Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

31 maio 2005

FESTIVAIS EUROPEUS DE JAZZ TERÃO JARRETT, ROLLINS & CULLUM

[transcrição de notícia da Agencia Bloomberg News - tradução e adaptação livres]

Um músico de jazz, por definição, não toca pelo dinheiro. Essa música para uma minoria, chamada de jazz, é tanto uma postura ética tanto quanto um estilo. Assim, um festival de "jazz" com Crosby, Stills & Nash no programa, pode estar apenas explorando essa boa qualificação. Isto posto, festivais são principalmente festas e não se pode ter uma bela festa sem música. Segue a seleção:

FESTIVAL DE JAZZ DE PARIS: Uma boa mistura de músicos franceses e americanos no sábado e domingo à tarde. Custa três euros para entrar no parque do Bois de Vincennes - os concertos são gratuitos. Levem as crianças, o gramado é enorme. Irão se apresentar, entre outros: Steps Ahead, Aldo Romano, Brian Blade, Henri Texier, Hermeto Pascoal, Sara Lazarus e Bad Plus. Parc Floral de Paris, de 4 de junho a 24 de julho. http://www.nemomusic.com .

FESTIVAL DJANGO REINHARDT: O iconico guitarrista cigano Django Reinhardt viveu e morreu em Samois-sur-Seine, agradável cidade ribeirinha situada a cinco quilometros de Fontainebleau. Esta é a 26a. temporada anual de testemunho ao Jazz Manouche, Gypsy Swing, um estilo que Django praticamente inventou, e que inclui grupos de Gypsy Swing liderados por Latcho Niglo, Yorgui Loeffler e Ninine Garcia. E ainda Russell Malone, Scott Hamilton, Chucho Valdes e Phil Woods. Em Samois-sur-Seine, na França, de 20 a 26 de junho. http://www.django.samois.free.fr .

MONTREUX JAZZ FESTIVAL: Às margens do Lago Genebra, Montreux carrega uma longa e honorável historia (esta será a 39a. edição), mas cresceu demais (três locais com espetáculos importantes simultaneamente, mais alguns outros) e ficou longo. O festival é a maior atração turistica, com seu cast anual de apresentações comerciais com bandas do tipo Kraftwerk, Eagles of Death Metal, Alice Cooper, Tori Amos, Crosby, Stills & Nash, Brian Wilson e Juliette Greco. Esses ladeiam alguns jazzistas do calibre de Michael Brecker, Oscar Peterson, Mike Stern, Richard Bona, Stanley Clarke, Bobby McFerrin e Medeski, Martin & Wood. Montreux, Suíça, de 1 a 16 de julho. http://www.montreuxjazz.com .

JAZZ A JUAN: Jazz a Juan [Les Pins] sempre mostra uma programação diferente, única, com alguns dos mais importantes e interessantes nomes, que gostam de se apresentar em meio aos pinheiros, na Cote d'Azur. A 45a. edição deste Festival traz Bireli Lagrene, Ibrahim Ferrer, McCoy Tyner, o Keith Jarrett Trio, Dee Dee Bridgewater, Marcus Miller, Sonny Rollins e o coro Los Angeles Crenshaw Gospel Choir. Antibes Juan-les-Pins, France, de 14 a 24 de julho. http://www.antibesjuanlespins.com .

PORI INTERNATIONAL JAZZ FESTIVAL: Esse encontro se dá na costa Finlandesa, a 250 km a noroeste de Helsinki. São grandes concertos a céu aberto, às margens do rio Kokemaki, com música o dia todo, na rua que o beira, lotada de pequenos clubes e salas que se parecem antigas fábricas. Aviso: este festival pode,facilmente se transformar num festival de cerveja. Estão programadas as presenças das Pointer Sisters, Jamie Cullum, Charlie Haden, Odean Pope's Salute to Max Roach, Los Van Van e Alice in Dixieland. Pori, Finlandia, de 16 a 24 de julho, http://www.porijazz.fi .

MOLDE JAZZ FESTIVAL: Um pequeno e agradável porto na bela costa atlântica da Noruega faz da combinação boa música e turismo uma bela experiência. Desprovido de muitas estrelas, Molde é um festival de baixo orçamento programado por gente apaixonada pelo jazz. Este ano as atrações incluem Anthony Braxton e Lauryn Hill, e outros menos conhecidos músicos europeus como o pianista Bojan Z e o contrabaixista norueguês Arild Andersen. Seguindo os braços dos fjords, pode-se dirigir até Mardalsfossen, a maior cachoeira do norte da Europa. Molde, Noruega, 18-23 de Julho. http://www.moldejazz.no .

SAN SEBASTIAN JAZZ FESTIVAL: Este festival é bem administrado e imaginativamente programado. Os concertos são em praças espetaculares e em praias suntuosas dessa que é uma cidade de tirar o folego, situada na costa basca espanhola. Lá estarão Gilberto Gil, as "big-bands" de Dave Holland e Charles Mingus, Solomon Burke, Joe Cocker, Benny Golson, Cedar Walton e Bebo Valdes. San Sebastian, Spain, 22-27 de julho. http://www.jazzaldia.com .

SIENA JAZZ: Está mais para uma oficina do que propriamente um festival. O foco está nas levas sucessivas de estudantes de música recém-graduados que invadem esta bela cidade nas encostas verdes da Toscana, todos os verões, há 35 anos. Dá para se comer muito bem em Sienna. Uma das coisas que os leva ali é aprender a tocar para o público, assim há diversos concertos todos os dias e os lugares vão deixar você louco. Os italianos somam, possivelmente, a melhor coleção de músicos de jazz da Europa, embora eles nem sempre cruzem os Alpes, então não se preocupe por não conhecer nomes como Gianluigi Trovesi, Claudio Fasoli e Stefano Battaglia. Siena, Italia, 24 de julho a 7 de agosto. http://www.sienajazz.it .

JAZZ IN MARCIAC: O Festival colocou esta cidade agrária, que repousa entre campos de girassóis do sudoeste da França, no mapa. Dizendo-se o melhor festival de jazz na Europa, está, no entanto, crescendo um pouco forte para seu próprio benefício. (O que houve com o "pequeno que é bom?"). Ibrahim Ferrer, Randy Brecker, os Blind Boys of Alabama, Taj Mahal, Ravi Coltrane, Ghetto Blaster, Femi Kuti, Omar Sosa, Wynton Marsalis com cordas, John Zorn, Michel Portal, Afro-Cuban All-Stars, Randy Weston, Wayne Shorter, e ainda a Count Basie Orchestra. Marciac, França, de 1 a 15 de agosto. http://www.jazzinmarciac.com .

SANT'ANNA ARRESI JAZZ FESTIVAL: Musica "avant-garde" numa cahrmosa praça da cidade, mais ótimo "windsurf" e frutos do mar, na costa sudoeste da Sardenha. Vale amplamente o desvio e não é lotado, no fim do verão. Enrico Rava, Sun Ra Arkestra, Antonello Salis, Muhal Richard Abrams, Hamid Drake e Anthony Braxton. Sardenha, Italia, de 24 de agosto a 3 de setembro. http://www.santannarresijazz.it .

Agora é contabilizar as milhas, raspar o cofrinho e correr para o belo e jazzístico verão europeu. Quem se habilita?

É HOJE !!!

Peterson/Peranzzetta x Peranzzetta/Peterson, e isso aí na comemoração do 3o. aniversário do CJUB, onde, posso garantir, só não vai faltar emoção no palco do Mistura Fina.

Assim, segue abaixo para conhecimento de todos, o repertório do concerto:

1o. Set:

1) Estamos Aí (piano solo)
2) The Days Of Wine And Roses
3) You Look Good To Me
4) Garota De Ipanema
5) I Feel Pretty
6) Con Alma
7) Vai Ficar Russo
8) It's All Right With Me

2o. Set:

1) Somewhere (piano solo)
2) It's Delovely
3) Love Dance
4) I've Got You Under My Skin
5) Capitão Cortez
6) Maria
7) Just One Of Those Things
8) Tico Tico No Fubá (bis)

Até lá.

25 maio 2005

COLUNA DO MESTRE LUIZ ORLANDO NO JB DE HOJE

Leiam a íntegra (cliquem na ilustração) da coluna do nosso caro Mestre-CJUBiano-Remoto Luiz Orlando Carneiro, publicada no JB de hoje, onde menciona não apenas a rica semana de atrações internacionais a que os jazzófilos de Estado do Rio poderão assistir, e que, no final, muito nos honra com a citação do Concerto a ser produzido pelo CJUB, na próxima terça.

Daqui, nosso agradecimento pelo prestígio. Só falta agora o Mestre aparecer lá nesse dia. Seus ouvidos, certamente, lhe agradeceriam por estar lá. E nós, por desfrutar de sua companhia.

23 maio 2005

22 maio 2005

A CIVILIZAÇÃO AO NOSSO ALCANCE - SALA SÃO PAULO

Peço licença os confrades para uma pequena digressão, musical também, mas na senda da música clássica, e em nome de um Brasil que gostaria de poder encontrar mais amiúde, o que funciona.

