Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

22 outubro 2004

MUSA DA BOSSA NOVA ESTRÉIA CANTANDO JAZZ
NO XVI CONCERTO CHIVAS JAZZ LOUNGE

Pela primeira vez em sua vida, a cantora Wanda Sá, uma das musas da bossa nova, mostrará uma faceta do seu talento como cantora de jazz no XVI concerto do Projeto Chivas Jazz Lounge, patrocinado pela Pernod Ricard do Brasil, fabricante do uísque Chivas Regal, quinta-feira, 28 de outubro, às 21 horas, no Mistura Fina, com produção do CJUB.

Para esta grande novidade em sua carreira, Wanda e a produção capricharam no repertório selecionando alguns dos mais conhecidos clássicos de jazz e da música popular americana de todos os tempos. Ela será acompanhada pelo trio do conceituado baixista, compositor e arranjador Dôdo Ferreira, com o pianista Adriano Souza, uma grande revelação do seu instrumento, e o refinado baterista João Cortez.

Wanda Sá encantou-se com a bossa nova desde cedo, e aos 13 anos estudou na escola de violão de Roberto Menescal. Descoberta por Ronaldo Bôscoli, participou dos programas de televisão "Dois no Balanço" (TV Excelsior) e "O Fino da Bossa" (TV Record). Sua carreira profissional começou aos 19 anos, com o disco “Wanda Vagamente”, um dos primeiros trabalhos profissionais de Eumir Deodato e produzido por Menescal, no qual lançou a múaica "Inútil Paisagem”, que teve expressiva execução em rádio, além de composições de Edu Lobo, Marcos Valle e Francis Hime, em início de carreira. O lançamento do álbum aconteceu no programa “O Fino da Bossa”, em São Paulo. Anos mais tarde, o disco foi relançado no Japão com grande sucesso. E recentemente também foi relançado entre nós.
No final de 1965, Wanda passou a integrar o conjunto Brasil ’65, de Sérgio Mendes, que também contava com Jorge Ben e Rosinha de Valença, apresentando-se no Brasil e no circuito universitário dos Estados Unidos. Cantando numa boate de Los Angeles, foi descoberta por Dave Cavanaugh, produtor de Nat King Cole e Frank Sinatra. Sob orientação de Cavanaugh, gravou três discos nos Estados Unidos, sendo dois com o Brasil 65 e "Softly", em seu nome. Na volta ao Brasil, em 1966, atuou em shows com Baden Powell, Vinicius de Moraes, Miele, Luis Carlos Vinhas e o Bossa 3. Três anos depois gravou com Paul Desmond no álbum "Hot Summer".
Wanda casou-se com Edu Lobo, em 1969, retirando-se da cena musical para dedicar-se à família. No fim dos anos 80 voltou à atividade atuando em shows com Roberto Menescal e Miele. Gravou o disco "Brasileiras", em 1994, ao lado de Célia Vaz, e, no ano seguinte, lançou "Eu e a Música", com Menescal.
Ela uniu-se a Luís Carlos Vinhas, Tião Neto e João Cortez para gravar “Wanda Sá & Bossa Três”, interpretando clássicos da bossa nova e composições novas. Desfrutando de grande popularidade no Japão, lá realizou quatro temporadas no Sabbata Tokyo, transformando “Vagamente” num hit, alcançando o segundo lugar na parada de sucessos local. Em 2001, também participou do Fare Festival, em Pavia, na Itália, ao lado de Menescal, Marcos Valle, e Danilo Caymmi. Apresentou-se em Angola numa caravana de 36 artistas, entre eles Chico Buarque e Djavan.
A rica discografia de Wanda inclui “Amazon River” (com Célia Vaz), "Domingo Azul no Mar", "Estrada Tokyo-Rio" e “Jesusmania”, este privilegiando músicas com canções de teor religioso. Wanda Sá também participou de vários álbuns da conhecida série de songbooks de compositores brasileiros idealizada e produzida por Almir Chediak.

