Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

30 novembro 2004

TIM FESTIVAL, 7/11/2004, SÃO PAULO

DAVE HOLLAND BIG BAND @@@@

Billy Kilson foi a estrela (e a "orelhinha", consequentemente) faltante na constelação que formou o combo de Dave Holland (baixo), desde 2002 exitoso em todos os círculos jazzísticos (mídia, festivais, polls) e agora prestes a lançar album novo, algo antecipado na abertura da terceira e última noite do TIM Festival 2004.

Não que Nate Smith (bateria) tenha decepcionado, muito ao revés: formou uma rhythm-section abençoada ao lado do líder e do avançadíssimo vibrafonista Steve Nelson, ancorando as estantes de metais, brilhantes, por igual, individual e coletivamente.

O "problema" é que não há baterista, hoje, ao menos entre os das gerações mais novas, tão importante para o Jazz quanto Kilson, cuja inimitável polirritmia e inventividade, derivada dos estilos de Roy Haines e, principalmente, Jack DeJohnette, aflora, como em nenhum outro conjunto, nas bandas de Dave Holland.

Do premiadíssimo disco "What Goes Around" (2002, ECM), o baixista pinçou, para abrir o set, as duas primeiras faixas, Triple Dance e Blues For C.M. (C.M. = Charles Mingus), ficando claro que sua big band orienta-se pelo alfabeto Ellingtoniano, não na forma ou arranjos, claro, mas na constante intenção de dirigir os temas para a livre expressão e destaque de um ou determinados solistas.

Perfeito exemplo disto foi Mental Images, originalíssima composição de Kevin Eubanks (trombone), que, não à toa, o teve featured em primeiro plano, ao lado do irmão, Dwaine Eubanks (trompete), pupilo talentoso e fiel, no timbre e fraseado, de Freddie Hubbard.

A também inédita A Rio, dedicada à rival pobre - mas ainda (e sempre) maravilhosa - da capital paulista, cativou pelo desdobramento hipnótico de suas harmonias, compensando a evidente fragilidade da melodia inicial.

Fechou o set a title-track do CD de 2002, deslanchada por uma introdução arrepiante - e "impossível" - no baixo, levando a riffs puxados por Chris Potter (sax tenor) e Kevin Eubanks, logo seguidos dos demais metais.

Dave Holland é, todo o tempo - e a um só tempo - totalmente harmônico e totalmente melódico, em igual medida, o que parece realmente desafiador mesmo para os mais virtuosos de seus colegas baixistas. Parece não haver limite para a diversidade (e beleza) das linhas de condução que emanam de seu instrumento, e do qual dependem, de modo visceral, todo o coletivo.

De outra parte, só mesmo um combo fora-de-série pode se dar ao luxo de escorar-se nas harmonias imprevisíveis de Steve Nelson, distante, muito distante, do mainstream que domina, por décadas, o vibra-harp, inobstante os avanços nele operados pelos gênios de Milt Jackson, Bobby Hutcherson e Gary Burton.

Last Minute Man, merecido encore, demarcou, de vez, a linha que separa a seção rítimica, de um lado, dos metais, de outro, como que duas units em constante desafio mútuo, que resulta em maravilhoso contraponto e inesquecível sinergia. Brilharam, aqui, de novo os irmãos Eubanks, o trompete de Alex Sipiagin e o sax alto de Jaleel Shaw, mágica revelação, cujo "cartão de visitas" já recebêramos um dia antes, na jam promovida por B. Marsalis.

Só faltou mesmo Billy Kilson para a perfeição.



BIRÉLI LAGRÈNE GIPSY PROJECT @@@@1/2

Empunhando sua semi-acústica "cigana" (cordas de aço), quem chamaria para um duelo Biréli Lagrène ? Penso que nem Django Reinhardt, seu mentor e moto perpétuo de inspiração, a tanto se aventuraria.

O guitarrista, polivalente na discografia, encontra evidente conforto neste tipo de formação - guitarra solo (Lagréne), contra-baixo (Diego Imbert), guitarra rítmica (Hono Winterstein) e sax soprano e tenor (Franck Wolf) - aparentemente "simples", mas ontológica e antologicamente jazzística.

Atacando temas clássicos de Django, antigos standards como This Can´t Be Love e Cherokee, bem como originais, inclusive Parkerianos, Lagrène contagiou o Festival com o mais intenso, pulsante, extrovertido e sincero jazz que naquele palco se viu ao longo dos três dias do evento.

Enfim, puríssimo jazz "na veia", não só pela desenvoltura do líder e sua técnica olímpica, mas em grande parte pela descoberta do sensacional saxofonista Franck Wolf, de cujo cadinho de influências extraiu um impensável blend dos estilos de Benny Goodman, Sidney Bechet e Pee Wee Russel. Isto no soprano, principalmente, mas, acreditem, também no tenor, onde, aí, também Lester Young fez-se presente, solene, mas sem jamais perder a alegria que determina a música deste conjunto.

O concerto, impulsionando o lançamento do CD "Move" (2005, Dreyfus), trouxe um tufão de emoções para verdadeiros jazzófilos e, valeria, ele só, por um festival inteiro.


ART VAN DAMME QUINTET @@1/2

Lenda viva do Jazz, Art Van Damme, embora fragilizado em razão da idade, conseguiu realizar um concerto digno de sua história e importância, à frente de seu correto quinteto, cuja formação, com a substituição do piano pelo acordeón do líder, é a mesma dos clássicos conjuntos de George Shearing (vibrafone, guitarra, baixo e bateria).

