Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

30 junho 2004

Laboratório Pop Publica Matéria Sobre o CJUB

A entrevista "coletiva" - só por que foi respondida a várias mãos, vozes e emails - que demos, há algum tempo para o colunista Rodney Brocanelli, um dos colaboradores do site Laboratório Pop, foi finalmente publicada em sua íntegra e quem quiser pode ler clicando aqui.
Nosso agradecimento ao Rodney e ao grupo do LabPop pela bela força.

29 junho 2004

12º Chivas Jazz Lounge - Tributo a Billy Strayhorn

Com José Lourenço Sexteto

O José Lourenço Sexteto, irá tocar clássicos de Jazz homenageando o grande compositor americano Billy Strayhorn no Mistura Fina, nesta quinta-feira dia 1º de julho.
Dentre as músicas escolhidas estão os principais e mais conhecidos temas que compos e alguns temas de Duke Ellington.



O Set List contempla as seguintes composições:

Take The "A" Train
Lush Life
Day Dream
Chelsea Bridge
Rain Check
Just Sittin' And A Rockin' Ellington
C Jam Blues
Isfaham (From The Far East Suite)
Satin Doll
Upper Manhattan Medical Group
Caravan
Sophisticated Lady
I Don't Mean A Thing If It Ain't Got That
Prelude To A Kiss
In A Mellow Tone
In A Sentimental Mood


As reservas podem se feitas através do site www.ticketronics.com.br ou no Mistura Fina, Av. Borges de Medeiros 3207 – Lagoa – Tel. (21)2537-2844

- A BÍBLIA DO JAZZ COMPLETA 70 ANOS –

Há 70 anos, em 1º de julho de 1934, foi editado o primeiro número da revista Down Beat, conhecida popularmente como “Bíblia do Jazz” e “Bíblia do Músico”. Lida em mais de 160 países, sua transcendental importância é reconhecida por todos que se interessam pelos acontecimentos no mundo do jazz e da música americana em geral.

O primeiro exemplar custava 10 centavos de dólar, era em formato de tablóide e originalmente propunha-se a uma cobertura sobre “salões da dança, cafés, rádio, estúdios e teatros”, segundo seu editorial. Sua publicação concretizava um velho sonho de Albert J. Lipschultz, o seu fundador.

Os Estados Unidos saíam de uma grave recessão econômica e o primeiro editorial anunciava que “com o término da crise, o otimismo, há muito ausente, retorna aos semblantes da população. Uma nova era se inicia e a música volta a ser um dos grandes negócios da noite norte-americana. O país possui uma força artístico-musical excepcional. Com 150 mil músicos sindicalizados, nos propomos a atender as aspirações da classe musical, dando total cobertura a todas as atividades dessa área”.

O fonógrafo e o disco assumiam importância vital no lazer do povo americano. Surgiam centenas de clubes noturnos, cafés e bares, a maioria com música ao vivo, fontes crescentes de trabalho para milhares de músicos.
Todavia, era o rádio que dava maior projeção às orquestras, pequenos conjuntos e seus líderes, transmitindo shows de costa a costa do país. O mais famoso era “Let’s Dance”, da NBC, que apresentava as orquestras de Xavier Cugat, Ken Murray e Benny Goodman, este iniciando sua caminhada para a fama, realizando pouco depois uma completa revolução na música americana.

A Down Beat chegava em boa hora. Com escritório central em Chicago, posteriormente instalou filiais em New York e Los Angeles, os maiores centros do país. Mobilizando uma equipe de críticos, repórteres e fotógrafos, cobria virtualmente todos os acontecimentos importantes no universo da vida musical americana. A partir de então, sua trajetória marcante estabeleceu normas e padrões para a imprensa especializada.

A despeito de o seu primeiro número alcançar grande sucesso, a Down Beat não foi a pioneira em sua especialidade. Essa primazia coube a outra revista, a Metronome, fundada em 1883, que firmara seu conceito, embora sua cobertura se restringisse aos espetáculos de music hall e vaudeville, além de matérias sem conteúdo crítico sobre ragtime, blues e danças populares, incluindo o charleston e o shimmy, entre outras.

A concorrência foi benéfica. A Down Beat adotou outra linha, obrigando a Metronome a atualizar-se, reforçando seu quadro de colaboradores. Com isso, ganharam os leitores, havendo maior agilidade de informação e qualidade de crítica. Com o desaparecimento da Metronome, em dezembro de 1961, a Down Beat ficou absoluta no mercado, embora outras revistas tenham surgido, mas sem ameaçar sua incontestável liderança até os anos 80.

Uma das inovações da Down Beat amplamente imitada foi a de dar cotação às críticas de discos utilizando estrelas, variando de zero a cinco, em vez de números. Outra inovação, a partir de 1936, foi a realização anual de concursos para eleger os melhores músicos e as melhores orquestras através de votação dos leitores. A Metronome não perdeu tempo; a partir de 1939 realizou idêntica votação e, para sobrepujar a concorrente, no ano seguinte passou a produzir e gravar um disco com os vencedores, intitulado Metronome All Stars, que repetiu anualmente até 1953, voltando a fazê-lo pela última vez em 1956.

Outra inovação que resultou muito valiosa para os leitores da Down Beat foi a edição anual de livros reunindo todas as críticas publicadas entre 1956 e 1963, hoje peças de colecionadores raríssimas que valem uma fortuna.

A partir de 1953, a Down Beat promoveu um jazz poll exclusivamente com críticos, tendo como novidade a eleição da categoria “novos talentos”. A Metronome lançou seu primeiro anuário em 1951, e a Down Beat seguiu o mesmo caminho em 1956.

Uma curiosidade pouco divulgada foi que a Down Beat criticou discos de música clássica nos anos 50 e 60.

Ao longo dos anos, seus editores – todos conhecidos e respeitados por seus vastos conhecimentos musicais – Hal Webman, Jack Tracy, Don Cerulli, Don Gold, Gene Lees, Don DeMicheal, Dan Morgenstern, Jack Maher, Charles Doherty, Michael Bourne e tantos outros dignificaram sua linha de atuação, expandindo os horizontes da revista.

Em 1951 a Down Beat contratou a peso de ouro o famoso crítico Leonard Feather, então colaborador da Metronome, onde desde 1946 publicava o célebre Blindfold Test (prática criada por ele e bastante difundida entre os aficionados do jazz, consistindo em submeter várias gravações ao julgamento de um convidado sem qualquer conhecimento prévio do que ouvia. A idéia original de Feather era de permitir ao convidado uma função crítica totalmente isenta, sem idéias ou opiniões preconcebidas. O primeiro teste publicado na Down Beat foi em 23 de março de 1951, e continua sendo uma das colunas de maior interesse, embora, com a saída de Feather, passou a ser conduzido por Howard Mandel, Fred Bouchard, Lee Jeske e Bert Primach e inúmeros outros.
Com relação ao Blindfold Test, ocorreu uma curiosa novidade no anuário de 1958: vários músicos selecionaram gravações para submeter Leonard Feather ao teste, em inédita reversão do processo, do qual o crítico saiu-se relativamente bem.

A Down Beat cresceu continuamente, aumentando o número de leitores, assim como o dos seus críticos e correspondentes. Alguns dos seus correspondentes no Brasil foram Sylvio Túlio Cardoso, Marilyn Ballamaci e Christopher Pickard.

Inevitavelmente, com o passar dos anos ocorreram inúmeras mudanças. O formato tablóide foi substituído pelo de revista nos anos 50. Sua publicação, que era quinzenal, passou a ser mensal em 1979.
Em 1967 houve uma drástica guinada na sua orientação, passando a cobrir também o rock, motivando forte reação dos leitores, que enviaram centenas de cartas protestando contra a mudança.

A partir dos anos 60, atendendo a reivindicações dos músicos, principalmente dos novatos e estudantes, passou a editar colunas instrutivas sob orientação de músicos e professores conceituados. Outra função relevante da sua proposta educacional foram as inúmeras transcrições completas de solos e arranjos gravados por músicos importantes.

