Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

30 julho 2005

UMA PEQUENA AMOSTRA DA ÚLTIMA QUINTA-FEIRA

Para que se possa ter uma pequena idéia da sonoridade da noite Vibes&Drums, ocorrida no Mistura, segue um pequeno trecho do convidado Michael Carney em duas aparições, a primeira delas abrindo o tema Invitation e na segunda, em plena execução de seus ótimos arranjo e leitura de "Manhã de Carnaval", muito bem acompanhado, e com destaque, por Guilherme Gonçalves.

São pequenas amostras apenas, para deixar tristes àqueles que lá não estiveram e felizes, pela possibilidade de relembrar o clima reinante, aos que compareceram.

Cliquem aqui 1, e aqui 2, munidos, alternativamente, de banda bem larga ou de um pouco de paciência. O resultado sempre será compensador.

Voltem nos próximos dias para ver e ouvir outras amostras do concerto e ler o relatório analítico-técnico-físico-químico-social de mais uma noite dedicada ao jazz de primeira grandeza.

28 julho 2005

QUEM É QUEM, NO CONCERTO DESTA NOITE

Aí estão os músicos que, convocados pelo baterista Guilherme Gonçalves (que aparece ao centro, na primeira foto) vâo ladear o catedrático Michael Carney (cuja foto já foi publicada anteriormente) hoje à noite no Mistura. À esquerda, está Santa Roza (contrabaixo) e à direita, Glauton Campelo (piano). Na foto em preto e branco, com seu sax, Idriss Boudrioua.


22 julho 2005

"VIBES & DRUMS" - MISTURA FINA, QUINTA-FEIRA, 28 DE JULHO, 21 HORAS




O 22º concerto da Série Chivas Lounge, produzida pelo CJUB, trará, no dia 28 de julho próximo, às 21 horas, no Mistura Fina, o aclamado vibrafonista e steel drummer americano Dr. Michael Carney, como convidado do quarteto de Guilherme Gonçalves (virtuoso baterista da memorável all-star unit que abriu, há dois anos, a Série Chivas Lounge), composto por Idriss Boudrioua (saxofones alto e tenor), Glauton Campelo (piano) e José Santa Roza (contrabaixo), todos do primeiro time do jazz brasileiro e com participações em inúmeros concertos e gravações dos mais prestigiados nomes da música nacional e internacional.


Dr. Michael Carney, ao longo de prolífica carreira como músico e educador, desde 1981, na California State University, já se apresentou com gigantes do jazz como Pepper Adams, Bill Watrous, Eddie Daniels, John Patitucci e Bobby McFerrin, entre outros consagrados cats.


Guilherme fará as honras para esta extraordinária atração internacional - a quem conheceu em Los Angeles, onde ambos ministraram workshops - no imperdível concerto naturalmente batizado “VIBES & DRUMS”, tal a afinidade que os une.


Arranjos e repertório, sob a direção geral de Arlindo Coutinho, contemplarão o jazz de altíssima qualidade a que o público dos concertos CJUB já se acostumou a testemunhar e aplaudir, como marca distintiva de cada uma das esmeradas produções, nesta, inclusive, debutando o uso do vibrafone e de steel drum, instrumentos raramente vistos nos palcos brasileiros.

Assim, alternados a standards do songbook americano, Charlie Parker, Sonny Rollins, Cedar Walton e Luis Bonfá (com arranjo inédito de Carney, para Manhã de Carnaval, preparado especialmente para a ocasião), serão revisitados pelo grupo, com swing e tempero contagiantes.

Em resumo: programa obrigatório para os amantes da boa música.

Os ingressos podem ser adquiridos pelo Ticketronics, ou diretamente no Mistura Fina, com Adriana ou Silvia, fone: 2537.2844

SET LIST DO CONCERTO DE QUINTA, NO MISTURA FINA

Segue abaixo a lista definitiva dos temas preparados para o próximo concerto produzido pelo CJUB. Além dos standards, ali estarão sendo apresentados alguns outros temas, compostos pelo vibrafonista e steel-drummer especialmente convidado, o Dr. Michael Carney, que aqui aparece ao lado dos instrumentos nos quais é exímio performer.