Dôdo Ferreira é um dos mais completos baixistas brasileiros com grande experiência em jazz, música popular brasileira e americana, rock e música clássica. Seu currículo inclui gravações e performances com Wagner Tiso, Leandro Braga, Vittor Santos, Tim Rescala, Marcos Leite, Paulo Moura & Martinho da Vila, Roberto Menescal & Wanda Sá, Claudette Soares, Marco Tommaso, Luiz Carlos Vinhas & Bossa Três, Celso Blues Boy (com B.B. King), João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, Alceu Valença & Jackson do Pandeiro, Garganta Profunda, Adriana Calcanhoto, Orquestra de Paulo Moura e muitos outros. Ele organizou o show In the Ellingtone liderando o trio que acompanhou a cantora Ana Zinger. Em 1992 reuniu-se com ex-companheiros dos Miquinhos Amestrados para formar a Love and the Lovers, uma banda de rockabilly que se tornou cult nas noites cariocas.
Ultimamente atuou nos musicais “Dolores”, “Somos Irmãs”, “Atlântida”, “O Reino da Chanchada”, “Theatro Musical Brasileiro”, “Clara Nunes/Brasil Mestiço”, “Carmen”, “Os Cantores do Chuveiro Cantam e Contam 100 Anos de MPB, “Luz, Chuveiro... Ação!” e "Orlando Silva, o cantor das multidões".
Seu trabalho de compositor engloba trilhas para cinema (“Como ser solteiro”), teatro musical (“Splish-Splash”), comerciais e programas de TV (abertura da novela “O Sexo dos Anjos”; abertura dos programas “Milk Shake”, da apresentadora
Angélica; e “Rolo Extra”, de Pedro Bial).
Em 1993 lançou seu primeiro CD solo, “Farofa Blues”, concorrendo ao Prêmio Sharp na categoria Revelação Instrumental. Seu segundo CD está em vias de ser lançado. Com seu quarteto apresentou-se no Restaurante Epitácio (2º concerto do Projeto Chvas Jazz Lounge), Mistura Fina, Jazzmania, BNDES e Festival de Jazz de Vitória.

Adriano Souza é um dos mais articulados e inventivos pianistas da nova geração. Ele organizou o conjunto Xekerê, com o qual gravou dois CDs, tocou com os saxofonistas Eduardo Neves e J. T. Meirelles, e a cantora Paula Santoro. Com esta última realizou uma turnê pela Europa, e outra com o grupo Brasiliana, apresentando-se na Alemanha, Suiça e Áustria. Em 2002 participou do programa "Late with Jools Holand" e do show "Forever Samba", em homenagem a Ary Barroso, com as cantoras Alcione e Paula Santoro, ambos em Londres. Sua experiência com big bands inclui atuações com a Rio jazz Orchestra e a do Maestro Cipó.
Contribuiu com seu talento para shows e gravações de Wanda Sá, Leny Andrade, Roberto Menescal, Orlando Moraes, Tito Madi, Durval Ferreira, Cris Delano, Elymar Santos, Pery Ribeiro, Danilo Caymmi, Ney Matogrosso, Leila Maria, Bibi Ferreira e Leila Pinheiro. Também participou dos musicais "Elis, estrela do Brasil", "Ópera do malandro" e, recentemente, "Orlando Silva, o cantor das multidões".


O experiente João Cortez integrou o grupo Modo Livre, que acompanhou Ivan Lins e Gonzaguinha na década de setenta. Entre inúmeras colaborações, tocou com Wanda Sá, Elizeth Cardoso, Rildo Hora, Emilio Santiago, MPB-4, Joe Carter, Quarteto em Cy, Alceu Valença, Roberto Menescal, Antonio Adolfo, Mauricio Einhorn, Lisa Ono, Gilson Peranzzetta e muitos outros. Lançou um disco solo com o violonista Sebastião Tapajós. Ao lado de Dôdo Ferreira participou da última formação do Bossa Três, de Luiz Carlos Vinhas. Considerado um dos mais refinados e sofisticados bateristas brasileiros pelo seu bom gosto e pela habilidade como emprega as vassourinhas, é conhecido entre os músicos como "Billy Higgins brasileiro".