Composto basicamente de standards e originais "standardizados", o set list promoveu um passeio pela sólida carreira de Van Damme e seus encontros com alguns dos maiores nomes do gênero, refletidos na originalidade dos improvisos que o virtuoso ainda consegue, com grande categoria, enfileirar, provando a majestade que nunca dele se retirará na evolução do instrumento e, de resto, do próprio Jazz, notadamente na incorporação de novos timbres e sonoridades para o gênero.

Um fecho emblemático para o Festival, que primou pelo acerto na escolha de um cast, no geral, de altíssimo nível artístico, avaliação válida, claro, exclusivamente para o palco Club, com a devida licença das demais "tendas" e suas respectivas "tribos".

29 novembro 2004

BILLY ECKSTINE (1914 / 1993 )

Mais um vinil, lançado pela Sigla em 1979, o disco chamado "Momento Brasileiro", gravado há 25 anos entre o Rio de Janeiro e Hollywood, com arranjos e orquestração do Oscar Castro Neves, traz Billy Eckstine em grande forma, cantando com elegância e sofisticação, um surpreendente repertório, começando com Cidade Maravilhosa (de fato ela ainda o é), em uma levada jazzística e num ritmo mais lento que o tradicional; em resumo, uma interpretação emocionante e pouco conhecida.

Seguem-se, neste repertório verde/amarelo, Corcovado, Dindi, Dora, Vivo Sonhando, Você e Eu e finalmente Insensatez; ou seja, a fina flor de nosso cancioneiro, aliás objeto de gravações de outros intérpretes, como Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan, ambas, no entanto, contando com maior divulgação e inclusive relançamentos em CD, o que, infelizmente, não aconteceu com esse trabalho de Billy Eckstine, a meu ver o melhor discípulo do maior de todos, Johnny Hartman.

NIVALDO ORNELAS e KIKO CONTINENTINO no TRAITEURS DE FRANCE

Nesta quinta-feira, 2 de dezembro, o excelente saxofonista NIVALDO ORNELAS se apresentará em DUO com KIKO CONTINETINO, pianista e arranjador de Milton Nascimento, no bistrot TRAITEURS DE FRANCE , na Gávea.
Estes dois músicos se apresentaram num dos mais concorridos concertos produzidos pelo CJUB, num tributo a
John Coltrane.
O bistrot fica na Rua Mq. de São Vicente n. 86 ( a 100m do Shopping da Gávea) tel: 22590408 , as 21:00 h.

É isso aí...

26 novembro 2004

69 th DOWNBEAT READERS POLL 2004

Doa a quem doer transcrevo abaixo a votação dos leitores da "DB", indicando os 3 primeiros por categoria e o correspondente número de votos, a saber:

Jazz Artist - 1) Dave Holland (301); 2) Dave Douglas (168) e 3) Joe Lovano (164)
Jazz Album - 1) Dave Holland "Extended Play" (276); 2) Dave Douglas "Strange Liberation" (158) e 3) Keith Jarrett "Up For It" (83)
Acoustic Bass - 1) Dave Holland (381); 2) Ron Carter (204) e 3) Christian McBride (174)
Acoustic Piano - 1) Brad Mehldau (377); 2) Keith Jarrett (183) e 3) McCoy Tyner (152)
Alto Saxophone - 1) Phil Woods (394); 2) Kenny Garrett (231) e 3) Lee Konitz (177)
Arranger - 1) Maria Schneider (404); 2) Dave Holland (192) e 3) Bill Holman
Baritone Saxophone - 1) James Carter (409); 2) Gary Smulyan (262) e 3) Ronnie Cuber (166)
Big Band - 1) Dave Holland (411); 2) Diva Jazz Orchestra (211) e 3) Charles Mingus Big Band (139)
Clarinet - 1) Don Byron (429); 2) Buddy DeFranco (290) e 3) Eddie Daniels (254)
Composer - 1) Wayne Shorter (338); 2) Dave Douglas (212) e 3) Dave Holland (151)
Drums - 1) Roy Haynes (364); 2) Jack DeJohnette (255) e 3) Elvin Jones (118)
Electric Bass - 1) Steve Swallow (354); 2) Christian McBride (171) e 3) Marcus Miller (165)
Electric Keyboard - 1) Joe Zawinul (360); 2) Herbie Hancock (297) e 3) Chick Corea (162)
Female Vocalist - 1) Diana Krall (308); 2) Nancy Wilson (148) e 3) Madeline Eastman (108)
* Ithamara Koorax é a 12a e última (20)
Flute - 1) James Moody (334); 2) Frank Wess (310) e 3) James Newton (173)
Guitar - 1) Pat Martino (390); 2) Jim Hall (222) e 3) Russell Malone (219)
Male Vocalist - 1) Kurt Elling (346); 2) Mark Murphy (290) e 3) Andy Bey (125)
Organ - 1) Jimmy Smith (447); 2) Joey DeFrancesco (405) e 3) Lonnie Smith (149)
Percussion - 1) Airto Moreira (138); 2) Poncho Sanchez (105) e 3) Thiago de Melo (83)
Soprano Saxophone - 1) Wayne Shorter (417); 2) Steve Lacy (341) e 3) Dave Liebman (93)
Trombone - 1) Steve Turre (421); 2) Robin Eubanks (303) e 3) Wyclife Gordon (226)
* Raul de Souza é o 12 e último (15)
Trumpet - 1) Dave Douglas (411); 2) Roy Hargrove (230) e 3) Tom Harrell (181)
* Claudio Roditi é o 6 (48)
Vibrafone - 1) Bobby Hutcherson (372); 2) Stefon Harris (250) e 3) Gary Burton (218)

É isso aí...

