Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

28 fevereiro 2003

Mais um artista empresta sua arte ao CJUB

O CJUB recebeu hoje autorização de Nicole Etienne, artista plástica californiana com longos estudos na Europa, principalmente na Escola de Arte Lorenzo de Medici, em Florença, e com bela carreira internacional, para utilizar algumas de suas peças cujas fotos estão na net para ilustrar nossos textos. Qualquer dos editores pode, assim desejando, entrar no site de Nicole e inserir alguma imagem -há várias sob o tema jazz- no meio de seus escritos. Mãos à obra, pois.

Another artist lends its art to CJUB
CJUB has received today, from Nicole Etienne, californian-born painter with extensive studies in Europe mainly at Lorenzo de Medici School of Art, in Florence, and a beautiful international career, her authorization to let us use some of the images of her oeuvres posted on her site on the net, to enrich our texts. Any of the editors may, thus, go into her site and link an image -there are some remarkable ones under "lounge", that includes "jazz"- into their writings. Let's do it, then.

26 fevereiro 2003

AGRADECIMENTOS, UM PEDIDO DE DESCULPAS, INTERPLAY E QUINTESSÊNCIA

Contrariando a ordem do título, desculpo-me, primeiro, pela longa ausência, inteiramente devida à falta de internet desde 2ª-feira da semana passada, doença trágica que acometeu meus computadores, mercê de problemas com a conexão e rede interna.

Escusas a parte, passo a (tardiamente, reconheço) agradecer a todos, indistintamente e sem exceção - menção honrosa, porém e data venia, ao Mestre JeDi - pelas palavras carinhosas quanto ao papel de anfitrião que me coube na memorável assembléia do último dia 16/2.

A casa, embora humilde, continua, claro, aberta, como sempre estará, a tão queridos e fraternos companheiros, para vindouros eventos, tão ou mais proveitosos, por certo, em se tratando da excepcional matéria-prima que cada um de nós - quiçá juntos (!) - representa para a formação de uma amizade emblemática e sem paralelo.

Em plena dicção jazzística, tenho que, passando o degrau do interplay - já raro de ser alcançado - alçamos à quintessência, amálgama de interação e intuição que só os combos hors-concours conseguem atingir.

A todos, portanto, perdão pelo serôdio reconhecimento, do qual me penitencio, e minha mais profunda gratidão pela peculiar amabilidade.

Charutos, para que os queremos...

O cartunista Kulpa (riu, de que, mesmo?), já em 98, fazia a delícia dos internautas com seu ataque a Saddam Hussein. Acho que está chegando a hora do dito cujo mas não acho que se desperdiçará nenhum "puro" com sua pessoa. Fica aqui, apenas, a gozação.

24 fevereiro 2003

A parte do Grammy que nos interessa(?)

Segue abaixo o extrato da premiação anual do Grammy, ocorrida ontem à noite. Queria ouvir os comentários dos demais editores quanto às premiações, que, no meu entender, parecem tender na direção da "poplização" da categoria. É mais uma sensação geral do que uma constatação efetiva pois ao se ler a lista, não há necessariamente corpos estranhos ao jazz (não conheço o grupo de jazz latino). A despeito de não ter nenhuma dúvida de que Ms.Krall é legítima e digna representante do segmento, fiquei buscando na listagem alguns nomes de maior tradição. Adoro Diana, que é hoje, a maior vendedora de discos da categoria; o que, devido ao que considero suas qualidades indíscutíveis de jazzista, é bom para o jazz como um todo pelo poder de atração de pessoas que poderiam, no caso de sua inexistência, restar indiferentes ao ritmo e não se aculturarem nesse sentido. Mas mesmo com Hancock/Brecker/Hargrove premiados e Dave Holland emplacando um na categoria "large ensemble", ressenti-me de um peso maior nos nomes escolhidos. É certo que os jurados do Grammy se movem preferencialmente pelas cifras, não são especialistas, etc. mas mesmo assim acho que faltou peso nas escolhas. Com a palavra os confrades.



GRAMMY, categoria JAZZ:

Melhor Disco de Jazz Contemporâneo
"Speaking Of Now" - Pat Metheny Group

Melhor Disco de Jazz (com vocais)
"Live In Paris" - Diana Krall

Melhor Solista de Jazz Instrumental
Herbie Hancock - (por "My Ship", do disco "Directions In Music")

Melhor Disco de Jazz Instrumental
"Directions In Music" - Herbie Hancock, Michael Brecker & Roy Hargrove

Melhor Disco de Grande Conjunto de Jazz
"What Goes Around" - Dave Holland Big Band

Melhor Disco de Jazz Latino
"The Gathering" - Caribbean Jazz Project

21 fevereiro 2003

8 - All Blues - por Dennis Rowland

Quando fui pela primeira vez ao apartamento do bom amigo (e, ocasionalmente, excelente pintor) Gonçalo Ivo, no Rio, ele me fez sentar numa poltrona confortável e me disse, cortando aquela acelerada troca de assuntos inicial de pessoas que não se viam fazia tempo, cheias de novidades a desfiar, ao mesmo tempo em que me entregava uma "flûte" de Laurent Perrier bem gelada -padrão no pedaço-: "Ouve só isso!".
Fiz silêncio e prestei atenção. Enquanto uma voz rouca ribombava pelo ambiente, fui reconhecendo o tema de Miles, numa levada inusitada e rica. Quando, após a abertura cantada pelo desconhecido Dennis Rowland em tom bastante grave, explodiu o trompete cortante de Wallace Roney, eu já estava suando frio com aquela sensação de incompetência que acomete ao aficionado por jazz quando se depara com uma coisa muito boa e desconhecida. Como é que eu não conhecia aquilo?, perguntava-me aflito.
Para tornar a história curta, trata-se de um disco-tributo a Miles que não pode faltar em nenhuma coleção de amantes do jazz e já havia feito há tempos uma resenha dele aqui. Está em algum lugar dos arquivos.
No entanro ressoa até hoje na minha memória, mesmo depois de ouvi-la inúmeras vezes, a audição inicial dessa sensacional versão de All Blues. Obrigado, amigo Gon, pela bela apresentação.
Lembrando, o time desse disco chamado "Now Dig This" é composto por Joe Sample (p), Sal Marquez e Wallace Roney (tp), Terry Harrington (ts), Chuck Berghofer (b), Terry Harrington (d), além do magnífico Rowland no vocal.
Vale cada centavo (de dólar) empregado na sua aquisição.

"Now Dig This - A Vocal Celebration Of Miles Davis" Dennis Rowland - Concord Jazz - 1977

20 fevereiro 2003

6. The Köln Concert, part I

Obra que dispensa qualquer comentário, basta por sua referência, é companheira inseparável desde sempre e musicou diversos dos mais significativos episódios de minha vida.