Para este concerto que marca sua estréia como cantora de jazz, após cuidadosa triagem efetuada pela produção, Wanda Sá e seus músicos definiram o repertório com estas jóias:

1o Set : Composições de Duke Ellington:
1) Perdido (Juan Tizol & Ellington - Instrumental)
2) Mood Indigo (Ellington, Barney Bigard & Irving Mills)
3) Day Dream
4) Just Squeeze Me
5) Don't Get Around Much Anymore
6) Solitude
7) Satin Doll (Ellington & Billy Strayhorn)

2o Set : 1) Cotton Tail (Duke Ellington - Instrumental)
2) But Not For Me (George & Ira Gershwin)
3) There Will Never Be Another You (Harry Warren/Mack Gordon)
4) Someone To Watch Over Me (George & Ira Gershwin)
5) The Way You Look Tonight (Jerome Kern)
6) It Don't Mean a Thing (Duke Ellington)
7) All Of Me (Simon & Marks)

Em vista do ineditismo da noite, recomendamos aos fãs de Wanda Sá e aos aficionados por jazz que comprem seus lugares com antecedência, garantindo seus ingressos para esse que promete ser um Concerto maiúsculo dessa grande cantora. Para isso, pode-se adquiri-los seja pelo site da Ticketronics - www.ticketronics.com.br ou diretamente no Mistura Fina (Av. Borges de Medeiros, 2377 - Lagoa, fone 2537.2844).

A SAGA

Amigos,
Depois de um longo e tenebroso inverno, I'm back.
Quero relatar uma pequena saga. Na verdade, o cotidiano do povo brasileiro. Por acaso acabei de ler "Viva o Povo Brasileiro", do João Ubaldo.(Muito BOOOm)
Tudo começou com um email que recebi do nosso querido Free Shop.
Meus amigos do Freee Shop sempre me mandam emails com as novidades. No final de setembro recebi um que falava de uma grande oportunidade na casa do GLENFIDDICH.
Quase deletei, não por causa do Glenfiddich, que é um belo single malte. Acontece que ele é figurinha marcada, vc acha em qualquer (bom)supermercado.
Mas, curioso que sou, abri. Ele falava de um RARE WHISKIE, de 1937. Moçada, não foi erro de digitação, é 1937 mesmo. Total de garrafas no mundo:62. Aqui, 01. Preço: US 11300.
Bom, para quem não sabe, sou alucinado por single maltes e microempresário; na verdade, estou mais para MICOEMPRESÁRIO.
Pensei muito e resolvi procurar o o BNDES. Disseram que o meu projeto era bom, mas uísque era produto importado. Se fosse cachaça, liberavam até US 20000. Nos bancos particulares, existia um pequeno problema: eu não tinha US 20000 aplicados no banco, como garantia, como é que eles poderiam emprestar US 11300 .
Já tinha desistido quando vi a reportagem na televisão sobre os planos sociais do governo.
Éra a última cartada. Fui lá, preenchi a ficha e fui chamado para a entrevista. Estava quase tudo ok. Só faltava o título de eleitor. Saí para pegar o título e fui abordado por uma voluntária do baby que me ofereceu casa+carro+som por 200 x 1,89.
Eu perguntei se podia trocar o pacote pelo uísque, mas disseram para preencher um formulário.
Recebi um telefonema dizendo que se eu trocasse o meu título para Campos ou Nova Iguaçu, a tempo de votar nos candidatos certos no dia 31, estava aprovado e dariam uma carência.
Pensei um pouco e achei muito trabalhoso.
Entrei no site do Free Shop para uma última olhada na garrafa e, pasmo, não a achei. Segundo uma lenda urbana, a garrafa foi comprada com a verba do Fome Zero e degustada no planalto central.
Marcelon