AVISO AOS CHARUTANTES

Neste sábado (27 /11) a CEJ - Companhia Estadual de Jazz vai fazer um ataque de surpresa no Esch Café do Leblon (Dias Ferreira, 78), local propício à prática da charutagem ao som de jazz e samba-jazz. O início dos trabalhos está previsto para 21:45 h.
Onde há fumaça há fogo.
RayNaldo

21 novembro 2004

TIM FESTIVAL, 6/11/2004, SÃO PAULO

DAVID SANCHÉZ QUARTET - @@@@

No segundo dia do Festival, aportou, afinal, o Jazz "so to speak" (em que pese o emocionante canto do cisne de Nancy Wilson, na véspera).

Já aos primeiros acordes da apresentação do quarteto de David Sanchéz, saxofonista de reputação construída nos círculos do Latin Jazz americano, de logo se anteviu uma jornada preponderantemente post-bop, sem prejuízo do lirismo com que algumas baladas preencheram corações e mentes numa noite memorável e surpreendente.

De freaseado fluente e muito influenciado por Sonny Rollins, Sanchéz já pode ser tido como um gigante do Jazz atual.

Só pelo direcionamento do set list, baseado em seus últimos discos, principalmente Coral (2004, Sony), com a inclusão de temas brasileiros (Villa-Lobos, variações sobre o 2º movimento da Bachiana 4, Coral; Jobim, Eu Sei que Vou te Amar; Edu Lobo, Pra Dizer Adeus) e outros de inclinação nada "afro-cuban" - como dele talvez esperassem - Sanchéz provou estar apto a declamar em qualquer idioma do swing, sem necessariamente estar vinculado a combos latin.

Não bastasse, trouxe para o TIM músicos que estiveram iluminados durante todo o concerto, como Edsel Gomez (piano) e Adam Cruz (bateria), ambos com inventividade em alta ebulição, Hans Glawichnig (baixo), todavia, em patamar bastante inferior.

Originais como Just a Piece e Adoracion, este de Eddie Palmieri (notadamente baseado em Blue Bossa, de Dorham), abundaram em modernidade, revelando um líder maduro em todos os sentidos, e que, inclusive, mostrou, nas baladas, o quão inesgotável é - e deve ser sempre, para os mais jovens - a puríssima fonte de Ben Webster e Dexter Gordon.

Em contraponto à tamanha maestria, uma humildade franciscana, ao final, a todos concitou para o apoteótico concerto de Brandford Marsalis, a quem também considera como um de seus ascendentes musicais.


BRANDFORD MARSALIS QUARTET - @@@@1/2

Ninguém imaginaria a conexão, mas dedicar o primeiro tema ao trombonista Robin Eubanks - uma composição de nuances intrincadas, na exata trilha do post-bop que marcou os últimos 20 anos de carreira deste magistral saxofonista (ao menos na sua discografia como líder de conjuntos de jazz) - não deixou de ser uma bela pista da surpresa armada por Brandford Marsalis para o ápice de sua apresentação.

Do disco novo (Eternal, 2004, Rounder), plácido e, de certo modo, uma ruptura com o avant-garde de outros trabalhos, Marsalis e seu inspirado quarteto (Joey Calderazzo, piano; Eric Revis, baixo; e Jeff "Tain" Watts, bateria) tocaram apenas as duas primeiras faixas do álbum, The Ruby and the Pearl e Reika's Loss, baladas espraiadas em constante lirismo e lúcidas inflexões.

O tour-de-force para o quarteto ficou, todavia, para algo como " Vaudeville", dificílima composição a la Mingus, com tempos deslocados, entremeados com improvisações individuais e coletivas, em constante desafio para a interação do grupo, que se mostrou intacto num interplay praticamente telepático.

Marsalis, além dos cristalinos timbres e emissão tanto no soprano quanto no tenor, é um virtuoso à altura de todos os cats que o antecederam na história do jazz. Seus (bons) flertes com o pop e mesmo com rap e a música eletrônica em nada, nada mesmo, obscurecem a grandeza de sua arte - jazzística por excelência - e sempre falada em primeira pessoa.

Calderazzo é o mais novo mestre da escola dos pianistas vigorosos - Tyner, Mabern e Hicks - a eles pouco ou nada devendo, sem contar as vivas cores, pinçadas de sua rica palheta, de Hancock e até Corea.

Jeff "Tain" Watts jamais permite que o loudness constante de seus pratos e tambores seja confundido com vazio de sutilezas ou pobreza de idéias. Ele é tudo o que Bobby Previte sonhou mas dificilmente conseguirá ser.

Eric Revis, o mais novo na banda (substituiu Bob Hurst, há alguns anos), já demonstra firmeza e talento de um young lion, a todo o tempo dele se demandado o pulso necessário para o hard swinging atômico do grupo.

Mas e a conexão, o ápice ?

O quarteto estremeceu o público com o clássico e irresistível blues Sonnymoon for Two (S. Rollins), para o qual surgiram do backstage - delírio geral - três "sopros" da big band de Dave Holland (Jaleel Shaw, alto; Chris Potter, tenor; e Robin Eubanks, trombone), num primeiro momento, e, em seguida, David Sanchéz (tenor) e seu pianista Edsel Gomez, improvisando, cada um a seu turno, e, ao fim, todos juntos, coletivamente (como no traditional), com sucedânea troca de fours, riff principal, e muitos, muitos sorrisos de infinita realização comungados por músicos e audiência.

Foi o nosso Jazz at the Philarmonic, experiência única a que todo jazzófilo sonha um dia testemunhar.

Depois desta inesquecível experiência, nenhum bis teria o que adicionar, mas ele veio, com o original In the Crease (do álbum Contemporary Jazz, 2000, Columbia), saciando, de vez, olhos e ouvidos desde então eternamente gratos à magnitude e generosidade de Brandford Marsalis.