The Köln Concert, part I (Keith Jarrett)
ECM. The Köln Concert

5. Palhaço

O nome dela era Irene, e foi, seguramente, a melhor amiga que tive aos 20 anos. Era ela que estava comigo na histórica apresentação de Egberto Gismonti, em 1985, no Theatro Municipal. Perdi a mais que querida amiga, tragicamente, em 1987.
Esta perda de rara significação me levou à busca de uma possível causa para tal. Lembro-me perfeitamente que absorvi, página por página, a monumental obra de Albert Camus, O Mito de Sísifo, sempre ao som de "Palhaço", numa homenagem à amiga e àquela noite, e uma lembrança que perdurou ao longo dos anos, para a qual conheci as mais diversas interpretações - em solo, duo, trio e orquestral.

Nenhuma delas, em minha opinião, se compara à interpretação, em duo, oferecida por Egberto Gismonti e Charlie Haden, gravada em 1989, no Festival de Jazz de Montreal, a qual, conforme resenha feita neste muro, me levou à auto-penitência de só vir a conhecer no ano passado.
Ainda que eu sinta superada aquela perda, a memória ainda me faz soluçar cada vez que ouço os acordes da preciosa música, harmônicos como as teclas negras e brancas de um piano.




Palhaço (Egberto Gismonti)
ECM. Charlie Haden & Egberto Gismonti In Montreal

7. What are you doing the rest of your life - por Shirley Bassey

Essa música composta por Michel Legrand pode ser considerada na categoria premium dentro do mundo fonográfico pois já a interpretaram, só para falar do primeiríssimo time (e que não está completo) Bill Evans, Frank Sinatra, Barbra Streisand, Mel Tormé, Oscar Peterson, Joe Pass, Stan Kenton, Dinah Shore, Shirley Bassey. É dessa última, no entanto, a gravação que mais me gratifica, entrando assim no meu time de favoritas sem prejuízo das demais. Pois a combinação da pronúncia britanicamente pedante de Ms. Bassey aliada ao seu timbre metálico fazem um contraste com o lirismo da letra que me enchem a alma de estímulos dos mais variados. Como acontece com Ruby My Dear, do Monk (já listada aqui), também me sinto bem melhor depois de ouví-la.
Segue a letra em inglês, de autoria de Alan e Marilyn Bergman:

I want to see your face in every kind of light
In fields of dawn and forests of the night
And when you stand before the candles on a cake
Oh, let me be the one to hear the silent wish you make
What are you doing the rest of your life?
North and South and East and West of your life
I have only one request of your life
That you spend it all with me
All the seasons and the times of your days
All the nickels and the dimes of your days
Let the reasons and the rhymes of your days
All begin and end with me
I want to see your face in every kind of light
In the fields of dawn and the forests of the night
And when you stand before the candles on a cake
Oh, let me be the one to hear the silent wish you make
Those tomorrows waiting deep in your eyes
In the world of love that you keep in your eyes
I'll awaken what's asleep in your eyes
It may take a kiss or two
Through all of my life
Summer, Winter, Spring, and Fall of my life
All I ever will recall of my life
Is all of my life with you.


É isso aí!

19 fevereiro 2003

Recém chegado da paulicéia desvairada, gostaria imensamente de agradecer ao JDR pelas palavras carinhosas que só confirmam a excelencia da escolha como grão mestre e editor honorário desta nossa brincadeira, que séria já se tornou e principalmente por reunir amigos e irmãos, que assim o serão para todo e sempre.
Depois quero informar que as cópias do Marcelon ( Barney Wilen e Frank Wess ) e do Coutinho ( Don Byron ), já estão feitas bem como as demais e como combinado espero entregar os originais ao Marcelink ou ao Mau Nah imediatamente.

17 fevereiro 2003

MOTIVO DE MUITO ORGULHO PARA NÓS

O encontro dos editores do CJUB ocorrido ontem, domingo, 16/2, transformou-se em uma data marcante para todos. Pela primeira vez tivemos o time completo, acrescido das valiosas presenças do ilustríssimo Arlindo Coutinho e, debutando nas reuniões, o que muito honrou a todos, o nosso grão-mestre José Domingos Raffaelli, que dispensa apresentação.

Nossos mestres Raf e Goltinho (apelido designado pelo próprio Raf para ser o pseudônimo do Arlindo aqui no blog) passam a figurar no time de editores do CJUB que dá as boas vindas aos leitores e cujos emails ora se disponibiliza para todos os aficionados que acompanham nosso entusiasmo pelo jazz (e também por alguns de seus bons acessórios como o uísque e os charutos).

Nosso dia hoje é festivo, não apenas pelos eflúvios musicas da excepcional noite de ontem, mas, e principalmente, pela integração da excepcional bagagem de conhecimento jazzístico, na acepção técnica e nas situações pessoais, únicas, vividas com inúmeros jazzmen que esses dois outros verdadeiros Homens do Jazz trazem para enriquecer nossas vidas.

E que o jazz seja a mais executada trilha musical da vida de todos nós, por muitos e muitos anos, amém!

Palavras do nosso Editor-Honorário, ora entronizado sob o pseudônimo RAF

Caros amigos e companheiros do blog,

Desejo expressar meus sinceros agradecimentos pela acolhida e pelas generosas palavras de carinho por parte de todos na maravilhosa reunião de ontem, domingo, dia 16 de fevereiro, data que guardarei para sempre como uma das mais gratas recordações de minha vida.

Foi uma alegria reencontrar David, nosso irrepreensível anfitrião, um perfeito cavalheiro que nos cercou das maiores atenções, deixando-nos inteiramente à vontade, servindo-nos bebida variada e comida, enfim, criando um maravilhoso clima da maior e saudável camaradagem, com alegria, entusiasmo e total descontração. Agradeço-lhe o honroso convite de participar da reunião.

Também reencontrei Mauro, a quem conheço há uns 20 anos, chefe inconteste de nosso blog, incentivador incansável de nossas atividades e fotógrafo quase oficial da reunião, esmerando-nos em imaginar criativas poses em febril atividade para a sua lente (ou a máquina é do Sá ?).

Outro que reencontrei foi o Sá, a quem conheço como presença marcante nos festivais de jazz, dinâmico personagem (no melhor sentido da palavra), cujo entusiasmo contagiante foi um fator a mais para animar nosso encontro. Sua animação é de causar inveja ao mais fanático torcedor de futebol – um dínamo gerador de energia.