Cumprindo uma das suas finalidades educacionais mais relevantes, a partir da década de 70 a Down Beat concede anualmente dezenas de bolsas de estudos para o famoso Berklee College of Jazz, de Boston.

Durante muitos anos a direção da revista promoveu o Down Beat Jazz Festival em Chicago.

A Down Beat continua sendo a revista mais popular entre os jazzófilos de todo o mundo, ainda que uma parte deles prefira outras publicações congêneres. Ao completar 70 anos de atividade, mantém sua tradição em cobrir o panorama da música americana. Seu número comemorativo dos 70 anos está à venda nos Estados Unidos e em outros países do mundo.

JAZZ + "RIDES AGAIN"

É isso mesmo, a publicaçãob premiada pelo CJUB em 2003, a revista "JAZZ +" está de volta, com seu número 5, edição de Junho 2004 e segundo seu Editor-Chefe Vinicius Mesquita, este retorno, que é a realização de um sonho pessoal, deve-se principalmente pelo apoio dos leitores e assinantes, e que é essa força que sustenta a sobrevivencia da Jazz +.
O que, pessoalmente, torço para que seja bastante longa.
Welcome back JAZZ +.

26 junho 2004

Acertando na mosca de um dos problemas que mais aflige a cada vez mais restrita paciência de qualquer cidadão, nosso RayNaldo encontra uma solução definitiva, educativa e alentadora. Chequem clicando na ilustração. Posted by Hello

23 junho 2004

12º CHIVAS JAZZ LOUNGE: TRIBUTO A BILLY STRAYHORN

Será no Mistura Fina (Av. Borges de Medeiros 3207 – Lagoa – Tel. (21)2537-2844), no próximo dia 1 de Julho de 2004, quinta-feira, às 21 horas, o 12o. Concerto da Série Chivas Jazz Lounge, patrocinada pelo uísque Chivas Regal, da Pernod-Ricard do Brasil.

Com produção de seu membro Mario Vieira Filho, o grupo de aficionados que compõe o CJUB homenageará um dos mais considerados compositores e arranjadores do jazz, Billy Strayhorn.

Estreito colaborador de Duke Ellington, desde o início da década de 40, Billy Strayhorn e Duke mantiveram uma parceria onde os estilos de ambos se mesclavam de tal forma que se tornava difícil diferenciar qual deles havia feito uma determinada composição. Membro essencial da banda de Ellington, Strayhorn é o compositor do famoso tema “Take the A Train”, mas sempre foi um músico tímido e recatado. No entanto, trouxe um espírito jazzístico que engrandeceu fortemente a banda de Duke Ellington, cujas peças mais frequentemente tocadas são "Take the A Train" e “Lotus Blossom". Outras das mais famosas composições de Strayhorn são: "Chelsea Bridge" "Day Dream", "Johnny Come Lately", "Rain-check" e "Clementine".

Em 1946, Strayhorn recebeu o prêmio “Esquire Silver Award for Outstanding Arranger”. Em 1965, a Duke Ellington Jazz Society pediu que ele apresentasse um concerto na New York New School of Social Research, consistindo inteiramente de suas composições e tocadas por ele mesmo e seu quinteto. Dois anos depois, Strayhorn morreu de câncer. Duke Ellington então compôs, em homenagem ao grande companheiro, “And His Mother Called Him Bill”, que alguns críticos consideram sua maior composição.

Assim, o "Tributo a Billy Strayhorn" será executado por um sexteto, comandado pelo maestro e compositor José Lourenço, e que terá como destaques:

José Lourenço, piano, envolveu-se com a música desde os seis anos de idade, ao iniciar-se nos cursos de teoria musical e piano. Estudou harmonia, arranjo e orquestração com diversos mestres, entre eles Wilma Graça, com o maestro húngaro Ian Guest e o pianista Luis Eça. Aos nove anos, participava de recitais interpretando um repertório de clássicos, além de suas próprias composições, no Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro.

Como profissional, em 26 anos de carreira, vem participando nos trabalhos de Erasmo Carlos, Gal Costa, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Roberto Menescal, Emílio Santiago, Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Daniela Mercury e Ana Carolina, entre outros, tendo gravado recentemente com a cantora canadense Lara Fabian. No seleto circuito do jazz e da música instrumental, já apresentou-se com alguns dos melhores músicos do meio, entre eles o guitarrista Larry Coryell (tour Brasil), Márcio Montarroyos, Toninho Horta, Leo Gandelman, Sivuca, Victor Biglione, Nico Assumpção, Raul de Souza, Heitor TP, Romero Lubambo, Sérgio Dias, entre outros.

Lançou seu primeiro CD solo "Suite Brasil", com 14 composições e arranjos próprios, além da participação de 43 dos mais renomados instrumentistas brasileiros. Está em produção de novo CD autoral, que já conta com a participação especial do virtuoso guitarrista Mike Stern.

Daniel Garcia, saxofone, é músico atuante na música instrumental brasileira, participando ativamente no mercado de gravações e shows com renomados artistas da MPB tais como Edu Lobo, Caetano Veloso, Gonzaguinha, Marcos Valle, Johnny Alf, Eduardo Dusek, Nélson Gonçalves, Zé Renato, Cláudio Nucci, Maria Bethânia, Alcione, Elba Ramalho, Nana Caymmi, Beth Carvalho, Virginia Rodrigues, Itamara Koorax, Ana Carolina, Alceu Valença, Roberto Carlos, Martinho da Vila, Hebe Camargo, Ed Motta, Titãs, etc. Com artistas internacionais, já acompanhou Stevie Wonder e Michel Legrand e, como convidado da Orquestra Sinfônica Brasileira, tocou como solista ao lado de Arturo Sandoval quando de sua vinda ao Brasil.
Daniel fez parte da Orquestra da Rede Globo de Televisão, acompanhando vários artistas nacionais e internacionais e também gravando diversas trilhas para novelas. Participou de várias edições do Free Jazz Festival, com Marcos Ariel, Túlio Mourão, Stevie Wonder, Víttor Santos Orquestra. Na área da música instrumental esteve ao lado de nomes como César Camargo Mariano, Luís Eça, Pascoal Meirelles, Toninho Horta, Osmar Milito, Túlio Mourão, Monique Aragão, Ronaldo Diamante, Henrique Cazes, Marcos Ariel e Dôdo Ferreira, entre outros. É fundador do quarteto de saxofones Saxofonia ao lado de Idriss Boudrioua. Já se apresentou anteriormente num Concerto Chivas Jazz Lounge, ao lado de Dôdo Ferreira.

Altair Martins, trompete, é um dos músicos que mais se destacaram em gravações e shows nos últimos anos, no Brasil. Estudou com Mark Zauss nos Estados Unidos e, nessa oportunidade, participou da big-band do baterista americano Bob Grauso. Foi trompetista da banda de Bob Mintzer no Festival de Ouro Preto, tocou no Free Jazz de 1996 ao lado de Paulinho Trompete e atua em shows de artistas como Francis Hime, Emílio Santiago e Alceu Valença, entre outros. É considerado por José Domingos Raffaelli um dos melhores improvisadores de jazz do país. Já participou anteriormente de outro Concerto produzido pelo CJUB.

Gilmar Ferreira, trombone, é carioca de Jacarepaguá, estudou na Escola de Musica Villa Lobos com Jessé Sadoc. É formado pelo Conservatório Brasileiro de Musica. Aos 15 anos, iniciou-se na Orquestra Sinfônica Só Música. Aos 16 anos, estava na Orquestra Jovem do Teatro Municipal e antes de completar 17 anos, na orquestra profissional do Teatro Municipal. Tocou com Sandra de Sá, Jorge Aragão, Erasmo Carlos, entre outros. Hoje integra a banda Onze Cabeças.