20 novembro 2004

VEJA RIO

Victor Biglione Organ Trio é a atração do próximo Chivas Jazz Festival ( ??? ) com um repertório que transita pelo jazz e pela bossa nova. Mistura Fina , Quinta (25) as 21h.

É o CJUB dando carona a tudo e a todos.


19 novembro 2004

BOMBA, BOMBA!!! - NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA

Segundo nota publicada no site Advillage, publicada por Zeca Castellar nesta data e transcrita abaixo, teremos no próximo ano - leia-se Rio e São Paulo - o 1o. Playboy Jazz Festival do Brasil, evento tradicional nos Estados Unidos. A produção será do nosso conhecido - e competente - Toy Lima e vai utilizar a estrutura do récem-descontinuado Chivas Jazz Festival. Segue a íntegra:

-------------------------------------------------------------------------------------

"Vem aí o Playboy Jazz Festival

A Abril bateu o martelo e está dando início aos preparativos para seu 1º Playboy Jazz Festival, que deve acontecer no final de agosto e início de setembro do ano que vem. O evento fará parte das comemorações dos 30 anos da revista Playboy no Brasil, que começam em janeiro. "Mas nossa idéia é mantê-lo em nosso calendário anual", diz ao Advillage o diretor de marketing da Unidade Jovem da Abril, André Felipe D'Amato. "A Playboy americana realiza um festival desse tipo há 25 anos, em Los Angeles, e estivemos lá no 1º semestre para acompanhar", comenta.

Segundo D'Amato, a estrutura do Chivas Jazz - que está sendo interrompido pela Pernaud-Ricard após 5 edições - deve ser aproveitada. "Convidamos o produtor do Chivas, Toy Lima, para fazer o festival conosco", diz. "E estamos acertando as datas com o Directv Music Hall, em SP, e com a Marina da Glória, no Rio". Alguns nomes do primeiro time do jazz devem se apresentar, como a cantora Cassandra Wilson, o saxofonista Wayne Shorter e o pianista Herbie Hancock.

O festival pode ser exibido ao vivo em um canal por assinatura, dependendo das negociações de direitos autorais com artistas."E já tivemos uma primeira reunião com o pessoal da TV Cultura", adianta D'Amato. No Chivas, a emissora vinha gravando os shows para exibição em sua faixa "Jazz & Cia". O custo estimado do evento, por enquanto, gira em torno de R$ 2 milhões."

-------------------------------------------------------------------------------------

É isso.

18 novembro 2004

Victor Biglione Organ Trio se apresenta no CJL
dia 25 de novembro, 21 h, no espetáculo Jazz Guitar


COLUNA DO MESTRE LUIZ ORLANDO, NO JB DE HOJE

Transcrevo aqui, mais uma vez em prol da nossa cultura jazzística, a coluna do nosso "Mestre-remoto" - geograficamente, claro, pois mora nos nossos corações e mentes - Luiz Orlando Carneiro, que lança mais alguma luz na discussão sobre as reais qualidades/habilidades de Brad Mehldau.


"Jazz em ótimos lançamentos"

"No apagar das luzes de um ano em que as edições no Brasil de discos de jazz lançados lá fora foram raras e irrelevantes, surgem no mercado CDs marcantes de dois músicos extraordinários, embora bem diferentes em termos de concepção e de importância na história do moderno piano jazzístico.

Live in Tokyo (Nonesuch/Warner) é um recital solo gravado, em fevereiro do ano passado, por Brad Mehldau - o sofisticado, altamente técnico e jovem (34 anos) mestre do chiaroscuro musical. A night in Vienna (Verve/Universal) registra o concerto realizado há um ano, no Musikwerein de Viena, pelo quarteto do monstro sagrado Oscar Peterson (79 anos), na comemoração do 175º aniversário dos pianos Bösendorfer (Peterson ganhou dos fabricantes, tempos atrás, um Imperial feito especialmente para ele, com uma oitava a mais).

Há duas semanas, no Tim Festival, em São Paulo, Brad Mehldau apresentou-se com o trio que lidera há 11 anos. E reafirmou, com notável criatividade, que o tema - desde que melodicamente atraente - é um mero pretexto para a arte da improvisação, num nível de excelência bem próximo ao atingido por Keith Jarrett, o imperador do jazz trio nos últimos 20 anos.

Em Live in Tokyo, Mehldau vagueia, à vontade ou solenemente, durante 70 minutos, pelas variadas paisagens que inventa a partir de oito temas, dos quais apenas Intro (dois minutos e meio) é de sua pena. Os outros sete são: Someone to watch over me e How long has this been going on? (Gershwin); Things behind the sun e River man (Nick Drake); From this moment on (Cole Porter), Monk's dream (Thelonious Monk) e Paranoid android (Radiohead).

Nos temas de Gershwin, o pianista dá ênfase à sua verve romântica, ao lado mais contemplativo de sua personalidade, que agora desabrocha, depois de abafado pelo virtuosismo incontido do Mehldau dos primeiros discos da série The art of the trio. Mesmo assim, o forte ego do intérprete acaba por escancarar a porta ao virtuose nos três minutos finais de Someone to watch, quando o ostinato sombrio da mão esquerda e as variações no agudo da mão direita tornam-se mais veementes. From this moment on é desconstruído e reconstruído de modo mais introvertido, com uma economia de notas digna do saudoso John Lewis (1920-2001).

A erudição de Mehldau não pode evitar que em suas telas musicais surjam vultos de Bill Evans e Beethoven, de Keith Jarrett e Brahms. As meditações do pianista não comprometem o swing que - mais explícito na moldura habitual do trio - é intenso nas variações solitárias altamente percussivas sobre o tema de Monk (7m 59s) e torrencial nos 20 minutos de Paranoid android. Nesta faixa - um tour de force de improvisação contrapontística, também iniciado com um simples episódio musical - Mehldau presta homenagem ao genial Keith Jarrett, deixando claro ter ouvido muitas vezes o célebre Köln Concert (1975).