21 outubro 2004

MARC COPLAND, BALLADS

Tradicionalmente, por influência nítida de Bill Evans, os trios de jazz costumam navegar em áreas mais intimistas às custas de "standards" e baladas. Mas nem sempre isso resulta em um trabalho de aceitação unânime. Há que se ter uma concepção arrojada de harmonia e, claro, bom-gosto, qualidades que o pianista Marc Copland reúne como poucos. " Haunted Heart & Other Ballads", CD de 2001 (hatHUT), no gênero, é arrebatador.
Marc Copland nasceu na Philadelphia, 1948, e teve o sax como primeiro instrumento. Já em Nova Iorque, tocou com John Abercrombie, Ralph Towner e Chico Hamilton, entre outros. Adepto no início aos sons eletrônicos, refez sua carreira ao estudar piano, influenciado por Bill Evans, Hancock e Jarrett. Voltou ao lado de Joe Lovano, James Moody e Wallace Roney, além de algumas gravações com o próprio Abercrombie. Seu primeiro trio tinha Gary Peacock e Billy Hart. Suas gravações surpreenderam os críticos pelo estilo , com harmonias sofisticadas e um trabalho incomum de pedais. "Haunted Heart & Other Ballads" é o seu CD mais aclamado - e obrigatório entre os jazzófilos mais exigentes. "Impressive performances that stay with the listener. A wonferdul recording" (Bill Bennett, Jazz Times).
O CD já começa original por trazer três versões distintas em solo para "My Favorite Things" (Rodgers), um exercício de habilidade em harmonia. Nas demais faixas, Copland é acompanhado pelo baixista Drew Gress e pelo baterista Jochen Rueckert, insuspeitos coadjuvantes. "Crecent" (Coltrane) valeria o CD pela versão empolgante, assim como o tradicional "Greensleeves". "Easy to Love" (Porter) e "It Ain't Necessarily So"(Gershwin) receberam igualmente um tratamento de gala. A criatividade do trio, em especial Copland, transborda em "When Whe Dance" (Sting), culminando com um instigante tema do próprio pianista, "Dark Territory", além do lindíssimo tema-título "Haunted Heart" (Dietz & Schwartz).
Marc Copland é um pianista acima de tudo moderno. Pouco interessado em exibir sua técnica. Mas sim preocupado em criar pelo caminho mais dificil e envolvente do jazz contemporâneo: a harmonia. "His harmonic sohpistication, his touch, his control of dynamics with the foot pedal have all become-well-the- stuff of legend. There are actually stories of young piano players who got to a Copland gig and then sit right near the stage to stare at his feet, to observe the nuance of how he works the damper pedal of the piano" (AllAboutJazz.com).