José Carlos Barreto, contrabaixo acústico, é conhecido artisticamente como Johnny Barretto, é um carioca da Piedade, estudou com Sandrino Santoro na UFRJ, tocando posteriormente na Orquestra Sinfônica da UFRJ. Já tocou com Erasmo Carlos, Eduardo Dusek, Victor Biglione e com o José Lourenço Trio.

André Tandeta, bateria, é carioca da Gávea. Estudou com Paschoal Meirelles e é professor de bateria há 20 anos. Tem vasta experiência como músico e tocou com Marcio Montarroyos, Mauro Senise, Victor Biglione, Raul Mascarenhas, Wagner Tiso, Helio Delmiro e Cláudio Roditi. André é graduado como Bacharel em MPB pela UniRio.

Lembramos que os ingressos para essa noite podem ser adquiridos antecipadamente através do site da Ticketronis, em www.ticketronics.com.br.

22 junho 2004

Recobrando momentos históricos

Herbie Hancock e Arlindo Coutinho Depois da publicação do documento histórico onde figurava nossa majestática LaClaudia em meio a dois jazzistas do topo de linha, lembrei-me que nosso mestre Goltinho também havia nos enviado uma de suas preciosidades e que nós ainda não tínhamos colocado a dita cuja no muro.
Aí vai então, com Herbie Hancock pesando mais ou menos a metade do que pesa hoje. Incluindo-se aí o peso atual das suas mãos santificadas.
E volto a pedir aos membros do CJUB que enviem suas fotos históricas para que sejam aqui publicadas.

MARKOS RESENDE QUARTETO - XI CHIVAS JAZZ LOUNGE

Alguns imaginaram uma viagem pelo túnel do tempo. Outros, uma volta de puro encantamento à terra da nostalgia. Estavam enganados. Nem uma coisa, nem outra.

O tributo ao compositor Richard Rodgers, com o quarteto do pianista Markos Resende, trouxe ares do passado em cores vivas do presente no XI CHIVAS JAZZ LOUNGE, produzido por José Flávio Garcia, celebrando em grande gala o primeiro ano de atividade da iniciativa plenamente vitoriosa do grupo de amigos do CJUB nos palcos cariocas.

José Flávio convocou o pianista Markos Resende, que convocou para o conjunto três ótimos coadjuvantes de São Paulo: Daniel D’Alcântara (trompete e flugelhorn), o altamente promissor Alberto Lucas (baixo) e o americano Bobby Wyatt (bateria), muito conhecido do público carioca, pois morou e tocou no Rio na primeira metade dos anos 80.

Como desde a primeira edição do projeto CHIVAS JAZZ LOUNGE, o público prestigiou o evento. Uma aura de magia parecia estar no ar, como um pressentimento coletivo do que estava por vir, e isso se justificava. A acertada escolha das músicas de Richard Rodgers, integrante do seleto círculo de compositores da música popular americana, ao lado de George Gershwin, Cole Porter, Jerome Kern, Irving Berlin e Harold Arlen - lembrando que o genial Duke Ellington foi uma entidade inteiramente à parte –, era a garantia para a maioria da audiência identificar suas melodias imorredouras.

A despeito da afirmação no primeiro parágrafo, pelo menos para mim, a noite representou uma viagem por minha própria conta.

Voltei ao passado, lembrando quando assisti fascinado ao filme “Words and Music” focalizando a vida e a obra da dupla Richard Rodgers e Lorenz Hart. Uma autêntica reprise trouxe à minha memória algumas cenas marcantes desse inesquecível musical, desfilando canções que ficaram para a eternidade nas vozes de artistas e cantores em grande evidência na época. As cenas com Mel Tormé cantando “Blue Moon”, que, segundo suas próprias palavras, foi o turning point da sua carreira... Mickey Rooney, coadjuvado por Tom Drake e Marshall Thompson, interpretando “Manhattan”, que ficaria associada a ele por toda vida ... “The Lady Is A Tramp” e “Where or When”, pela graciosa e encantadora Lena Horne... “Blue Room”, pelo sóbrio e sempre elegante Perry Como...; “Thou Swell”, por June Allyson, uma das atrizes mais populares dos musicais de Hollywood ... Foram recordações que marcaram indelevelmente minha vida de adolescente.

Sonhando acordado, absorto nesse íntimo retrocesso no tempo, inteiramente alheio ao mundo exterior, subitamente volto à realidade com a voz de José Flávio anunciando o concerto. Ainda emocionado pela digressão ao passado, demorei um pouco a recompor-me, lamentando que a era dos grandes musicais do cinema ficaram definitivamente para trás.

Com seu savoir faire e sua experiência de microfone, José Flávio faz uma apresentação impecável, aludindo à importância da música imortal do homenageado no contexto da arte musical do Século XX.

Apresentados os músicos, o quarteto de Markos Resende abre a noite com uma lírica introdução da belíssima “My Romance”, eternizada pelo pianista Bill Evans, adiante balanceada por alterações e variações do andamento.

Seguem-se “My Favorite Things” (identificada imediatamente pelo público devido à popularidade da trilha do filme “A Noviça Rebelde”, imortalizada no jazz pela longa versão de John Coltrane) e a eterna “My Funny Valentine” (carro-chefe de Chet Baker que o guindou do anonimato para a fama em menos de um ano), valorizada pelo tratamento emocional de Daniel D’Alcântara, construindo uma improvisação no mais amplo sentido melódico-harmônico, dosando e permeando habilmente seu discurso com espaços e pausas cujos significados são tão importantes quanto as notas executadas, evitando a enxurrada de notas que muitos empregam para camuflar falta de idéias.

Na seqüência, uma das duas surpresas fora da programação: o cantor Nando Gabrielli, que se auto-intitula “o Frank Sinatra brasileiro”, empolgou o público em “The Lady Is A Tramp”, com direito a longo scat vocal e um final agudo beirando a grandiloqüência melodramática.

Duas pérolas de Rodgers abriram o segundo set: "Bewitched", com o introspectivo piano do líder em destaque, superiormente acompanhado por Lucas – baixista de raro bom gosto, excelente escolha de notas e imaginação - e Wyatt, que, embora avesso a extroversões, com sua incessante polirritmia conhece a ciência exata de quando deve e quando não deve acentuar, fornecendo o impecável apoio rítmico na melhor tradição dos grandes bateristas. Outra jóia foi “I Didn’t Know What Time It Was”, exposta por Lucas com justeza de técnica e perfeita entonação, reafirmando sua presença na constelação dos baixistas nacionais.

Lover” - originalmente uma valsa, eternizada no jazz pelas efervescentes versões de Stan Kenton e Gene Krupa - foi um tour de force em andamento supersônico, com longa troca de quatro compassos entre Resende, Daniel, Lucas e Wyatt, este sempre evidenciando ser um mestre da subdivisão rítmica.

A segunda surpresa foi a presença da cantora Leila Maria numa versão de “Blue Moon”, com engenhosa citação de “Stormy Weather” encaixada pelo trompetista Daniel utilizando a mão à guisa de surdina plunger. Leila é discípula confessa de Billie Holiday no que concerne à divisão peculiar do fraseado, inflexões e acentuações nas terminações das frases, porém seu poderoso volume vocal contrasta diametralmente com o caráter intimista da extraordinária criadora de “God Bless the Child”, precisando controlar a excitação por vezes exagerada das suas interpretações. Leila atendeu à ovação da platéia oferecendo o clássico “Misty”, de Erroll Garner, muito mais contida e mais natural, criando um clima emocional de real sensibilidade.

Terminada a música, o cejubiano Arlindo Coutinho surpreendeu e emocionou Leila Maria ao informá-la que seu novo CD foi avalizado pelos executivos da Sony Music para integrar um dos seus próximos lançamentos, fato que ela desconhecia.