Falo aqui da oportunidade que tive de me encantar na última sexta-feira, num ambiente magicamente distante da realidade nacional, colocado que estava diante da OSESP - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo em seu templo paulista, a Sala São Paulo (SSP), situada dentro da tradicional e histórica Estação [ferroviária] da Luz.

Imaginada para ser o marco sinalizador da tentativa de soerguer a zona decadente em que se encontra, a SSP foi guarnecida do que há de mais moderno em tecnologia ambiental acústica para salas sinfônicas, coisa de apenas outras quatro em todo o mundo.

Se a região geográfica no seu entorno mais largo é, ainda hoje, sombria, à medida em que o táxi se aproxima do imponente edifício da Estação e que se começa a avistar o tipo de público que vai freqüentá-la, as perpétuas preocupações de cariocas com segurança - e dilatadas pelo motorista que avisava para se ter cuidado na hora da saída - logo se desvanecem. A entrada, por suas portas amplas, dá boa visão para uma grande e animada festa, para a qual todos desejaríamos ser convidados, sempre.

Dos grupos de adolescentes mais estranhos aos inúmeros anciãos presentes em suas cadeiras de rodas, sente-se de imediato um ambiente que respeita ao ser humano, devidamente preparado para uma celebração, no caso, da arte. Pois ali, preza-se a música como uma forma de prazer, sem fronteiras de idade ou limitações, sem as posturas ditadas pelos modismos (hoje tão em evidência quanto desimportantes) que atingem parcelas crescentes da população. Nada disso afeta aquelas pessoas. Sua razão de estar lá é só uma: o amor à música, ao virtuosismo.

Paulistanamente falando, isso significa também a existência, no átrio da sala, de variados balcões de confortável largura, que servem, de modo civilizado, sem confusão, empurrões ou atropelos (e nenhuma fila perceptível em qualquer deles) desde taças de espumante, vinhos ou rica variedade de outras bebidas, alcoólicas ou não, até a mais prosaica sopa de legumes - o italianíssimo minestrone -, passando por lotes das mais apetitosas empanadas e outros salgados e doces de todos os tipos, e chocolates e balas em variedade indescritível, para terminar nos reconfortantes e aromáticos espressos e capuccinos. Uma festa para todos os gostos, que precede o prato principal. A competência.

Que é então servida em doses cavalares, logo que se adentra a sala de concertos propriamente dita. Com o generoso espaço perfeita e devidamente aproveitado, impõe-se à vista, de saída, a solução acústica provida pelo teto falso, dotado de grandes painéis de madeira, controlados, em altura e angulação, por um sofisticado sistema de computação que adeqüa-o ao tipo de conjunto sinfônico presente. Depois, ver a chegada dos músicos ao palco e a entrada do "spalla" já com a luz ambiente diminuída, permite a compreensão da excelência também da iluminação, condizente com a qualidade geral da casa.



Quando o maestro inglês Frank Shipway entra, alto e ereto em sua impecável e britânica casaca, os aplausos explodem e se insinua em mim a premonição de que algo grande está por vir.

Desde os primeiros acordes da abertura de Os Mestres Cantores, de Richard Wagner, a OSESP - afiadíssima por horas e horas sob o comando enérgicamente profissional, dizem, do residente John Neschling - responde como um relógio de mecanismo finamente regulado e ajustado, proporcionando-me, em seqüência, sentimentos dos mais positivos e prazerosos: primeiro, a alegria de perceber que o brasileiro é totalmente capaz; seguido da realização de como o Brasil poderia ser muito melhor: ali estava o exemplo da realização de algo próximo da perfeição e replicável a outras frentes da vida nacional. E em seguida, e menos idealisticamente, a percepção do som, da qualidade física da música emanada do palco, simplesmente acachapante.

E por tudo isso, confesso que desceram-me algumas furtivas lágrimas. E nem era a peça do momento digna disso, vigorosa e alegre.

A apresentação seguinte, sobre partitura de Antonín Dvorák - o Concerto em Si Menor op. 104 - era muito mais sombria e de lenta cadência, mas de pureza sonora incomparável. E a que se seguiu ao intervalo - e, neste, o retorno ao festivo e gastronômico hall - as Variações Enigma, op. 36 de autoria de Edward Elgar, mostrou-me como uma noite, tão simples em sua essência, pode impregnar um indivíduo de tão bons sentimentos. Acho que dali se percebe melhor como a arte faz bem à sua vida.

Quem tiver a oportunidade de conhecer a OSESP e a SSP, que não a perca, antes que a coisa pública, eventualmente deixada à própria sorte, desande. Pelo menos lá e agora, dá um baita prazer em ser brasileiro.

19 maio 2005

JAZZ HIGHLIGHTS - LANÇAMENTOS 2005

Como adiantei anteriormente, volto agora para alguns poucos comentários sobre aqueles lançamentos anunciados.

1) Começo com o CD da Lincoln Center Jazz Orchestra, que na verdade foi lançado pela Palmetto no final de 2004, em comemoração aos 40 anos do clássico coltraneano "A Love Supreme", com arranjos e solos adaptados para orquestra pelo seu líder e maestro Wynton Marsalis; e que no meu entender estão um tanto quanto desiguais e incoerentes, ficando os 4 temas Acknowledgment, Resolution, Pursuance e Psalm, bem abaixo dos originais. @@@

2) Continuo com o Eric Reed Trio e seu recém lançado Blue Trane. Reed, uma das gratas revelações de pianista da nova safra (35 anos), que não por acaso iniciou na banda do Wynton Marsalis, muito embora seu mentor maior seja o McCoy Tyner, vem com esse novo trabalho bem acompanhado pelo onipresente Ron Carter (baixo), a quem acho deva estar próximo do "Guinness" como o maior recordista de jazz em gravações realizadas, e na bateria, o não menos competente Al Foster. Com um repertório recheado por standards como Polka Dots & Moonbeans, Cool Struttin, I Remember Clifford, You Go To My Head e Maiden Voyage, esse CD eu recomendo não só para os cejubianos mas para todos aqueles que não possuem um trabalho de Eric Reed em suas discotecas. @@@@

3) Seguindo, Scott Hamilton, um dos branquelos (será que pela cartilha pode ?) da Concord, que vem de lançar Back In New York. Esse saxofonista-tenor americano de 50 anos, discípulo direto de Ben Webster mas que, com certeza, também muito ouviu Stan Getz, vem com mais um autêntico mela-cueca, acompanhado por Bill Charlap (piano) e pelos Washington, Peter (baixo) e Kenny (bateria) que compõem muito bem a caretíssima trajetória do CD, que pode, na minha opinião, ficar de fora das coleções até dos menos exigentes. @@

4) Monty Alexander, Live At The Iridium constitui outra boa surpresa de 2005, numa apresentação ao vivo em N.York registrada pela Telarc deste pianista jamaicano mas de formação canadense por opção (viva Oscar Peterson) e que ainda tem o suingue e balanço da nossa boa e velha musica sempre citada em seus trabalhos e/ou solos. Monty vem nesse CD com 5 temas de sua própria autoria - incluindo seu "hit" The River - bem acompanhado por Hassan Shakur (baixo), Mark Taylor e Robert Thomas Jr. (bateria). Um bom CD que, inclusive, está na lista dos 10 mais vendidos, conforme relação já apresentada aqui no blog. @@@1/2

5) Para fechar esse ensaio de comentários, o CD do histórico encontro em estudio de dois organistas de distintas gerações, o mestre Jimmy Smith e um dos seus seguidores, Joey DeFrancesco, que fazem no trabalho chamado Legacy o possível e o impossível nos seus Hammond B-3s, contando ainda com a participação luxuosa de James Moody; ou seja, um trabalho post-mortem de dois grandes jazzistas (Smith e Moody) e, como dito no próprio encarte da Concord, "A Jazz Organ Classic". @@@@

E last but not least, vale lembrar que teremos no Mistura Fina o "American Jazz Festival", onde se apresentarão: Romero Lubambo & Diane Reeves, Nnenna Freelon, Kenny Garrett Quartet e John Scofield Trio, de 20 a 28 de maio, mês que fechará glorioso, com o concerto deste CJUB na terça-feira, dia 31, com o tema "Peterson por Peranzzetta", quando o baixista Paulo Russo e o baterista João Cortês formarão o trio do famoso maestro e arranjador Gilson Peranzzetta nessa homenagem ao "monstro" Oscar Peterson.

E para quem ainda puder aproveitar a vantagem cambial, em Junho acontece o "JVC Jazz Festival de N.York", apresentando entre outros; Keith Jarrett Trio (DeJohnette e Peacock), Wayne Shorter e Chick Corea.

LUIZ ORLANDO, SEGUNDO ANTONIO TORRES

Foi com este sensacional texto, cujo original está aqui, que o escritor e colunista do Jornal do Brasil, Antonio Torres assim se referiu ao nosso Mestre-Cjubiano-Remoto e amigo, Luiz Orlando Carneiro, em sua coluna do dia 12 de maio p.p.. Vejam que beleza!