E a presença do Gol-tinho, velho companheiro de batalha em prol do jazz, a extroversão em pessoa, personalidade agitada e frenética de incansável empreendedor cujos gritos de guerra sempre animaram alguns artistas e parte do público nas noites do Free Jazz e do Chivas Jazz deve ser enfatizada com entusiasmo. Como certa vez disse o Luiz Carlos Antunes, “se o Coutinho não existisse, alguém teria de inventá-lo”. Como dizem os americanos, ele é “one of a kind”.

Esse encontro proporcionou-me conhecer e compartilhar a alegria e o entusiasmo dos confrades Marcelão (que gentilmente deu-me confortável carona de ida-e-volta, fazendo questão de deixar-me o mais próximo possível de casa, além de um papo animadíssimo nas duas viagens ao som de fitas de jazz selecionadas pelo próprio – desnecessário dizer que nos conhecemos no momento em que ele veio buscar-me e já na ida conversávamos como velhos conhecidos, em papo natural e descontraído, como se retomássemos uma conversa de dias ou horas antes), Marcelinho (sempre sorridente – será ele o nosso smiling boy e nosso baby face, que me surpreendeu com o gentil pedido de escrever uma dedicatória no “Guia do Jazz em CD, outro jovem que extravasou sensibilidade no grupo) e Fraga (devotado jazzófilo, como os demais, que teima em me chamar de mestre a todo momento, e se insistir acabará alimentando meu ego, convencendo-me de que sou algo do gênero – senti o quilate de sua personalidade emotiva e altamente emocional em nosso abraço inicial e na despedida, demonstrando uma sensibilidade à flor da pele, uma alma de artista já revelada em seus diversos depoimentos em nosso blog).

Tenho uma dívida de gratidão com todos vocês. Foi uma noite inesquecível e vocês rejuvenesceram meu entusiasmo com o calor da acolhida que me emocionou. Não tenho palavras para expressar meus agradecimentos. Vocês mexeram com a alma e o coração deste jazzófilo combalido pela idade e por algumas decepções sofridas ultimamente, dando-me novo ânimo e uma ponta de esperança em dias melhores. Como disse ontem, repetindo uma velha frase, a música só faz amigos quando reúne pessoas genuinamente sinceras, despidas de interesses materiais, mas pensando unicamente num fraterno encontro entre companheiros que se unem em torno de um ideal em comum: o jazz, cuja magia acende e reacende a chama da verdade e da comunicação entre amigos que se reúnem para momentos de confraternização, enlevo e pura alegria. Saí de lá como se conhecesse todos há muito tempo, mas, ironicamente, foi nesse encontro que conheci alguns deles. Não é pura magia ?

Bem, sem mais delongas nem divagações, faltam-me as palavras. Parabéns a todos pelos seus conhecimento sobre jazz, demonstrados ao longo da reunião com comentários criteriosos e diretos ao ponto. Deus abençoe a todos e mantenha o grupo sempre unido em torno desse ideal. Apesar de ranzinza e rabugento (a idade me fez assim), orgulho-me de pertencer a esse grupo maravilhoso, agradecendo a todos pela receptividade, pelo carinho e pela bondade. Vocês restauraram minha fé no ser humano.

Long life to everybody, good health and keeping bearing the torch of jazz.

Raf, JDR ou JeDi (como queiram)

As 10 mais do Sazz

Amigos amantes da boa musica, quero antes de todos ( até porque estarei ocupado em Sampa hoje e amanhã ) parabenizar nos pelo encontro de ontem, onde foi ressaltada e enaltecida a qualidade musical do evento, bem como a fraternidade de um grupo de amigos em torno da mesma causa.
Gostaria também de propor que a cada evento elevassemos à categoria de pedestal, ou qq outro nome que se queira dar, àqueles cds eleitos durante a reunião, como por exemplo o do Barney Wilen ( Barney ) levado pelo "JDR", simplesmente monumental.
Quero registrar também as minhas 10 musicas favoritas independente da ordem e suas respectivas interpretações, a saber :

1) So What ( Miles ) - All Stars / Michel Petrucciani
2) Round Midnight ( Monk ) - Miles Davis cd Directions
3) Stormy Weather ( Arlen ) - Etta James
4) Sophisticated Lady ( Duke E. ) - Archie Shepp & Jeanne Lee
5) One For My Baby ( Arlen ) - Billie Holiday
6) What´s New ( Coltrane ) - Linda Ronstadt / Bill Evans
7) Never Let Me Go ( Livingston ) - Keith Jarrett
8) A Fala da Paixão ( Gismonti ) - Egberto Gismonti
9) Beatriz ( E.Lobo ) - Milton Nascimento
10) Chovendo na Roseira ( Jobim ) - Elis Regina

E, finalmente, a pergunta que não quer calar: Qual foi o barbeiro do Fraguinha ???

13 fevereiro 2003

Post com enderêço certo...

Acho que um de nossos editores vai gostar das fotos aqui deste post. A de Dizzy com El Comandante nos foi enviada pelo Jefferson, amigo cada dia mais fiel deste pedaço de muro. Muro este que nada tem a haver com El Paredón, tão caro ao "jefe" (o Fidel, não o Jefferson). A outra foto é de pessoa pouco conhecida por nós, cuja identidade será devidamente revelada por esse editor, provavelmente num comentário caloroso e poético, como são costumeiramente os da lavra desse nosso mais estiloso redator.
A conferir.

12 fevereiro 2003

Resposta ao "quiz", que estava pendente:

Recuperando o texto original do "quiz" que o JDR havia proposto e para o qual pedi a ajuda de todos:

"...Para encerrar, um teste de difícil resposta: o que têm em comum as composições “At the Darktown Strutter´s Ball”, “Jersey Bounce”, “Intermission Riff”, “Desafinado”, “Take the A Train”, “Só Danço Samba”, “On the Alamo”, “O Pato”, “Disc Jockey Jump” e “Rhythm Is Our Business” ?"

E agora, nas palavras no nosso Grão-Mestre, a solução:

"Aí vai a resposta ao teste, aliás dificílimo, como frisei no meu email. A essas composições acrescento também “Yard Dog Mazurka”, do grande maestro-compositor-arranjador Gerald Wilson. Ainda há um tema de Gerry Mulligan que ele tocou aqui no Rio, em 1978, mas não lembro o nome, pois não tenho gravação do mesmo.
Sem mais delongas, TODAS elas são baseadas na seqüência harmônica de “Ring Dem Bells”, criada em 1930 pelo genial Duke Ellington – e de quem mais poderia ser ?
O objetivo do teste não era dificultar a percepção de quem quer que fosse, mas apenas registrar quantas músicas/temas/composições existem por aí com mesmas harmonias e muitas vezes nem nos damos conta.

