Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

30 setembro 2003

Nosso time de aficcionadas:

Se o jazz é de primeira, o uísque é Chivas e os rapazes se divertem fumando seus charutos e se as moças não querem deixar de usufruir de nenhum desses prazeres, tudo fica na mais perfeita harmonia, tudo é festa e o divertimento está completo, sem reclamações, na mais perfeita harmonia.
Assim ocorreu na CJL5, em pleno Mistura Fina. Como o evento é composto por todos esses elementos em conjunto (do tipo: tudo ao mesmo tempo agora, com dois ovos estrelados em cima) a confraternização, embalada pelo som fantástico do trio formado por Russo-Galante-Potter (vide resenhas abaixo) foi total e todos saíram mais do que recompensados.
Abaixo, da esquerda para a direita, as sras. Betinha Garcia, Patricia Schietti e Liliana Albuquerque, nossas ilustres visitantes londrinenses e Vera Helena Carneiro, proprietária do Restaurante Atrium, no Paço Imperial, no Rio.

28 setembro 2003

MANIM: membro-honorário convidado a escrever no CJUB

O Mario Vieira Filho, Manim aqui no blog, é amigo, categoria "irmão", de longa data. Não bastasse ser figura queridíssima de todos, Manim é grande apreciador do jazz contemporâneo, dito smooth-jazz, sem que isso o leve, entretanto, a ser fã do que Kenny G "toca".
Não perdeu nehuma das atividades do grupo, fossem estas belos Chivas Jazz Festival ou as 4 edições das CJL no Epitácio, ou a 5a. noite, já no Mistura Fina. Mário esteve em todas, formando fileiras junto com o time titular da casa, que tenta direcionar o conhecimento do homem para o jazz mais "tradicional", com o intuito de ter mais um interlocutor para as infindáveis diatribes que permeiam essa convivência.
Agora, recebe do CJUB, além da categoria que já lhe fora concedida, de membro-honorário, a incumbência de também escrever aqui suas idéias e comentários sobre o que realmente faz sua cabeça.

Bem-vindo, então, Manim, com suas idéias renovadoras e criativas, que poderão permitir ao CJUB atingir novas vertentes.

Agradecimentos especiais

Nesta 5a. noite de nossos Concertos, muito nos honrou a presença do grupo formado por três casais, todos da cidade de Londrina, Paraná, que, capitaneado pelo nosso co-editor José Flavio Garcia - o JoFlavio - pegou um jato e aterrissou diretamente no Mistura para prestigiar-nos e assim aproveitar os belos momentos de virtuosismo da apresentação do trio tão bem escalado pelo Bené-X. Para quem ainda não sabe o JoFlavio responde pelo programa radiofônico Londrina Jazz Club, juntamente com o Pedro Franciscón - cadê você, Pedro, que não veio? - na Rádio Universitária de Londrina. Celebramos aqui, então a presença da delegação londrinense que mostrou que, se o destino for a Cidade Maravilhosa, toda distância é pouca. Obrigado a todos por terem prestigiado a noite de quinta com suas presenças elegantes e divertidas. Apareçam sempre!

Estiveram também em nosso Concerto os senhores Francesco Taddonio, presidente da Pernod-Ricard para a América Latina, acompanhado de grande grupo de executivos da empresa e ainda o Vice-Presidente da RIOTUR, o senhor Kaleco Sá - irmão do nosso co-editor e professor de assuntos ligados ao jazz, Sazz.
Na foto, os Srs. Kaleco Sá e Taddonio, ladeados por nosso querido Sazinho no intervalo entre os sets, acompanhando o sorteio habitual de duas garrafas de Chivas Regal efetuado gentilmente pela Pernod-Ricard.