18 outubro 2004

DON SEBESKY

Pianista, maestro e arranjador entre outros de Wes Montgomery, Paul Desmond e Freddie Hubbard, tendo inicialmente tocado trombone na orquestra de Stan Kenton, conta hoje com gravações em CD e com grandes orquestras, de trabalhos para temas de musica clássica, além de tributos a Duke Ellington e Bill Evans, quase sempre sem nenhum apelo de mídia e muito menos dos críticos; no "Penguin Guide" por exemplo, só é citado como "sideman", não tendo por isso mesmo nem sua discografia publicada.
Discípulo ou seguidor mais fiel de Gil Evans, por não usar os tradicionais grupos de instrumentos solo em sequencia - trumpete, trombone e sax -, tem seu forte nos arranjos bastante originais e vigorosos.
Assim venho aqui resenhar um trabalho que me chamou a atenção e que desconheço o registro em CD, chamado "Full Cycle", pela gravadora Gnp Crescendo, com 6 "standards" (seus favoritos), que realmente é do mais alto nível e extremo bom gosto.
A abertura é com um dos mais conhecidos temas do J.Coltrane, "Naima" destacando-se o naipe de sopros liderados por Lew Soloff, Jon Faddis e Alan Ralph, em total simbiose com os pratos do baterista Jimmy Madison e o teclado de Sebesky, dando uma grande dimensão ao tema.
A segunda faixa é "Django" do saudoso pianista do Modern Jazz Quartet, John Lewis, aqui gravada em uma versão definitiva com 10:31 minutos, onde Sebesky deixa os musicos à vontade para os improvisos, notadamente e mais uma vez os sopros, bem como de seu irmão Keneth Sebesky na guitarra.
O terceiro tema é talvez o menos conhecido, sem deixar de ser um "standard" chamado "Intrepid Fox", de autoria do seu amigo fraterno Freddie Hubbard, e que é o mais curto (4:07 minutos) e vigoroso de todo o disco, com grande destaque para o baixo de Jay Leonhart.
A quarta musica é na verdade o retrato do Bill Evans, seu autor, a quem já dedicou um CD "I Remember Bill" (1998) e só poderia ser "Waltz For Debbie", que tem aqui uma versão bem particular que acho agradaria em muito ao proprio Bill, pois Sebesky manteve todo o lirismo, essencia maior do tema.
Em seguida, um dos clássicos do jazz e de Miles Davis "All Blues", que confesso não estar, a meu ver, no mesmo nível dos demais, por não trazer qualquer novidade em termos de arranjo, sem nenhum brilho ou participação individual, talvez por querer algo mais por se tratar de um dos meus favoritos.
Para terminar, um tema do Bud Powell chamado curiosamente "Un Poco Loco", que vem fechar o disco na maior pressão e cheio de dissonantes e com grande estilo.
Esse trabalho totalmente original de Don Sebesky, gostem ou não (este questionamento é principalmente para o Benexis, a quem já fiz uma cópia para melhor avaliação ???).



P.S.: Deixo ainda registrado aqui meu repudio a declaração do Marcelo Madureira no programa do GNT "Armazém 41", que para ele todos os jazzófilos deveriam ser colocados em um navio para ser explodido em alto mar, que não fariam a menor falta...
Falta sim de total sensibilidade de uma pessoa tida como formadora de opinião??? (esconjuro, Satanás...)

17 outubro 2004

O DIA DO MESTRE

Sexta-feira passada, dia 15, era o Dia do Mestre e assim foi comemorado em todas as escolas brasileiras e também e principalmente na que funciona no ambito deste CJUB. Coincidentemente, era o dia do aniversário do nosso amigo e principal mentor, José Domingos Raffaelli, o Raf.

Assim, nosso tradicional almoço realizado sempre nesse dia no restaurante da Associação Comercial do Rio de Janeiro, mais amistoso e animado do que nunca, foi uma rendição de homenagem a esse companheiro sobre cujos caráter, elegância e educação não é preciso discorrer. E cujo conhecimento sobre tudo o que se refere ao jazz - sem falar do futebol - o transforma numa enciclopédia de consulta quase inescapável por parte dos que o cercam, uma referência imediata e saborosíssima pois que todas as respostas vem abrilhantadas por sua visão histórica e sempre ricos comentários, sem falar de sua inesgotável paciência.

Com a mesa próxima de sua capacidade limite, e muito valorizada pelas presenças charmosas de LaClaudia e de PegLu, o Mestre foi saudado por Bené-X e pelo Goltinho em speeches de improviso e em seguida teve celebrada sua data com o parabéns tradicional cantado por todos, mais o Ramiro e os garções, apoiados pelo piano do Roberto que, para finalizar a homenagem, ainda tocou o Hino do Botafogo, time do coração de ambos.

A conversa, animada, sobre jazz e as realizações passadas e futuras do CJUB continuou a fluir e LaClaudia aproveitou para discorrer sobre as possibilidades do Copa vir a ser um possível templo de realizações musicais de porte e qualidade no futuro, se atendidos alguns requisitos ainda pendentes. A abertura da produção para os concertos cantados, que se iniciará com a próxima produção do CJUB no Mistura Fina, no dia 28 deste mes de outubro, quando Wanda Sá fará sua estréia mundial cantando temas jazzísticos, tomou então conta da mesa e foi motivo de inúmeras sugestões e pedidos pessoais ao produtor Sazz, com todos querendo incluir este ou aquele seu tema favorito para ouví-lo na voz da musa. A propósito, aguardem as próximas novas a respeito, aqui, em breve.