1º set
1 - Bolivia (Cedar Walton)
2 - Half Nelson (Miles Davis)
3 - Forest Flower (Charles Lloyd)
4 - Alone Together (Dietz / Schwartz)
5 - Island Fantasy (Michael Carney)
6 - A Remark You Made (Joe Zawinul)
7 - Cherokee (Ray Noble)
8 - Doxy (Sonny Rollins)

2º set
1 - One of A Kind (Freddie Hubard)
2 - Manhã de Carnaval (Luis Bonfá / Antonio Maria)
3 - Maracas Bay (Michael Carney)
4 - Invitation (Kaper / Webster)
5 - Round Midnight (T. Monk) / Lament
6 - Straight, No Chaser (T. Monk)
7 - St. Thomas (Sonny Rollins)

21 julho 2005

JAZZ NA LAGOA - V FESTIVAL DE JAZZ DRINK CAFE


Pelo visto o V Festival de Jazz do Drink Café (no Parque dos Patins, quiosque nº 5) - local diretamente ligado à criação da série Chivas Lounge, desde que Roditi ali se apresentou - não corre o risco de silenciar, segundo sua proprietária e programadora musical Ana Maria Antunes. A proibição, aliás, ao que parece vinda do sub prefeito da Zona Sul, Mario Filippo, seria, afinal, mais um dos absurdos da nossa cidade, ainda bem que repensada. A partir de amanhã, portanto, e até o dia 31/07, teremos uma bela programação musical, a conferir:

Dia 26 - Abertura e apresentação com Miele e, após, Dario Galante e Idriss Boudrioua;
Dia 27 - Hamleto Stamato tocando "Speed Samba Jazz II";
Dia 28 - Taryn Szpilman cantando "Billie Holiday"
Dia 29 - Wanda Sá "In Concert";
Dia 30 - Trio de Cordas com Victor Biglione, Marcel Baden Powell e João de Aquino;
Dia 31 - Encerramento com a Estácio Rio Orchestra.

Ótimo festival para todos e parabéns a Ana Maria Antunes pela excelente iniciativa, que já por cinco anos se repete, para o bem do Rio !

NOITE DE VIBRAFONE E DE STEEL-DRUM VAI AGITAR O MISTURA NA SEMANA QUE VEM!!!

Uma noite muito especial, diferente - com a apresentação desses instrumentos pela primeira vez nos concertos produzidos pelo CJUB - está sendo preparada para os amantes do jazz, próxima quinta-feira, dia 28.

Com a participação do músico americano (e professor-doutor de percussão) Michael Carney como convidado muito especial do quarteto liderado pelo baterista Guilherme Gonçalves, mais Idriss Boudrioua(s), Glauton Campelo(p) e José Santa Roza(b), a noite promete ser bem interessante, com um repertório jazzístico de primeira mais uma bela amostra de ritmos com que Carney promete deflagrar um verdadeiro carnaval caribenho em pleno palco do Mistura.

Todos lá nessa noite, que promete alta temperatura!

19 julho 2005

MARCELÓN: IMPORTANTE DIA, HOJE

Rolou um boato que o nosso Marcelón, recentemente encontrado com uns tlocentos e tleze mil dólares na cueca, fruto do recolhimento de doações de jazzófilos, charuteiros e uisquezitos do mundo inteiro para que ele pudesse reabastecer seu estoque de Chivas Golden Signature de 18 anos - o uísque predileto de VéDirfeu - receberia hoje em sua casa todos os participantes das produções que o CJUB já fez até hoje (e lá se vão 23, no total) para uma grande comemoração sonora desta importante data, seu aniversário.

Só que a Presidenta da "CPI do Marcelón", D. Fernanda ("carina", mas não Karina) quando soube do projeto faraônico do conjuge, convocou o indivíduo para depor imediatamente, sem tempo de obter nem um "habeas-corpus" preventivo e pôs um ponto final nas pretensões festeiras do dito cujo. Ficou o dito pelo não-dito, afinal quem manda no espetáculo é ela.

Que desde então tem se mantido incomunicável, só nos sobrando fazer-lhe tributo por esta via, desejando-lhe MUITA SAÚDE E FELICIDADES, E MUITOS ANOS DE VIDA!

Parabéns, Marcelão, e a gente daqui o saúda, gritando: NENSE!