27 setembro 2003

Sucesso absoluto do 5º. concerto do Projeto Chivas Jazz Lounge

Como muito bem acentuou Mauro Nahoum em seu magnífico relato, a apresentação do Rio de Janeiro Jazz Trio - tendo à frente o consagrado baixista Paulo Russo - no Mistura Fina foi uma noite para ficar na história do vitorioso projeto Chivas Jazz Lounge, produzida pelo expert David Benechis, um dos integrantes do CJUB - Charutos Jazz Uísque e Blog - idealizadores do evento, patrocinado pela Pernod-Ricard do Brasil, fabricante do Whisky Chivas Regal, e com apoio da empresa Claro (ex-ATL).
Foi o primeiro concerto após a mudança de pouso do Chivas Jazz Lounge, cuja trajetória iniciou-se no extinto Restaurante Epitácio, onde ganhou notoriedade, firmando-se em quatro meses como um projeto que privilegia o jazz, e que a partir de setembro tem como sede o tradicional Mistura Fina.
Caminhando em direção ao Mistura Fina, ainda ao longe, fui agradavelmente surpreendido ao ler no seu toldo, com grande destaque, em maiúsculas, Chivas Jazz Lounge, no melhor estilo do clube Village Vanguard, de New York. Por um momento, meu pensamento voltou-se para a Sétima Avenida, relembrando as maravilhosas noites que através dos anos passei naquele clube de jazz – o mais antigo em atividade em todo o mundo. Ao aproximar-me, voltei à realidade e concluí com meus botões que o Mistura Fina é o Village Vanguard brasileiro.
David Benechis sabia exatamente o que pretendia e o que conseguiria ao convocar o Rio de Janeiro Jazz Trio. O brasileiro Paulo Russo (baixo), o italiano Dario Galante (piano) e o americano Andrew Scott Potter (bateria) são músicos de categoria internacional, como muito bem destacou Mauro Nahoum em sua reportagem irretocável, que atuam juntos há alguns anos e se entendem quase telepaticamente, funcionando em todos os momentos como uma única célula.
Paulo Russo é um dos melhores baixistas brasileiros de todos os tempos, cuja inventividade, virtuosismo técnico e recursos aparentemente ilimitados permitem-lhe executar qualquer frase ou idéia que imagine. Ele é um dos mais influentes da escola moderna do baixo entre nós. Seus solos ousados, repletos de surpreendentes alterações de dinâmica, deixam o ouvinte sempre em suspense aguardando o que virá a seguir. Seus dedos extraem ricas e imaginativas sonoridades que variam do lírico ao vigoroso, utilizando o polegar da mão esquerda para bruscas acentuações que funcionam como sucintos comentários rítmicos para as improvisações da sua agilíssima mão direita. Seus dois features em solo abrindo os dois sets, “Blues for LaFaro” e “Tenderly”, deixaram a estampa de sua fecunda criatividade. E o que dizer dos seus acompanhamentos e troca de quatro compassos eivados de comentários adicionais interagindo com os companheiros ? Só ouvindo para acreditar.
Dario Galante é um portento, projetando virtuosismo, técnica irrepreensível, inventividade, consistência, suíngue e expressão pessoal. Italiano de nascimento e brasileiro por adoção, podemos afirmar que seu envolvimento com o idioma jazzístico tornou-o musicalmente americano. Influenciado por Bud Powell e Thelonious Monk, longe de ser um imitador, filtrou os estilos de ambos os mestres para forjar sua própria identidade. Como a maioria dos temas foi em andamento quase supersônico, seus solos deram a sensação de serem vôos rasantes, porém sempre com direção, propósito e objetividade, especialmente em “Solar”, “I Love You”, “Yesterdays”, “Four” e “Straight, No Chaser”; neste último, cada uma de suas trocas de quatro compassos com os companheiros apresentou uma idéia diferente das precedentes. Cabe aqui repetir uma frase que escrevi há alguns anos em “O Globo”: “A consistência de Galante é uma constante. Ele nunca tocaria mal, ainda que quisesse”.
Andrew Scott Potter é a terceira ponta do vértice do trio. Baterista exuberante, daqueles que tocam pra valer, inegavelmente pertence à escola hard bop; sempre presente com entusiasmo invulgar, transforma pratos e tambores em veículos de grande força de expressão. Sempre atento para acentuar, sublinhar ou instigar seus companheiros, não tem meias medidas para suas vibrantes incursões; na troca de quatro compassos é um dínamo que envereda pelos interstícios da complexidade rítmica. Em muitos momentos, sua execução chama a atenção por marcar três ritmos simultaneamente: a mão direita marcando os quatro tempos do compasso no cymbal (prato), a esquerda golpeando incessantemente o snare drum (tarol) com a extremidade sem a cabeça da baqueta, e o pé esquerdo acionando o high hat (pratos-de-pedal) a cada dois tempos do compasso; isto aconteceu em “Maracabop” (composição de Galante com inequívocas tintas monkeanas), “Jade Visions” (com alterações de andamento 3/4 e 6/4), “I Love You”, “Yesterdays” e “Straight, no Chaser”. A notar que seu solo em “Nardis” privilegiou os movimentos circulares pelos tambores, com mínimas incursões aos pratos.
O bem-selecionado repertório contribuiu para o sucesso da noite, proporcionando uma forte interação com a platéia.
Um conjunto com Dario Galante invariavelmente inclui composições de Thelonious Monk. Este não foi diferente, apresentando “Well, You Needn't”, “Bemsha Swing” e “Straight, no Chaser”, além da mencionada “Maracatubop”, de Galante, influenciada pelo “Alto Sacerdote do Bebop”.
O trio apresentou quatro temas de Miles Davis: “Solar” (baseado em harmonias alteradas de “How High the Moon”), “All Blues” (em andamento 6/4, com sua recorrente figura rítmica que projeta uma atmosfera densa ao longo da interpretação), “Nardis” (jamais gravado pelo autor, levado em surpreendente andamento rápido) e “Four” (um dos muitos temas que Davis apropriou-se indevidamente de outro músico – este de autoria do saxofonista e cantor Eddie Vinson, baseado nas harmonias de “The Most Beautiful Girl in the World”).
Os standards “I Love You”, “Tenderly” e “Yesterdays” (no qual Paulo Russo citou “Luar do Sertão” e “Casinha Pequenina” em seu solo) foram entremeados às composições de jazz. Cabe destacar a única balada da noite, “Mateus”, composição de Paulo Russo dedicada a seu filho, impregnada de profundo lirismo.
Aguardemos em outubro o próximo concerto da série, com produção de Luiz Carlos Fraga, outro integrante do CJUB que sabe das coisas.
José Domingos Raffaelli

26 setembro 2003

Uma noite para guardar, 25 de setembro de 2003 - MISTURA FINA

A noite, de fato, tinha todos os ingredientes para ser muito especial. Foi mais do que isso.

A começar pela casa onde foi realizado o nosso 5o. Concerto, o MISTURA FINA, cujo clima é efetivamente o de um clube, com uma atmosfera que dá a sensação de se estar num universo à parte, longe do barulho e de outras distrações, o mundo do jazz. O ambiente é acolhedor, as pessoas sentam-se próximas umas das outras, conhecem-se já de outras noitadas e interagem amistosamente, conversando, pré-espetáculo, sobre os músicos e suas expectativas para o concerto. Além disso, o Mistura está preparado tecnicamente para receber músicos de qualquer quilate e esse fator atendeu as exigências de qualidade de som que o CJUB tanto desejava. Toda a sua estrutura de pessoal trabalhou profissionalmente no sentido de facilitar a produção e desimpedir o caminho para que tudo desse certo. É necessário que se reconheça não apenas o apoio gentil e atencioso do Pedro Paulo, como o de sua equipe de assistentes em todos os níveis, a Bia, o Christian, o Breno, a Adriana, a Silvia, o Mário e todos os demais membros do time da casa que lutam todos os dias e noites para fazer dela um clube de jazz de primeiro mundo. E o Mistura, sem sombra de dúvida, o é.

A platéia, particularmente atenta e silenciosa durante as execuções e ruidosa e incentivadora após, com seu respeito e estímulo aos músicos que ali estavam, tornou-se um fundo perfeito para que se criassem momentos de grande beleza musical, mistos da competência técnica e da entrega pessoal dos executantes aos deuses da inspiração e do virtuosismo.

O trio que se apresentou - de nível internacional - contando com a total liberdade de expressão e execução preconizadas pelo produtor da noite e mobilizado pela presença de platéia interessada, respeitosa e vibrante, soltou-se de todas as amarras e atingiu um patamar de criatividade elevado, que encantou a todos.
Aqui, os nossos agradecimentos ao Rio de Janeiro Jazz Trio: ao prodigioso líder Paulo Russo e sua excepcional forma, aliada a uma sensibilidade comovente; ao diabolicamente desenvolto Dario Galante, que tocou com fluidez e técnica empolgantes; e ao gentil gigante da bateria Andrew Scott Potter, que alternou muito bem, de forma precisa, vigor e delicadeza, pelos maravilhosos momentos que nos proporcionaram na noite de ontem.