Foi uma bela tarde, registrada pelo Marcelink em vídeo e em fotos, que contou ainda com a presença do Marcelón. Manim, o outro aniversariante do mes que também seria ali saudado, não pode comparecer, preso a inadiável compromisso profissional. Poderá, entretanto, ver o que perdeu assistindo aos registros dessa memorável reunião.

Longa vida aos amigos! E, como gritava certo membro, hoje distanciado por motivos pessoais, CJUUUUUUUUB a todos!

13 outubro 2004

MARCEL BADEN POWELL NO TRAITEURS DE FRANCE

Nas próximas quintas feiras do mes de outubro, 14 , 21 e 28, o excelente violonista MARCEL BADEN POWELL, estará se apresentando no Bistrot TRAITEURS DE FRANCE , R. Mq. de São Vicente, n. 86, tel: 22590408.(100 mts. depois do Shopping da Gávea).
A apresentação está marcada p/ iniciar as 20:00h.

É isso aí.

Zénrik.

RED GARLAND ( 1923/84 )

Pianista que considero dos mais elegantes, ainda do "bebop", muito embora seja mais conhecido pelo fato de ter acompanhado Miles Davis e John Coltrane entre os anos 50/60, tem sua obra bastante completa como lider, principalmente na gravadora Prestige e nas mais diversas formações, sendo a grande maioria em trio com Paul Chambers (baixo) e Art Taylor (bateria). Assim, poderia resenhar, por exemplo, um dos seus "hits" como Groovy ou quem sabe Soul Junction com Donald Byrd e John Coltrane. No entanto, preferi um trabalho menos conhecido e divulgado, pois foi na epoca em que esteve recluso, nos anos 70, chamado "Equinox" (tema do Coltrane, por sinal), gravado na Fantasy em Agosto de 1978 e acompanhado de Richard Davis (baixo), - um dos meus tops - e Roy Haynes (bateria), aliás único trabalho do trio, que abre com "It's All Right With Me" (Porter), que dá de cara o recado de que trata-se de musica para quem gosta de fortes emoções. São apenas 7 temas além dos 2 já citados mais "Hobo Joe" (Henderson), "Cute" (Hefti), "Nature Boy" (E.Ahbez) em que Davis toca sempre de arco, em uma interpretação que simplesmente não deixa pedra sobre pedra, além dos clássicos "On a Clear Day" (Lerner-Lane) e "You Are Too Beautiful" (Rodgers-Hart).

Enfim, um disco que acho não pode faltar em coleções de quem tenha sensibilidade e paixão por essa musica chamada JAZZ.

DANIEL GARCIA LANÇA SEU CD

O excelente sax-tenor Daniel Garcia, que já se apresentou em produções CJUBianas em três oportunidades, a última num belíssimo Tributo a Dexter Gordon em julho passado, comunica que estará fazendo o lançamento de seu CD, Caminho, nesta sexta-feira, 15 de outubro, no Leblon Lounge, que fica no Rio Design Center do Leblon, às 19 horas.

Daniel apresentará então o repertório desse seu belo CD, na companhia dos músicos que formaram a seu lado na gravação: Dario Galante ao piano, August Mattoso no contrabaixo acústico e o Rafael Barata na bateria.

É um programa de primeiríssima categoria para os apreciadores da música instrumental e quando haverá oportunidade não apenas de conferir a bela integração musical do grupo como também de apreciar algumas composições originais de Garcia, num local civilizado que se firma, sob a batuta do querido Ruy Martinelli e dos irmãos Portinari, como ambiente com as qualidades necessárias e suficientes para uma bela audição de música de qualidade.