Falando em Ellington, do qual sou fanático entusiasta e considero o maior músico do século XX, em minha vida de audiófilo detectei ter ele feito, pelo menos, 22 composições baseadas nos acordes do arcaico “Tiger Rag” entre os anos 20 e 40, cada qual com melodia inteiramente diferente das demais."

Aprenderam?

11 fevereiro 2003

Alegrando os marmanjos

Enquanto não descubro como a menina sardentinha e charuteira foi abduzida deste mural, deixo-lhes na companhia elegante desta outra. A propósito, alguém viu um hacker por aí com uma ruivinha debaixo do braço?

6 - Someone to Watch Over Me - por Sting

No filme "Someone to Watch Over Me" (1987), de Ridley Scott (o mesmo de Blade Runner, cuja trilha também já foi mencionada aqui), com uma encantadora Mimi Rogers, há uma das mais fantásticas seqüências de abertura que já vi. Manhattan é filmada à noite desde um helicóptero e enquanto este se aproxima diagonalmente dos edifícios, cruzando as várias avenidas paralelas em vôo descendente, pode-se ver a variação da cor predominante de cada uma das vias segundo o sentido do tráfego que nelas flui. Assim as avenidas brancas, dos carros que vêm, são intercaladas com as avenidas vermelhas dos carros que vão.

Todo o desenrolar dessa filmagem inicial, de tirar o fôlego, acontece sublinhado pela interpretação de "Someone to Watch Over Me", de George Gershwin, uma das clássicas do Great American Songbook, já hoje com algumas centenas de gravações. Neste caso em particular é o roqueiro Sting transmutado aqui em cantor intimista quem produz uma das melhores interpretações que já ouvi dessa canção.

Procurei em vão, por uns 3 anos, encontrar o disco que a tinha. Comprei, via catálogo de algumas lojas, uns 3 ou 4 singles que os vendedores "abalizados" garantiam contê-la, só para me decepcionar com sua ausência ali. Só a consegui quando do advento do Napster, tão facilmente que nem acreditei direito. Esta versão está hoje num CD, acompanhada de 15 outras, com intérpretes diferentes, inclusive uma de 1926.
A propósito, o filme é ótimo.

Someone to Watch Over Me - Let Your Soul Be Your Pilot [Maxi Single] - A&M Records, 1996

10 fevereiro 2003

EMails de J.D. Raffaelli - 00005

Continuando com a série de publicações dos emails de nosso prestigioso amigo:

"Não me considere ave de mau agouro, mas sou obrigado a informar o desaparecimento de dois jazzmen. Doente há algum tempo, desta vez foi o cornetista (palavra horrível para um músico de jazz, mas não posso usar trompetista) Ruby Braff. Morreu ontem, domingo, 9 de fevereiro, aos 75 anos.

O outro é Cy Touff, também aos 75 anos, o único executante do estranhíssimo bass trumpet, que se destacou na orquestra de Woody Herman nos anos 50. Ele gravou um álbum que julgo excelente para a Pacific Jazz, dividindo a liderança com o não menos excelente tenorista Richie Kamuca, um underrated que se foi muito cedo, aos 47 anos.

(Agora, a boa:)
Nesta manhã de segunda-feira o Free Jazz deu uma coletiva, em São Paulo, anunciando sua volta ainda este ano com novo patrocinador.

Ótima notícia, a comunidade agradece...

Búzios, sexta, 7/2/03 - Patio Havana

Sillvana Agla. Com dois "eles". Está assim no cartão de visitas que fui buscar depois do espetáculo, o que me pareceu coisa de numerologia. Fez um muito bom show por ser uma muito boa cantora. Como costuma acontecer no Brasil, é pouco conhecida. E como inúmeros outros artistas, talvez busque a proteção dos astros, dos deuses, da numerologia, enfim, para darem certo por aqui, além de terem de contar uma grande dose de coragem. E Isso Sillvana tem, sobrando.
Poucas vezes vi uma cantora ousar tanto numa única apresentação. Pois a desconhecida Sillvana segurou 3 sets com sua banda de teclado, baixo e bateria, de uma maneira empolgante. Mais do que isso, foi sua personalidade vibrante e destemida que permitiu-lhe, ao cantar músicas conhecidíssimas do repertório internacional de grandes divas (mesclou acertadamente trechos onde cantava só jazz e trechos onde cantava só "pop"), desviar-se do óbvio em belas e personalíssimas variações, possíveis somente por sua boa técnica e domínio da voz. Mandou ótimas "Caravan" e "Night in Tunisia", além de hits dançantes, com muita garra.
O suporte a Sillvana foi dado pela tecladista Sheila Zagury, figura de aparência tímida, que, no entanto, transformava-se em uma "fera" quando de seus improvisos nos temas jazzísticos, demonstrando anos de estudo e uma capacidade de improvisar elegante e de ótimo nível melódico. No baixo elétrico de 5 cordas, Alex Rocha, além de uma atuação bem sólida nas bases, fazia ainda as vezes de solista em diversas oportunidades, com talento. Na bateria, o récem-agregado Xande Figueiredo soube dosar muito bem sua força nos temas de jazz, preferindo adequadamente as vassourinhas às baquetas que só utilizou, com competência, durantes os temas "pop" e dançantes.
Um belo e surpreendente espetáculo num paraíso à beira mar. Surpresa total numa noite não programada de sexta-feira, exatamente como costumam ocorrer as boas surpresas da vida.
Sillvana Agla - @@@

5. In the Wee Small Hours of the Morning - Stacey Kent

Minha paixão por essa americana de voz pequena e entonações muito ricas e completamente inusitadas por pouco não se deu. Há coisa de uns cinco anos, uma amiga que sabia de minha atração pelo jazz mandou-me o disco de uma desconhecida "inglêsa", que havia ganho e que tinha achado boazinha. Lotado de coisas para fazer, inclusive à noite, ouvi o CD "Close Your Eyes" com pressa e superficialmente, pois de cara impliquei com o timbre da moça. Devolvi-o à dona com um amarelo sorriso e um inconvincente "é bom".
Há uns três anos atrás, procurando por "Sleep Warm", clássico dos anos '50, através do Napster, encontrei-a cantando essa música com inflexões raríssimas, num clima de lençóis que poucas vezes tinha ouvido. Daí a explorar todo o seu acervo foram algumas noites em claro, em busca de tudo o que pudesse encontrar. Depois de compilar um CD com 16 músicas suas, tive o prazer de apresentá-la aos demais editores do CJUB.
Foi, entretanto, a sua interpretação de "In the Wee Small Hours of the Morning", do disco Tender Trap, que me detonou o tampo da cabeça, fazendo com que minha admiração por seu jeito intimista e delicado de contar histórias de amor chegasse ao limite superior. É, das cantoras surgidas na década de 90, para mim a maior revelação. Pode-se tomar, aleatoriamente, qualquer das canções de um de seus 5 discos editados e encontraremos uma interpretação fresca, um timbre diferenciado e andamentos inusitados que a distinguem positivamente em relação a outras boas cantoras, mesmo que a música escolhida seja um surrado "standard".
Stacey Kent é, para mim, um sopro de sutil modernidade no panorama do jazz e é apaixonante. E Wee Small Hours a trilha sonora dessa paixão.