"Hoje é dia de jazz"


Quinta-feira é o dia da coluna de Luiz Orlando Carneiro neste B. Agora com maior visibilidade na contracapa, na levíssima companhia da multicolorida Heloisa Tolipan, uma gracinha de menina. Pois lhes conto: sou um escritor movido a jazz. A começar pelo título do meu primeiro romance, Um cão uivando para a Lua, inspirado em Miles Davis tocando My funny Vallentine. E é no piano de Thelonious Monk, sobretudo em Blue Monk, que tento captar o ritmo de minhas frases. Por isso sempre sonhei em um dia bater na porta de Luiz Orlando Carneiro para lhe dizer: ''Tenho três fitas com as mais variadas interpretações de Round midnight. Mas com certeza você tem outras aí que não conheço. Posso entrar?'' Se ele viesse a me receber com satisfação, ia cair numa cilada. Porque, uma vez instalado em sua discoteca, nunca mais iria querer sair dela. E quando, já dando sinais de impaciência diante da invasão domiciliar infinita, ele me perguntasse: ''Sabe o que dizem os italianos?'', e eu, o invasor, fingindo inocência, lhe respondesse: ''Não. O que dizem?'', e ele esclarecesse que, segundo os italianos, visita é que nem peixe; depois do terceiro dia fede -, lhe diria que a culpa da minha insistência em permanecer em sua casa até o fim dos meus dias era dele mesmo. Ou melhor: da coluna que ele assina aqui, toda quinta-feira.

Não é de hoje que sou leitor de Luiz Orlando Carneiro. Não sei quantos mais o lêem, além deste obsessivo ouvinte de jazz. Não importa se são muitos ou poucos. Dizem até que só três por cento da humanidade apreciam esse gênero musical que, para essa aficionada minoria, é o clássico contemporâneo. Sei que escritores como Gabriel García Márquez fazem parte dessa ínfima classe. E Júlio Cortázar dizia que um conto tem que terminar como termina uma improvisação jazzística. Só assim o contista pode vencer o leitor por nocaute. Fala-se aqui do autor de uma obra-prima, O perseguidor, história baseada numa temporada do saxofonista Charlie Parker em Paris. Quando vi o filme Bird, achei que ele teria ficado muito melhor se o Robert Redford tivesse adaptado o conto do Cortázar. No Brasil, tínhamos o Fernando Sabino, que até tocava bateria. E Silviano Santiago é o autor do premiado Keith Jarrett no Blue Note.

E não nos esqueçamos de que o jazz influenciou Tom Jobim e todos os músicos brasileiros que fizeram da bossa nova um som universal. E que acabou, no reverso da história, por influenciar o jazz, estabelecendo-se com isso uma trilha de vinda e volta. Mas o Luiz Orlando Carneiro...

Bem, o texto dele tem a sonoridade do piano de Bill Evans, tocando uma valsa de Bach. Desce redondo."

P.S.: Antonio, a gente aqui quase que só gosta de jazz, em termos de música. Quando quiser saber das novas, apareça. O prazer será nosso.

15 maio 2005

QUEM SOMOS

A idéia inicial de fazer um blog para troca de idéias e novidades relacionadas ao jazz foi de Mauro Nahoum, economista de 51 anos dos quais 45 ouvindo jazz, mesmo que sem perceber. Lembra-se que havia, no quarto em que dividia com o irmão, uma "vitrola" Webcor-Coronet onde sucediam-se discos de Chet Baker, Dave Brubeck, Miles Davis, John Coltrane, Bud Powell, Charles Mingus, dos Heath Brothers, entre outros, e que formaram a trilha sonora de sua juventude, antes mesmo de saber o que - e que aquilo - era jazz. "Designer" frustrado, encarrega-se da aparência geral do blog, inserindo imagens e grafismos que amenizam a leitura. Reputa ser, no grupo, um dos que menos profundamente entende de jazz, considerando-se um "generalista". Foi quem, em conversa com outros membros-editores, convenceu-os a trocarem suas opiniões por escrito, dando início ao então "Charutos em Riste, Jazz ao Fundo e Uísque no Copo", nome original do blog, mudado oportunamente por questões de espaço (e de bom-gosto). Cuida, pelo lado institucional, do desenvolvimento das atividades culturais correlatas, como a vertente que mais empolga ao grupo, a produção de concertos de jazz instrumental que vem acontecendo mensalmente, desde Maio de 2003, no Rio de Janeiro. No blog, assina como "Mau Nah".

A primeira adesão ao grupo foi a de José Sá Filho, "Sazz", ex-proprietário da loja de discos (99,8% de jazz) All The Best. Irmão da cantora (e ícone da Bossa Nova) Wanda Sá, desde jovem viu-se circundado por gente de música, amigos de Wanda - que depois tornaram-se seus - que entravam e saíam de sua casa sem parar, falando de música, bossa-nova e jazz principalmente. Colecionador de preciosidades jazzísticas, é detentor de vasta coleção de raridades. Entusiasta, igualmente, da boa música popular brasileira, não perde nenhum espetáculo do primeiro time, procurando prestigiar os músicos com sua presença. Fã ardoroso de Elis Regina, foi visto em lágrimas quando da apresentação de Maria Rita Mariano no Mistura Fina em 2003, demonstrando abertamente sua sensibilidade e amor à musica. Sua empolgação com os músicos em grande forma é tanta que o grito, "Que beleza!", seguido do nome do artista, brasileiro ou não, ao final de uma música, já virou sua marca registrada. Em vista de suas relações com o meio artístico e contatos com outros aficionados, faz um trabalho incansável de divulgação das atividades do blog e seus principais eventos.

Em seguida, juntou-se ao eles o engenheiro e advogado Luiz Carlos Fraga, "DeFrag", dono de conhecimento extenso sobre charutos cubanos, literatura, música clássica e ópera, bebidas, Londres, Nova Iorque, Havana e Tiradentes, e sensível ouvinte de jazz. Atento, principalmente, às letras das embriagantes canções entoadas por Billie, Ella, Carmen, Sarah e demais divas, pode recitar trechos inteiros de memória, sem esfôrço. Um apaixonado pelo Rio de Janeiro, é como uma espécie de reserva cultural não demarcada do grupo, uma eterna fonte de consulta para todos. Partem dele os já famosos gritos de "CJUUUB", entreouvidos nos eventos de jazz que o grupo produz. É um dos mais empolgados membros do time e não há quem não se entusiasme ao ouví-lo falar do CJUB. Afastado por motivos pessoais, deixou uma enorme gama de admiradores de seu estilo peculiarmente elegante de escrever.

Outro grande aficionado pelo jazz, convidado por Mau Nah a integrar o CJUB, o também advogado David Benechis, o "Bené-X", revelou ser um perfeito "gentleman", sob qualquer angulo. Que detém a função de "ombudsman" do grupo, face à sua excepcional capacidade de observação de detalhes e seu rigor extremado. É, no grupo, dos que mais leva a música a sério, tendo aventurado-se por cerca de três anos no estudo do contrabaixo, que trocou por uma extensa coleção de CDs de baixistas famosos. Com esse arcabouço e também por ser grande colecionador e ávido consumidor de obras - entre CDs, DVDs, livros, revistas, vídeos e fotos - de jazz, suas resenhas no blog soam como as de um profissional, com texto bastante técnico e consistente. Um eterno insatisfeito com a mesmice, são dele as principais idéias para o futuro do blog e do grupo. Entusiasta de excursões ao exterior para ouvir e comprar itens relacionados ao jazz, é um dos maiores defensores do tratamento régio que recebem as "estrelas" que se apresentam nos concertos promovidos pelo CJUB.

A seguir, trazidos por David, uma dupla de Marcelos juntou-se ao grupo. A distinguí-los, inicialmente, o tamanho. Marcelo Carvalho, engenheiro-químico, por seu porte alentado e excelente humor, virou o "Marcelón". Já Marcelo de Nogueira Siqueira, professor com cara de menino, em vista de suas grandes habilidades técnicas e facilidade de fazer conexões, virou o "Marcelink". Ambos empolgados com o jazz, são aplicados estudiosos do gênero. "Marcelón", dono de idéias positivas para movimentar o blog, encarrega-se da compilação do banco de dados e da mala-direta do grupo, enquanto pesquisa com vagar sobre uísques, sobre os quais tem grande conhecimento. Já "Marcelink", como valoroso arquivista (está prestes a se formar em Arquivologia), está escalado para a guarda e manutenção dos registros documentais do CJUB, dobrando na divulgação dos eventos, de cuja filmagem se encarrega, ainda, em solo. A dupla se complementa idealmente, "Marcelón" com idéias longamente pensadas e "Marcelink", com sua mente fervilhante, trazendo uma novidade por dia. Pelo tempo da amizade de que já desfrutavam antes de entrar para o blog, tocam por música. Desnecessário dizer o estilo.