Quanto ao recente álbum de Oscar Peterson (talvez o pianista de discografia mais extensa nos anais do jazz), roga-se que seja apreciado com o mesmo espírito dos ouvintes da celebração de Viena. O crítico Richard Palmer, ao comentar o DVD do concerto, observou: ''As tomadas do auditório são tão reveladoras e importantes como as do palco. A audiência realmente queria estar ali, não para ser vista num acontecimento social, mas para assistir ao aparecimento, em sua cidade, do último dos indiscutíveis mestres do jazz, cuja arte tocou milhões de vidas''.

Em 1993, Peterson sofreu um derrame, que deixou a mão esquerda semiparalisada. Fez muita fisioterapia mas, evidentemente, ficou incapacitado de continuar a usar as duas mãos e os dez dedos para gerar seus caudalosos rios de arpejos e runs paralelos de acordes cheios. Nem a articulação dos dedos da mão direita é a mesma dos discos antológicos das décadas de 60 e 70.

Mas o handicap teve um certo mérito - o de tornar mais reflexiva e menos exibicionista a arte do gigantesco (em todos os sentidos) pianista. Além disso, Peterson lidera um quarteto em que dois músicos excepcionais - o dinamarquês Niels ''Nhop'' Pedersen (baixo) e o sueco Ulf Wakenius (guitarra) - compensam suas atuais deficiências harmônicas. E o também fiel escudeiro Martin Drew (bateria) está sempre de prontidão no suporte rítmico.

Oscar Peterson assina seis das nove composições desse CD, que tem um tom de despedida acentuado por Requiem, que ele dedica a Ray Brown, John Lewis, Milt Jackson e Norman Granz, falecidos no período 2001-2002.

O pianista está particularmente feliz em Wheatland (da suíte Canadiana), Cakewalk e The backyard blues. Os problemas de articulação são mais visíveis em Sweet Georgia Brown, na introdução em duo com Wakenius, que tem muito espaço para mostrar suas qualidades de grande improvisador em quase todas as faixas. Infelizmente, o fantástico contrabaixo de ''Nhop'' está mal captado no mix."

11 novembro 2004

TIM FESTIVAL, 5/11/2004, SÃO PAULO



CHICO PINHEIRO QUINTETO - @@@

Depois de revelar o furacão do marketing Maria Rita, Chico Pinheiro segue carreira, com técnica rebuscada e elogiável destemor na concepção e arranjos de sua música. Num set em que, além do líder, brilharam Teco Cardoso (sax soprano e flautas) e Andre Nehmari (piano), Pinheiro provou estar no caminho certo, tanto como instrumentista quanto como compositor, em que pese a dispensável concessão para temas cantados ou vocalizados pela convidada especial Luciana Alves.


BRAD MEHLDAU TRIO - @

Não à toa irritam tanto Brad Mehldau as constantes comparações com os trios de Bill Evans e Keith Jarret. Após ouvir alguns de seus discos, cheguei até a dizer, neste mesmo espaço, que Mehldau seria uma espécie de "Sub-Evans" ou "Sub-Jarret".

Mas depois da enfastiante e charlatanesca jornada de sexta-feira, vejo que também eu cometi imperdoável pecado ao dar a ele a dignidade de estar de algum modo associado, ainda daquela forma diminutiva, ao universo de gênios com tamanha envergadura.

Ultraja comparar o farsante Brad Mehldau às realezas Bill Evans e Keith Jarret, como, de resto, a qualquer outro músico de jazz.

Sua música não passa de ego-trip rasa, mais adequada às prateleiras da new age.

Porque jazz, definitivamente, não faz parte do dicionário de Mehldau.

Um pianista que despreza o swing não merece a alcunha de jazzista.

Não se fala, aqui, do swing "movimento do jazz" (pre-bebop), ou do swing "4/4" para o qual incautos "moderninhos" (moderninhos dos anos 70, ainda ?) torcem o nariz.

Falo do axioma Ellingtoniano que qualquer verdadeiro jazzófilo tem como bússola ao identificar, ou não, uma música como "jazz": "It don ´t mean a thing, if it ain´t got THAT swing". Desnecessário lembrar que Ellington foi o MAIS moderno e completo músico de jazz de todos os tempos.

Como fio condutor do tédio, entretanto, que se presta até a sonoterapias, o trabalho de Mehldau aparenta alcançar pleno êxito, inclusive porque emoldurado em capacidade técnica induvidosa.

Mas o kit de ilusionista amador que deve ter recebido dos pais quando criança, vem-lhe servindo bem para entreter platéias mundo afora - nem sempre tão leigas assim - carentes, talvez, frente a tantas aventuras post-boppers (algumas intimidadoras), de um melodismo simplório e apelativo, entremeado de melismos gelados, que temerariamente se pretende alçar à condição de "improvisos".

Ora, não basta formar um trio acústico de piano, baixo e bateria, ou tocar standards para ser jazz.

Não basta dedilhar Alfie ou More Than You Know lânguida e espaçadamente e muito menos amanteigar roqueiros como Beatles ou Radiohead, para filiar-se à nobre arte do improviso.

Suportamos pouco mais de uma hora de aridez musical absoluta, em que o pianista debochava do ouvinte sério, insistindo em divagações pueris e digressões pointless nas oitavas centrais do teclado, em que fixou-se ao longo de todo o "concerto", fazendo soar quase unívoco o timbre do piano, em esforço diretamente proporcional às suas limitações criativas.