[Love is a] Tender Trap - Chiaroscuro, 1999

4 . Ruby My Dear - de Thelonious Monk, por John Coltrane ou Coleman Hawkins

Essa música está na minha lista de favoritas simplesmente porque todas as vezes em que a ouço eu, automaticamente, passo a me sentir melhor. Não saberia explicar o motivo, é um fato. E as possibilidades de explicá-lo seriam tão tortuosas e inúteis que acho melhor deixar assim. Só digo aos leitores que ainda não a conhecem, por estarem iniciando-se no jazz agora, que procurem ouví-la na versão dos saxes de John Coltrane ou na de Coleman Hawkins (há centenas de outras boas versões). Apenas para dar uma referência, ela está em inúmeros discos de Coltrane. E no "Hawk Flies", de Coleman Hawkins.

08 fevereiro 2003

3 - Moanin' (Bobby Timmons)

"Ok David, dessa vez eu vou!". Nosso amigo Bene-X nem acreditou quando depois de anos de convite eu aceitei ir à um Free Jazz. Confesso que, apesar de gostar e ouvir, o jazz não fazia parte do meu cotidiano. A não ser é claro pelos solos do Stan Getz nas músicas do João Gilberto. A Bossa Nova sempre foi meu estilo predileto de música e agradeço a ela meu primeiro contato direto com o jazz. Bene-X e Marcelon ficavam horas falando do assunto tentando fazer minha conversão definitiva ao jazz, mas faltava algo que ainda não sabia. Naquele ano de 2001 resolvi assistir o The Benny Golson Sextet num tributo a Art Blackey e os Jazz Messenger. Alguns dias antes o David me emprestou alguns discos do Blakey para eu ir ouvindo. Uma música começou a mudar minha maneira de ouvir uma canção. Era a primeira faixa do disco e ainda tinha uma versão logo em seguida, eu a repetia a exaustão, era a música do encantador de serpentes, era Moanin`...
Eu estava louco para ouvi-la ao vivo. Chegamos ao MAM naquela noite e fomos logo entrando. Como nossa mesa era bem distante o David com sua enorme cara-de-pau foi sentar na mesa 3C que estava vaga naquele instante. Já acomodados, David encontra nosso grande amigo e figuraça Arlindo Coutinho. Ele me apresenta e percebo logo de cara que se tratava de uma ótima pessoa. Quando começou o show do Benny Golson, várias doses de Johnny Walker depois, Coutinho começou a gritar nome por nome de todo o sexteto. Cada solo um berro. E todo mundo vibrando! Duas coisas me chamaram muita atenção naquela noite, além é claro do maravilhoso show em si. A interação da platéia com os músicos era tamanha, naquele momento todos nós sentíamos a música, transpirávamos junto com os músicos, era uma verdadeira união de sentimentos. Mas, o que me conquistou, e que nunca tinha visto em nenhum tipo de show, foi a total cumplicidade entre os músicos, eu só consegui entender isso quando eu li que o "Jazz é a música dos músicos". O show acabou. Eu estava meio sem saber o que tinha sido aquilo. Moanin` não foi tocada, mas dentro de mim ela não parava um segundo. Na volta pra casa de carona com o David, estavam o Coutinho, o Jorginho Guinle e o Estêvão Herman. Imaginem como estava esse carro! Cada um falava mais que o outro contando histórias mil e eu calado, surpreso, encantado... Foi difícil dormir naquela noite.
No dia seguinte, um domingo, tive de acordar cedo. Era a primeira comunhão do meu filho no Colégio Notre Dame. Lá fui eu. Durante a missa me lembrava do show, dos berros do Coutinho, do sorriso dos músicos, dos solos de cada um, no debate musical dentro do carro do David... Mas uma coisa não cessava em minha cabeça, era Moanin`, a música da minha conversão...
Agradeci a Deus pelo momento vivido e percebi que a partir daquele instante tinha me convertido definitivamente ao mundo do Jazz.

Marcelink

07 fevereiro 2003

2 - What A Wonderful World (George Weiss / Bob Thiele)

Em 1993 adquiri meu primeiro CD player. Comprei do Bene-X de segunda mão. Bem, é claro que logo em seguida fui comprar meus primeiros cds. Entrei na Mesbla (lembram-se?) e fui pegando os discos como um garoto em frente a um baleiro. Um do Sting, um do Pink Floyd, alguns do João Gilberto e... me deparo com uma coletânea do Louis Armstrong. Me veio à cabeça a promessa que eu tinha feito a mim mesmo, anos antes, de ser dele o primeiro cd que iria comprar. O motivo? A música "What a Wonderful World" que meu pai gostava muito. Aconteceu , não sei bem porque, que no início dos anos 90 essa música virou hit novamente e tocava em diversas rádios. Neste mesmo período meu pai adoeceu e veio a falecer. Essa música então passou a representar para mim esse período doloroso em minha vida. Passei a evitá-la. Comprei o cd e arquivei-o. O tempo passou, os cds vieram em dezenas, meu gosto pelo jazz aflorou, mas aquele cd continuava ali exilado em minha memória...
Ano passado fui ao show de lançamento do novo CD da Wanda, com minha mulher e com grande parte dos confrades. Um show delicioso, envolvente e emocionante. Já no finalzinho ela me surpreende com uma versão especialíssima de "What a Wonderful World" que me deixou em lágrimas. Foi a redenção desta canção. Percebi que uma música linda como essa e que lembrava uma pessoa tão querida para mim, não podia ser esquecida ou evitada. A dor passou e hoje quando a escuto me sinto feliz por ter meu pai um pouco mais perto de mim.

Marcelink

06 fevereiro 2003

Convocação aos Mestres

Mestres JDR e Arlindo, aguardamos ansiosos as suas listas de melhores músicas, aquelas que os fazem sorrir internamente (e não estariam limitadas só ao jazz, embora eu duvide que assim não sejam)! Obrigado, pela confraria toda.