17 julho 2005

NOITE MAIS DO QUE ESPECIAL NO FAMOSO FESTIVAL "JAZZ IN MARCIAC" 2005:
E. Elias / W. Marsalis My Brazilian Heart

Vejam a programação completa do famoso Jazz in Marciac deste ano (1º a 15 de agosto), bastante marcada, claro, pelo tal "Ano Brasil", na França (mas muito, muito forte, também, no Latin em geral):

Date Lundi 1 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes Gilberto Gil “Eletracustico“ / Jorge Ben Jor

Date Mardi 2 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes Maraca / Ibrahim Ferrer

Date Mercredi 3 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes SoulBop Band 2005 / Marcus Miller

Date Jeudi 4 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes The Blind Boys of Alabama / Taj Mahal Trio

Date Vendredi 5 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes Eliane Elias / Wynton Marsalis "My Brazilian'heart"


Date Vendredi 5 Août 2005
Lieu Arènes / 21h30
Artistes Ghetto Blaster / Femi Kuti

Date Samedi 6 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes Sara Lazarus / Wynton Marsalis & Strings

Date Samedi 6 Août 2005
Lieu Arènes / 21h30
Artistes Quarteto Camara / Orquestra Do Fuba

Date Dimanche 7 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes Omar Sosa / Abdullah Ibrahim / Kenny Barron & Mulgrew Miller

Date Dimanche 7 Août 2005
Lieu Arènes / 21h30
Artistes Albert Cummings / Popa Chubby

Date Lundi 8 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes Stefano Di Battista / Phil Woods & Strings /Charlie Parker Legacy Band

Date Mardi 9 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes Ravi Coltrane Quartet / John Zorn Acoustic Masada

Date Mercredi 10 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes Paris Jazz Big Band / Magic Malik / Michel Portal & Louis Sclavis

Date Jeudi 11 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes The Count Basie Orchestra / Monty Alexander Spirit Of Jamaïca

Date Vendredi 12 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes Afro Cuban All Stars / Latin Giants of Jazz

Date Samedi 13 Août 2005
Lieu Chapiteau / 21h
Artistes Randy Weston's African Rythms Trio / Wayne Shorter

Date Dimanche 14 Août 2005
Lieu Festival off
Artistes Concerts Gratuits

Date Lundi 15 Août 2005
Lieu Festival off
Artistes Concerts Gratuits



Grifei aquilo que considero especialmente interessante, detalhando a seguir:

- Maraca, se tocar jazz (e não só música cubana para dançar), o que é bem possível pois irá com o extraordinário Reynaldo “Molote“ Melian, no trompete (longamente associado com Rubalcaba) fará furor. Sua técnica e inventividade andam impossíveis, como vimos por aqui, em sua última vinda ao Brasil.

- Eliane Elias abrirá o dia 5/8 (com grupo nem tão usual para ela, ao que sei: Gustavo Saiani, guitarra, Lincoln Goines, baixo (?, o cara é baixista do Mike Stern), Paulo Braga, bateria; a ela se seguirá W. Marsalis, no espetáculo "My Brazilian Heart" (será uma homenagem a seu grande amigo Coutinho ?), com a seguinte banda, presença de vários brasileiros: Zé Nogueira, saxophone soprano, Emile Parisien, saxophone alto, Olivier Temime, saxophone tenor, Frédéric Couderc, saxofone barítono, Lionel Segui, trombone, Hervé Meschinet, flauta, François Bonhomme, english horn, Marcos Nimrichter, piano, Mario Adnet, guitar, Carlos Henriquez, baixo, Herlin Riley, bateria, Cyro Baptista, percussão. Pelo excepcional solo que os Mestres Raf e Couto disseram que o cara fez em Aquarela do Brasil, na ECO 92, dá até pra esperar um espetáculo, no mínimo, promissor. Mas "My Brazilian Heart" parece meio puxado, não acham ?

- Phil Woods & Strings /Charlie Parker Legacy Band: preciso dizer algo mais ?

- Latin Giants of Jazz: boa parte da última banda de Tito Puente, com grandes feras do Latin Jazz Nova Yorquino: Hector Colon, trompete, Kevin Bryan trompete, John Walsh, trompete, Richard Viruet, trompete, Mitchell Frohman, saxophone, Pedro Miranda saxophone; Stewart Jackson saxophone; Robert Porcelli, saxophone; Mario Rivera saxophone; Oscar Hernandez piano e teclados; Gerardo Madera, baixo, Jose Madera, timbales, John Rodriguez, bongos, George Delgado, congas e Ray de la Paz, vocais. Só Mario Rivera e Bobby Porcelli já valeriam o ingresso.