Há que louvar-se aqui o trabalho do aniversariante e produtor do mês, o incansável Bené-X, que deu-se (e por decorrência, a todos nós) um belo presente. Sua dedicação ao projeto, desde o início prenunciava uma noite de alto nível, mas a de ontem ultrapassou nossa expectativas, em todos os sentidos. Para isso concorreu grandemente a visão particular do David Benechis quanto aos aspectos que julga importantes para uma noite dessas: que não seja apenas correta musicalmente, mas geradora de uma energia que unisse, como uniu, todos os presentes em torno de um espetáculo de jazz de primeira grandeza. Beleza, Bené-X !!!

Agradecemos, ainda, aos estabelecimentos que nos apoiaram na divulgação desse evento, a saber: Arlequim Discos Centro, Arquivo Musical Discos, Atrium Restaurante, Café Rodrigues, Caroline Centro, Dom João Restaurante, Livraria Letras e Expressões Leblon, Livraria Argumento, Modern Sound Discos, Pax Delícia Restaurante Ipanema, Traiteurs de France Restaurante Gávea, Livraria Leonardo da Vinci e Lamas Restaurante.

E por último, mas nem por isso menos importantes, aos nossos principais apoios, sem os quais os Concertos não seriam possíveis: a Pernod-Ricard do Brasil e seus representantes, através do uísque Chivas Regal. E à empresa Claro (ex-ATL), que vem nos apoiando há alguns meses.

Proporcionar-nos e aos demais amantes de jazz que freqüentam os Concertos Chivas Jazz Lounge experiências como a de ontem faz com que todos os mencionados acima - e outros, aos quais porventura tenhamos esquecido de fazê-lo - tenham espaço garantido em nossos corações.

21 setembro 2003

5o. CONCERTO DA SÉRIE CHIVAS JAZZ LOUNGE
AGORA NO MISTURA FINA

A próxima noite produzida pelo CJUB será no dia 25 de setembro, às 21 horas, no palco do mais tradicional templo da música de qualidade desta cidade, o Mistura Fina (Av. Borges de Medeiros, 3.207, Lagoa - Tel. 2537.2844).

Será uma noite dedicada exclusivamente aos trios de jazz, batizada por seu produtor David Benechis como "JAZZTRIO". Para esse tributo aos mais famosos trios do jazz universal, David escalou o que considera haver de melhor no cenário carioca, tendo convocado para liderá-lo ao contrabaixista Paulo Russo, que por sua vez convidou o pianista Dario Galante - um dos músicos que inaugurou a série de concertos CJL, tendo tocando na primeira edição - e o baterista Andrew Scott Potter para formarem o Paulo Russo Trio. O nível internacional desses músicos nos permite antever uma noite inesquecível.

Paulo Russo (contrabaixo acústico), dos maiores nomes do instrumento, no Brasil e no mundo, atua também como compositor e arranjador, em mais de 30 (trinta) anos de sólida carreira no cenário musical brasileiro e internacional. Natural do Rio de Janeiro e desde cedo fascinado pelo som de Miles Davis, iniciou a carreira em 1966, na orquestra de Bob Fleming (pseudônimo de Zito Righi), com quem permaneceu por sete anos.
No início do anos 70, passou a integrar o grupo do legendário saxofonista Victor Assis Brasil, com quem gravou três álbuns, hoje tidos como clássicos do jazz nacional.
Desde então, atuando em concertos e festivais no mundo inteiro, dividiu o palco e gravou dezenas de vezes com os principais nomes da música instrumental e vocal brasileira, entre eles: os violonistas e guitarristas Pat Metheny, Hélio Delmiro e Toquinho; os saxofonistas Richie Cole, Sadao Watanabe, Mauro Senise e Raul Mascarenhas; o flautista Jeremy Steig; os trombonistas Slide Hampton, Conrad Herwig e Raul de Souza; o trompetista Clark Terry; os compositores, pianistas e arranjadores Hermeto Pascoal, Gilson Peranzetta e Marinho Boffa; os bateristas Fredrik Noren, Dom Um Romão e Ivan Conti; as cantoras Jeannie Bryson, Spanky Wilson, Gal Costa, Nana Caymmi e Leni Andrade; e os compositores e cantores Ivan Lins, Ed Motta e Lucho Gatica.
Sua avançada concepção harmonico-funcional do contrabaixo, aliada à técnica refinada e apuradíssima, despertaram a atenção e admiração de jazzmen do quilate de Tony Williams, Dave Liebman e Joe Farrel, bem como de críticos consagrados como Leonard Feather, autor da "Biographical Encyclopedia of Jazz", José Domingos Raffaelli e Tárik de Souza.
Da vasta discografia de Paulo Russo destacam-se:
- "S O M A" (I.T.M. Records., Alemanha), do grupo homônimo por ele liderado;
- "Baixo de Pau" (CID), seu primeiro álbum solo, aclamado pela crítica especializada;
- como um dos vértices do Rio de Janeiro jazz Trio, formado por Dário Galante (piano) e Andrew Scott Potter (bateria), "Pulso Forte", "Bop Till You Drop" e "Marakablu", este último concorrendo ao Prêmio Grammy de 2001, na categoria Latin Jazz;
- "Afinidade", ao lado de Marinho Boffa (piano) e Ivan Conti (bateria), eleito o melhor CD instrumental do ano de 1995;
- "Sorrir", do compositor, pianista e arranjador, Gilson Peranzetta; e
- "Pressão Alta", dos saxofonistas Mauro Senise e Raul Mascarenhas.
Em 1999, idealizou e produziu um raro tributo ao genial e prematuramente falecido contrabaixista Scott La Faro, levando o espetáculo aos principais palcos do Rio de Janeiro.
Em 2001, integrando o quarteto de Mauro Senise, participou do prestigioso Chivas Jazz Festival, principal evento exclusivamente do gênero no país.
Apresenta-se, ainda, regularmente, no anual International Cello Encounter, projeto do violoncelista inglês Dave Chew, que faz parte do calendário cultural oficial da cidade do Rio de Janeiro.