Para surpresa de muitos, uma versão de “O Amor em Paz”, de Tom Jobim, embelezada por ornamentos melódicos e evocativos das frases de Markos, encerrou o tributo a Richard Rodgers; o estilo de Daniel, desta feita no flugelhorn, ressurgiu como uma amálgama das melhores qualidades requeridas para um improvisador, projetando seu domínio da massa sonora do instrumento e sua técnica apropriadamente desenvolvida para a improvisação melódica, descartando o óbvio e o supérfluo, seguido atentamente por Lucas e Wyatt em todos os seus movimentos, contribuindo para uma das mais emotivas interpretações ouvidas nos concertos do Projeto CHIVAS JAZZ LOUNGE.

20 junho 2004

O Jazz Que Rola Pelo Mundo

Para a turma que parte de férias em julho, grandes atrações no mundo jazzistico. Não percam!

Estados Unidos
JVC Jazz Festival – New York – Carnegie Hall
18 Junho – João Gilberto – Encore!
19 Junho – K. D. Lang w/ The Brooklyn Philharmonic
20 Junho – Ornette Coleman Quartet – Abbey Lincoln Quartet
21 Junho – Sing The Truth ... A Tribute To Nina Simone
23 Junho – Lou Reed – The Holmes Brothers – Nellie McKey
24 Junho – Dianne Reeves ... Celebrating Sarah Vaughan – Peter Cincotti
25 Junho – Herbie Hancock, Wayne Shorter, Dave Holland, Brian Blade
26 Junho – Salsa Jazz Jam – Oscar D’Leon – Poncho Sanchez – Latin Jazz Band

Junho 25 - San Francisco JAZZ Spring Season – João Gilberto “O Mito” Returns – A rare appearance by the bossa nova legend! – www.sfjazz.org

Canadá
Junho 25 a Julho 14 – Vancouver International Jazz Festival – www.coastaljazz.ca
Junho 30 a Julho 11 – Festival Internat. de Jazz de Montreal – www.montrealjazzfest.com

Europa
Junho 28 a Julho 11 - Austria – Jazz Fest Vien – www.viennajazz.org
Junho 30 a Julho 13 – França – Jazz à Vienne – www.jazzavienne.com
Julho 02 a Julho 17 – Suiça – Montreux Jazz Festival - www.montreuxjazz.com
Julho 09 a Julho 11 – Holanda – North Sea Jazz Festival – www.northseajazz.com
Julho 09 a Julho 18 – Italia – Umbria Jazz – www.umbriajazz.com
Julho 12 a Julho 17 – Noruega – Molde Internat. Jazz Festival – www.moldejazz.no
Julho 11 a Julho 17 – Espanha – Festival de Jazz Vitoria-Gasteiz – www.jazzvitoria.com
Julho 08 a Julho 18 – Turquia – Internat. Istanbul Jazz Festival – www.istfest.org

Se não viajar o CJUB terá o prazer em recebe-lo no dia 1º de Julho no 12º concerto da série CHIVAS JAZZ LOUNGE – Mistura Fina – Rio de Janeiro – 21 horas – Tributo a Billy Strayhorn

19 junho 2004

AINDA O FENÔMENO DOS JOVENS TALENTOS

Eu mal acabei de fazer aquele desenho do Baby Childs Jr. e já apareceu uma Lolita de quinze anos cantando Summertime... Fala sério!
Mas falando sério, o problema aí é detectar uma real "intenção de jazz" ou uma possível "intenção de parecer jazz". Quando aparece alguma coisa assim - que faz sucesso pelo apelo pop - a crítica , e nós, o público, temos que identificar a presença ou não do genuíno "animus improvisandi" ou "animus suingandi" (os causídicos presentes que me corrijam, por favor). Porque no fim das contas, e na atual conjuntura, é até uma boa que os sucessos pop tenham o mais alto índice de jazzibilidade possível.
Indo por aí, se pusermos um medidor de jazzibilidade perto da Norah Jones, por exemplo, vai marcar zero, apesar do selo Blue Note. Com a Jane Monheit, o medidor também vai marcar muito pouco, apesar do repertório e do elegante vulto do Ron Carter lá atrás. Mas esse garotão inglês aí, apesar de parecer, e ser, mais pop, também é mais jazz, no sentido de ser mais solto, criativo, improvisativo e suingado. O problema da faixa etária é secundário. O Miles Davis e a Ella Fitzgerald também começaram bem novinhos.
Mas pra encurtar o papo: quando eu quiser ouvir alguém cantando jazz , não vou ouvir o Jamie Cullum. Vou ouvir a Dee Dee Bridgewater. Nem sei que idade ela tem, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.

RayNaldo
Logo depois de ler a nota sobre a repetição da premiação, pela Jazz Journalists Association, de Wayne Shorter como Músico do Ano, nossa poderosa LaClaudia nos enviou esta foto do seu acervo pessoal, onde figura ladeada por nada menos do que Mr. Shorter (à esquerda, na foto) e Mr. Herbie Hancock. Posted by Hello

17 junho 2004

A LOLITA DO JAZZ

Tecladista, compositor e arranjador, o canadense David Foster transformou-se num dos mais bem sucedidos produtores da indústria fonográfica mundial. Seu faro comercial é reconhecido por todos. Em 2002, acertou na mosca ao promover o jovem cantor – e conterrâneo – Michael Bublé, hoje sucesso esmagador. Agora, em 2004, Foster ousa mais. Recruta uma atriz texana de apenas 14 anos - do seriado da CBS, “Still Standing” – para um CD com músicos e repertório insuspeitos. Seu nome, (Rebecca) Reneé Olstead.
Alan Broadbent, Oscar Castro Neves, Jeremy Lubbock, Carol Welsman, Chris Botti, Peter Cincotti, Brian Bromberg (baixo), Jeff Hamilton & Vinnie Colaiuta (bateria), John Clayton (baixo), Billy Childs Trio, entre outros menos cotados. Este é o cast irretocável do CD. O repertório navega entre clássicos como “Summetime” e “Someone To Watch Over Me” (Gershwin), passa por um antigo top ten de Neil Sedaka (“Breaking Up Is Hard To Do”), em duo com o também "lolito" Peter Cincotti, revisita o bolero “What A Difference A Day Makes” e desagua em outros standards como “Sentimental Journey” e “On A Slow Boat To China” – aqui com a participação de Carol Welsman.
Se o apelo é comercial – Foster não joga barato – há uma nítida e honesta intenção de jazz. Não só pelos músicos – quase todos jazzistas – mas pelo refinamento dos arranjos. Olstead, apesar da idade, não se limita a repetir as versões consagradas de outras cantoras. Consegue, a seu modo, um tempero no mínimo simpático às suas interpretações. Outro apelo também importante: talvez se Stanley Kubrick, em 62, pudesse hoje escolher entre Sue Lyon e Reneé Olstead para compor a sua “Lolita”, o também saudoso James Mason – interessado direto – poderia tender para o lado dessa jovem e atraente texana de Houston.
Em tempo: lançado nos EUA pela Warner - 25 de maio - recebeu 3 estrelas (AMG). Aliás, nossa Lolita completará 15 anos amanhã (18 de junho). Cheers!!

Mais uma do nosso RayNaldo

16 junho 2004

JAZZ

Existem algumas definiçoes. Uma delas, segundo o All Music Guide, é a de que significa "America's Classical Music", que, junto ao Blues, seu ritmo antepassado, é uma musica dos negros e para os negros (confirmando entrevista de Andrew Hill quando aqui esteve recentemente). Performada inicialmente pelas "Big Bands" e rapidamente transformada em improvisação - que tornou-se o elemento principal da musica chamada JAZZ - dividiu-se em vários estilos, segundo o AMG, a saber:

- Big Bands ( Count Basie, Duke Ellington & Gil Evans )
- Be Bop ( Charlie Parker, Thelonious Monk & Dizzy Gillespie )
- Cool ( Shorty Rogers, Miles Davis & Gerry Mulligan )
- Free Jazz ( Ornette Coleman, Archie Shepp & Anthony Braxton )
- Fusion ( Chick Corea, Jaco Pastorius & Weather Report )
- Classic Jazz ( Jelly Roll Morton, Louis Armstrong & Coleman Hawkins )
- Hard Bop ( Lee Morgan, Art Blakey & Pepper Adams )
- Soul Jazz ( Horace Silver, Bobby Timmons & Herbie Hancock )
- Latin Jazz ( Tito Puente, Poncho Sanchez & Gonzalo Rubalcaba )

A premiação da JJA - Jazz Journalists Association

Ousando "atropelar" o mestre Raf, que sempre publica aqui as notícias vindas dos Estados Unidos, transcrevo em livre tradução a notícia da Associated Press de terça última, sobre a premiação anual, prometendo postar a íntegra das premiações em breve.