E eu sigo cantando: "Ei, você aí, me empresta uma milhagem aí, me empresta uma milhagem aí ? ..."

16 julho 2005

Em tempo de Tributo - Lembrando Victor Assis Brasil

Nestes tempos em que prestamos Tributos a grandes músicos, cabe ao CJUB manter acesa a chama do jazz, quer lembrando quem já se foi, quer buscando descobrir e incentivar os novos talentos.

Assim sendo, num trabalho de pesquisa de sons que me despertaram para o Jazz, lembrei de um K7 do Victor Assis Brasil tocando temas de Antônio Carlos Jobim.

Caso não tivesse falecido precocemente em 14.04.81, Victor Assis Brasil, um dos maiores músicos brasileiros de jazz de todos os tempos, estaria completando 60 anos no próximo dia 28 de agosto.

Peço desde já a permissão do Mestre (sei que ele pode não gostar, mas insisto no Mestre) José Domingos Rafaelli, com quem tive o prazer de conversar ontém em mais um agradável almoço CJUBIANO (presentes também o Mau Nah, Bene-X, Llulla, Coutinho, Marcelon, Sazz), para transcrever algumas palavras e comentários sobre este Grande e Inesquecível Músico Brasileiro que foi Victor Assis Brasil:

Victor foi um exímio músico, dotado de uma técnica invejável. Seus improvisos, muito criativos, eram de fraseado perfeito e bonito lirismo. Sabia interpretar uma melodia, sempre conseguindo uma excelente expressividade com um lindo timbre. Victor desenvolveu em cada trabalho uma atuação expressiva, criando em cada improvisação um clima apropriado ao contexto, estendendo através de suas frases uma torrente de idéias precisamente articuladas e superiormente construídas. No alto ou no soprano, a complexidade aparente de certas evoluções encerra uma lógica definida, cuja clareza resoluta é aparente aos que compreendem seu vocabulário. Ele não é somente um improvisador de nível internacional, mas transcendeu a esse estágio para situar-se entre os criadores do jazz, um músico cuja experiência, inventiva e bagagem musical empresta a cada solo a marca indelével de sua individualidade, desenvolvendo idéias com forma, propósito e beleza estética.
José Domingos Raffaelli


Saudações Jazzísticas,

Beto Kessel


15 julho 2005

MESTRE L.O.C. E O FENÔMENO ELDAR DJANGIROV - NO JB DE ONTEM

Em mais uma bela matéria em sua coluna no JB, na qual demonstra como o seu timing é mais do que perfeito, Mestre Luiz Orlando revela suas impressões (que, por coincidência e por se tratar efetivamente de um geniozinho, batem com as nossas aqui no blog) sobre o joveníssimo Eldar, que, a continuar na trajetória atual, atingirá o apex jazzístico em pouco tempo. Só rezamos para que os cifrões não corrompam sua alma antes que nos deixe um legado rico como a sua arte. Com a palavra, Mestre LOC:

Virtuose além do menino-prodígio

"Quando o pianista Eldar Djangirov detona e transforma em centelhas e clarões alucinantes a melodia e os acordes de Sweet Georgia Brown, a primeira faixa do CD Eldar (Sony Classical 92593), tem-se a impressão de que Art Tatum ressuscitou e gravou disco novo num estúdio com equipamentos de última geração. Ou que Oscar Peterson, totalmente recuperado do derrame parcial sofrido em 1993, voltou a deslizar os dez dedos pelas 88 teclas de seu Bösendorfer, à frente de um trio com o notável John Patitucci (baixo) e Todd Straitt (bateria).
Eldar tinha 17 anos quando esses registros foram feitos, em abril do ano passado. Foi tratado, desde os 5 anos, como o garoto-prodígio surgido nos confins da ex-União Soviética (nasceu no Quirguistão), e mais tarde descoberto e exportado com a família para a América, por um jazzófilo rico de Nova York. Contudo, após algumas audições das 11 faixas do álbum de estréia na Sony, conclui-se que Eldar não é um incrível virtuose a ser apreciado simplesmente por sua condição de teen-ager prodígio.