Nascido em Nápoles, Itália, em 1956, porém radicado no Brasil desde 1986, Dario Galante vem se consagrando, entre nós, como o mais completo pianista na cena jazzística atual.
Iniciou a carreira nos anos 70, tocando com vários nomes do jazz italiano, entre eles Paolo Fresu e Massino Urbani.
Fortemente influenciado por Thelonious Monk, a este dedicou, em 1992, um show exclusivamente com composições do genial pianista do bebop, ovacionado por crítica e público.
Os dez anos de Brasil, em 1996, foram comemorados com o lançamento de seu primeiro CD "Harmonia", incluindo seis temas originais, além de releituras de obras de Duke Ellington e Thelonious Monk.
Em 1999 lançou seu segundo CD "Brasileiro", contando com a participação de Robertinho Silva, Pascoal Meirelles, Lula Galvão, Mingo Araújo, Paulo Russo, entre outros, para revelar a paixão também pela música do país que adotou. O disco fez carreira nacional e internacional, inclusive com sessões no conhecido jazz club "SNUG HARBOR", de New Orleans, USA.
Dois anos depois, dividiu o palco com os saxofonistas Idriss Boudrioua e Jean-Pierre Zanella na 22ª edição do importante FESTIVAL INTERNACIONAL DE JAZZ DE MONTREAL.
Integrando o Rio de Janeiro Jazz Trio, ao lado de Paulo Russo (contrabaixo) e Andrew Scott Potter (bateria), com quem vem atuando regularmente no Brasil e no Exterior, gravou os álbuns "Pulso Forte", "Bop Till You Drop" e "Marakablu", este último indicado ao Grammy de 2001, na categoria Latin Jazz.

O baterista Andrew Scott Potter, natural de Chicago, historicamente um dos principais centros do jazz nos EUA, iniciou-se profissionalmente nos anos 60, logo vindo a abrir shows de Miles Davis e Jam Hammer.
Em 1975, já em carreira solo, mudou-se para Nova York, passando a trabalhar com músicos importantes no cenário americano, tais como Alex Foster, Mike Wolf, John Scoffield, Barry Finnerty, Walter Bishop Jr. e Marcus Miller.
Artista de vários talentos, enveredou, também, pelo mundo da dança, sendo, inclusive, contratado pelo coreógrafo Louis Falco para ensaiar os dançarinos do filme Fama, de 1980, dirigido por Alan Parker.
Voltando à música, esteve sempre associado a artistas de renome, como Fred Hopkins, Lonnie Smith, Richie Hart, Ryo Kawasi, Steve Eisen, Steve Grossman e Mike Stern, entre outros.
Bastante ligado ao Brasil, formou, junto com o baixista Paulo Russo e o pianista Dario Galante (piano), o Rio de Janeiro Jazz Trio, grupo que vem conquistando tamanho reconhecimento por parte da crítica nacional e internacional, que já foi agraciado com uma indicação, em 2001, ao Grammy de melhor disco de jazz latino, com o álbum "Marakablu".

Para o concerto do dia 25 de setembro, incluem-se, no repertório do grupo:

So What (Miles Davis)
Nardis (Miles Davis)
Solar (Miles Davis)
All Blues (Miles Davis)
Tenderly (Lawrence/Gross)
My Romance (Rodgers/Hart)
I Love You (Porter)
Manhã de Carnaval (Bonfá)
On Green Dolphin Street (Kaper/Washington)
Close your Eyes (Petkere)
Sometime Ago (Mihanovich)
Well You Needn’t (Monk).
Bemsha Swing (Monk)
Yesterdays (Kern)
Beautiful Love (Gillespie)
You Must Believe in Spring (Legrand)
Vai Ficar Russo (Peranzetta)
Jade Visions (Russo)
Matheus (Russo)
Blues for LaFaro (Russo)
Marakabop (Galante)
Bop Till You Drop (Potter)
Think about her(Potter).

19 setembro 2003

FANPOST

Chegou às nossas caixas postais o primeiro "fanpost" da 5a. CJL, pixado numa rua qualquer do Centro da cidade. Nós do CJUB somos contra as pixações de modo geral, mas que esta aqui nos envaideceu não podemos negar.

SHEILA JORDAN, STEVE KUHN TRIO & TOM HARRELL (2003)

As referências que cercam Sheila Jordan são na pura essência jazzísticas – talvez como um vinho que se guarda. A começar pelo sobrenome. Foi casada por 10 anos com o pianista Duke Jordan. Apesar da voz limitada, é uma cantora criativa, competente “scat singer” e envolvente intérprete de baladas. Aos 11, já estudava piano. Na década de 50, mudou-se para Nova Iorque, tendo aulas com Lennie Tristano. Gravou com George Russell uma inspirada versão para “You Are My Sunshine”. Depois de um período nebuloso, reapareceu no final da década de 70 ao lado do elegante pianista Steve Kuhn, com quem mantém um trabalho contínuo até hoje. Tanto que, aos 74 anos, acaba de lançar um CD (“Little Song”) com o trio de Kuhn e a participação especial do trumpetista Tom Harrell.
Gravado em estúdio, o CD carrega um clima de “jam-session” próprio dos jazzistas natos. Muitos “standards” presentes, como “Autumn In New York”, “On A Slow Boat To China”, “Hello Young Lovers!”, “Something’s Gotta Give”, “If I should Lose You” e “The Touch Of Your Lips”. Kuhn, ao piano, exibe com incrível facilidade harmonias deliciosas e o requinte habitual, assim como o baixista David Finck e o baterista Billy drummond. Já Tom Harrell, ao primeiro sopro, faz lembrar Chet Baker em sua melhor fase.
“Little Song” é um CD de altíssimo nível, com dois propósitos claros. Nunca é tarde para se fazer boa música, já que os principais envolvidos se brasileiros estariam aposentados. O estilo de vocalização é uma aula para qualquer cantora que se aventure a uma carreira honesta. O quarteto mostra que para se ocupar os espaços com imaginação e talento não é necessário e nem primordial lotar um estúdio. E que vale a pena gostar de jazz.

17 setembro 2003

Para uma CJL ficar completa:

Para atingir o objetivo de uma noite totalmente recompensadora, só nos falta agora que as freqüentadoras, sem nenhum medo de serem felizes, decidam brindar-nos com seu máximo charme, consubstanciado nas caras, bocas e trejeitos que fazem ao degustar um charuto.
Bastando nos avisar de suas preferências com antecedência, poderemos providenciar para as aficcionadas - e somente para estas, os marmanjos que tragam os seus fumos- charutos ou cigarrilhas de excelente qualidade, para serem apreciados durante o concerto, em pé de igualdade.
Junto a essa facilidade vem o direito de serem fotografadas e virem parar aqui no blog e quiçá nas páginas dos grandes jornais e revistas do mundo. Com essa tal de internet, o mundo é ali na esquina.

16 setembro 2003

51st ANNUAL - " DOWN BEAT " CRITICS POOL

Recém publicada na edição de agosto, a Down Beat consagra como o grande artista do ano a WAYNE SHORTER, conferindo-lhe nada mais nada menos do que 6 premiações, a saber: Hall of Fame / Jazz Artist / Jazz Album / Sax Soprano / Accoustic Jazz Group e Composer of the Year e, como revelação, ( Rising Star Jazz Artist ) JASON MORAN, que aqui esteve no Chivas Jazz deste ano.

