barney Kessel, because I have no choice. I have to be my own man, but it's subject to that. In a sense, you are very much your father's son. You may say things he said, you may walk like him, you may stroke your beard before you talk, the way he does, but at the same time you are yourself.

A opinião sobre a questão Inflûencia X Imitação fica para um próximo post...

Em tempo, o "codinome" BKESSEL muito me honra, pois além de termos o mesmo sobrenome, minha descoberta do Jazz se deu pela Bossa Nova, cujos principais nomes sempre mencionaram a histórica gravação de Cry Me a River, no LP Julie is her name, onde a cantora Julie London estava acompanhada pela guitarra de Barney Kessel.

Beto Kessel

10 outubro 2005

OUVINDO JAZZ - NOVO LOCAL EM SÃO PAULO

Já que as vezes é necessário ir a SP a trabalho, sempre é bom saber que há lugares para ouvir Jazz e Música Instrumental.

A nova opção que aparece é a casa TOM JAZZ, localizada à Rua Angélica 2331 em Higienóplis, que abre para o público em 13.10.2005 (próxima quinta feira). Seguem algumas dicas sobre o local:

Direção Musical: Jane Duboc
Programação Inicial (válida para um período inicial de um a três meses):

- 3as feiras - Arismar do Espírito Santo (Multiinstrumentista)e convidados
- 4as feiras - Léa Freira (Flauta) e Boccato (Trombone)
- 5as feiras - Wagner Tiso e Victor Biglione
- 6as feiras e sábados: Leny Andrade

O melhor de tudo é saber que músicos e cantores tem novos lugares para tocar e cantar.

08 outubro 2005

HURRICANE KATRINA - E O JAZZ COM ISTO ?

Pouco menos de 4 anos após a ocorrência do maior sinistro não ocasionado pela ação da natureza (ataque em NY em 11.9.2001), estamos acompanhando agora a maior catástrofe que já atingiu os EUA com efeitos devastadores, ou seja o furacão Katrina.

O tema me desperta especial interesse, por trabalhar com Seguros e Riscos há cerca de 20 anos e por gostar de Jazz há quase 30.

As cenas de New Orleans engolida pelas águas são de doer o coração. Referencias de vida como casa, emprego, família, foram levadas pelas águas.

New Orleans lembra Armstrong, Dixieland, Família Marsalis e tantos outros músicos.

Músicos precisam de trabalho, dos seus instrumentos e de reconstruir suas vidas como os demais moradores.

A última edição da Down Beat traz alguns websites de organizações para quem quer ajudar a comunidade de músicos de New Orleans:

Jazz Foundation of America: www.jazzfoundation.org
MusiCares Foundation: www.grammy.com/musicares
New Orleans Musicians Clinic: www.wwoz.org/clinic
Preservation Hall: www.preservationhall.com
Project HEAL: www.acadianaartscouncil.org
Tipitina’s Foundation: www.tipitinasfoundation.org

Vamos torcer que a cidade seja reconstruída e possamos um dia ver imagens de músicos novamente tocando nos bares do French Quarter e nas ruas.

Obs.: de um polo a outro, quem gosta de Bossa Nova e ama o Rio de Janeiro, não pode perder [o filme] Coisa Mais Linda.

CJUB INSIDER - Miles Davis para o Rock and Roll Hall of Fame

Um icone do jazz, nada menos que Miles Davis, encabeça a lista dos candidatos para o Rock and Roll Hall of Fame.

O trompetista, que morreu em 1991 aos 65 anos, mudou a cara do jazz diversas vezes e participou do movimento de jazz-rock-fusion no final dos anos 60. Miles também influenciou um grande número de músicos fora da arena do jazz, incluindo Prince, o baterista do Pearl Jam, Matt Cameron, o líder do Who, Peter Townshend e os membros do Radiohead, que teve o album "OK Computer", grandemente inspirado no album de fusion "Bitches Brew", de Miles.

Outros nominados pela primeira vez são o cantor-compositor Cat Stevens (agora conhecido pelo nome muçulmano de Yusuf Islam), Blondie, o Dave Clark Five, o Paul Butterfield Blues Band e o grupo de rock texano-mexicano, o Sir Douglas Quintet.

Os artistas são elegiveís 25 anos após o lançamento da sua primeira gravação. Isto significa que os lançamentos de 1980 são elegíveis pela primeira vez este ano.
Os nominados são escolhidos por um comitê de historiadores de música, críticos e profissionais da indústria de gravadoras, chegando a 750 votantes.

A inclusão do grande trompetista Miles Davis formaliza uma visão extendida do comitê julgador, que, até então, dava pouca atenção ao jazz.

07 outubro 2005

HOJE: MANINHO FAZ ANIVERSÁRIO

Nego bão taí!