4. Strange Fruit

A eleição de "Strange Fruit" entre minhas músicas favoritas se deve basicamente a dois motivos: em primeiro lugar, e por óbvio, incluir Billie Holiday; depois, e igualmente importante, pelo contexto histórico da música. Vamos por partes.
Billie Holiday é companhia frequente em minha vida, desde minha infância, quando, me recordo, papai chegava em casa diariamente com um disco e um livro. Naquele dia em que o vi com o "Songs for Distingué Lovers" percebi que ali estava a tradução mais perfeita do que eu poderia considerar como sentimento. Aquela voz rascante, que denunciava a mais sofrida das existências, me conquistou de imediato, e, ainda que o repertório daquela "bolacha" não incluísse a música aqui eleita, as baladas que o recheiam me causam arritmia desde então.
Confesso, ainda, que a música de Lady Day que mais emociona é "The Man I Love", uma canção que agrega, para mim, todas as nuances que a conjugação música/emoção pode oferecer.
Com "Strange Fruit", entretanto, acho que Billie deu a largada na onda de manifestos contra o infinito preconceito racial que havia (?) na sociedade americana. Na histórica noite de 20 de abril de 1939, no Café Society de Nova Iorque, Billie cantou esta balada pela primeira vez, antecipando, em décadas, a marcha que viria ser liderada por Martin Luther King em 1964. Muitos anos se passaram até que a música fosse cantada novamente, dada a repercussão contrária a partir daquela apresentação.
De letra tristíssima, as "frutas estranhas" eram, na verdade, os cadáveres de negros linchados e pendurados em árvores, e traduziam a indignação mais pujante contra a segregação social.
No disco Lady Day (1939-1944), selo Commodore, encontra-se a gravação da histórica noite no Café Society, em gravação que a Columbia se negou a registrar, e, se me fosse dada a capacidade de resumir o significado desta inesquecível canção, faria minhas as palavras de Tony Bennett: "Quando se ouve Billie Holiday cantando Strange Fruit é como ter uma audição de sua própria autobiografia".
Que felicidade ter a companhia de Billie Holiday durante toda uma encarnação...

"Southern trees bear a strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black body swinging in the Southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar tress (...)".

Homenagem

Gostaria de fazer aqui uma homenagem ao Marcelink, nosso querido Marcelinho. Hoje ele está comemorando seu aniversário. Marcelinho é um grande amigo e, tenho certeza, vai comemorar c/ um bom jazz e o velho Jack.
Todo sucesso e vida longa!
Marcelon
FIRE AND RAIN
Em janeiro de 1977, estava c/ mochila às costas e pé nas estradas e ferrovias do cone sul. Após quase 1 mes, partimos p/ Buenos Aires p/ encerrar a viagem. Não era uma boa época p/ visitar a Argentina. No 4º ou 5º dia descobrimos uma pequena loja de música. Imaginem uma Arlequim reduzida, mais no estilo da Arquivo. Estávamos conhecendo a loja e o seu dono(se não me engano, Pablo), quando começou a rolar um som que me paralisou: Fire and Rain num arranjo de jazz e c/ flauta. Era o album CALIFORNIA CONCERT produzido por Creed Taylor gravado no Hollywood Palladium em 1971 c/ os seguintes músicos:
Freddie Hubbard, trumpet
Stanley Turrentine, tenor
Hank Crawford, alto
Hubert Laws, flauta
George Benson, guitarra
Johnny Hammond, teclados
Ron Carter, baixo
Billy Cobham, bateria
Airto Moreira, percussão
O disco é antológico e Fire and Rain ficou sendo marcante, pelo seguinte:
Eu cresci ouvindo muita música na minha casa, de tudo, mas, nos finais de semana, meu pai ouvia jazz acompanhado de um uísque(se estivesse vivo, participaria do blog): Oscar peterson, MJQ, Miles, Dave Brubeck, Sinatra e Ella.Muito Sinatra e muita Ella.
Em 1977, c/ 19 anos, era raro eu estar presente aos finais de semana e o que eu estava ouvindo era rock progressivo.
Quando eu escutei Fire and Rain, minha cabeça girou e posso dizer que esse disco me reencontrou c/ o jazz. Um jazz "novo" p/ mim que ma abriu as portas p/ tudo que estava rolando no jazz.
Foi uma experiência marcante e California Concert é um disco brilhante, sendo que Freddie Hubbard está extraordinário.
Marcelon

05 fevereiro 2003

3. Les Feuilles Mortes (Autumn Leaves)

A refeição tinha sido mais que prazerosa naquela fria tarde parisiense. Acabáramos de almoçar no La Chope D'Alsace, um simpático pouso próximo a St. Germain, onde fomos brindados com uma refeição típicamente alsaciana, seus excelentes Gewürztraminer e a boa seleção de queijos, o que, convenhamos, tornaram obrigatória a degustação de um digestivo de boa estirpe e charuto idem.
Vivo um sofrimento psicológico toda vez que preciso de um digestivo naquela malfadada cidade - onde ir, ao Cafe Flore ou ao Aux Deux Magots? A entrada de Isabelle Adjani no Flore me fez tomar uma decisão mais rápida que a habitual, e o mundo parecia ter parado quando vi aquelas duas pérolas azuis na mesa ao lado.
Pedido o Calvados, passamos ao extraordinário Montecristo nº 2, um pirâmide de insuspeita categoria, e saboreamos aquele fim de tarde em silêncio quase sepulcral.
A vida adquire uma dimensão diferente após uma grande refeição compartilhada com pessoas queridas, e a companhia de um puro sempre traz uma alegria adicional ao espírito. O silêncio, entretanto, tornou-se, naquela tarde, um porta-voz da sensível versão desse grande clássico que é "Les Feuilles Mortes (Autumn Leaves)", cuja execução se iniciava no salão principal. O piano de Legrand, acompanhado do violino de Grapelli, deu outro colorido àqueles olhos tão lindos e fez com que eu nunca mais deixasse de fumar um pirâmide Montecristo nº 2, tudo em homenagem àquela lembrança.
A "bolacha" que abriga esta magnífica versão chama-se "Grapelli Legrand", disco gravado em duo, no dia 20 de abril de 1993, e, apesar da infinita quantidade de gravações existentes para esta obra-prima, não há nenhuma que me sensibilize da mesma forma.

Les Feuilles Mortes (Joseph Kosma / Jacques Prevert / Johnny Mercer)
Polygram. Grapelli Legrand

E mantendo o ritmo das baforadas

04 fevereiro 2003

E para quem um dia duvidou da Conchita...