José Domingos Raffaelli, o "Raf", já dedica ao jazz algo como 65 anos. Jornalista e crítico dessa arte, produziu e apresentou programas de jazz em várias emissoras cariocas e durante cinco anos redigiu textos para programa de jazz da TV-Manchete. É o único crítico de jazz não nascido nos Estados Unidos que já recebeu o valioso troféu da International Association of Jazz Education -IAJE, a maior organização mundial de educadores de jazz, "por relevantes seviços prestados ao jazz". Seu ingresso no CJUB deu aos demais membros-editores imensa alegria. Dono de uma capacidade infinita de ser educado e gentil com todos, o "Mestre" é não apenas fornecedor de notícias atuais mas repositório enciclopédico de fatos e histórias curiosas relacionadas aos músicos, suas vidas e obras. Sempre com as formações de todas e cada uma das bandas, combos e conjuntos de jazz na ponta da língua, é capaz de citar de cabeça as faixas de um determinado disco gravado lá pelos anos 40, sem consultar nada além de sua prodigiosa memória. E, coisa para gênios e/ou conhecedores abissais de peças jazzísticas, seu divertimento é reconhecer em quais temas originais foram baseados aqueles que está escutando, e, para menos ouvidos capacitados ainda, se se constituíram, ou não, em plágios musicais. "Raf" é, sem dúvida ou favor, ao lado de seu amigo Luiz Orlando Carneiro, um dos maiores conhecedores de jazz no Brasil, senão o maior.

O jornalista e produtor musical Arlindo Coutinho, o "Goltinho", trazido ao grupo por David, é uma figura cativante. A exemplo do seu colega e velho amigo Raffaelli, detém um arsenal infindo de casos curiosos relacionados ao jazz e seus personagens, além de conhecer profundamente música clássica e popular. O jazz é sua grande paixão, depois da espôsa, da filha e do Fluminense. Ninguém consegue conversar com o "Goltinho" sem se empolgar. Em qualquer das línguas que fala, italiano, francês, espanhol, inglês, e sueco, que aprendeu quando enviado pela antiga CBD para a Copa de 1958 como cinegrafista e apaixonou-se pelo país, lá ficando por mais 2 anos após terminado o campeonato mundial de futebol vencido pelo Brasil. Grande incentivador dos músicos, Coutinho inovou em seu programa radiofônico Jazz+Jazz (cujo patrono foi seu compadre John Birks "Dizzy" Gillespie), sendo o primeiro a apresentar músicos tocando ao vivo no estúdio, durante a veiculação. Foram convidados e lá tocaram artistas do calibre de Wynton Marsalis, Arturo Sandoval, Joe Pass e Claudio Roditi, entre muitos outros brasileiros a quem prestigiou. Amigo pessoal de Tony Bennett, orgulha-se de sua coleção de aquarelas pintadas pelo cantor, as quais mantém em galeria especial em sua casa.

Marzia Esposito, a "Marzita" só para quem é do time, é advogada, especializada em direito empresarial e ambiental e se não bastasse, poliglota. Certo dia, amanheceu com idéias diferentes e disse aos sócios que ia mudar de vida. Sorte que veio em nossa direção, trazida pelas mãos de "DeFrag". Já na segunda reunião a que compareceu, estava elevada à categoria de musa inconteste dos cejubianos, o que vai bem além da enorme probabilidade de o ser também de muitos outros marmanjos espalhados pelo mundo inteiro. "Marzita" é a competência em pessoa, trabalhando em silêncio e produtivamente no auxílio às produções dos demais membros. Aficionada por jazz como todos, passou a ter aulas de piano, certamente com o objetivo de mesmerizar a turma, musicalmente, qualquer dia desses. O que será uma maneira diferente de repetir o que faz todos os dias, cada vez que abre seu sorriso e ilumina os ambientes em que se encontra. É de sua autoria o estatuto da associação que une o grupo formalmente.

José Flávio Garcia é um carioca expatriado voluntariamente em Londrina, que foi eleito Embaixador Plenipotenciário do CJUB para essa cidade e as demais plagas situadas abaixo do Trópico de Capricórnio. Chegou ao grupo via o "Sazz", o primeiro a escutar o programa sobre jazz que transmite lá, na Universidade FM. Com memória prodigiosa e uma enorme discoteca em LPs e CDs, "JoFla" é um especialista em compilações, majoritariamente de jazz, de todos os tipos e para os mais variados momentos, com as quais presenteia os amigos. Sua avidez por descobrir talentos que estão surgindo tornou-o um mestre na garimpagem de sons na internet. Seu conhecimento sobre a história e as historinhas do jazz garantem conversa por muitos anos, principalmente se os interlocutores forem os músicos que pisam no Paraná, onde costuma recebê-los, regiamente, em seus domínios. Forma com o "Zénrik" a linha de frente da gentileza cejubiana. O Itamaraty não sabe o que perdeu.

"Flavim", Flávio Raffaelli, é o herdeiro da dinastia dos Raffaelli. Filho do nosso Guru, deveria ser o mais ligado de todos em jazz, acima de todas as coisas. Mas não é necessariamente assim. Suas paixões também rondam, fortes, o terreno da informática há bastante tempo. Desenvolve e mantém inúmeros sites de bom gosto para diversos artistas brasileiros. É um dos responsáveis pela manutenção e ainda um ativo desenvolvedor do site do CJUB e tudo o que com isso se relaciona, sendo um craque no segmento onde atua com estarrecedoras calma e gentileza, características herdadas de seus antepassados. Mesmo nos momentos de crise, mantém seu tom de voz tranquilizadoramente seguro. "Flavim", além disso, é o grande fornecedor de CDs de jazz (ou não) para o grupo pois aliou seu conhecimento na matéria ao tino comercial e desenvolveu uma bela loja virtual de venda de discos, cujo sucesso vai recompensá-lo por fazer, acima de tudo, o que mais gosta.

Mário Ramos Vieira Filho é o irmão que todos gostariam de ter. Grande, forte e leal, "Manim" é a calma em pessoa, fala baixo e pausadamente e a gente nunca o vê zangado. No ponto máximo de sua inquietude, move os olhos para ambos os lados como se pudesse captar dessa forma o que lhe poderia - dificilmente, eu diria - escapar. Se seus tamanho e força impressionam, mais o fazem suas idéias e palavras. Poucas e pertinentes, como cabe às pessoas que pensam muito e só falam para acrescentar uma visão até então despercebida. Sua proximidade com a música é antiga, familiar, teve um tio que foi um dos maiores pianistas clássicos do Brasil, chamado Jacques Klein. Mário toca teclados, que aprendeu sozinho, de ouvido. Passou a apreciar o jazz "de qualidade" - gostava muito de fusion - depois que esteve na platéia dos primeiros Concertos que o CJUB promoveu e passou a conviver com o grupo. Desde então, vem se dedicando a ajudar de todas as maneiras que pode, sendo um dos maiores batalhadores para que outras pessoas conheçam o grupo e o apóiem, inclusive financeiramente. Coisa de irmão.

Um cara que adora jazz desde outro dia mesmo, quando começou a prestar atenção nessa arte, Rodrigo Mattoso, o "Rodrink" entrou para o CJUB depois de declarar-se unilateralmente parte do time, a despeito dessa falta de conhecimento específico mais profundo. Rodrigo tem papel preponderante na porção mais visível do grupo, os Concertos Chivas Jazz Lounge (os CJLs). Foi ele que, acreditando nos planos incipientes de alguns membros do CJUB e apostando no seu próprio tino comercial, comprou a idéia das realizações musicais e vendeu-a à Pernod-Ricard do Brasil, onde trabalha. "Rodrink", à parte de um possível conflito de interesses conexos, já demonstrou inúmeras vezes que entra em campo com a camisa do CJUB e que costuma suá-la na defesa imparcial dos dois lados. Começa a apreciar verdadeiramente o jazz, vindo recebendo orientação progressiva de todos os membros, que o atendem em sua busca por mais e mais informações sobre este ou aquele tema ou músico. Tem ainda uma predileção pelos "standards" mas já está comprando títulos de jazz mais elaborado para compor sua discoteca.

A primeira das três participantes admitidas de uma só vez ao CJUB em 2004 a postar no blog, Luciana Pegorer, a "PegLu", é uma grande batalhadora pela música instrumental de qualidade, sendo a "P. D. G." do selo Delira Música, focado primordialmente em música instrumental brasileira, o que não impediu que ela lançasse uma série de discos com os maiorais do jazz. Trabalhando praticamente sozinha mas com uma competência equivalente à de uns três marmanjos, parece ter o dom da ubiqüidade. Pode ser encontrada em diversos lugares num mesmo dia, contratando, contactando, divulgando, prestigiando e/ou apreciando os bons músicos e a boa música, tudo isso ao mesmo tempo em que consegue ser ainda gentil, atenciosa e elegante. "PegLu" contribui com o CJUB com suas opiniões e textos e está sempre buscando uma maneira de fazer com que nossos interesses venham a convergir.