Todos lá! E os que forem sábios que reservem antes pois a afluência deve ser enorme.

12 outubro 2004

GILLESPIE E O TRIO MOCOTÓ

Por Arlindo Coutinho

Parece-me que foi em 1971, quando Gillespie voltou ao Brasil para uma série de apresentações. Ele tocaria no cinema Astoria (Ipanema), na mesma noite em que Charles Mingus daria um concerto no Teatro Municipal.

Naquela tarde, eu e Jonh (Gillespie) fomos almoçar com Maurício Quadrio, diretor da Polygram na época, que avisou sobre uma gravação reunindo "Birks" e o Trio Mocotó, a se realizar em São Paulo, para a qual, claro, fui convidado, mas a que, por questão de ética (eu então dirigia o Departamento de Imprensa da CBS), resolvi não assistir.

Dias depois, Gillespie me telefona, querendo marcar um encontro no Rio, pois estava de partida para Nova York, naquela noite.

Enquanto ele arrumava as malas, perguntei-lhe como tinha sido a gravação.

- Gostei, achei o trio com muito swing e todos extremamentes simpáticos. Acho que ficou muito bom, mas quanto a lançamento do disco, isso é com a gravadora, me disse.

Fui logo dizendo o quanto gostaria de ouvir aquele trabalho e, de repente, Gillespie abriu a mala, da qual tirou um tape profissional, que me entregou, pedindo que evitasse divulgar, e dizendo:

- Guarda isso com você. Na minha próxima vinda eu pego e levo comigo.

Após deixar Gillespie no aeroporto e levar a fita para casa, pedi a um amigo, engenheiro de som dos estúdios da CBS, que me deixasse ouvir o tal "tape" no estúdio de oito canais da mesma CBS. Nem na fita nem na caixa, estranhamente, havia label (relação das faixas e autores, e tempo da gravação).

Ouvi o tape duas vezes apenas. A primeira faixa achei sensacional, mas as demais, penso terem sido algumas das várias experiências musicais que John gostava de fazer com músicos de outros países.

Só não entendia o que aquela fita estava fazendo comigo.

Gillespie voltou várias vezes ao Brasil e, sempre que nos encontrávamos, eu sempre fazia a mesma pergunta:

- John, o tape está comigo; quer que lhe entregue ?
- Vai guardando com você que um dia eu pego, ele repetiria anos a fio, sem nunca me perguntar sequer se eu ouvira o tape. Mistérios de John Birks Gillespie.

Passaram-se os anos, Dizzy morreu, mas aquele trabalho ficou registrado e sob minha guarda, embora sempre mantivesse minha palavra, quanto a não divulgá-lo jamais.

No ano passado, porém, ligou-me Oswaldo Vidal, engenheiro de som na época da gravação e ex-vice-presidente de operações da Sony, dizendo que havia visto no Programa do Jô Soares uma entrevista com o Trio Mocotó, na qual se referiram ao sumiço de um certo tape contendo o encontro deles com Dizzy Gillespie.

Vidal, sabendo da minha amizade com Gillespie, perguntou se eu sabia do paradeiro da tal fita e aí resolvi abrir o jogo, não sem antes pedir-lhe idêntica discrição:

- A fita está comigo, não sei se há cópias e nem se esse tape é o original, disse-lhe, contando como a fita chegara às minhas mãos.

Levei o tape para sua casa, que abriga um estúdio, no Cosme Velho. Como engenheiro de som, ele garantiu não haver mixagem, que ficou de fazer, para, depois, digitalizar. Mas não tirou nenhuma cópia, tenho certeza.

Quanto ao Maurício (Quadrio), conforme instruções de Gillespie, nunca toquei no assunto com ele e não sei se há outra cópia da fita, como desconheço, aliás, o paradeiro de outro tape, do mesmo Gillespie com a Bateria da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel. Essa talvez estivesse com o Maurício, que, todavia, nos deixou ano passado.

Essa é a história definitiva, depois de tantas versões sobre o "sumido" tape de Dizzy com o Trio Mocotó, agora "encontrado" e de posse do CJUB.