Wayne Shorter e Dave Holland estão entre os grande ganhadores das Premiações de Jazz do ano de 2004, da Jazz Journalists Association (Associação dos Jornalistas de Jazz).

Pelo segundo ano consecutivo, o saxofonista tenor e compositor Shorter, que ganhou proeminência junto com Herbie Hancock no legendário quinteto de Miles Davis dos anos 60, foi escolhido como Musico do Ano, na última terça-feira. Shorter também repetiu a premiação do ano anterior ganhando o Disco do Ano, com Allegria, sua primeira gravação em estúdio como líder desde 1994 - e seu quarteto ainda abocanhou o prêmio como o Melhor Pequeno Grupo.

Dave Holland, nascido na Holanda, que iniciou sua carreira nos Estados Unidos na banda eletrificada Bitches Brew, também de Miles, repetiu a premiação multipla anual, como Baixista Acústico e por Grande Grupo.

A dupla está se preparando para sair num tour de verão neste fim de semana, pela Costa Oeste, num super-quarteto que terá ainda o pianista Herbie Hancock e o baterista Brian Blade.

O pianista e compositor Dave Brubeck, de 83 anos(!) ganhou o importante prêmio "Lifetime Achievement in Jazz", algo como pelo "Conjunto da Obra", numa votação ocorrida entre cerca de 400 membros da Jazz Journalists Association.

Outro pianista-compositor, Vijay Iyer, um filho de imigrantes indianos, foi escolhido como Revelação do Ano.

Também receberam prêmios múltiplos Maria Schneider, como Compositora e como Arranjadora, e George Wein, fundador do Newport Jazz Festival, que está celebrando seu 50o. aniversário este ano. Wein foi homenageado como Produtor de Eventos e pelo Melhor Livro sobre Jazz, por sua autobiografia Myself Among Others.

"Obrigado à comunidade jazzística", falou Cassandra Wilson ao aceitar o prêmio de Melhor Cantora diante de centenas de pessoas no B.B. King's Blues Club and Grill. "Esta música é tão importante! É vital e está evoluindo, está viva e muito bem", finalizou.

14 junho 2004

CAROL WELSMAN, Mistura Fina, 04/6/2004, 1º set - @

Loura e altíssima, acompanhando-se num piano pop-jazz ( ao "estilo" Bruce Hornsby), com bom registro vocal nas regiões média e grave, mas algo patinando nos agudos, Carol Welsman mostrou no Rio a turnê de seu último disco, "The Language of Love" (Savoy Jazz, 2003), bem recebido pela crítica internacional.

Com direção musical de Oscar Castro Neves (violão e sinth-guitar), que escalou Sérgio Barroso (contrabaixo) e Téo Lima (bateria) para a curta temporada no Mistura, a cantora canadense, ao engatar Coração Leviano (P. da Viola) a, também em ritmo de samba, Just One of Those Things (Porter), gerou uma ótima "pressão" e impressão, que infelizmente dissiparam-se em seguida, em meio ao equívoco dos arranjos, pontuados pelos constrangedores - e absolutamente desnecessários - "efeitos" de pedal sinth do violonista.

A interação entre ambos, entretanto, nas passagens instrumentais, merece aplauso, já que é nada fácil o entendimento de dois instrumentos melódico-harmônicos tão completos, como o piano e o violão.

Um Every Breath You Take (Sting) arrastadíssimo - e por isso desfigurado - desprezou o bounce pelo qual, exatamente, a música tornou-se um dos hits mais atraentes desde os anos 80.

Por outro lado, o fato de Welsman cantar de modo quase sempre simples, direto e sem firulas - sabendo dizer a letra e expor a melodia - denota um amadurecimento incomum entre suas contemporâneas, virtude esmiuçada em Slow Boat to China (Loesser).

Após duas canções de autoria e entoadas só por Castro-Neves (Onde Está Você e A Fool I Know), Welsman retornou ao palco com Cheek to Cheek (Berlin), quando, pela primeira vez, arriscou o scat, com resultados modestos.

Não deixou de surpreender, então, a chamada do instigante tema de Chick Corea, La Fiesta, a compor tão "correto" set list, muito embora conseguissem a "proeza" de "amaciar" as intrincadas harmonias da composição, com isso tornando-a inodora e insípida.

Smile (Chaplin) e Chanson de Maxence (Legrand), este último em novo - e infeliz - arranjo "bossado", fecharam o set, levando à convocação para o bis, com Corcovado (Jobim) e Flor de Lis (Djavan), que serviram de momento karaokê para uma platéia bem mais sorridente e satisfeita, com toda a franqueza, que o cronista.

13 junho 2004

CAETANO VELOSO - "A Foreign Sound" - Universal @ 1/2

Tentei esquecer os preconceitos não só dos colegas jazzófilos, mas os que de mim mesmo partiam, desde que soube da idéia de um álbum de 'standards', pelo Caetano.

Preconceitos do tipo: "lá vem mais um engodo do tipo ´american songbook´ do Rod Stewart"; ou "mais uma enrolação do Caetano, a la 'sozinho' (Peninha) - que vende 'pacas' - e esconde a falta de inspiração que se prolonga por quase uma década sem originais de relevo"; ou simplesmente, "o que o cara tem a ver com um cancioneiro celebrizado por genios e especialistas insuperáveis como Ella, Sinatra, Sarah, Tony, Billie, etc. ?".

Foi inevitável, também, lembrar - antes de escutar o disco, repito - das constrangedoras tentativas, por alienígenas do universo musical americano, como Kiri Te Kanawa e Daniel Baremboim, de gravar songbooks ou homenagear mitos do jazz, ainda que "alugando" auxílios luxuosos de jazzistas consagrados como Ray Brown, Ron Carter, Andre Previn, Mundell Lowe, Herb Ellis) e outros. Como "A Foreign Sound" fugiria daquela esparrela ? Difícil.

Mas havia um outro lado, que logo tratei de resgatar, na esperança de que algo de bom dali viesse: a primeira - e valiosíossima - versão que ouvi de "Get Out the Town" (Porter), foi, acreditem, do álbum acústico "Caetano Veloso", gravado em NY, em 1986, todo ele ótimo, aliás.

Então, algo, pelo menos, podia dar certo.

Pena que tão pouco.

Mediocridades e bobagens como "The Carioca", "Come as You are", "Feelings", "It´s All Right Ma", "Detached" e "Jamaica Farewell", sinceramente, dispensam maior atenção, em face de sua absoluta aridez melódico-harmônica.

No mais, o disco pode ser dividido em dois blocos: o primeiro, com canções de arranjos abrasileirados, que, à exceção de Stardust, em choro (?!), funcionam, às vezes até muito bem: So In Love, em samba-canção; The Man I Love e There Will Never Be Another You, em bossa; Diana, em samba-reggae estilizado; e Cry Me a River, em samba lento.

As demais canções compõem um segundo bloco onde o terreno parece bem mais pedregoso: standards ultra-batidos, ora com arranjos de cordas, ora usando formações menores, inevitavelmente estarão à mercê dos tratamentos que os decanos mestres do mister, Ogerman, Mandel, Riddle, Costa, Ellington/Strayhorn, T. Jones, B. Mays, G. Jenkins, entre tantos, tornaram célebres nas vozes olímpicas já citadas acima. Em resumo, versões, quando não equivocadas (algumas muito), no mínimo inócuas, caso de I Only Have Eyes for You, Body and Soul, Nature Boy, Smoke Gets in Your Eyes, Sophisticated Lady, Summertime, Love for Sale, If It´s Magic, Something Good, Blue Skyes e Love me Tender, que fecha o CD num verdadeiro lullaby, ou canção de ninar.