"BetGirl" foi o apelido escolhido pela psicóloga paulistana Beth Martinelli para participar do CJUB. Adesista desde a primeira edição dos Concertos CJL, para os quais se desloca exclusivamente, Beth foi apresentada ao grupo por "DeFrag", seu "irmão" de longa data. Sempre disponível para ajudar antes, durante e depois das produções, dá ao grupo força total, aplaudindo e assobiando "con gusto" as apresentações, às quais costuma registrar em sua inseparável máquina digital. Por tudo isso e mais o seu temperamento expansivo e amistoso, foi imediatamente adotada pelos demais cejubianos, cativos admiradores de sua simpatia, sua alegria e companheirismo inigualáveis. E por sua desenvoltura e interesse nos assuntos do CJUB, foi convidada para membro do blog e para ser nossa ponta-de-lança em São Paulo, terra cujos segredos domina com folga.

Uma dama. Assim é como qualquer pessoa vê a pessoa de Claudia Fialho, "LaClaudia". Excetuando os momentos em que está febrilmente dedicada ao seu trabalho de relações-públicas, nada menos do que no Copacabana Palace Hotel, magnífico templo do bom gosto e destino preferido da nobreza, Claudia parece pontificar, com seu jeito tranqüilo, na vida dos que a cercam, sejam da família ou não. Amiga de longa data dos mestres "Raf" e "Goltinho", e com laços de amizade com nosso "JoFla" desde que moraram num mesmo prédio em Londrina, "LaClaudia" tem, como seus pares mencionados, inúmeras histórias relacionadas a jazzistas para contar, principalmente sobre os estrangeiros, desde que trabalhou em outro hotel carioca onde realizavam-se alguns concertos, até pouco tempo atrás, quando pode recepcionar condignamente a Jorginho Guinle no Copa, para o que seria sua última noite com vida. Apreciadora e entusiasta desse forma de arte musical em toda a sua extensão há tempos, costuma ir aos Concertos do CJUB levando a família toda. Convidada por "Mau Nah" para fazer parte do time, topou na hora e já está dividindo suas belas histórias com os leitores.

Depois de aparecer por acaso no mesmo restaurante do Centro do Rio em que "Mau Nah", "DeFrag" e "Goltinho" estavam discutindo, na presença de alguns bons charutos e cálices de Porto, sobre a possibilidade efetiva de se fazer jazz sob-medida para seus gostos particulares, o contrabaixista Reinaldo Figueiredo, que dispensa apresentações como humorista do grupo Casseta e Planeta, chamado à mesa para também dar sua opinião como músico, meio que testemunhou o nascimento da idéia do que viriam a se tornar os futuros Concertos CJL. Presente durante várias edições, como mero espectador atraído pela qualidade do som produzido, "RayNaldo" -apelido através do qual procura homenagear a Ray Brown, um dos ícones do baixo acústico no jazz - de uma forma ou de outra sempre esteve ligado ao CJUB, mesmo que de maneira tímida de parte à parte, pois tinhamos medo que não tivesse tempo de colaborar com o blog se o chamássemos. Depois de convidado e tendo topado, volta e meia posta suas idéias - seriamente, diga-se - sobre o jazz, que ama tanto quanto os demais cassetas detestam, e já nos premiou com algumas charges exclusivas.

Uma aquisição de peso foi conquistada quando, em março do ano de 2005, ao final do primeiro concerto em que esteve na platéia, perguntei ao Luiz Carlos Antunes, cujo "nome oficial no meio jazzístico" sempre foi Lula, se aceitaria ser mais um de nossos editores. Minha surpresa foi muito grande quande ele disse simplesmente, "sim!". Daí em diante, assinando-se como Llulla, por motivos que desconheço (mas desconfio quais sejam) passamos a contar com a sabedoria específica e excelente memória desse herói que conseguiu manter um programa matutino(!) de jazz no ar durante 29 (isso mesmo, vinte e nove) anos, sempre em rádios de Nichteroy (sequência que terminou na Rádio Fluminense FM - a maldita), onde mora.

O Gustavo Cunha, rebatizado aqui no CJUB para Guzz - que tem a ver com "buzz", o que está acontecendo no momento -, é um apaixonado por música e equipamentos de som desde criança, e está sempre atento ao que acontece no mundo musical. Tanto do pretérito, de onde gosta de garimpar finas preciosidades, com as quais presenteia os inúmeros amigos, quanto do presente e do futuro, sempre sabendo quem está tocando e quem vai tocar, quando e onde. É nossa agenda-viva.
Depois que descobriu o jazz "de verdade", não teve ouvidos para mais nada, embora seja ferrenho defensor da liberdade de audição e de expressão, e ai de quem criticá-lo por também gostar de ouvir o que se poderia rotular como "o lado mais popular" do jazz. Como apaixonado pela arte musical, estudou violão e guitarra com afinco, mas garante que só toca um pouquinho.
Formado em Informática, foi desenvolvedor de Sistemas de Informação por longos anos e hoje trabalha como Gerente de Projetos no segmento de Telecomunicações. Como poucos, o GUZZ sabe não apenas se informar mais eficientemente possível, mas fazer com que estas informações circulem imediatamente para quem lhe interessa.

Incorporado ao time no início de 2005, o economista e desde adolescente aficionado pelo jazz, Alberto (Beto) Kessel, tornou-se neste nosso muro de libações o BKessel. Tendo vasculhado e ouvido tudo de bossa-nova antes de mergulhar no oceano jazzístico, Kessel também tem memória afinada, o que lhe permitiu ganhar inúmeros prêmios participando de programas de rádio sobre jazz, não deixando mais ninguém acertar os nomes dos músicos. Leitor atento e colaborador constante, pediu para fazer parte do grupo e por seu interesse e participação foi incorporado ao nosso pequeno mas combatente exército. BKessel quase faltou às suas próprias núpcias já que na mesma noite o Stephane Grapelli apresentava-se aqui no Rio. Depois de hesitar, acabou na sinagoga. Se tivesse optado diferentemente, poderia ter sido acompanhado de seu talvez-quase-sogro, que por sua vez é violinista.

Em seguida, "implantamos" aqui, por assim dizer, e meio que por aclamação, uma figura estelar no panorama jazzístico e jazzófilo brasileiro, que dispensa qualquer apresentação. Mestre Loc, o agnome blogueiro de Luiz Orlando Carneiro, já orbitava timidamente nos almoços da confraria e nos encontros ocasionados pela freqüencia aos festivais de jazz. Foi guindado à condição de membro honorário em manhã estival, através de uma declaração nossa de que, a partir daquele momento, querendo ou não, havia sido declarado um CJUBiano e pronto. Ficou oficializado assim. Detentor de tradicional coluna no Jornal do Brasil na qual escreve - divinamente, diga-se - sobre jazz, é uma pessoa simples e tão agradável no convívio que adoraríamos poder trazê-lo de Brasília ao Rio sempre houvesse oportunidade. Forma em conjunto com os Mestres J.D.Raffaelli, Alindo Coutinho e Luiz Carlos Antunes o "quadrado mágico" sobre o qual se constrói o CJUB.

(Estes são, em 10 de junho de 2006, os editores e colaboradores deste blog.

NOVO CJUBIANO ANTIGO: BEM VINDO MESTRE LULA (O BOM)

Tenho o prazer de informar a todos que o convite, feito por mim ao grande aficionado, crítico, produtor e apresentador do programa de rádio levado ao ar por mais de 20 anos, na Rádio Fluminense, Luiz Carlos Antunes foi aceito, por ocasião do revigorante almoço comemorativo dos três anos (que será objeto de post específico, claro) da trajetória deste espaço, quando, ainda por cima nos deu vista a mais uma faceta de sua personalidade. A de pianista - amante, mais do que amador - de jazz.

A implementação dessa aceitação se deu hoje, ao receber um email confirmando a anexação dessa parte significativa da intelligentzia jazzística niteroiense a favor deste pedaço de parede eletrônica.

Assim, é com muito orgulho que aviso aos navegantes que nós agora temos um lula próprio e que o nosso é o que interessa, e que se assinará Llulla para manter a devida seriedade e a distinção dessa que é sua marca registrada por tanto tempo, contra eventuais aproveitadores de ocasião.

MESTRE LLULLA, A CASA É SUA!

12 maio 2005

ATENÇÃO PARA UMA NOITE EXTRAORDINÁRIA

Por todos os motivos e em todos os sentidos, a próxima edição dos concertos produzidos pelo CJUB será extraordinária.

Primeiramente, por causa da data: em vista de solicitação do Mistura Fina, cedemos a última quinta-feira do mês - habitualmente destinada às produções de nosso grupo - para que se aproveitasse a presença no Rio de Kenny Garrett, saxofonista considerado do primeiro tier, o primeiro nível (curiosamente, a expressão também é usada para denotar a primeira e muito agradável e prazerosa parte das três em que, costumeiramente, se divide um charuto), de passagem pela cidade vindo do Festival de Rio das Ostras. Assim, nossa produção restou transferida para o dia 31 DE MAIO, TERÇA-FEIRA.