Pelos menos essa é a minha versão.

BRAD MEHLDAU NO BRASIL E A OPORTUNIDADE DE VER UMA ESTRELA EM ASCENSÃO



O pianista Brad Mehldau, 34, que estará mês que vem no Brasil - no Rio, nos dias 5 e 6 de novembro, provavelmente no Mistura Fina (a confirmar) e no dia 7, no Palco CLUB do Tim Festival, em São Paulo - foi recentemente descrito pelo jornal The Washington Post como "um dos mais preparados e cerebrais pianistas de sua geração". Ele acaba de lançar, estreando pelo selo Nonesuch, o disco "Brad Mehldau Live in Tokyo", obra onde se apresenta em solo, tocando obras de George e Ira Gershwin, Thelonius Monk, Nick Drake e até do conjunto de rock Radiohead. O material, gravado durante uma recente performance no Japão, foi lançado nos EUA no último dia 14 de setembro.

Mehldau começou a chamar a atenção do público ainda no início dos anos 90 como pianista do quarteto do saxofonista Joshua Redman, tendo logo depois partido para sua carreira de gravações próprias com uma impressionante quantidade de CDs lançados pela Warner Bros., na última década. Aí se incluem os cinco volumes de sua série Art of the Trio, onde toca com o baixista Larry Grenadier e o baterista Jorge Rossy; outro disco solo em estúdio, de inspiração clássica, Elegiac Cycle; e Largo. Este último representou um passeio experimental, introduzindo elementos eletrônicos e pop de forma sutil e não foi muito bem recebido, seja pela crítica ou por sua já grande legião de seguidores. Seu trabalho mais recente em trio, Anything Goes – considerado pelo jornal The New York Times como "o melhor trabalho de Mehldau até agora” – saiu no início de 2004.

Dividindo seu tempo com o preparo de uma peça a ser exibida com a soprano Renee Fleming no Carnegie Hall em meados de 2005, Brad Mehldau, depois de sua passagem pelo Brasil vindo de Buenos Aires (onde se apresenta em 4 de novembro), segue para a Europa onde percorrerá extensa programação, majoritariamente na Espanha (com um total de 8 apresentações em diferentes cidades), seguindo para o Cork Jazz Festival, em Cork, e em Dublin - na Irlanda; em Londres, para o London Jazz Festival; em Bruxelas, Bélgica; em Darmstad, na Alemanha; em Berna, na Suíça; segue para o Festival Internacional de Piano Jazzístico, em Kalisz, na Polônia, de onde parte para a Itália, onde fecha o ano de 2004 e abre 2005 apresentando-se em Orvieto.

Considerado como um dos pianistas capazes de dar seqüência às genialidades de Bill Evans e de Keith Jarret, para falar de alguns expoentes do piano jazzístico em quem pode se espelhar, Mehldau vem disputando o título de pianista "número um" no gosto dos aficionados no cenário americano, palmo a palmo com Bill Charlap, 38, cujas aparições no próximo ano no Birdland, no Village Vanguard e no Algonquin encontram-se desde já completamente vendidas.

BAÚ DO COUTINHO (1)

E isto é só o começo ...


CJUUUUB !!!!

06 outubro 2004

Jazz Quiz

È tempo de novo teste para os cejubianos. O último foi há quase quatro meses.

Uma infinidade de músicos de jazz têm apelidos. Identifiquem os músicos que receberam estes apelidos:

1. Satchmo (uma colher de chá para ninguém reclamar)
2. Rabitt
3. Burgomaster
4. Sweets
5. Mule
6. Brute
7. Chicago flash
8. The Duke
9. Sweepea (muito fácil)
10. The Disciple


Outras fotos raras da coleção do Mestre RAF: Charlie Parker com Roy Eldridge à esquerda e à direita, Bird com apenas 16 anos, esta enviada ao Mestre pelo famoso artista gráfico Francis Paudras.
©CJUB