De seus pares, resta dizer da irrelevância de ambos para os "objetivos" do líder, salvo por mascarar, com este tipo formação, a imagem de um trio jazzístico.

O atrapalhado Jorge Rossy (bateria), até que se esforçou, mas Larry Grenadier (contrabaixo), francamente, bem poderia buscar outro mister, tal o mau gosto na condução e a absoluta ignorância acerca do que represente a dinâmica (alterações na intensidade do tocar: piano, médio ou forte, p.e.), ainda mais quando o "moto perpétuo" do "patrão" é o mood "baladeiro".

Em síntese, uma apresentação, de fato, "para não esquecer jamais", como advertiram tantos críticos.

Para não esquecer do profético Duke Ellington e sua clarevidência.



NANCY WILSON & TRIO - @@1/2

Um espetáculo emocionante, fundado muito mais na classe, categoria e experiência, do que propriamente no esplendor vocal, ofereceu-nos Nancy Wilson e seu trio, no qual destacou-se o veterano baterista Roy Mcurdy, vestido a rigor, como os colegas, numa elegância plenamente ajustada à despedida da cantora dos palcos, que aqui se anunciou.

Temas clássicos, que pontuaram a carreira de Nancy - em que pese o tom convencional dos arranjos - foram sempre por ela interpretados com competência e inventividade, revelando, inclusive, a fonte em que beberam, no modo de improvisar, promessas, como, por exemplo, a exuberante Rachel Farrell.

Um But Beautiful sublime, "miopemente" (ela não sabia de onde viera o pedido) dedicado a José Sá (nosso confrade Sazz), acabou sendo um dos highlights da apresentação, que, felizmente, fez ressurgir, no Club, o jazz ignorado por seu antecessor de palco.

Nancy Wilson teve uma carreira da qual pode se orgulhar, e a todos nós deu o prazer de com ela dividir a celebração de sua arte.

WANDA SÁ - NASCE UMA CANTORA DE JAZZ

O Mistura Fina, na noite do dia 28 passado, propiciou, como verdadeiro club de jazz que é, o ambiente ideal para uma perfeita demonstração de que em matéria de musicalidade, nossos astros, comprometidos com o profissionalismo, não ficam devendo nada a ninguém. Muito pelo contrário, podem dar aulas de como fazer um concerto bem feito. Tudo está registrado em vídeo e em fita de áudio digital, e a apresentação de Wanda Sá torna-se desde já uma relíquia histórica, em testemunho de uma noite memorável.

Wanda subiu ao palco com uma missão pela frente. Já tendo vencido todos os seus desafios no que tange à musica brasileira, principalmente a bossa nova, tinha ali uma batalha pessoal a enfrentar, desde que aceitara o convite para cantar jazz para uma platéia composta não apenas por amigos e seu público fiel mas que incluía indivíduos exigentes como o grupo de loucos por jazz deste CJUB - do qual faz parte seu irmão Sazinho (Sazz), um dos fundadores e co-produtor da experiência. Wanda houve-se com maestria e fez um espetáculo para os anais do CJUB, do Mistura e de sua própria trajetória pessoal.

Tendo recebido a incumbência de um concerto no qual cantaria exclusivamente temas jazzísticos, seguindo a orientação do programa desejado, nem mesmo vacilou. Topou na hora a empreitada e dedicou-se, segundo seus elevados padrões artísticos e profissionais, a decorar as letras de cerca de 14 músicas que interpretaria. Isso mais os ensaios com a banda onde repetiu, e repetiu à exaustão, as passagens mais complicadas para não titubear, não tergiversar, não deixar transparecer que em toda a sua vida profissional como cantora-musa-diva-símbolo da bossa nova, jamais tinha entoado três compassos desta refinada arte norte-americana, e assim Wanda sonhou por três semanas exclusivamente com jazz.

E, simplesmente, detonou. Com apoio do diretor musical e contrabaixista Dôdo Ferreira, valorizada pelo belíssimo piano de Adriano Souza e com a marcação precisa de João Cortez, Wanda em pouco tempo transformou o Mistura Fina no quintal de sua casa, tal sua segurança, inventividade e sua inescapável bossa pessoal. Parecia uma menina descobrindo a gaveta de maquiagem da mãe. Wanda foi, cantando jazz, a mesma grande intérprete da bossa nova que sempre nos encantou. Desta feita, em inglês e de forma perfeitamente jazzística. Suas interpretações de "Solitude", "Don't Get Around Much Anymore", "The Way You Look Tonight" e "All of Me", estas duas últimas em ritmo mais próximo de suas origens bossanovísticas, poderiam seguramente figurar num próximo CD dedicado ao jazz.

Adriano Souza, ao piano, foi revelação saída da cartola de Dôdo Ferreira. Praticamente um desconhecido de grande parte do público, Adriano acompanhou Wanda com a experiência de um veterano "sideman" americano e quando fez solos, os fez elegantes e criativos, a ponto de arrancar aplausos ainda em meio à sua execução.

Uma bela descoberta do sempre antenado Dôdo, que além da direção musical do programa, manteve seu sempre criativo contrabaixo à frente do grupo, incentivando e marcando com firmeza a apresentação de Wanda, com quem apresentou-se em dueto em "Just Squeeze Me", também de Ellington.

João Cortez foi o baterista seguro e elegante de sempre, mantendo seu instrumento em pulso rítmico intimista e pontuando com vigor nos entremeios vocais, sempre dando coloraturas elegantes aos seus - poucos, é verdade - momentos em solo.