Quanto às demais premiações, retransmito abaixo para conhecimento e registro do CJUB, como segue :

Piano - Keith Jarrett
Bass - Dave Holland
Drums - Roy Haynes
Trumpet - Dave Douglas
Alto Sax - Lee Konitz
Tenor Sax - Joe Lovano
Baritone Sax - James Carter
Trombone - Steve Turre
Clarinet - Don Byron
Flute - James Newton
Guitar - John Scofield
Electric Bass - Steve Swallow
Electric Keyboards - Joe Zawinul
Percussion - Ray Barreto
Vibes - Bobby Hutcherson
Violin - Regina Carter
Miscellaneous - Toots Thielemans
Male Vocalist - Kurt Elling
Female Vocalist - Cassandra Wilson
Big Band - Dave Holland
Electric Group - Medeski, Martin & Wood
Arranger - Maria Schneider
Producer - Michael Cuscuna
Record Label - Blue Note

Apenas como curiosidade, a melhor indicação de artista brasileiro foi a do Caetano Veloso em 2o lugar como "beyond artist ".
Caso queiram a divulgação dos premiados como revelação por categoria, é só dizer que publicarei asap.

TIM FESTIVAL

Finalmente saiu o programa do Tim Festival (ex. Free Jazz) a ser realizado aqui no Rio nos dias 30/10, 31/10 e 01/11. Como na época do Free Jazz, haverão vários palcos mas só um terá jazz, o TIM CLUB.
Depois de vários rumores e da desistência de Mr Brubeck, aqui vai o elenco:
30/10 - QUINTETO NESTOR MARCONI
CEDAR WALTON ALL STARS
McCOY TYNER BIG BAND
31/10 - LUIZ AVELLAR
TERENCE BLANCHARD'S BOUNCE
ILLINOIS JACQUET BIG BAND
01/11 - MEIRELLES E OS COPA 5
WALT WEISKOPF NONET
SHIRLEY HORN
O CJUB, tenho certeza, estará presente em peso.
Abs, Marcelón

15 setembro 2003

Mais polêmica: Norah Jones

Transcrevo aqui artigo de Steve Greenlee, jornalista americano do "Globe", sobre as últimas façanhas da Senhorita Jones.

Norah Jones mostra seu alcance nas notas de jazz
Por Steve Greenlee, Globe Staff, 1 Set 2003

A rápida ascensão de Norah Jones à realeza musical trouxe uma porção de debates ridículos sobre se ela era uma vocalista de jazz ou uma cantora pop. Nenhuma dessas matracas estaria batendo se Norah tivesse assinado com a Warner ou com a Arista, mas seu álbum de estréia, "Come Away With Me," foi editado pelo venerável selo de jazz Blue Note. O disco em si é um disco pop que emprega músicos e estilos de jazz mas, de fato, quem se importa? É bom e isso, sim, importa.
Mas aí é que está a parada: Jones, depois disso tudo, está realmente se tornando uma cantora de jazz danada de boa.
No sábado à tarde, no Tanglewood Jazz Festival, Jones chocou um público recorde de 5.000 pessoas no Ozawa Hall com um "set" intimista de "standards", de tirar a respiração, acompanhada por duas pianistas -ela mesma e Marian McPartland. O evento foi uma gravação do show "Piano Jazz" de McPartland para a National Public Radio, mas ficou mais para um recital do que um concerto ou um programa de rádio.
O papo entre as canções foi mínimo, com as questões básicas sobre quando Norah havia começado a tocar piano (aos 7 anos) e quais eram suas cantoras favoritas (Billie, Sarah, Dinah e Aretha). Mas McPartland não parecia saber o que mais perguntar e Jones parecia tímida e nervosa quando não estava se apresentando. Enquanto cantou, porém, ela comandou as atenções.
Já chegamos ao ponto da carreira de Norah no qual paramos de compará-la a outras cantoras. (Será que já estamos começando a nos referir a ela pelo primeiro nome, apenas?) Ela pode ter soado um pouco como Billie Holiday nos seus fraseados e entonação mas a cantora com quem ela mais se assemelhou no recital foi com a Norah Jones de "Come Away With Me", cantando "standards". Delicada, intimista, suave.
Jones e McPartland interpretaram quase tudo como blues, começando com "Mean to Me," uma música tão antiga que McPartland se disse surpresa por Jones conhecê-la. (McPartland está com 85; Jones com 24). Elas diminuiram o ritmo para uma bela levada de "Loverman" e mergulharam num verdadeiro recital dos "melhores dos standards", incluindo "Tenderly," "Summertime," "Easy Living," "A Foggy Day" (Billie Holiday teria adorado esse set), e "Spring Can Really Hang You Up the Most."
Cada canção deixou de ser meramenta cantada, foi interoretada com beleza e graça. E, pode apostar, ninguém no Ozawa Hall reclamou que Jones não tenha improvisado o bastante para que as músicas fossem consideradas jazz.
Jones e McPartland ignoraram os veementes apelos por um "encore"- e a choradeira por pelo menos uma das músicas do disco de Norah, "Come Away With Me" - mas seu set incluiu pelo menos uma boa surpresa: "Melancholia," de Duke Ellington, para a qual Jones escreveu uma letra. McPartland deixou o palco nesta, permitindo a Jones se acompanhar e foi uma soberba peça minimalista - uma bela melodia, uso frugal do piano, e vocais de arrepiar todos os pelos do corpo.
Era para ser somente um primeiro e belo set no dia, por uma vocalista e intérprete sem igual.
Mas Cassandra Wilson, que também está entre as influências de Jones, tocou no Ozawa Hall na noite desse sábado, e foi um evento de deixar as pessoas de boca aberta. Ela foi acompanhada por um trio, mas o uso, por Cassandra, do incrível percussionista Jeffrey Haynes no lugar do baterista, fez com que o concerto ficasse ainda mais íntimo.
Wilson está com um disco novo, "Glamoured," saindo em outubro, mas ela tocou apenas três músicas dele, incluindo uma versão suave de "Lay Lady Lay", de Bob Dylan. Os pontos altos do set incluíram uma versão soul-jazz do sucesso dos "The Monkees", "Last Train to Clarksville" e um par de músicas de Antonio Carlos Jobim, "Corcovado" e "Waters of March."
O espírito de Jobim também havia pairado na sala, mais cedo naquela tarde, quando o pianista Kenny Barron abriu o concerto com seu "Canta Brasil Project", no qual se apresenta, na seção rítmica, o Trio da Paz e ainda a flautista Anne Drummond. Seu set de quatro músicas incluiu ainda um elegante e enérgica levada de "Manhã de Carnaval", de Luís Bonfá.