Recebi de um amigo leitor do CJUB, à guisa de colaboração, a foto seguinte, que apresenta Anthony Braxton durante uma gravação, a bordo(!) de um raro bass sax cuja existência e pilotagem eram para mim desconhecidas, vez que jamais o vira constar da ficha técnica uma gravação sequer. Quem tiver informações sobre esse monstro, estou interessado em conhecer-lhe a sonoridade. Acho que deve ser algo parecido como a de um transatlântico deixando o porto e avisando às pequenas nozes que o circundam: saiam da reta! Iluminem-me, amigos, por favor.
Quanto à Conchita, que enviou faz tempo uma foto semelhante, mas que parecia eventualmente uma montagem bem elaborada, nossos agradecimentos e saudações por ter sido a pioneira nesse calibre. Continue mandando suas ilustrações e comentários, por favor. Um abraço da turma, e não esqueça de enviar as 10 músicas que você mais gosta!

Artigo do Luis Orlando Carneiro, JB, 4/4/03 - KEITH JARRET

Para quem não compra ou não assina o JB, transcrevo o ótimo artigo de hoje do craque Luis Orlando sobre Keith e o Prêmio POLAR. Esse combalido porém valoroso jornal é o último bastião carioca da crônica de jazz, vez que o O Globo, desde a saída de nosso prezado JDR, não consegue produzir sequer uma linha a respeito do assunto, preferindo, como espelho da personalidade e visão microscópicas, quiçá amebianas de seu editor Arthur Xexéo, usar a página de crítica musical das terças feiras para resenhar discos de pagode, de rap, de rock, música sertaneja, enfim, coisas muito mais importantes para a cultura brasileira do que essa droga de jazz. Enfim, deleitem-se com o artigo do LOC.

P.S.: Não tenho nenhuma afinidade cultural com o sr. Gerald Thomas por desconhecer sua obra. Mas a partir desta data torno-me um admirador seu, tão somente porque em artigo também desta data no mesmo Caderno B do JB, desanca como pode ao mesmo Sr. Xexéu aqui mencionado. Sei lá, a briga é deles, mas se me chamassem para defender um lado, perfilar-me-ia nas fileiras Thomasianas, no escuro.


Mestre do improviso sem limites
Ganhador do Polar Music Prize deste ano, o pianista Keith Jarrett se consagra como um dos maiores nomes do jazz contemporâneo

Luiz Orlando Carneiro

"O pianista e compositor Keith Jarrett, 57 anos, uma das maiores expressões do jazz contemporâneo, foi escolhido pela Real Academia de Música da Suécia para receber, em maio, o Polar Music Prize 2003. Trata-se de um cobiçado prêmio internacional que corresponde, desde 1992, a um cheque de um milhão de coroas suecas (cerca de US$ 115 mil, pouco mais de R$ 400 mil no câmbio de hoje). O prêmio é destinado a músicos das áreas erudita e popular. Em anos anteriores, foram homenanegados, entre outros, Pierre Boulez, Stockhausen, Isaac Stern e o celista Mstislav Rostropovich, no campo da chamada música séria. Paul McCartney, Stevie Wonder, Miriam Makeba e Quincy Jones já ganharam o prêmio na categoria de música popular. Nesta divisão, só um gigante do jazz havia sido contemplado até hoje: Dizzy Gillespie (1917-1993).
O caso de Keith Jarrett é especial. Não se levou em conta a divisão do prêmio por áreas. De acordo com a Real Academia de Música sueca, o Polar Music Prize deste ano foi concedido ''ao músico americano Keith Jarrett, pianista, compositor e mestre no campo da música improvisada''. O comunicado acrescenta: ''O elevado grau da arte musical de Jarrett é caracterizado por sua habilidade em cruzar, sem esforço, fronteiras no mundo da música''.

O Polar Prize chega para Jarett no mesmo ano em que o seu trio Standards, com Jack DeJohnette (bateria) e Gary Peacock (baixo), está comemorando seu 20º aniversário. Esses 20 anos estão documentados em 15 álbuns da ECM, além da caixa de seis CDs intitulada At the Blue Note - The complete recordings (Três noites de gravações ao vivo, em 1994, no clube de Nova York).

O trio de Jarrett é, sem dúvida, o mais extraordinário pequeno conjunto de jazz em atividade, em termos de fluência, criatividade e interação com improvisação. Até bem recentemente, desde o primeiro volume de 1983, o grupo desconstruía e reconstruía apenas standards do cancioneiro norte-americano (All the things you are, The meaning of the blues, I'll remember april etc.). Jarrett, De Johnette e Peacock chegavam ao estúdio, ao clube ou à sala de concerto sem nenhuma idéia dos temas que desenvolveriam. A improvisação começava com a lembrança, no palco, de uma melodia ou passagem do rico American song book.

Nos dois últimos anos, a partir de Inside out, Jarrett modificou a concepção de seu trio. Deixou de partir de temas mais ou menos reconhecíveis (mesmo que só ao fim de algumas interpretações), para embarcar logo em improvisações livres cada vez mais audaciosas. Seu último CD (duplo), Always let me go - Live in Tokyo, é puro free jazz (sem dissonâncias agressivas que espantam os ouvidos mais comportados), e foi selecionado, pela maioria da crítica especializada, como um dos dez melhores discos lançados em 2002.

Virtuose do piano, Jarrett já era brilhante como sideman do saxofonista Charles Lloyd, aos 21 anos, em 1966. Mas ganhou notoriedade nos anos 70, quando passou a se apresentar, solo, em longos concertos totalmente improvisados. A obra-prima desse período foi o Köln concert (1975), carro-chefe do selo ECM, que vendeu mais de dois milhões de cópias.

Os gemidos e exclamações do pianista costumam acompanhar suas improvisações de grande intensidade emocional, mesmo nos tempos lentos. A técnica soberba de Jarrett e seu amor pela música erudita levaram-no a gravar, com grande sucesso crítico, os dois volumes do Cravo bem temperado e as Variações Goldberg, de J. S. Bach, além de três concertos para piano e orquestra de Mozart (os K.271, 453 e 466), mais os prelúdios e fugas de Shostakovitch.

Entre 1997 e início de 1999, Keith Jarrett esteve afastado do teclado em virtude de uma síndrome de fadiga crônica. Seu CD de retorno foi The melody, at night, with you - um disco plácido e intimista - contendo belíssimas versões de standards clássicos, como I loves you Porgy e Someone to watch over me."