O mais impressionante em Eldar é o fato de ter assimilado - juntamente com os estudos clássicos dirigidos por sua mãe, professora de música - as ''obras completas'' de todos os grandes estilistas do piano jazzístico, e de ser capaz de reinventá-las, conforme lhe dá na telha, sem nenhum temor reverencial.

Neste primeiro CD para uma grande gravadora, ele excursiona por Moanin', o hino do soul jazz de Bobby Timmons, com intensidade e assinatura bem diversas das clássicas versões do tema dos tempos dos Jazz Messengers de Art Blakey; enfrenta com bravura, num clima percussivo típico de McCoy Tyner, uma das mais memoráveis peças de Herbie Hancock, Maiden Voyage; e presta tributo a Thelonious Monk em Round Midnight e Ask Me Now - nesta última sublinhando que, no fundo, o "eremita do bop" era um genial strider bem hippie.

Em suas próprias composições, Eldar não esconde ter estudado e ouvido muito Chopin e Bill Evans (Raindrops e a interpretação solitária de Lady Wicks). Em Point of View, convida para juntar-se ao trio o eminente saxofonista Michael Brecker, 56 anos, e os dois dialogam, de igual para igual, um provocando o outro, no ponto mais alto e solto do disco.

O respeitado pianista e musicólogo Billy Taylor registra seu entusiasmo com a arte de Eldar (66 anos mais moço) nas notas que escreveu para o CD da Sony, ainda não lançado no Brasil: "Eldar tinha 11 anos quando o ouvi pela primeira vez. Fiquei tão impressionado com o que ouvi e com o próprio garoto que, imediatamente, o convidei para a aparecer no programa Sunday Morning, da CBS. Prodígios vêm e vão, mas logo senti que tinha encontrado alguém muito especial. Antes de tudo, estava a facilidade técnica dele ao piano - espantosa para alguém de sua idade. Mas, acima de tudo, ele tocava jazz honestamente, e não apenas fazia rodopiar melodias e notas. Minha primeira impressão foi a de que seu modo de tocar soava como uma combinação de Bill Evans e Oscar Peterson. Pode parecer uma estranha combinação, mas para mim era claro que Eldar ouvia esses dois sons muito diferentes, e conseguia fazer deles um blend."

14 julho 2005

PROGRAMA IMPERDÍVEL - VICTOR BIGLIONE TRIO NESTE DOMINGO

NESTE DOMINGO, DIA 17, A PARTIR DAS 18:30 H., NA "TOCA DO VINÍCIUS" (RUA VINÍCIUS DE MORAIS - 129, ESQUINA COM BARÃO DA TORRE), O GUITARRISTA E VIOLONISTA VICTOR BIGLIONE, ESTARÁ ACOMPANHADO DE SERGIO BARROSO (CONTRABAIXO) E ANDRÉ TANDETA (BATERIA), TOCANDO AO AR LIVRE GRANDES CLÁSSICOS DO JAZZ, SAMBA-JAZZ E DA BOSSA NOVA. O PROGRAMA É GRATUITO E IMPERDÍVEL E BIGLIONE, MELHOR MÚSICO "CJUB" 2004, SERÁ HOMENAGEADO, COLOCANDO SUAS MÃOS NA CALÇADA DA FAMA, EM IPANEMA.

Todos convocados !

07 julho 2005

AWÉ, DE DARIO GALANTE, COMENTADO NO JB PELO MESTRE L.O.C.

Nosso Mestre-Remoto, Luiz Orlando Carneiro, brinda-nos mais uma vez com suas elegantes palavras em comentários pertinentes, desta vez resenhando o CD Awé, do pianista e compositor italiano aqui radicado Dario Galante, que inaugurou a série de concertos produzidos por este CJUB, lá em maio de 2003, no Epitácio.

Para nós, ver o Dario recebendo elogios não é novidade, já que acompanhamos sua bela carreira jazzística de perto.

Cliquem na ilustração para ler a coluna na íntegra.

MAIS UMA FORÇA NA DIVULGAÇÃO: TRIBUNA DA IMPRENSA

E agora foi a jovem e gentil jornalista Julia Lima, que, depois de me alcançar no celular ontem, em pleno engarrafamento para chegar ao Centro, teve seu cuidadoso e bem escrito artigo publicado e com isso nos deu uma boa força, com a matéria publicada nesta data, na Tribuna da Imprensa.