As composições vertidas com acerto para nossos dialetos musicais (So In Love, The Man I Love, There Will Never Be Another You, Diana e Cry Me a River), essas - e só essas - salvam o projeto do fiasco total. Mas valem a conferida, conclusão a que cheguei, após meia dezena de atentas audições de todo o álbum, o suficiente para despojar-me dos preconceitos e, simplesmente, ouvir a música.

Bobagens da Imprensa

Olá amigos,
Desculpe o silêncio. Depois de semanas tentando me recuperar de uma anemia, finalmente retorno com a disposição de sempre.

Já faz algum tempo lí aquela matéria ridícula do O Globo tentando comparar Diana Krall com Eliane Elias (enaltecendo a americana em detrimento da brasileira). Fiquei intrigada com o teor da matéria e, já conhecendo a imprensa despreparada que temos, esperei até conseguir ouvir os dois CDs antes de tirar qualquer conclusão.

Há certamente coisas em comum: as duas são louras, tocam piano e cantam. Mas as semelhanças param por aí. Eliane se mostrou bastante competente como cantora. Impressiona como pianista e arranjadora. O disco é lindo e tem o toque de bossa nova fundamental para diferenciá-la dos demais artistas no mercado americano. A qualidade sonora do CD é excepcional. Diana traz um belo CD, se mostra boa compositora e competente nos demais quesitos também.

As duas são grandes artistas, mas guardo minha preferência pela pianista brasileira. Batalhadora, encontrou seu lugar ao sol em um mercado híper competitivo. Faz música de qualidade e é uma boa referência da mulher brasileira lá fora (já que somos mais conhecidas pelos bumbuns das garotas do É o Chan).

Tenho uma certa resistência em engolir, por melhores que sejam, "produtos arrasa-quarteirão", com uma estrutura grandiosa de marketing e promoção por trás. O americano, como inventor do marketing, faz isto melhor do que ninguém. Até aí tudo bem, mas é inacreditável que pessoas teoricamente esclarecidas se deixem influenciar pelo trabalho de profissionais de marketing. Mesmo que neste caso o "produto musical" seja de boa qualidade, vamos tomar cuidado, e na hora de publicar uma crítica, ter ouvidos isentos para sair do lugar comum.

É só uma opinião. Abçs,
PegLu

12 junho 2004

Jack DeJohnette, só no Standards Trio, de Keith Jarret ? Fala sério ...

Aos que andam repetindo a fantasia do título aí de cima, lá vai parte da agenda do baterista para 2004/2005 (http://www.jackdejohnette.com):

2004

Tribute to Tony Williams w/ John Scofield, Larry Goldings
and Jack De johnette: Feb10-15 Oakland, Ca at Yoshi's

April 15 Herbie Hancock & Dave Holland Trio Milwaukee, WI Pabst Theater
April 16 Herbie Hancock & Dave Holland Trio Chicago, IL Chicago Orchestra Hall
April 17 Herbie Hancock & Dave Holland Trio Toronto, ONT Massey Hall
April 18 Herbie Hancock & Dave Holland Trio Boston, MA TBA

June 10 w/Bobby McFerrin Rochester, NY Eastman Theater

August 14 w/Bobby McFerrin Chicago, Il Ravinia
August 27 or 28 w/Mike del Ferro and Frans van der Hoeven Taiwan TBD

September 17 w/Bobby McFerrin Monterey, Ca Monterey Jazz Festival
September 18 w/Don Byron and Jason Moran Monterey, Ca Monterey Jazz Festival
September 18 w/Don Byron, Giovanni Hidalgo, Jerome Harris, Edsel Gomez and Luisito Quintero Monterey, Ca

October 17 w/Don Byron and Jason Moran San Francisco, CA San Francisco Jazz Festival
October 23–31 w/Danilo Perez and Jerome Harris Western Carribean 4th Annual Jazz Party at Sea

Nov 6 Tribute to Tony Williams tour w/John Scofied and Larry Goldings EL Cerrito, CA TBA
Nov 8–22 Tribute to Tony Williams tour w/John Scofied and Larry Goldings Europe TBA


2005

January 4–8 w/Danilo Perez, John Patitucci, and Jerome Harris New York, NY Birdland
January 19–23 w/Danilo Perez Panama Panama Jazz Festival
January 28 Latin Project
Don Byron, Giovanni Hidalgo, Jerome Harris, Edsel Gomez, and Luisito Quintero Burlington, VT Flynn Theater
January 29 Latin Project
Don Byron, Giovanni Hidalgo, Jerome Harris, Edsel Gomez, and Luisito Quintero Hanover, NH Dartmouth College


E por aí vai, além, claro, de inúmeras datas do legendário trio com Jarret/Peacock.

Agora vejam os demais projetos do músico, para estúdio, na maioria não ligados ao Jazz:

Jack's new production company!

Golden Beams Productions
Jack is currently in the process of creating his own production company. The company will focus on exploring the further reaches of musical expression.

He is planning to experiment in the field of electronica and live drum & bass. He also plans on laying down killer grooves on vinyl for DJs and experimentalists alike.


Meditation & Healing Music

Under this label jack will release his new line of music for meditation and healing practitioners. Soon to be released is his first LP titled;"Music in the Key of OM".

From the Hearts of the Masters

A soon to be released duet with Foday Musa Suso. Suso is a world-renown Kora player and Griot(musician/oral historian of the Mandingo people) from Gambia. He is well known for his collaborations with Herbie Hancock, Philip Glass Pharoah Saunders and The Kronos Quartet. Read his interesting history at fmsuso.com.

The duet are touring for the first time in Europe this October.


Marlui Duo

Marlui is a Brazilian singer/songwriter and musician, she is also the most acclaimed and recognized performer and researcher on music from the Brazilian Indians. She has worked with such legendary Artists as; Egberto Gismonti, Milton Nascimento, Jards Macalé, Gilberto Gil, Bugge Wesseltoft, Trilok Gurtu, Rodolfo Stroeter and Toninho Ferragutti.

Jack and Marlui have created a soon to be released CD of both written and improvised music that crosses many boundaries of music.


Don Alias Percussion Duo

Don and Jack have an extended history of playing together, from Miles Davis during his electric years, the Herbie Hancock Standards Band and on Jack's own recording of 'Oneness'. Now, for the first time they have recorded their own CD. Together, they create a fusion of killer grooves and improvisations.

A glimpse of their project as it developed in the recording studio along with their commentary on music, philosophy and their own personal history is available on a video called 'Talking Drummers'.


Resolvi estudar mais ...

11 junho 2004

MORRE RAY CHARLES

Morreu hoje, aos 73 anos, Ray Charles. Considerado o pai do SOUL, Ray trafegou com a maior elegância e competência pelo R&B, JAZZ, COUNTRY e POP. Grande instrumentista e dono de uma belíssima voz, Ray ganhou 12 Grammys e se imortalizou pela música GEORGIA ON MY MIND, que viria a ser hino do seu estado natal, a Georgia.
Saravá, Mr Ray!

09 junho 2004

QUIZ GRÁFICO-FILOSÓFICO DO CJUB

Queremos saber quem será o primeiro a desvendar o lema oculto na imagem abaixo. Sugerimos clicar na imagem e ampliá-la para facilitar as coisas. Antes de desistir ou ficar vesgo, tente relaxar (e não concentrar) sua visão até perceber o fundo ficar estático enquanto sua visão capta algo destacando-se dele. Aí estarão as palavras. Ah, o prêmio para o primeiro acertador é um CD com músicas de artistas que se apresentaram no Chivas Jazz de 2002.
Boa sorte!
 Posted by Hello

08 junho 2004

Documento raro: autógrafo com dedicatória

Mensagem recebida do nosso Embaixador em Londrina, JoFlavio:

"Faz pelo menos 3 anos que conheci o trabalho da Carol Welsman. De lá para cá passou a ser figura carimbada no meu programa. Contamos a sua história - formada na Berklee, estudo de canto com Cristiane Legrand, etc..... E ela está sempre lá no programa.