Em segundo lugar, pelos músicos escolhidos para este concerto: irão se apresentar nessa data nada menos do que o pianista, arranjador, compositor e maestro Gilson Peranzetta, cuja capacidade musical é reconhecida por inúmeros expoentes no Brasil e no exterior; no contrabaixo, um outro monstro da música instrumental, Paulo Russo; e na bateria, fechando o time de craques, o experiente e muito talentoso João Cortês.

Em terceiro lugar, o tema escolhido pela produção foi uma homenagem ao gigante do piano, Oscar Peterson, de quem Peranzetta declara ter recebido sua maior influência jazzística e a quem dedicará, em breve, todo um CD, com o mesmo trio. Acrescerá ao clima de celebração a vontade de tributar a Niels-Henning Orsted Pedersen, contrabaixista emérito que acompanhou Peterson durante longos anos de uma profícua produção jazzística e falecido recentemente.

E por fim, mas não menos importante, será essa a noite em que estaremos comemorando o terceiro ano da fundação deste blog, e o segundo ano do início dos concertos por nós produzidos. O primeiro concerto, no dia 20 de maio de 2002, curiosamente, ainda ecoa nos nossos ouvidos.

Por todos e cada um desses motivos convocamos os nossos leitores, amigos e entusiastas do jazz a comparecerem ao Mistura no próximo dia 31 para juntos, mais uma vez, exaltarmos a vida através da boa música.
Até lá!

OSCAR PETERSON FALA DE NIELS PEDERSEN - EMOCIONANTE

Transcrevo aqui, em tradução livre, o texto pelo qual Oscar Peterson discorre sobre seu encontro musical com o baixista Niels-Henning Orsted Pedersen, que o acompanhou por longos anos. O texto, no original, está no Chapter 26, em http://www.oscarpeterson.com/op/momentsframe.html


"O VIKING PARTIU"

"Meu coração pesa mas ainda está agradecido e feliz. Pesado pela realização de que Niels-Henning Orsted Pedersen deixou este mundo; agradecido e feliz com a idéia de que este irmão abençoado e colega músico não tenha sofrido com uma partida demorada, cheia de dor ou remorso.

Desde a primeira noite em que meu querido amigo de Chicago, Audrey Genovese, tocou um disco de Dexter Gordon em que Niels Pedersen se apresentava no baixo, entendi que esse gigante musical e eu poderiamos, algum dia, ter a ocasião e o prazer de não apenas nos conhecer, mas de tocar juntos.
Depois de ouvir esse talento fenomenal no contrabaixo, percebi que, de algum modo, algum dia, teríamos de nos encontrar, o que me daria a chance de também tocar com ele. Estas visão e pensamento consolidaram-se no início dos anos 70, quando tive a sorte de poder convidá-lo a juntar-se ao meu trio de então. Isso ocorreu porque o baixista que eu estava usando então não pôde retornar ao seu país, na Europa, por conta do medo de ser detido pela União Soviética, devido a um comportamento seu, em atividade anterior em uma embaixada.

Nesse momento entrou em cena Norman Granz, que com seu pensamento direcional costumeiro disse: "Por que você não chama Niels Pedersen?", para um concerto que se aproximava e em que meu grupo se apresentaria em um dos então países da Cortina de Ferro. Norman contactou Niels e fez um acordo com ele para esse concerto, exclusivamente, assim aliviando qualquer possibilidade de problemas políticos.

Lembro-me, de forma vívida, a maneira com que Niels se juntou a nós, sem nenhuma fanfarra (ou ensaio) para esse concerto em particular. Que acabou se tornando uma performance totalmente de impromptu. Eu escolhi músicas sobre as quais tinha obtido um "ok" de Niels, e, acreditem se quiserem, conseguimos fazer uma tremenda apresentação naquela noite, cheia de uma excitante espontaneidade e de uma busca musical que adentrava nossos pensamentos jazzísticos.

Depois do concerto, imediatamente agradeci ao Niels e disse-lhe quanto tinha gostado de tocar com ele, mesmo considerando a inesperada forma com que precisamos nos entender. A audiência pareceu ter realmente apreciado aquela noite.
No dia seguinte, chamei Norman e aparentemente eu devia estar superexcitado com a imediata coesão que ocorrera entre Niels e eu na noite anterior. Com sua espontânea reação habitual, ele disse simplesmente: "Se foi tão bom assim tocar com ele, porque não o chama para ser o seu titular?" Não preciso dizer como fiquei feliz que isso tenha acontecido, e que Niels tenha permanecido no meu grupo até seu desafortunado e recente passamento.

Deixem-me expressar minha reação sobre como ele tocava: antes de tudo, ele nunca ficou à minha frente, mas na verdade tinha tamanha percepção do que eu estava tentando fazer que ele servia para inspirar-me grandemente, pelo lado espontâneo. Eu saí pisando nas nuvens ao final daquela apresentação por conta da contribuição musical de Nielsen. Ele tinha a técnica mais fenomenal, casada com uma incrível percepção harmonica, além de um timing impecável. Jamais me esquecerei daquela noite.

Daí em diante tornamo-nos amigos muito chegados, não só musical, mas pessoalmente, já que desenvolvi enorme admiração pela profundas crenças políticas, geográficas e pessoais dele. Ele era um homem que detinha uma quase inacreditável riqueza cultural no que dizia respeito à história européia. Ele também tinha um espírito familiar, como ser humano, sempre disponível para fazer bons amigos. As pessoas que conheceram Niels aprenderam a amá-lo além do seu inacreditável talento musical e sua destreza no instrumento.

Acho que eu posso me dar ao luxo de fazer este tipo de comentário sobre ele, pois tive a boa sorte de ter tocado com alguns dos melhores baixistas do jazz ao longo do tempo. Sempre fiquei maravilhado com o respeito e o amor (e musicalmente, o quase medo) que eu vi em alguns dos maiores baixistas do jazz, quando estavam perto de Niels.

Um ponto em que eu devo tocar aqui, que talvez não seja do conhecimento de muitas pessoas, é que Niels podia tocar piano também (por várias vezes, fez as passagens de som no meu lugar, ao instrumento). Sei também que amava o piano em si, pela forma como ficou amorosamente impressionado quando, numa visita ao "show-room" da Boesendorfer, viu o grand-piano que eu eventualmente escolhi para mim.

Ao longo do tempo, eu o apelidei (e anunciei) como The Viking. Ele gostava desse título, que, por algum motivo, colou nele.

Tive a oportunidade de ter tocado com, ou utilizado, alguns dos melhores baixistas do jazz (Sam Jones, Major Holley, e lógico, Ray Brown). Niels e Ray tornaram-se rapidamente amigos e tinham grande amor e respeito um pelo outro. Isso pode parecer estranho, no que diz respeito ao fato de que ambos frequentavam basicamente o mesmo meio musical. Posso dizer agora, embora isso me tenha sido perguntado inúmeras vezes antes, qual dos dois eu preferia. Posso responder facilmente a essa questão dizendo que eu ficava igualmente feliz de ter um ou outro fazendo parte do meu grupo num determinado momento. Não vejo razão para entrar nas idiossincrasias musicais de um ou outro desses grandes músicos, mas posso dizer que eles, individualmente, deixaram uma trilha indestrutível, linhas-mestras indeléveis para todos os futuros baixistas de jazz.

Niels-Henning foi um músico de inacreditável talento e destreza, mas egoisticamente falando, pessoalmente, tornou-se meu amigo mais íntimo e irmão, e jamais o esquecerei ou à sua arte.

Deus o abençoe, Niels, e que você possa abrilhantar o mundo musical no Céu tanto quanto o fez nesta Terra."

JARRET, NA COLUNA DO MESTRE LUIZ ORLANDO: JB, 12/05/05

Keith Jarret é sagrado. Fenomenal. Daí não poder deixar passar em branco a coluna do nosso CJUBIANO-MESTRE-REMOTO, Luiz Orlando Carneiro, sobre ele no JB. Segue.

"Jarrett, mestre do improviso"

O garoto prodígio chamava-se Keith Jarrett, e nasceu em Allentown, Pennsylvania. Começou a estudar piano antes dos 4 anos; dava recitais aos 7; foi aluno de Nadia Boulanger e da Berkelle School of Music; aos 21 deixou os Jazz Messengers de Art Blakey e juntou-se ao quarteto hippie de Charles Lloyd; em 1970, Miles Davis convocou-o para o seu conjunto elétrico-fusionista; em 1975, espantou ao criar solo o mitológico Köln Concert, que vendeu mais de 2 milhões de cópias e tornou viável a etiqueta alemã ECM; nos anos 80 e 90 consagrou-se como o Glenn Gould do jazz, à frente do fascinante e interativo Standards Trio. E mais. Como Glenn Gould, trancou-se várias vezes nos estúdios para gravar as Variações Goldberg, o cravo bem temperado de Bach, Mozart, Händel ou os 24 prelúdios e fugas de Shostakovitch. Só que as interpretações dos clássicos por Jarrett foram consideradas, pela maioria da crítica, bem mais ''comportadas'' que as de Gould. Ou seja, Glenn Gould foi o Keith Jarrett da música clássica.