Daqui Julia, nosso agradecimento.

Cliquem na ilustração ao lado para ler a íntegra da matéria dela.

05 julho 2005

PRODUÇÃO DO CJUB GANHA DESTAQUE NA IMPRENSA DO RIO

O concerto de depois de amanhã, em homenagem a Toots Thielemans ganhou notas nas colunas de Ricardo Boechat no JB, e na especializada do crítico Antônio Carlos Miguel, no O Globo. Esta, ainda por cima, traz nota para lá de empolgante, dando conta da descoberta, e sua próxima edição, de raro encontro entre Thelonious Monk e Charlie Parker. Expectativa total...
No dia de ontem, foi a vez do sempre gentil Ancelmo Góes ajudar a divulgação, em sua coluna de utilidade pública no O Globo.

A todos o nosso agradecimento pelo apoio e pela força na divulgação. "À coté", para usar uma expressão que era muito utilizada pelos colunistas de tempos atrás, incansável em seu trabalho silencioso de divulgação, nosso Grande Mestre Raffaelli. Cliquem para ampliar.

PEDIDO PÚBLICO DE DESCULPAS A JOSÉ SÁ

Soube, hoje, que José Sá ficou, em suas próprias palavras, "triste e sentido" com o post em que fiz alusão a nossa "controvérsia" sobre a "morte" do James Moody e à publicação do termo "Soulseek" nO Globo.

Como a intenção de simples "gozação" - que entendo saudável - causou este tipo de equivocada e inesperada impressão em pessoa por quem tenho grande estima, nenhum problema vejo em publicamente me desculpar, como aliás, nunca tive qualquer problema em reconhecer quando estou errado. Já o fiz várias vezes, aqui, e em diversas outras situações. Nisto não há humilhação, mas, sim, grandeza. Foi o que aprendi desde criança e procuro exercitar em minha vida.

Lamento só que, injustamente, tenha sido chamado de CORRUPTO e ADULTERADOR, no 1º comentário feito àquele post. Nada justifica, a meu ver, tão graves afrontas, que não condizem com o afeto nutrido por meus amigos, a quem tanto considero, diariamente disto dando provas.

De todo modo, sinceramente me desculpe, caro Sá, por lhe haver chateado, embora a intenção nunca fosse esta, e, sim, unicamente - e na pura gozação, repito - mostrar só que estava v. insistindo em pequenos equívocos, apesar das evidências.

Abs. do amigo penitente,

04 julho 2005

O "JAZZ EDUCATOR" CONTINUA PLANTANDO

O jornal "O Dia" de 1° de julho publicou uma nota "sensacional", como se segue: "O 'producer', 'critic' e 'jazz educator' achou nos Estados Unidos disco inédito do Tamba Trio, gravado em fevereiro de 1969".

Entenderam?

Abraços llulla

TOOTS THIELEMANS NA PRÓXIMA PRODUÇÃO DO CJUB

O quinteto liderado por José Staneck vai prestar homenagem a um dos maiores, senão o maior nome da harmônica mundial, Toots Thielemans, dando continuidade ao Projeto Chivas Lounge, no Mistura Fina, na próxima quinta feira, dia 7 de julho, às 21 horas, em concerto chamado “Chez Toots”.

Jean “Toots” Thielemans é reconhecido como o mais talentoso gaitista de jazz em todo o mundo. Bluesette, sua composição mais famosa, tornou-se um grande sucesso no jazz. Toots gravou com os mais renomados nomes do jazz e no final dos anos 70 gravou com Bill Evans o disco Affinity.

Além disso tocou e toca com vários músicos brasileiros, sempre que lhe é possível, por admirar e amar a nossa música. Seus discos Brazilian Project I e II, gravados em parcerias com artistas nacionais, são tão belos quanto indispensáveis em qualquer boa coleção. Por essa sua dedicação e compromisso, Toots foi agraciado, na Embaixada do Brasil na Bélgica, com o título e a medalha de “Comendador da Ordem do Rio Branco”.

O XXI Concerto da Série Chivas Lounge, produzido pelo CJUB, terá à sua frente José Staneck, um virtuoso da harmônica, acompanhado de Luiz Avellar (piano), Marcos Amorim (violão/guitarra)), Paulo Russo (contrabaixo acústico), e Rafael Barata (bateria).