12 setembro 2003

MARIA RITA

Habemus Maria Rita... contrariamente a crítica, pelo menos a do Globo a respeito ( Da Folha foi bem diferente ), o must do cd de lançamento da mais nova cantora da nossa mpb é no meu ponto de vista justamente o timbre e maneira de cantar que lembram; ou melhor, fazem ressuscitar de vez a maior cantora brasileira de todo o sempre, sua mãe Elis; ou será que prefeririam que cantasse como Roberta Miranda, Itamara Khorax, Ana Carolina, ou quem sabe como minha ex sobrinha a Preta Gil, para citar apenas algumas pois na verdade são muitas, que por sinal nada cantam ou encantam e em resumo são umas chatas, e o mais incrível que todas sem exceção, vivem buscando a sonoridade e o balanço da pimentinha e nunca sequer chegaram nem perto, e eis que sua filha que em tese só a conheceu de fitas, discos, cd´s ou histórias contadas pelo pai, vem nos brindar com tudo aquilo que as canárias buscam, sem encontrar é verdade; ou seja, uma firmeza e afinação de assustar; ou melhor, de EMOCIONAR...
Quanto ao repertório que vai de Milton ( A Festa e Encontros e Despedidas ) a Rita Lee ( Agora só falta Você e Pagu ), passando por Lenine ( Lavadeira do Rio ) e revelando entre outros Marcelo Camelo ( Cara Valente, Santa Chuva e Veja Meu Bem ) e até o Claudio Lins ( Cupido ), vale dizer que até nisso tem um que de sua mãe, ou já esqueceram...
A registrar também, o fato de cantar acompanhada quase sempre de um trio, novos musicos de São Paulo ( ninguém é perfeito ) a saber; Tiago Costa ( piano ), Fabio Sá ( baixo ) e Marco da Costa ( bateria ) , com algumas participações especiais, que deixo na geladeira.
Enfim para quem quiser conferir ( lá estarei ) e claro se emocionar, vale a pena uma ida ao Canecão, segunda feira dia 15/09 as 21:30 p.m.

10 setembro 2003

JAZZ QUIZ

Uma brincadeira jazzística sadia para exercitar a memória dos CJUBianos:

Todas as composições originais de Duke Ellington foram instrumentais. Anos depois, muitas receberam letras de autores não ligados a Duke sem que este solicitasse a parceria, tornando-se populares com novos títulos.

Quais os novos títulos com que cada uma ficou universalmente conhecida e tornou-se sucesso popular ?


1. Dreamy Blues
2. Subtle Slaugh
3. Never no Lament
4. Concerto for Cootie
5. Sentimental Lady
6. C Jam Blues

E do filho Mercer do genial compositor:

7. Time´s A´Wastin´

Mãos à obra, é fácil.

Raf

PARIS, AO VIVO, McLAUGHLIN

O “fusion”, vertente rebelde do jazz, teve seu aval no fim da década de 60 com a assinatura de Miles Davis em dois discos polêmicos, “In A Silent Way” e “Bitches Brew”. Na mesma época e linha surgia o Tony Williams’ Lifetime. Esses momentos marcantes tiveram um agente comum: John McLaughlin. Como peculiaridade, era inglês (Yorkshire, 1942), nacionalidade não muito atuante no jazz – poucas as exceções, como George Shearing e Dave Holland. Mas a guitarra e o jazz hoje reverenciam McLaughlin como um dos mais criativos músicos contemporâneos, uma unanimidade.
Aos 11 anos, John já tinha a guitarra e o “blues” como prioridades. Envolveu-se de corpo e alma ao jazz no início da década de 60, impressionando os ingleses pela técnica e um poder obstinado de inovar. Em 69, mudou-se para Nova Iorque, gravando com Miles Davis. Nos anos 70 fundou a Mahavishnu (incorporado ao seu próprio nome) Orchestra, influenciado pelos hábitos e sons da Índia. Vários álbuns foram lançados. Entre eles, o mais celebrado, Apocalypse (74), com a Sinfônica de Londres e regência do norte-americano Michael Tilson Thomas, além de alguns convidados especialíssimos, a tecladista e cantora Gayle Moran, o violinista Jean-Luc Ponty e o baterista Narada Michael Walden. McLaughlin sempre homenageou seus jazzistas prediletos. Em 93, gravou “Time Remembered”, um tributo a Bill Evans.

A atual concepção “fusion” de McLaughlin é quase apaixonante, ainda com uma técnica de amedrontar e experiências maravilhosas com compassos quebrados. Gravado ao vivo em Paris (2000), “The Heart Of Things”, por exemplo, é um admirável exercício de jazz contemporâneo, “drives” emocionantes. Estão com McLaughlin o pianista Otmaro Ruiz, o baixista Matt Garrison, o saxofonista Gary Thomas – autor de um dos temas -, o percussionista Victor Williams e o vigoroso baterista Dennis Chambers – esteve recentemente no Brasil com o guitarrista Mike Stern.
Assim como o teatro é a referência mais importante para um ator, tocar ao vivo é o desafio maior de um jazzista. Técnica, coragem e, claro, talento são expostos sem artifícios. Em “The Heart Of Things”, John McLaughlin vence esse desafio com a habilidade própria dos gênios.

E O CJUB FOI À BOSSA...

A estréia do projeto "Segunda na Bossa" no Caroline Cafe - Centro não poderia ter sido melhor. Com a casa praticamente lotada o Rio Bossa Nova Quarteto (Dôdo Ferreira, Marco Tommaso, João Cortez e Janaina Azevedo) fez um show primoroso, com um belíssimo repertório e com direito a canja dos demais músicos presentes no segundo set. Aliás, na segunda parte do show o quarteto, a meu pedido e em homenagem ao CJUB, dedicou uma boa parte ao jazz. Podemos ouvir entre outros clássicos, All Blues e Blue Monk.
Uma noite, sem dúvida, muito gostosa. Nas próximas segundas de setembro, a partir das 18h 30min, estaremos lá aguardando quem deseje ouvir os clássicos da bossa nova, sempre com um bom toque de jazz diga-se de passagem, até porque a bossa nova influenciou e foi influenciada pelo jazz desde sempre. A loja Arquivo Musical fez-se presente na figura do amigo Ricardo que gentilmente levou um CD para sorteio no intervalo.
Embora quase tudo tenha saído como eu gostaria (sempre temos que melhorar algumas coisas), meu maior orgulho foi contar com a presença dos meus fraternos amigos cjubianos, quase todos presentes. Agradeço à todos de coração, Mau Nah, Bene-X, Marcelon, Sazz, DeFrag, Goltinho, Marzita e ao mestre Raffa. Sempre que desejarem a mesa do CJUB estrá à espera de vocês!