1 - One World (Not Three) - Sting

Dia 24 de março de 1988. Com meus dezenove anos aquele certamente seria um dos dias mais importantes da minha vida. Estava na Secretaria Municipal de Educação no meio de dezenas e dezenas de garotas, jovens como eu, que lá estam para escolher as escolas que iriam começar sua vida profissional como professoras. Por incrível que pareça eu também estava lá pelo mesmo motivo. Havia passado no concurso público e também no vestibular para História na UFF. Um início de ano promissor... Por ser o único homem no meio de tantas garotas logo a atenção recaiu sobre mim. Enquanto aguardava a minha vez, assustado pelas opções de escolas em Santa Cruz, Campo Grande e Inhoaíba (?), comentei com as garotas que também havia passado no vestibular da UFF, neste momento vira-se em minha direção uma linda garota em forma de sonho, seus lindos olhinhos puxados me fitaram e ela disse que também estudava lá e estudava História! Fiquei alguns segundos sem saber o que dizer e é claro que a imensa sala onde estava desapareceu, só existia eu e a garota dos meus sonhos. Falei alguma coisa que não me lembro e só fui despertar para a realidade quando vi que eu era o 146 e ela a 145. Havíamos passado no concurso com as mesmas notas em todas as matérias, ficando ela na minha frente por ser um ano mais velha. Logo em seguida uma senhora nos chamou para escolher nosso futuro local de trabalho, quando entra uma secretária (ou seria um anjo) e nos disse que acabara de chegar cinco vagas para Paquetá! Antes que eu pensasse alguma coisa ela se vira pra mim e diz: "Quer trabalhar comigo em Paquetá?". A secretária ao ouvir a série de coincidências que nos cercavam profetizou que iríamos ser felizes naquela ilha. Escolhemos a mesma escola e ao sairmos a convidei para irmos até minha casa já que seríamos colegas de trabalho e de universidade. Quando chegamos, eu super nervoso fui até o toca discos e peguei o disco que mais gostava: o álbum duplo Bring On The Night do Sting. Quando começou a tocar a primeira faixa "One World" ela olha pra mim e diz que adorava essa música e que sem dúvida esse seria um momento especial em nossas vidas. Dois anos depois nos casamos, tivemos dois filhos e somos felizes até hoje e o Sting faz parte da nossa trilha sonora. Como esse é um blog jazzístico por excelência é legal destacar que este álbum tem grandes influências do jazz tendo Brandford Marsalis como saxofonista em todas as faixas. Mas sem dúvida essa música é importante para mim pelo momento que representou...

Um Grande Abraço à Todos

Marcelink

03 fevereiro 2003

2. Laetitia - um dos temas do filme Os Aventureiros, 1966.

Inauguradas as reminiscências, volto a 1967, ao Cine Condor Largo do Machado, à sessão histórica -para mim- desse filme estrelado por Alain Delon, Lino Ventura e Joanna Schimkus e dirigido pelo famoso diretor francês Robert Enrico. Além de ser um filme cuja trama era recheada de peripécias aventurescas do trio, do maior interesse para jovens de 15 anos, como eu, grande parte das cenas se dava num barco, filmadas em locais paradisíacos da costa mediterrânea. E trazia ainda a figura encantadora da heroína Laetitia, uma loura canadense (a primeira a ser objeto do meu desejo juvenil; a segunda foi Diana Krall e o desejo, não tão juvenil, virou admiração jazzística) que além de muito bonita, era charmosérrima, apaixonante. Então foi nesse clima de enlêvo que ouvi a música-tema da personagem de Joanna, e fui fisgado para todo o sempre. Saí rindo à tôa, mesmo depois da morte da bela personagem. Há ainda outro tema, chamado "Funeral Submarino", e executado durante a descida de Laetitia ao fundo do mar, que também é maravilhoso, mas a música-tema me remete, de pronto, à belíssima figura de Joanna Schimkus, nome complicado que no entanto nunca mais esqueci. A mágica união das imagens lindas à trilha adequada ficou indelevelmente marcada em minha mente, fazendo-me desejar rever o filme ainda uma vez.

Ficha técnica: Laetitia - Música: François de Rubaix; Letra: Jean Pierre Lang - Disques Pathé Marconi, 1966.

1 - LAURIE

Uma tarde qualquer de 1980, ao chegar da faculdade, recebi o recado p/ telefonar urgente p/ Carlos. Na verdade, era o saudoso Carlinhos da "velha" Moto Discos dizendo que tinha recebido uma jóia e tinha reservado p/ mim. Corri p/ a cidade e peguei a jóia: WE WILL MEET AGAIN, de BILL EVANS, acompanhado de Marc Johnson no baixo, Joe Labarbera na bateria, Larry Schneider, tenor, soprano e flauta e Tom Harrell no trumpete. Na verdade, foi a última gravação do Bill e ele se superou. Só posso dizer que está em qualquer lista de favoritos e a música LAURIE é uma preciosidade. Toda vez que a ouço, me isolo do que acontece em volta e tenho lembranças de momentos e pessoas importantes da minha vida. Por isso Laurie é e sempre será um das minhas favoritas.
Marcelón

01 fevereiro 2003

2. That's All

Chovia muito naquele sábado de janeiro. Sem outra alternativa, parti para a All the Best, um principado da música de bom gosto encravado em plena Ipanema. Era a primeira vez que eu iria à loja de jazz, visto que a loja original era voltada para o pop e o rock. Chegando lá, para minha decepção, a loja estava fechando, e já passava das 14:00, quando o dono, um sujeito engraçado, me perguntou se eu queria beber um scotch com as portas fechadas. Ante a resposta afirmativa, iniciamos, de pronto, os trabalhos vespertinos. Minha idéia era garimpar algum vocalista que fugisse à linha dos monstros consagrados, uma vez que minha coleção já abrigava considerável volume destes.
Pois bem, de uma daquelas prateleiras impecavelmente organizadas foi sacado, como rara preciosidade - que o é -, um disco gravado em Nova Iorque, entre os dias 3 e 5 de abril de 1989, que vem sendo "gasto" ao longo de muitos anos. Chama-se "For Sentimental Reasons", de um multifacetado músico, belo pianista e vocalista, Bobby Scott, dispondo de uma formação impecável: Bucky Pizzarelli (guitarra), Steve La Spina (baixo) e Jimmy Young (bateria).
A primeira audição, macia e gostosamente embalada pelo Black & White ofertado, atingiu seu ápice na faixa 9, That's All, uma balada de rara inspiração, de nos fazer perder a respiração tantas as lembranças por ela evocadas.
Naquele dia mais que querido, além de vir a conhecer o grande Bobby Scott, ganhei um irmão para toda a vida, Mr. Sazz, co-editor deste blog e um dos donos da inesquecível All the Best.

That's All (Bob Haymes / Alan Brandt)
Musicmasters. For Sentimental Reasons