José Staneck tem formação que vai do erudito à música popular e jazzística. Estudou na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro e se aperfeiçoou com Maurício Einhorn, Isidoro Kutno e H.J. Koeullreutter. Vencedor de inúmeros prêmios de música, apresentou-se no Free Jazz, em 1981. Esta é a sua estréia em concertos produzidos pelo CJUB.

Luiz Avellar ganhou o Brasil e o mundo com seu piano, apresentando-se com Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ernie Watts, Larry Coryell, Billy Cobham, Milton Nascimento, Airto Moreira e com muitos outros destaques. Avellar estudou na Mannes School of Music, em Nova Iorque e tem influencias do jazz e da música clássica. Também aparece pela primeira vez numa produção CJUBiana.

Marcos Amorim, violonista, pegou do seu pai o gosto pelo jazz e pela bossa nova. Aos 14 anos iniciou os estudos com Helio Delmiro, Isidoro Kutno e a maestrina Célia Vaz. Marcos se apresentou em Montreux, no Platinum Festival em 1988 e tocou com Tomás Improta, Belô Velloso, Daúde, Eduardo Dusek, Tânia Alves, Barrosinho, entre outros expoentes da música no Brasil. Em 93 teve seu disco considerado o melhor “CD Instrumental” do ano, pelo jornal O Globo. Suas principais influências sâo: Baden Powell, Hélio Delmiro, Laurindo de Almeida, Wes Montgomery, Bill Evans e diversos músicos de grande categoria. Estréia num concerto sob nossa produção.

Paulo Russo é um dos maiores nomes do contrabaixo acústico no Brasil e no mundo, atuando também como compositor e arranjador, em mais de 30 (trinta) anos de sólida carreira no cenário musical brasileiro e internacional. Natural do Rio de Janeiro e desde cedo fascinado pelo som de Miles Davis, iniciou a carreira em 1966, na orquestra de Bob Fleming, com quem permaneceu por sete anos. No início do anos 70, passou a integrar o grupo do legendário saxofonista Victor Assis Brasil, com quem gravou três álbuns, hoje tidos como clássicos do jazz nacional.
Desde então atuando em concertos e festivais no mundo inteiro, dividiu o palco e gravou dezenas de vezes com os principais nomes da música instrumental e vocal. Já se apresentou outras vezes em produções do CJUB.

Rafael Barata começou a tocar bateria com 5 anos de idade. Auto-didata, estudando sempre com discos, gravou o primeiro aos 14 anos. Aprendeu teoria musical na adolescência com o professor José Guedes Sobrinho e em seguida passou a estudar Jazz. Ganhou 2 Festivais de Bateria, o 1º Batuka! - com 15 anos, e o Batuka! Masters 2000, só para vencedores.
Já gravou com diversos artistas, dentre eles Rosa Passos, Dario Galante, Idriss Bodrioua, Osmar Milito, Durval Ferreira, Alan Fougeret, Helio Celso, J.T. Meirelles, Daniel Garcia Claudio Roditi, Guilherme Dias Gomes. Já trabalhou com Zezé Motta, Emílio Santiago, Paula Santoro. Participou de vários festivais de jazz no Brasil ao lado de artistas internacionais como o canadense Jean Pierre Zanella, o americano Ray Moore. Também é integrante do conjunto Meirelles e os Copa 5, que marcou presença no 1º TIM JAZZ FESTIVAL. Barata foi o vencedor do Prêmio CJUB de 2004, como Revelação do Ano.

Os ingressos para o concerto podem ser obtidos pelo site do Ticketronicks, em www.ticketronics.com.br ou diretamente no MISTURA FINA, à Av. Borges de Medeiros 3.207. Reservas: 2537-2844 com Adriana ou Sílvia.

E lembramos que haverá o já habitual sorteio de duas garrafas de uísque Chivas Regal no intervalo do Concerto.

Até lá!

P.S.: Na página de entrada do site de Toots está a seguinte frase, que o define muito bem:

03 julho 2005

AONDE IREMOS PARAR ???

Vejam a "gracinha" noticiada no site da Universal Music:

"O jazz de Sandy

Sandy canta standards e faz sua primeira experiência com o jazz em duas apresentações no Bourbon Street Music, em São Paulo. Cheia de confiança no repertório ela acha que sua voz combina com esse tipo de música. "Não vou cantar com a intenção de ser uma virtuose, vou para o palco despretensiosamente", conclui tranquila a artista.
"

E ainda nos chamam de puristas ...