Abraços à Todos

Marcelink

09 setembro 2003

20 ANOS JUNTOS

Comemorando 20 anos de excelente entendimento musical o trio Keith Jarrett, Gary Peacock e Jack DeJohnette lançam o cd " up for it " em mais um concerto ao vivo, desta vez em Juan-les-Pins ( França ) onde voltam aos standards e já se candidatando a mais um disco do ano, abrindo com If i were a Bell de Frank Loesser, passando por Butch & Butch do maestro e arranjador Oliver Nelson, Scrapple From The Apple de Parker, além das baladas Someday My Prince Will Come, Autumn Leaves e My Funny Valentine, em que Jarrett mostra estar totalmente curado da enfermidade ( Encefalite Mialgica ) que quase o afastou do piano e principalmente dos concertos, o que mais gosta de fazer, segundo declarou recentemente a Jazziz.
É na verdade são quase 200 anos, se somadas as idades de cada um 57,67 e 60 respectivamente, talvez uma das razões de tão grande profissionalismo e apaixonante entusiasmo musical, o qual coloco desde já a disposição dos cejubianos, desde que consiga finalmente postar...

08 setembro 2003

Os Irmãos de Ôpa e suas realizações:
BOSSA NOVA, com Marcelink

No grupo dos CJUBianos, o júnior é o Marcelink. Uma figura dedicada e sempre pronta para ajudar a empurrar o carro ladeira acima. Pois bem, nosso babyface está partindo, hoje para uma experiência de carreira solo, em paralelo, mas com diversos pontos de contato com as iniciativas do CJUB.
Esta noite, no Caroline Café, na Rua da Assembléia, bem em frente à Faculdade Candido Mendes, Marcelink está promovendo o lançamento do projeto SEGUNDA NA BOSSA, que serão noites dedicadas por inteiro à bossa-nova, com músicos de primeiro time. O quarteto escalado para as apresentações é composto pelo Dôdo Ferreira no contrabaixo, pelo pianista Marco Tommaso, pelo baterista João Cortez e pela cantora Janaína Azevedo. Os três primeiros tocaram no segundo concêrto da série Chivas Jazz Lounge, na noite produzida pelo Raffaelli.
O Marcelink garante (e eu aposto minhas fichas nisso) que o repertório é de primeira e que o grupo está tinindo, pronto para balançar a casa. Então, todos ao Caroline hoje, para ouvir música de qualidade, bem executada e cujo "swing", poderoso, certamente deixará os assistentes com excelente estado de espírito para todo o resto da semana.
Ah, e "irmãos de ôpa" é uma expressão usada pelo Raf que significa aquele grupo de amigos/conhecidos que se juntam para uma determinada atividade específica.

05 setembro 2003

Paraíso, local, para os colecionadores de jazz: Musicshop.com.br

Foi lançada pelo nosso amigo Flávio Raffaelli e está em plena operação, a sua (e em breve, em vista das encomendas, nossa) loja virtual MUSICSHOP. Além de um craque no que diz respeito a assuntos de informática e na confecção e manutenção de sites, o Flavinho está agora disponibilizando na rede essa ótima opção para os que gostam de comprar itens de qualidade e a um preço MUITO competitivo, sem sair da cadeira.

A aparência do site, sóbria e elegante e a praticidade do sistema, aliados aos comentários abalizados sobre cada um dos itens, são meio caminho - para a perdição? - andado. O resto fica por conta das contas bancárias de cada um.

Para facilitar a vida dos amigos, a nossa coluna da esquerda manterá um link perene para a MUSICSHOP.

04 setembro 2003

A Memória dos Mestres

Depois da entrada no grupo de CJUBianos dos nossos mentores RAF e GOLTINHO, venho tentando fazer com que nos emprestem, além do seu conhecimento enciclopédico sobre assuntos relacionados ao jazz e aos músicos com os quais conviveram, alguns itens de suas "memorabilia", para dividir com os demais aficcionados.
Assim, o Goltinho nos mandou algumas fotos históricas, já publicadas aqui (vide arquivos) e há pouco tempo tive em minhas mãos um pedaço do tesouro que o Raf mantém, mais do que guardado em casa, muito próximo de seu coração.
Retratamos aqui parte desse material, sob a forma de dois prosaicos envelopes de cartas, recebidas pelo Mestre dos EUA, mas que por algum motivo especial nunca foram descartados. Eu acredito que permaneceram em seu poder tão-somente por conta dos selos neles aplicados, que trazem as efígies de alguns dos maiores nomes do jazz.
O time é portentoso. No envelope vermelho figuram os nomes do que seria um dream- team, a saber: Jelly "Roll" Morton, Coleman Hawkins, Louis Armstrong, Eubie Blake, Thelonious Monk, Erroll Garner, Charlie Parker e Duke Ellington, no que bem poderia ser a própria constatação, pelo governo americano, de que esses eram, dos jazzmen, os papas a serem retratados.
Já no segundo envelope vemos, além do citado Duke, uma outra forte seleção, com Billie Holiday, Jimmy Rushing e Bessie Smith. Ali estão também expoentes do"blues" como Mildred Bailey, Muddy Waters, Robert Johnson, Howlin' Wolf e "Ma" Rainey.
E, ainda neste último, como a sacramentar a genialidade de todos, nada menos do que nosso Pelé, em selo de 50 cents (os demais valiam 32 cents no envelope vermelho e 29 cents no branco), que, felizmente, como músico/cantor, sempre foi o maior jogador de futebol que a Terra já teve ou terá. O único a destoar nesse timaço é a figura candida e rechonchuda de Papai Noel, que ao que se sabe nunca jogou bola e cuja presença, em termos musicais, nos remete às canções mais chatas do mundo. E com isso, abro a discussão aos colecionadores para que informem-nos das excelentes e imperdíveis músicas natalinas de que dispõem, interpretadas pelos craques aqui mencionados.

Para um leigo, esses envelopes não valem nada. Para os amantes do jazz, valem muito. Para o Raf não tem preço e por isso ficaram guardados por tão longo tempo, tempo não medido em anos mas certamente pela intensidade das lembranças.
É, de fato, um privilégio poder dividir essas imagens com todos.