Uma noite para se guardar na memória, que teve como presenças destacadas, Durval Ferreira, Vítor Biglione (próxima atração do CJUB, em 25 de novembro próximo, com um "Histórico da Guitarra no Jazz") e de Roberto Muylaert, renomado jornalista e produtor musical, responsável pela primeira edição do Festival de Montreux no Brasil, em 1978. Foi Muylaert quem pediu, na hora do bis, que Wanda novamente cantasse "Solitude", de Duke Ellington e arrepiasse todos os braços outra vez, como havia feito no primeiro set, quando a justeza de sua voz de timbre grave se adaptou maravilhosamente à composição, eletrificando o Mistura Fina.

Acho que Wanda Sá, depois dessa experiência, foi definitivamente inoculada pelo vírus do jazz. Diz ela ter sido eu o responsável por isso, ao convidá-la a ser a primeira pessoa a cantar, se e quando decidíssemos abrir essa vertente dentro do projeto iminentemente instrumental do CJUB. Assim foi, e aceito a acusação com muito orgulho. Ao fim, acho que foi o mundo que ganhou uma nova e promissora intérprete jazzística.

10 novembro 2004

EG GIS & QUINTETO VILLA LOBOS NO CCBB

Após a maratona sonora do Tim, nada como assistir no teatro II do CCBB super lotado de estudantes, aposentadas (grande maioria) e desempregados (meu caso), ao concerto do Egberto Gismonti com o Quinteto Villa-Lobos na série chamada "Musica Sem Fronteiras", o que foi muito bem justificado, pois os musicos em questão tocando temas (9) do Egberto romperam os limites do clássico, passando pelo jazz e dialogando com o popular.
O concerto foi aberto pelo Quinteto composto por Antonio Carrasqueira (flauta), Luis Carlos Justi (oboé), Paulo Sergio Santos (clarineta), Philip Doyle (trompa) e Aloisio Fagerlande (fagote), que interpretaram "Karatê" e "Memória e Fado", com a entrada triunfal do Egberto ao violão de 10 cordas; hoje na minha modesta opinião o maior violonista brasileiro e entre os 3 do mundo, fizeram "Sonhos", "Palhaço na Caravela", e o publico a flutuar.
A seguir Eg Gis em piano solo mostrou que também é monstro no instrumento, fazendo diversas citações jazzísticas no tema "Meninas", arrebatando de vez a platéia do CCBB.
Dando sequencia convidou novamente o Quinteto ao palco, para uma homenagem a H.Villa-Lobos tocando em medley "Dansa" das Bachianas n.4, "Realejo" e Lundu".
Para terminar "Dança dos Escravos", quando voltaram para o bis já com o pequeno teatro de pé para o clássico tema "Frevo", lavando a alma dos presentes e para aqueles que gostam da musica deste, que com certeza esta entre os maiores musicos do nosso país merecedor a muito de um evento quem sabe no Municipal, pois é em locais do genero que tem se apresentado ao redor do mundo...


08 novembro 2004

TIM FESTIVAL OU MISSÃO SÃO PAULO 2

Confirmando as resenhas anteriores, aqui estamos de volta para alguns comentários e avaliações a respeito do excelente acontecimento jazzístico do último fim de semana realizado no Jockey Clube de São Paulo, no teatro tenda onde foi armado o palco Club bem afastado dos demais, para impedir que o vazamento dos bate estacas ou outros sons desta natureza atrapalhassem a qualidade sonora do Club.
A primeira noite foi aberta pelo violonista local Chico Pinheiro, que ao lado de seu quarteto foi para mim uma grata surpresa, pela tecnica apresentada pelo lider, bem como por sua simpatia e simplicidade não perdendo o brilho mesmo com a chamada ao palco da cantora Luciana Alves que ainda tem muito chão para caminhar.
@@@1/2
A seguir apresentou se o Brad Mehldau trio (Larry Grenadier - baixo e Jorge Rossy - bateria), cujas definições dos críticos a respeito da performance foram desde; "Magnífico" do nosso querido amigo Luiz Orlando Carneiro (JB) a "Memorável" do Antonio Carlos Miguel (Globo), passando ainda pela curiosa "Antena da raça" do Cassiano Machado da Folha de São Paulo.
Isto posto só para corroborar com a minha avaliação de concerto simplesmente inesquecível, destacando se o "bis" com uma interpretação definitiva de "She's Leaving Home", de Lennon e McCartney do famoso album Sgt. Pepper´s...
@@@@@
Fechando a sexta feira Nancy Wilson e seu elegante trio (todos de smoking), que fez uma apresentação dentro do que dela (eu) esperava, sem qualquer surpresa ou decepção, tendo até cantado uma musica a meu pedido "But Beautiful", que agradeci diretamente ao final da performance, pois não identificou exatamente de onde veio a solicitação.
@@@
No sábado muito pouco a dizer do quarteto de violões Maogani que primeiro subiu ao palco, pois quase nada assisti e até porque acho, que estão no mínimo 30 anos atrasados em relação ao já extinto D'Alma, que tocou em 1974 no 1o Festival de Jazz em S.P., não apresentando nada mais moderno ou inovador inclusive no visual, que sugiro urgente repaginação.
sem avaliação
Dando sequencia, a meu ver a maior revelação do evento o saxofonista tenor David Sanchez que se apresentou com quarteto ao invés de quinteto, como anunciado inclusive no ingresso.
O porto riquenho quase americano,disse ser a nossa musica uma de suas principais fontes de inspiração fazendo um concerto notável demonstrando total domínio do instrumento, tocando composições proprias, Villa Lobos (Bachianas n.4), Jobim (Eu sei que vou te Amar) e Edu Lobo (Pra dizer adeus) essa no "bis".
@@@@1/2
No final um set glorioso como dito por LOC, do Branford Marsalis com jazz para gente grande e em altíssimo estagio dando direito a uma jam ao melhor estilo JATP, que quem viu viu.
@@@@@
Domingo ultimo dia do Tim com mais uma aula de modernidade em solo brasileiro, de um dos maiores musicos a meu ver da atualidade, o ingles Dave Holland e sua impecavel big band que so nao fez chover pois tal ja acontecia na terra da garoa.
Nao tenho muito como expressar em palavras talvez genial, soberbo, espetacular etc etc etc.
@@@@@ +
Apos essa, confesso que perdi o interesse por qualquer outra apresentacao que se seguisse, razao pela qual deixo de avaliar a performance do virtuoso violonista frances Bireli Lagrene que sem duvida e o verdadeiro sucessor de Django Reinhardt que fez tremer o palco Club.
O mesmo vale para o Art Van Damme que nem sequer assisti, mais ate pelo cansaco do que qualquer outra coisa e para melhor absorver e armazenar as informacoes musicais recebidas.
Quanto a organizacao do evento muito boa,como sempre todo e qualquer servico na pauliceia e a lamentar o fato de nao ter sido aqui, embora houvessem muitos cariocas presentes pois nada como o nosso calor humano em relacao a paulistada.
Agradeco aos parceiros Mau Nah e Benex otimos companheiros de viagem (espero ter sido a primeira de muitas) a colega Bety(Fitipaldi)Girl, e Wanda presente no ultimo dia do Tim.