02 julho 2005

MAIS UM RANKING SEMANAL (LÁ DA MECA, CLARO)



Para ilustração dos amigos, o "ranking" semanal de uma das entidades que acompanha vendas, execuções em rádio, etc. Já há um link permanente, aqui na coluna da esquerda, para a CMJ, que compila essas informações. A diferenciá-lo dos que se tem acesso nas páginas da Amazon, Barnes & Noble ou da CDNow, é a pesquisa adicional efetuada com profissionais da música que agregam mais dados do que a simples venda em balcão, real ou virtual.

01 julho 2005

MAIS DO NOSSO MESTRE-REMOTO - LUIZ ORLANDO CARNEIRO
COLUNA DO JORNAL DO BRASIL DE 30/06/2005

Impossibilitados de nos manter longe das palavras desse "scholar" do jazz, transcrevo o artigo de LOC no JB de ontem, para quem não leu.

Wayne Shorter se supera em novo álbum

"Neste mês que chega ao fim, depois de um longo período de abstinência em matéria de CDs de jazz de alta qualidade, para quem não tem condições de importá-los a peso de dólar ou euro, a Verve-Universal merece um "muito obrigado" pelo lançamento concomitante - lá fora e aqui - do novo disco do cada vez mais free e telepático grupo do saxofonista-compositor Wayne Shorter, 71 anos, intitulado Beyond The Sound Barrier.

Nenhum dos gigantes do jazz vem criando, neste início de século, com a naturalidade de quem respira, música tão livre, abstrata e cerebral - mas ao mesmo tempo tão irresistível, hipnótica e emocionante - como Shorter, em comunhão total com os soberbos integrantes de seu quarteto: Danilo Perez (piano), John Patitucci (baixo) e Brian Blade (bateria).

O álbum Footprints live! - oito momentos supremos do grupo, gravados em festivais europeus, em 2001 - foi eleito, justamente, o melhor do ano de 2002 pela maioria da crítica especializada. E, para surpresa dos jazzófilos brasileiros, o grand cru classé da Verve foi editado e distribuído por aqui naquele mesmo ano.

"Estamos tocando num esquema similar ao de Footprints em diferentes cidades, mas sempre indo bem mais longe do que qualquer coisa que fizemos nas noites anteriores. Não temos mandatos neste conjunto. Nossa atitude é pintar com aquarelas, usar boa tinta a óleo ou deixar a tela em branco, à vontade de cada um" - explicou Shorter em entrevista à Jazz Times de junho, a propósito da atual fase do quarteto e dos takes de Beyond the Sound Barrier, feitos entre novembro de 2002 e abril do ano passado, em apresentações nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.

Para ficar no campo da pintura, diríamos que o expressionismo abstrato de Shorter & Cia. não é tão contundente (para muitos agressivo) como a action-painting de Jackson Pollock, cuja tela White Light ilustrou a capa do LP Free jazz, com o qual Ornette Coleman e seu quarteto duplo escandalizaram o jazz establishment, no início dos anos 60. O fascinante quarteto de Shorter está em constante action-playing, mas as "pinceladas" de seus integrantes têm mais a ver com o abstracionismo incisivo, embora mais "composicional", de um Franz Kline.

Beyond the Sound Barrier contém oito faixas, das quais cinco são improvisações livres e interativas a partir de temas do saxofonista (três novos, como a faixa-título; Joy Ridere Over Shadow Hill Way são de 1988). Smiling Through vem de um filme de Arthur Penn e On Wings of Song baseia-se numa canção de Mendelssohn.

O saxofonista-líder emprega mais neste último disco seu cortante e imprevisível sax soprano, diferentemente de Footprints live!, em que predominava seu vaporoso tenor.

É difícil dizer qual dos dois álbuns é o melhor. Mas Beyond... reflete, evidentemente, que o pulsar permanente das especulações, comentários e declarações musicais dos quatro notáveis músicos ficou ainda mais livre, complexo e fluente, depois de um sem-número de concertos de um conjunto que nunca ensaia, apresentando-se sempre ao vivo, na base do aqui e agora. Ou nunca mais."