Assim, acabou bastante conhecida pelos nossos ouvintes de Londrina, ao contrário do resto do país. Tanto que uma amiga aqui da cidade intimou o marido para a ver a Carol no Mistura. E lá, conversou com ela depois do show, contando que era super bem cotada no programa da Universidade em Londrina.

Qual não foi minha surpresa ao receber um bilhete da Carol agradecendo a "força" que sempre dei prá ela. Aí vai o bilhete, que fotografei:
 Posted by Hello

07 junho 2004

XI CHIVAS JAZZ LOUNGE - O PASSO ADIANTE, O SAMBA-JAZZ, e outros sonhos

Imprescindível registrar o desenvolvimento de nosso projeto, com a superação da fase pela qual todos aguardávamos: a vinda de músicos de outras praças para os concertos CJL.

Tento notável lavrou nosso confrade José Flávio Garcia, arregimentando, ao lado do líder da noite, o já nosso conhecido Markos Resende, um time de primeira, vindo de São Paulo, todos músicos de alto nível, unânimes, também, na satisfação de estarem participando de tão esmerada produção.

A integração de artistas locais com colegas de outros Estados sempre foi, desde o início, uma das metas do CJUB, até para que o próprio Rio de Janeiro volte a se transformar numa vitrine do jazz nacional, polo de desenvolvimento do gênero, por todas as vocações que a cidade maravilhosa naturalmente possui.

O mesmo se dá, em igual proporção, com São Paulo e outros centros, como Belo Horizonte e Brasília, onde, sabemos, há jazzistas maravilhosos, na mesma expectativa de incrementar e diversificar suas atividades, ou divulgá-las Brasil afora.

O passo seguinte, conforme temos conversado, parece ser a construção de eventos musicalmente ainda mais ambiciosos, seja no próprio CJL, seja em outros projetos, como, por exemplo, um festival ou concurso.

Sonho, por exemplo - CJL não passava de um sonho há pouco mais de um ano, bom lembrar - com um concurso, com apoio institucional, para grupos de samba-jazz, dialeto "hard" da bossa nova, esquecido ao fim dos anos 60, após o advento das modas assimiladas da jovem guarda e da tropicália.

Resultado: exportamos nossos melhores representantes: Roditi, Guilherme Vergueiro, Raul de Souza, e tantos outros que fazem samba-jazz - ou jazz-bossa, como preferirem - com absoluto sucesso nos EUA, Europa e Japão, tocando nos principais festivais do mundo.

A melhor fusão dos ritmos nacionais com o jazz (este na acepção muito maior que a de mero "estilo musical", mas como a verdadeira linguagem do improviso), praticamente só não se ouve ... no Brasil.

Esforços como o retorno de J. T. Meirelles, o disco do Hamleto Stamato e outros trabalhos de esparsa repercussão, representam, claro, um alento e a esperança de resgatar um produto legitimamente nosso e de sucesso mundial, qual seja: fundir e infundir o samba na "música dos músicos". Lembram-se do Dear Old Stockholm de Widor Santiago e Paulinho Trompete na X CJL ? Qual foi melhor, a primeira versão, mainstream, ou a que veio depois, "bossada", fazendo o Mistura todo balançar ?

Sabe, JoFlávio, obrigado já pela idéia do blend de instrumentistas. A V., e ao Markos, claro, e ao Rodrigo (Pernod), que, juntos, nos proporcionaram tão empolgante realização, cujos méritos musicais virão, todavia, da pena mais apropriada do verdadeiro expert e orgulho do CJUB, nosso Mestre Raf.

Mas só a idéia virando realidade, Embaixador, só isso já valeu o ingresso, daquela noite, e dos demais intercâmbios, festivais e concursos que haveremos de juntos produzir.

04 junho 2004

Morre o saxofonista Steve Lacy

Segundo notícias procedentes de Paris, o saxofonista Steve Lacy morreu quarta-feira, dia 2 de junho, aos 69 anos, após longa batalha contra um câncer no fígado. Lacy foi internado dias antes em coma, falecendo sem recobrar a consciência, de acordo com informaçãoes dos músicos Bobby Few e Noah Howard.
Steve Lacy nasceu em 23 de julho de 1934, em New York. Ele foi o único músico da história do jazz que se dedicou exclusivamente ao sax-soprano, desenvolvendo sua própria identidade, tornando-se um dos mais talentosos expoentes do seu instrumento. Segundo alguns críticos, Lacy teria influenciado John Coltrane a adotar o sax-soprano.
Lacy percorreu um longo caminho, tocando inicialmenrte em grupos de jazz tradicional. Aos 22 anos, fascinado com o estilo do pianista Cecil Taylor, com quem estudou e tocou dois anos, orientou sua concepção definitivamente para o idioma moderno. Seguiram-se atuações com Thelonious Monk, do qual foi um dos mais fervorosos admiradores e gravou inúmeras composições, e com a orquestra do maestro, compositor e arranjador Gil Evans. Mais tarde tocou e gravou com dezenas de músicos, incluindo Mal Waldron, Enrico Rava, Roswell Rudd, Charlie Rouse, Don Cherry, Han Bennink, John Stevens, Evan Parker, Steve Potts, Derek Bailey, Charles Tyler, Trevor Watts, Noah Howard, Bobby Few e tantos mais.
Nos Estados Unidos gravou para a Prestige, Transition, New Jazz, Fantasy, Emanem, Atlantic, A&M, Vik e Candid. Radicado na França há mais de 25 anos, gravou dezenas de álbuns na Europa para os selos Horo, Red, Byg, Black Saint, Free Music, Soul Note, Saravah, Quark, Cramps, Free Music, Ictus, Tangent, Sound Aspects, Le Chant du Monde e outros. .
Embora pouquíssimos saibam, Steve Lacy passou dois dias no Rio de Janeiro, em 1966, na companhia de Enrico Rava, regressando de uma temporada em Buenos Aires, Argentina. Nos últimos anos Steve Lacy tocava em duo com o píanista Mal Waldron, com o qual apresentou-se no 1º Chivas Jazz Festival, em 2000.