Valeu...

Sa

04 novembro 2004

CJUB NO TIM FESTIVAL

É, como não poderia deixar de ser estaremos em Sampa Mau Nah, Benex e o que vos escreve para esse "Festival", que vai de Brian Wilson a Pet Shop Boys passando por Bebel Gilberto, Kraftwerk e Soulwax entre outros, que obviamente não contarão com a nossa presença, pois estaremos no Palco Club curtindo a fina flor do jazz, que segundo nosso companheiro e critico Luiz Orlando Carneiro terá a melhor programação jazzística dos últimos anos, começando pelo Brad Mehldau trio junto com a Nancy Wilson, que fazem acontecer na 1a noite amanhã; Mehldau considerado hoje por muitos o melhor pianista vivo e dividindo o pódio com Keith Jarrett. ( Será ??? )
Na segunda noite Sábado Branford Marsalis Quartet, repetindo com o mesmo pessoal o sucesso de seu último cd "Eternal" que recebeu @@@@ da Down Beat, além do sax tenor porto riquenho David Sánchez, que confesso não conhecer.
Fechando no Domingo nada mais do que a orquestra de Dave Holland que ganhou todos os prêmios em 2003 com o cd "What Goes Around", tendo ainda o guitarrista francês seguidor do Django Reinhardt Biréli Lagrène e o decano do festival com 84 anos o acordeonista Art Van Damme, liderando seu quinteto.
Enfim paulicéia desvairada aí vamos nós ! onde também estive por ocasião do 1o Festival de Jazz realizado no Brasil, em que lá se vão alguns muitos anos...



MISSÃO: SÃO PAULO

"Music expresses that which cannot be said and on which it is impossible to be silent." (Victor Hugo)

Inspirados pelas belas palavras desse homme-savant, amanhã cedo sairá em direção à cidade de São Paulo - impossível não mencionar, espetacularmente resgatada e entregue pelo povo a mãos mais competentes do que as anteriores-, valoroso trio de representantes do CJUB para participar, como ouvidores e olheiros, da parte que interessa do Tim Fest.

Assim Mau Nah, Sazz e Bené-X lá estarão, pelas três noites, tratando de apreender, discutir (e como!), julgar e trazer suas impressões para os demais amigos e leitores em geral. Muito provavelmente, depois de ter ouvido as opiniões do Mestre Luiz Orlando Carneiro, que, segundo nossas melhores expectativas, também estará presente.


Aguardem as notícias aqui no mural.

03 novembro 2004

ANIVERSÁRIOS DE NOVEMBRO

Entrou novembro e logo no primeiro dia nosso "Embaixador Plenipotenciário Para as Planícies Sulinas", JoFla, completou uma virada no velocímetro. E qual cidade ele escolheu para comemorar a data com sua família e amigos?
Uma única chance, senhores: Floripa, São Paulo, Itacaré ou a violenta capital do Estado do Rio de Janeiro?
Acertou quem disse que, a despeito de suas incontáveis mazelas, nosso confrade escolheu o Rio para suas libações e recarga de baterias. Foi brindado, por esse gesto [in]sensato, com uma série de dias impecáveis. Esteve aqui conosco na noite da estréia da Wanda (que cantou jazz maravilhosamente, diga-se) no Mistura, foi muito à praia para descansar e aproveitou tudo a que tinha direito, em companhia da família. Parabéns, JoFla, muita saúde e felicidades!

No próximo dia 9, será a vez de cantarmos parabéns para a cjubiana, competente editora musical e "presidenta" da Delira Música LuPeg, pelo seu aniversário. Lu foi ausência muito sentida no último concerto do CJUB. Esperamos que possa nos avisar sobre sua agenda de compromissos para essa data!

Por outro lado, mencionando o último concerto, nossa musa primeira, Marzita, também não compareceu. Outro desfalque importante!

Meninas, suas presenças e participação no blog são sempre cercadas de muita expectativa. Afinal, suas opiniões são um termômetro importante na condução editorial deste espaço. Aguardamos notícias de ambas. E a BetGirl, que depois de voltar de Paris nunca mais deu as caras?

Para todas, como diz nosso Mestre Raf, muito mais adeqüadamente em se tratando de musas, "keep swinging"! E isso serve para você também, muso vitivinícolo JoFla.