O garoto prodígio de Allentown virou sessentão domingo. Para comemorar a data, acaba de lançar o CD duplo Radiance (ECM 1960/61). É o primeiro álbum de improvisações solo desde a série encerrada com La Scala (ECM 1640) - registros de dois recitais de 1995 no templo da ópera, em Milão.

Radiance (gravado em Tóquio e Osaka em 2002) aparece portanto na discografia de Jarrett como uma nova reflexão solitária, depois de discos excepcionais com o Standards Trio (Jack DeJohnette, bateria; Gary Peacock, baixo), editados entre 2000 e 2003, sempre pelo selo de Manfred Eicher: Whisper not (1724/25); Inside out (1780), Always let me go: Live in Tokyo (1800/01) e Up for it (1860).

Nas notas do CD duplo comemorativo, o exigente virtuose do teclado - que é capaz de suspender uma apresentação ao escutar um ruído desagradável na platéia - chama a atenção de seus ouvintes para a necessidade de absoluta concentração, a fim de seguir os arriscados caminhos por ele trilhados e perceber ''os links às vezes muito sutis entre temas, espaços e invenção rítmico-harmônica'' (Thom Jurek, na review do All Music Guide).

Alguém já disse que Jarrett ''faz amor com o piano''. Daí os gemidos, exclamações de êxtase e até de dor, além dos contorcionismos corporais, que refletem a extraordinária intensidade emocional de suas performances. Em 2003, Keith Jarrett recebeu o cobiçado Polar Music Prize da Real Academia de Música da Suécia. O prêmio foi concedido ''ao músico americano Keith Jarrett, pianista, compo- sitor e mestre no campo da música improvisada'', tendo em vista que ''seu elevado grau de arte musical (...) é marcado por sua habilidade em cruzar, sem esforço, fronteiras no mundo da música''. "

P.S.: Embora tenha tido sua coluna relocada no Caderno B, da página 2 habitual para a última capa, teoricamente um local mais nobre do que o anterior, achei que o espaço para nosso Cjubiano-Mestre-Remoto diminuiu. Ficou tão pequeno que, no dia em que ele decidir ilustrar a coluna, pouco sobrará de espaço para as suas idéias, nosso maná semanal. Então, caríssimo LOC, ofereço-lhe mais uma vez este mural para que possa escrever tudo o que deseje, sem nenhum tipo de limitação de espaço. A coluna aqui é, em tamanho, incomensurável. Isto é, compatível com a sua cultura jazzística.

10 maio 2005

É HOJE ! ! ! TRÊS ANOS DE CHARUTOS, UÍSQUE, (MUITO) JAZZ E BLOGAMIZADE

Nada (a)paga a felicidade de integrar nossa maravilhosa confraria.









Um brinde a todos, pelo que juntos construímos:






Antes de mais nada, pela amizade, sincera e incondicional;



















Pela música sublime com que mensalmente conquistamos cada vez mais sorrisos, nossa melhor recompensa;













E pelos lindos projetos que virão, dando sentido ainda maior a nossa tão jovem, porém já inesquecível história.















Feliz aniversário, caro

HAPPY BIRTHDAY

É isso aí pessoal ! Hoje o CJUB completa seu terceiro ano de vida e só me resta desejar parabéns a todos. Que muitas vezes mais, essa confraternização se repita, com muitos concertos, encontros e muita fraternidade entre nós, a família Cejubiana.

XIX CHIVAS LOUNGE - LEGRAND PAR IDRISS - IDRISS BOUDRIOUA QUINTETO, 28/04/2005, MISTURA FINA - UMA NOITE DE EMOÇÕES - @@@@

Neste último final de semana, terminei minha pesquisa sobre todos os 21 concertos da série Chivas Lounge, produzida pelo CJUB ao longo destes últimos dois anos. Fiz o levantamento das datas, nomes, locais, músicos homenageados, etc, e pretendo, em breve, publicar aqui no blog, a lista completa dos concertos, contendo todos os detalhes e curiosidades.

O grande barato deste trabalho foi a lembrança de cada noite, do contato com os músicos e com os presentes, dos novos amigos feitos e do reencontro com aqueles que há muito não víamos. Fiquei perguntando qual momento eu destacaria; qual deles guardaria com maior emoção. Tarefa difícil ... Foram tantos!

Gosto muito de lembrar do primeiro concerto, por tudo que ele representou e por ter sido, afinal, um dos melhores, em minha opinião. Outra grande lembrança foi a homenagem que o Sazz fez a mim, ao pedir que sua irmã, nossa musa Wanda Sá, cantasse Água de Beber na canja que ela deu no CJL IV.

E o Jazz Panorama ? O CJL VII foi inesquecível, tanto pelo concerto, em si (que acabou ganhando o prêmio CJUB de melhor concerto de jazz em 2003), como pela homenagem, a última, diga-se de passagem, ao saudoso Jorginho Guinle. Outro momento de inesquecível memória foi a criação do próprio Prêmio CJUB, o qual, este ano em sua segunda edição, contou com um momento de raríssima emoção: a reunião no mesmo palco de Luiz Orlando Carneiro, Arlindo Coutinho, Luiz Carlos Antunes (Lula) e José Domingos Raffaelli. Inesquecível também foi o concerto do Brazilian Jazz Trio, em janeiro do ano passado, que abalou todas as estruturas do Mistura.

Sem dúvida, grandes momentos ... Mas houve um, em especial, que guardo com particular emoção. Foi no Tributo a Charlie Parker (CJL VI), produzido pelo inigualável Fraguinha, quando tive o prazer de assistir ao ensaio num estúdio de Botafogo, que pude ver como “nasce” um concerto e como surgem as grandes idéias, os solos, as variações ... Para mim, o CJL VI foi o melhor de todos os espetáculos que produzimos. Grande repertório, grandes músicos e um clima perfeito.

Pude também conhecer melhor um músico que é a cara do CJUB: Idriss Boudrioua. O cara é fera, toca muito. É um tremendo gente boa e, acima de tudo, é a emoção em pessoa. Tocou nos CJL I, CJL VI, CJL XV e CJL XIX. Ganhou o prêmio de músico CJUB em 2003 e foi o artista que mais recebeu votos nas duas edições do prêmio.

Na última edição do CJL (XIX), Legrand Par Idriss, seu quinteto
Idriss Boudrioua
Alex Carvalho
Alberto Chimelli
Alex Rocha
Xande Figueiredo
transformou todos os presentes em apaixonados ouvintes, transbordando de emoção o lotado Mistura Fina. O Bene-X até que me pediu uma resenha sobre o concerto. Mas quem sou para me aventurar por um caminho tão bem trilhado pelo próprio e pelo Mestre Raffaelli.

Limito-me apenas a contar uma historinha ilustrativa deste concerto.

Como de costume, eu estava na mesa defronte o palco, filmando tudo, cada detalhe, cada movimento. Um rapaz, em uma mesa ao lado, durante um lindo e emocionante solo do Idriss, saca seu telefone celular e faz uma ligação. Fiquei pasmo, imaginando como aquele "insensível" iria telefonar no meio da música ! O rapaz não disse nada. Ao perceber que sua ligação tinha sido atendida ele estendeu o celular em direção ao palco e ficou assim por uns três minutos. Ao desligar, ele percebeu que eu estava olhando e me retribuiu com um tímido sorriso. No intervalo, no meio de todo o burburinho que antecede nossos sorteios, ele me abordou e disse: “Eu só estava compartilhando aquele momento com uma mulher que eu amo muito e não pôde estar aqui comigo”. Aí sim, que, com um tímido sorriso, concordei com seu ato. Aquela noite realmente merecia gestos como esse ...


Idriss Boudrioua Quinteto

06 maio 2005

JAZZ: QUEM LIDERA OS GRÁFICOS DE VENDAS

Para que se possa manter a visão do que ocorre na terra do jazz, aqui está o último gráfico de vendas da JazzWeek para a semana finda em 27 p.p. .

Example


O segundo lugar, ocupado por um certo "Eldar", refere-se ao garoto-prodígio russo, original do Quirguistão Eldar Djangirov, já comentado aqui no passado e considerado o mais novo fenômeno do piano jazzístico. Se confirmado, isso demonstra que, a despeito de sua pouca idade - tem dezoito anos - tudo o que dizem dele vai se confirmar. Seu disco de estréia, ao lado de Michael Brecker e lançado no final de março último vem galgando posições a galope a cada semana, como se vê pelo gráfico (sample aqui). E a presença da pianista do Azerbaijão Amina Figarova na sétima posição, parece denotar que, pelo menos no jazz, finalmente as Repúblicas Soviéticas começaram a invadir os Estados Unidos. Felizmente, pelo lado mais interessante possível.

É bom ver os grandes batalhadores Gary Burton e Monty Alexander, de talento notório, finalmente recebendo a con$ideração do público por suas incontáveis horas produzindo jazz de ótima qualidade diante do vibrafone e do piano, em primeiro e terceiro lugares, respectivamente ao quadrado.