Mesmo sendo suspeito para falar do cara, não dá para economizar nos elogios. MANIM é dez! Um dos últimos do grupo a se aprofundar no jazz "de raiz", torcedor que era da turma do jazz-light-meio-fusionado, o Mário avança em velocidade impressionante e ainda usa o acostamento se for preciso, para absorver, estudando e aprendendo o que se passou nesse universo no tempo em que nele não prestava tanta atenção.

É hoje, dentro do CJUB (diferentemente de outros membros mais antigos, que simplesmente sumiram, deixando de contribuir minimamente com algum tipo de comentário que possa enriquecer este blog, que traduz uma confraria) um colaborador empolgado, atuante e interessado, sempre em busca de novidades e surpresas para todos os amigos que vai fazendo pela vida, número que exponencia como poucos.

Hoje ele está fazendo anos e mando-lhe daqui um GRANDE abraço, fraterno e carinhoso, desejando-lhe muita saúde e paz de espírito.

Meu irmão, mais uma vez obrigado por colocar um pouco do seu tempo e da sua paciência em benefício deste pedaço de internet de qual tantos outros amigos já desfrutam. E então, tá todo mundo gritando pra você aí, ó - embora sem som - PARABÉNS!!!

05 outubro 2005

Leilão Vende Casa de Dizzy Gillespie

Dizzy Gillespie morreu em 1993 e sua mulher Lorraine, com quem ele não teve filhos, foi a única herdeira de sua propriedade. A viúva disse que ela queria beneficiar, com a venda da propriedade, a familia, amigos e doar para caridade, antes de sua morte no ano passado.
Os itens que foram vendidos no leilão, além de uma carta de amor para Lorraine, que atingiu $12000 dólares, foram o Grammy Award de 1975 pela melhor performance no jazz, o trompete curvo - sua marca registrada, discos raros, uma placa da Hollywood Walk of Fame, cartas de Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e do Presidente Bill Clinton.
A leiloeira da Dawson And Nye disse, "É o fator Dizzy. Ele é um American Legend e seus pertences são peças da história da música americana."

02 outubro 2005

Bootleg de Coltrane Oficializado


Lançamento, hoje dia 11 de Outubro - Impulse Records

Os fãs de John Coltrane podem substituir sua copia "bootlegged" da performance de 1965 no New York's Half Note, por uma gravação definitiva, aperfeiçoada e com excelente sonoridade.

'One Down, One Up: Live at the Half Note.' foi compilada e gravada a partir de master tapes e produzida por Ravi, filho de Coltrane.

O material gravado em 26 de Março e 7 de Maio de 1965 mostra Coltrane liderando o pianista McCoy Tyner o baixista Jimmy Garrison e o baterista Elvin Jones.

A versão de 28 minutos de "One Down, One Up" é, por muitos, considerada a improvisação mais impressionante da carreira de Coltrane.


Track List

Disc one:

Introductions and Announcements
"One Down, One Up"
Announcements
"Afro Blue"

Disc two:

Introductions and Announcements
"Song of Praise"
Announcements
"My Favorite Things"

Aniversário do Osvaldinho

Não gostaria de deixar esta data passar em branco. Além de ser um dia festivo do aniversário do Osvaldinho, ele está convidando para um tremendo jazz em sua casa, em Friburgo.

Osvaldo de Oliveira Castro, o Osvaldinho, é um jazzista de marca maior. Baterista amador, tocou com inúmeros músicos desde o Beco das Garrafas, chegando a tocar até em Big Band. Hoje, além de excelentes canjas na Modern Sound, Osvaldinho pertence ao grupo de jazz de Friburgo e faz palestras sobre o assunto.

Para as comemorações ele montou um excelente grupo:
- Betho Godoy, cantor uruguaio radicado no Brasil há 20 anos
- Carlos Montes - cantor de jazz brasileiro
- Hamleto Stamato - pianista de primeiro time do Rio
- Edson Lobo - contrabaixo acústico, radicado em Friburgo
- Emilio Cantini - guitarrista italiano, radicado em Friburgo
- José de Arimatéa - trompetista, toca na banda de Amy Duncan e Rio Jazz Estácio
- Sandro Guimarães - sax alto, estilo Charlie Parker

Esse imperdível grupo de músicos tornará um completo sucesso essa comemoração.

Parabéns ao Osvaldinho!

Vítimas do Katrina - Contribuições do Jazz

O trumpetista Arturo Sandoval liderou um contingente de artistas hispanicos-americanos numa visita às vítimas do furacão Katrina, em Louisiana, Mississippi.
Diana Krall participou do projeto PBS Hurricane Katrina Telethon, juntamente com seu marido, Elvis Costello e diversos outros artistas.