02 setembro 2003

CJUB

Amigos,
Sexta passada eu estava ouvindo o tratamento jazzístico dado pelo Monsieur Loussier a Haendel. Por sinal, um belo tratamento. Meu estado de espírito era o melhor possível e um gentil amigo escocês me acompanhava. Nessa atmosfera passei a relembrar os momentos vividos no show do Edson Lobo e nos demais shows promovidos pelo CJUB no Epitácio. É claro que houve problemas mas o saldo é altamente positivo. Aconteceram momentos mágicos que vão ficar na lembrança.
O Epitácio vai acabar, o que é uma pena, mas o projeto vai continuar e, com toda a certeza, trará muitos outros momentos inesquecíveis.
Viva o JAZZ e viva o CJUB !
Abraços,
Marcelón.

01 setembro 2003

Ativo inapreciável

Toda instituição que se preza tem que ter uma pessoa que realmente trabalhe enquanto as demais colhem os frutos. A turma de marmanjos que compõe o grupo de editores do blog não seria exceção. Mesmo que seu trabalho não apareça de pronto, todo mundo sabe que tem alguém ali que, com toques mágicos, faz com que as coisas andem, e no nosso caso, muito bem. No caso do CJUB, essa pessoa é como uma fada.

Pois Marzia Esposito, nossa querida Marzita, só falta mesmo falar.

Operosa e competente, nossa discretíssima Marzita flutua silenciosamente ao redor dos acontecimentos dando uma ajeitada aqui, resolvendo um probleminha ali, sempre de ótimo humor e pronta para ajudar a todos no que for preciso, com seu sorriso que, ao mesmo tempo tímido e franco, derrota qualquer adversidade. Não há complicação ou atolamento que se mantenha por 15 minutos, uma vez submetido aos seus poderes. Gentilmente, Marzita vai costurando as situações, desbastando os egos, arrumando a casa à sua maneira, de forma que, ao final, tudo tenha transcorrido sem sobressaltos.

Ninguém diz, mas por trás dessa gentileza toda encontra-se uma competente advogada, uma poliglota, em fase de transmutação para uma nova vertente, a produção de espetáculos e eventos. Além de estar, discretamente, como é seu feitio, estudando piano.

Musa inconteste dos CJUBianos, só agora se revela em foto, por demanda unânime do seu time de admiradores de dentro e de fora do blog .

A Conchita que se cuide!

CHIVAS JAZZ LOUNGE, 4ª EDIÇÃO, EPITÁCIO, 27/8/2003 @@@½

por David Benechis

Que José Sá - uma vida inteira de amor à música, já a começar da linhagem ilustre - proporcionaria ao afortunado público de ontem à noite, no Epitácio, um concerto magnífico, disto ninguém duvidaria.

Pois a eletricidade correu já desde os primeiros acordes de I Remeber You (Mercer/Schertzinger), quando, superadas as microfonias, Edson Lobo e seu quinteto enfim arrancaram para o triunfo, obtido, em grande parte, graças à fase iluminada por que o líder e, em especial, Paulinho Trompete (flugelhorn), provaram estar vivendo.

Associados aos também luminosos Ricardo Pontes (sax alto), Fernando Moraes (piano) e Wallace Cardoso (bateria), além das convidadas especiais, Tita Lobo (nos temas brasileiros) e Wandá Sá (no apoteótico bis final), todos conduziram a audiência a uma rara experiência de exponencial felicidade.

Após décadas a serviço do Jazz e da Bossa Nova, Lobo - de presença bissexta em nossos palcos - ostenta domínio tal do contrabaixo, que se dá ao luxo de tocar de modo perturbadoramente relaxado, "estalando" as cordas abaixo do espelho (parte frontal do braço do instrumento) e praticando ignorando o polegar como alavanca para a mão esquerda, numa heterodoxa técnica, cujo resultado, entretanto, continua a impressionar pelo som cheio e pronunciado, o mesmo desde seus tempos com Dom Salvador, nos anos 60.

Brilharam sempre a consistência de seu walking e a imaginatividade dos solos, como no clássico maior de Oliver Nelson, Stolen Moments, cuja inesperada citação de Summertime (Gershwin) pareceu contagiar o grupo, quase pondo a perder a atmosfera cool original do tema.

Mas a estrela indiscutível da noite foi o flugel de Paulinho Trompete, em tamanha forma que hoje rivaliza, no Brasil, unicamente com Cláudio Roditi, nada pouco em se tratando, este último, de um dos 20, talvez 10 maiores do Jazz, hoje, no instrumento.

Estavam lá não só efeitos como a "respiração circular" e o "reverbe", mas a velocidade e os riffs de Freddie Hubbard, assim como o som distinctive dos grandes mestres do primo aveludado do trompete, Art Farmer e Clark Terry, notadamente na emblemática My Funny Valentine (Rodgers/Hart), cujo solo pareceu evocar, a princípio, Miles Davis com seu famoso sexteto de 1958 (58 Sessions Featuring Stella by Starlight, Columbia). Em poucas palavras: Paulinho assombrou a todos com a paixão e fluência privativos de um artista superior.

A seu lado no front line, Ricardo Pontes, embora sempre em 1ª pessoa, também rendeu homenagem aos gigantes do alto, como Charlie Parker, em Like Someone in Love (Burke/VanHeusen), 2º bis da noite; Jackie Maclean, em Yesterdays (Kern/Harbach); e Phil Woods, na acelerada On Green Dolphin Street (Kaper/Washington), esta merecendo solo destacado do jovem e promissor baterista, Wallace Cardoso.

Dignas de nota, entre as demais composições contempladas, Chovendo na Roseira (Jobim), com belo arranjo e levada constante e crescente, e, Emily (Mandel/Mercer), dando espaço a Fernando Moraes, que o tempo todo lutou contra o volume baixo do piano.

Até ali, a inclusão de "bossas", como Vivo Sonhando (Jobim), aparentava quebrar, de certo modo, o formidável punch de blowing session que pontuou a noite. Impressão imediatamente desfeita com a subida ao palco de Wanda Sá, que, no compasso swingado de Tita Lobo (violão), deu, em Água de Beber (Jobim/Vinícius), a pressão que faltava, pondo abaixo a casa, num encerramento glorioso.

Certamente, uma última quarta-feira para tornar inesquecível, de vez, o Epitácio, berço do Chivas Jazz Lounge.

[outras fotos do Concerto: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7]