E é curiosa também a ascensão do trombonista Curtis Fuller, que, fora do gráfico há três semanas, apareceu em 25o. lugar na semana anterior e agora pinta em décimo. Seu disco deve estar muito interessante.
Acho que vamos arrumar muito o que fazer neste fim-de-semana.

03 maio 2005

PROPOSTA DE CJUBIANO HONORÁRIO: MINISTRO NELSON JOBIM

A primeira notícia foi pescada na imprensa: a de que, na recente comemoração do aniversário do Ministro Nelson Jobim, Presidente do Supremo Tribunal Federal, a grande sensação foi o bolo temático oferecido pelos funcionários, onde foram esculpidas, na massa, duas de suas maiores paixões, o uísque e os charutos.

A segunda, foi obtida no texto de entrevista dada por ele ao repórter Klécio Santos, da Agência RBS, na qual se lia que "...na biblioteca predominam as fotos de sua mulher, Adrienne de Senna, e inúmeros CDs de jazz (grifos nossos) e livros sobre vários temas, em especial economia, sua nova paixão...".

Somadas, fizeram com que percebessemos que o Ministro Jobim é não apenas uma pessoa de excepcional bom gosto, mas que, ao reunir como suas paixões todos os itens que compõem nossa louvação aqui no blog, é digno de ser alçado à categoria de um CJUBIANUM HONORARIUM MAXIMUM, título que desde já lhe conferimos, unilateralmente.

Assim, no mês da comemoração do 3o. aniversário deste mural, ficam aqui nossos respeitosos cumprimentos ao Ministro Jobim pelo seu próprio aniversário e, principalmente, por ser dono de tão refinados hábitos pessoais.

Deixamos de publicar a foto do aniversário, na qual o Ministro Jobim aparece ladeado por sua mulher diante do bolo porque a marca do uísque ali exibido é a de um concorrente do que patrocina as produções jazzísticas mensais que o CJUB leva ao Mistura Fina a cada última quinta-feira do mês. E para as quais seria uma enorme honra para nós poder ter, como convidado especial, o próprio Nelson Jobim.

01 maio 2005

O JAZZ, EM ESPECIAL O JAZZ BASS, DE LUTO

Foram três perdas irreparáveis em abril. Porque cada músico de jazz, cada artista, ao contrário dos demais mortais, é, sim, insusbstituível.

Nunca mais teremos baixistas como Niels Pedersen, Percy Heath e Jimmy Woode.

Os três se foram no fim deste mês, deixando, cada qual, além da saudade, a marca de sua importância para o gênero, no qual todos fizeram história.


Nenhum contra-baixista de música popular ousaria duvidar que Niels foi o MAIOR virtuose do instrumento, em todos os tempos. Indo além, pouquísimos baixistas da música clássica chegaram ao nível técnico absurdo a que, desde cedo, NHOP provou ter atingido. Tocava em pizzicatto seu contrabaixo acústico, como se estivesse dedilhando um piano ou uma guitarra, ignorando o terrível diapasão do instrumento. Sua velocidade e perfeita afinação serão, talvez para sempre, inatingíveis.

O embate com Ray Brown, no celébre encontro montado por Oscar Peterson em Montreux, nos anos 70, mostrou isto: Niels acuou Ray, ganhando por indiscutível knock-out. Vejam: Ray tocou tudo o que podia - a até o que não podia - naquele concerto, e tudo que Ray Brown poderia - em plena década de 70, seu auge técnico e musical - não era nada pouco, todos sabemos.

Inobstante tamanho virtuosismo, Pedersen era simples e amável como pessoa, e sabia ser simples e objetivo também quando a música pedia. Por isto, a devoção de Peterson, Dexter Gordon, Kenny Drew, Basie, Pass, Terry e tantos outros monstros, à sua arte, sempre dedicada a quem faz e ouve jazz, e não à pirotecnia estéril, que nada acrescenta à música.


Percy Heath, veterano surgido no bebop, irmão dos também célebres Jimmy e Albert, fez história não só como membro regular do longevo Modern Jazz Quartet, mas como âncora de dezenas das principais units do jazz, desde os anos 40, figurando em albuns absolutamente seminais, como, para ficar em dois apenas, Miles Davis and the Modern Jazz Giants e Bag´s Groove, ambos para a Prestige e sob a liderança de Miles. O baixista viria para o último Festival de Lapataia (Punta Del Leste), no início deste ano, com os Heath Brothers, mas sua ausência seria já o presságio do pior, acometido de uma crise do câncer que, agora, o vitimaria.

A condução precisa e sempre imaginativa de Percy Heath será sempre uma das fundações do jazz bass, na sua vertente mais pura e blues oriented, fazendo escola (vídeo aqui), como seu antecessor, Milt Hinton, seus contemporâneos, Oscar Pettiford e George Duvivier, e muitos sucessores, como Leroy Vinnegar, Paul Chambers, Doug Watkins e Jimmy Merrit, ou, modernamente, Charles Fambrough e Dwaine Burno.


Jimmy Woode, também contemporâneo de Heath e ativo desde os anos 40 (gravou "com todo mundo", desde Sidney Bechet e Billie Holiday, até Eric Dolphy e Johnny Griffin), teve marcante associação, durante a década de 50, com a orquestra de Duke Ellington. Na dicção de Peter Keepnews, em recente artigo, publicado pelo NYT, "Mr. Woode - who lived in Sweden, Germany, Austria and Switzerland before moving back to the United States in 2001 - became a fixture of a jazz community that in the 1960's and 1970's was still dominated by American expatriates. He worked with many of them, notably the pianist Bud Powell and the saxophonists Don Byas and Johnny Griffin. Most important, he was a charter member of Europe's most successful jazz orchestra, the Kenny Clarke-Francy Boland Big Band, remaining with it from its inception in 1960 until it disbanded in 1973".


Neste abril, o heartbeat do jazz cedeu a um choroso improviso com arco, empunhado por baixistas e jazzófilos do mundo todo.

BOISDALE JAZZ BAR & RESTAURANT

Um grande amigo meu e da família, o Carlos Alberto Protásio, em uma de suas últimas viagens a Londres, conheceu e se encantou com um par de jazz-bares sofisticados, com restaurantes e espaços para apresentações de música, decorados ambos com muita madeira e paredes forradas de panos com aqueles belos motivos escoceses - os tartans.

Fortes nos cardápios de todos os tipos, os Boisdale tem portentosas "wine-list" (mais de 200 rótulos) e sua "cigar-list" é negociada diretamente com Havana. Além disso, a quantidade de "single-malts" disponíveis e outros espíritos bem-assombrados fazem desses lugares verdadeiros "spas" da almas das pessoas que não precisam provar mais nada a ninguém.

Os escoceses dos Boisdale atendem às essas necessidades básicas dos seres humanos com arte e maestria em dois endereços na Old London, um em Belgravia e o outro em Bishopsgate, além de fazerem entregas de vinhos e charutos a domicílio.

Para arredondar as coisas os Boisdale tem programações jazzísticas durante toda a semana, divididas em ambientes como o Cocktail Bar de Bishopsgate, onde todos os dias, de 18 às 21 horas, rolam clássicos dos anos 30 e 40 ao vivo e não há cobrança por isso. E no The MacDonald Bar, em Belgravia, de segunda a sábado (22/24hrs), jazz de todos os tipos, normalmente com a banda de blues da casa, a Boisdale Blues Rythm Band, que se apresenta trazendo convidados, além de diversas outras formações jazzísticas.

Como é praxe, há boutiques que vendem os inúmeros souvenirs da casa, entre eles os discos produzidos pelo pessoal de lá e ainda o guarda-chuva com logo, considerado um "must" de consumo, principalmente por se tratar de Londres.

Parece ser uma parada obrigatória para aqueles que, como nós, cultuam tal reunião de prazeres. Para mais informações, o site da casa é: www.boisdale.co.uk

UFRJAZZ ENSEMBLE LANÇA SEU CD ONDE INTERPRETA JULIO BARBOSA


Dirigida pelo competente maestro e arranjador José Rua, uma das últimas orquestras dedicadas ao jazz no país, a UFRJazz Ensemble vai, finalmente, lançar seu CD no qual interpreta a obra do trompetista Julio "Trompete" Barbosa (o Julinho Trompete, para os iniciados), excelente compositor e arranjador brasileiro radicado há anos na Alemanha.

No dia 3 de maio, no Centro de Cultura da Justiça Federal, a orquestra se apresentará em dois horários, ao meio-dia e às 18 horas, e contará com a presença no palco do proprio Julinho para participar, com seu trompete, da bela festa musical.

Eu vi uma apresentação de ambos no ano passado e fiquei vivamente impressionado com a inventividade e criatividade presentes às composições de Barbosa, muito bem assimiladas e executadas pela orquestra sob a segura condução de Rua.

É um programa imperdível para quem gosta de "big-bands" e composições originais.