Stan Getz

O Caesar Park Hotel estava inaugurado há pouco tempo e eu era a relações públicas. Era uma marca nova e nosso objetivo era criar uma imagem forte, sofisticada, elegante.
Surgiu a oportunidade de contratar o Stan Getz para uma temporada, através de seu empresário Alejandro Sterenfeld. Depois de inúmeras negociações, chegou o grande dia.
Fui buscar o mito Getz no Galeão.
Após acomoda-lo no hotel, uma equipe da Globo queria fazer uma exclusiva sobre a chegada dele. Stan Getz concordou com um passeio em Ipanema com a TV Globo.
Saiu do hotel de sunga e deu um mergulho na praia de Ipanema. Estava feliz de estar ali. Revigorado de uma longa viagem. Novo em folha.
Colocou um short e uma camisa e fomos andando a pé até o bar Garota de Ipanema com a equipe. Contava histórias, simpático e falante.
Quando chegamos no bar foi oferecida uma caipirinha e ele gentilmente fez questão de oferece-la à equipe e pediu outra para ele.
No papo que se seguiu o assunto era a bossa nova, a Garota de Ipanema, Tom Jobim, e enfim aquilo que parecia óbvio. A TV gravava tudo.
Stan Getz disse que adorava o Tom Jobim e que gostaria muito de revê-lo.
Imediatamente liguei para o Tom Jobim e quando ele me atendeu eu disse que estava com um amigo que gostaria de falar: Stan Getz. Senti que o Tom ficou desconfortável e me disse que não poderia falar com ele.
Eu fiquei mais desconfortável ainda e respondi: então diga isto a ele pessoalmente e passei o telefone para o Stan.
Stan Getz pegou o telefone com um sorriso e aos poucos foi se transformando. Quase chorando (eu iria dizer desconsolado, mas na verdade estava mesmo quase chorando) ele disse ao Tom – Você se esqueceu de quem são seus verdadeiros amigos!
Despediu-se do Tom e ficou um grande mal estar.
Eu soube depois que o Tom estava aborrecido com o uso que o Stan fazia da música brasileira, sem aparentemente dar o crédito devido.
O Stan Getz, até então feliz, cooperativo, brincalhão, transformou-se, crispado.
Ficou irritado. Havia um fotógrafo que não era da equipe da TV Globo acompanhando e fazendo fotos sem parar. Stan pediu que parasse de fazer fotos. Isto atiçou o fotógrafo que ao perceber a irritação viu a chance de uma foto realmente diferente e passou a provoca-lo ostensivamente até conseguir o que queria com o Stan avançando sobre ele para esmurra-lo. Conseguimos colocar o Stan Getz no carro da Globo que nos acompanhava e leva-lo de volta ao hotel.
Stan Getz havia tomado UMA caipirinha e agiu com se estivesse completamente bêbado.
Ao chegarmos no hotel, tropeçou na escada de entrada e caiu. Foi para seu apartamento descansar até a hora da coletiva.
Eu fiquei perplexa com a cena que tinha involuntariamente criado/participado.
Horas depois, a imprensa já tinha chegado e aguardávamos no Tiberius e nada do Stan chegar.
Alejandro foi busca-lo e chegaram juntos ao 23º andar. Aparentemente Stan havia dormido profundamente e teve dificuldades em acordar.
A entrevista correu tranquila, Stan parecia bem, apenas eu percebi que um pouco sonolento e achava que sabia o que tinha provocado aquele desgaste tão grande.
Carlinhos Lira participou ativamente da entrevista.
Muitas outras coisas aconteceram durante a temporada do Stan Getz no Rio. Inclusive a canja que o Wayne Shorter deu com ele enquanto o Coutinho mandava procurar a Ana Maria(mulher do Wayne) pelos morros do Rio de Janeiro e o episódio Pitanguy (aguardem, ainda vou contar...).
Para compensar todo este stress, Stan caprichou nas suas apresentações e tocou muito mais do que esperávamos. Essa parte eu deixo para o Raffaeli contar.
E eu ganhei um grande amigo.
Saudades, Stan.

03 junho 2004

Músicos de classe internacional dirigem-se ao Wigan Jazz Festival

1o. de Junho de 2004, Daily Post (tradução livre)

A chegada do verão anuncia também o início da temporada de festivais de jazz, com o agora famoso Wigan International Jazz Festival (de 9 a 18 de julho) como um dos mais aguardados, como escreveu Stan Woolley.

O "cast" do festival deste ano é realmente impressionante ao programar músicos, bandas e cantores de classe internacional apresentando-se numa vasta variedade de estilos. Encabeçando a lista de nomes famosos estão Dave Brubeck, Phil Woods e uma lenda viva do jazz no Reino Unido, o veterano baterista de "big bands" Eric Delaney.

Mas há ainda mais nesse festival do que apenas concertos noturnos de celebridades do mundo jazzístico e a cada dia haverá uma programação cheia de sessões na hora do almoço, oficinas, seminários e performances em plena rua. Sim, Wigan está tão grande que se espalha pela cidade toda. O Festival abrirá na sexta-feira, dia 9 de julho, com uma noite de dança onde se apresentará a banda australiana The Funky Doo Daas e então terá curso devidamente no sábado, com o concerto do saxofonista Phil Woods.

Fechando o festival, no último dia haverá o concerto do pianista Dave Brubeck com seu quarteto que, já se espera, esgotará os ingressos antecipadamente. Brubeck é um dos gigantes da música do século 20, seja ela jazz, clássica ou religiosa.

O restante do cast pode ser apreciado abaixo, para que cada um faça sua própria avaliação: Jimmy Smith Quintet, Clayton-Hamilton Jazz Orchestra, Karrin Allyson and Quartet, Lynn Arriale Trio, Johnny Griffin Quartet, Gwyn & Will, Stax of Soul, Ulster Youth Jazz Orchestra, Wigan Jazz Club Big Band, Wigan Youth Jazz Orchestra.

Tudo por tudo, o Festival de 2004, que completa seus 19 anos, mostra-se altamente promissor, tendo tudo para ser o melhor até agora.

Uma rápida olhada nos artistas de jazz mais vendidos nos EUA

Neste link abaixo, do site especializado em acompanhar a indústria da música em geral, via os reports de estações de rádio e dos selos, é possivel notar como o conceito "artista de jazz" está cada vez mais amplo, na própria pátria dessa arte.

E como o aqui já comentado Jamie Cullum, a despeito dos rótulos, vem galgando posições com seu disco Twentysomething, lançado há cerca de um mês lá.


CMJ.com: new music first

01 junho 2004

HOMENAGEM, EM VÍDEO, A ELVIN JONES

Testando novas formas de postar no Blog, arquivos de formatos diferentes, porque não um pequeno vídeo, em mais uma homenagem ao eterno Elvin Jones (se os media players padrão não abrirem, basta baixar o quicktime, que irá funcionar). Enjoy, clicando aqui.

DVD de Jane Monheit já disponível em edição nacional

Consultando novidades no americanas.com, deparei-me com o DVD da Jane Monheit, que, sem dúvida, irá agradar aos fãs. O diferencial é que Ms. Monheit, além de cordas, vem acompanhada por um trio estelar (não aquele chinfrim com que viaja pelo mundo), a saber: Alan Broadbent (piano), Ron Carter (baixo) e Kenny Washington (bateria). Só seu pianista regular às vezes dá as caras. Vale conferir.

Americanas.com : DVD Jane Monheit - Live At Rainbow Room

Uma discussão para incendiar o CJUB: Jamie Cullum

Vi anteontem, no Multishow, um programa mezzo-documentário, mezzo-show com esse jovem inglês de 24 anos que está sendo considerado mais um fenômeno do jazz, como já o foram, guardadas as proporções devidas e as rotulações nem tanto, Harry Connick, Jr. e Norah Jones.

É certo que perderemos horas e horas na discussão primária se o que Cullum toca é jazz ou não, se o que faz ao piano e ao microfone poderia ser classificado nessa categoria.

Se valer o que eu vi ali, uma série de músicas variando de standards à música pop (arrá!) interpretadas por ele com arranjos bem diferentes do que vimos ouvindo há anos, eu diria que Cullum toca jazz, à sua maneira.

Pilotando o piano com uma pegada personalíssima, Cullum se fez acompanhar de baixo e bateria, respectivamente por Geoff Gascoyne e Sebastian DeKrom, passando uma sensação de renovação que me pareceu interessante. Mais pelo lado da atração, se não para a pura ortodoxia jazzística da qual está bem distante, para temas clássicos cuja audição maciça - como se prevê, pois Cullum já vendeu um milhão de cópias de seu último disco, "Twentysomething" -pelos jovens vai gerar uma conexãozinha lá na frente, quando estiverem passando pela sala e seus pais ouvindo "jazz de verdade", e se interessarão em saber mais sobre aquilo ali, tocado de maneira diferente, provavelmente mais sofisticada do que como ouviram por Cullum. Mas importa, acho, o plantio dessa semente, pois corremos o grande risco de perder nossos filhos para Britneys e Rappas da vida.

Não me resta dúvida de que há uma jogada comercial que tenta colocar os atuais lançamentos de "cantores/as que tocam piano", mesmo que com uma tendência muito mais pop do que jazzística, dentro desta classificação, para atingir público mais extenso e maior lucro. Mas deixando estas considerações de lado, por surradas e inevitáveis, dou-lhes apenas o meu testemunho.


Ponderando tudo isso, eu gostei do que vi e ouvi. E vou procurar conhecer melhor os discos de Jamie Cullum.